Pensamentos de Santo Agostinho II

15 02 2013

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“O que é amargo ao escravo é doce ao enamorado”
“Se eliminas o supérfluo, verás que pouco é bastante”
“Pouco importa quanto tens, o que importa é o que tu és”
“Ser fiel no pequeno é coisa grande”
“Justiça exagerada, injustiça camuflada”

“O que sou de verdade, o sou em minha intimidade”
“Quando o querer é completo, o trabalho se torna um lazer”
“Pouco importa quanto fazes, o que importa é quanto amas”
“Faze a tua parte, se queres que Deus faça a sua”
“Nada estará perdido enquanto estivermos em busca”
“É melhor saber que ignorar, mas é melhor ignorar que equivocarse”
“A verdade é o alimento da alma”
“Ouve-se o eloqüente com prazer. O sábio, ouve-se com proveito”
“Aprende a ignorar se queres chegar a saber”
“A vocação de ensinar é uma vocação perigosa”
“Sou um bom mestre enquanto continuo sendo um aluno”
“Entender e não agir é perigoso”
“Cada um dá do que tem e transpira do que bebe”
“Ama apaixonadamente o conhecimento”
“Não queiras entender para crer; crê para que possas entender. Se
não crês, não entenderás”

“A castidade da alma é o amor ordenado que submete o inferior ao
superior”
“Quanto melhor é uma pessoa, mais incomoda as pessoas más”
“Para ser um bom orador é necessário ser um bom orante”
“O pior castigo do pecado é não ser castigado”
“Toda corrupção leva o homem à própria destruição. Pecar é
desmoronar o próprio ser e caminhar para o nada”
“Todos pecados são idênticos num aspecto: oposição ao permanente
e divino e adesão ao incerto e mutável”
“Pede sem cessar até que Deus te dê a Si mesmo”
“Deus quer dar-se, mas só se dá a quem quer recebê-lo. É claro que
quem não pede não quer receber”
“Fé é crer no que não vemos. O prêmio da fé é ver o que cremos”
“A fé é um grau de conhecimento. O conhecimento é o auge da fé”
“A fé abre a porta ao conhecimento. A incredulidade a fecha”
“O que anda à caça de milagres para cimentar sua própria fé faz de
si mesmo o maior dos milagres ao recusar-se a crer no que todo
mundo crê”
“Uma oração sem fé é uma fórmula vazia. Quem é tolo a ponto de
perder tempo pedindo algo em que não crê? A fé é o manancial; a
oração, o riacho. Como pode correr o riacho se o manancial está
seco?”

Crê para entender e entende para crer”
“Onde não há fé, não há obras boas. A intenção forja as obras; a fé
dirige a
intenção”
“Prepara teu pote para ir à fonte da graça. Que significa preparar?
Aumentar a fé, fortalecer a fé, robustecer a fé”
“O vaso da fé levado à fonte da graça será enchido de acordo com
sua
capacidade”
“A vida da vida mortal é a esperança da vida imortal”
“Não há motivo para tristeza duradoura onde há certeza de
felicidade eterna”
“Toda minha esperança se estriba em tua misericórdia. Dá-me,
Senhor, o que pedes e pede-me o que quiseres”
“O desejo é a sede da alma. A esperança é o alívio do desejo”
“A esperança é o fermento do amor”
“A boa consciência conduz à esperança. A má consciência, ao
desespero”
“A felicidade do homem consiste em crer no que Deus promete. A de
Deus, em dar ao homem o prometido”
“Não lhes peço que ponhais vossa esperança em mim, mas que a

ponhais em Deus comigo”
“Confia em Deus; Ele sempre dá o que promete. Sabe o que
promete, porque é a verdade. Pode prometer porque é onipotente.
Dispõe de tudo porque é a própria vida. Oferece todas as garantias
porque é eterno”
“Que fazes quando tens o trigo em um galpão úmido? Transfere-o
rapidamente para um lugar alto e seco. Muda de lugar o trigo e
deixas o coração mofando nas coisas ordinárias! Põe o trigo no alto,
ao alto também teu coração”
“Quando lês a Bíblia, Deus te fala; quando rezas, tu falas a Deus”
“É legítimo pedir o que é legítimo desejar”
“Reza bem quem vive bem”
“Vive bem quem reza bem”
“Amando a Deus nos tornamos divinos; amando ao mundo nos
tornamos mundanos”
“Amamos indevidamente o que Deus nos dá quando, por causa
disso, nos
esquecemos de Deus”
“Ama e faz o que quiseres”
“Cada homem é aquilo que ama”
“É tão grande a força do amor que transforma o amante em imagem
do amado”

 

 

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Entre a Palavra e a Eucaristia

7 02 2013

O Monaquismo revela de maneira particular que a vida está suspensa entre dois vértices: a Palavra e a Eucaristia. Isso significa que ele é sempre, inclusive nas suas formas eremíticas, resposta pessoal e uma chamada individual e simultaneamente acontecimento eclesial e comunitário.

A Palavra de Deus é o ponto de partida do monge: uma Palavra que chama, que convida, que pessoalmente interpela, como aconteceu com os apóstolos. Quando uma pessoa é atingida pela Palavra, nasce a obediência, isto é, a escuta que muda a vida. Diariamente o monge alimenta-se com o pão da Palavra. Privado dele, é como se estivesse morto, e não tem mais nada para comunicar aos irmãos, porque a Palavra é Cristo, com quem é chamado a conformar-se.

563919_4425144715100_1269296734_nMesmo quando canta com os seus irmãos a oração que santifica o tempo, ele continua a sua assimilação da Palavra. A riquíssima hinografia litúrgica, da qual justamente se sentem orgulhosas todas as Igrejas do Oriente cristão, não é senão a continuação da Palavra lida, compreendida, assimilada e finalmente cantada: aqueles hinos são em grande parte paráfrases sublimes do texto bíblico, filtradas e personalizadas através da experiência do indivíduo e da comunidade.

Perante o abismo da misericórdia divina, ao monge não resta senão proclamar a consciência da própria pobreza radical, que imediatamente se torna invocação e grito de júbilo por uma salvação ainda mais generosa porque inesperada no abismo da própria miséria. Eis porque a invocação de perdão e a glorificação de Deus constituem a substância de grande parte da oração litúrgica. O cristão vive imerso no assombro deste paradoxo, o último de uma série infinita, toda ela enobrecida de reconhecimento na linguagem da liturgia: o Imenso torna-se limite, uma Virgem dá a luz; através da morte, Aquele que é a vida vence a morte para sempre; no alto dos céus, um corpo humano está sentado à direita do Pai.

No apogeu desta experiência orante, está a Eucaristia, o outro vértice ligado indissoluvelmente à Palavra, enquanto lugar no qual a Palavra se faz Carne e Sangue, experiência celeste onde ela volta a ser acontecimento.

Na Eucaristia, manifesta-se a natureza profunda da Igreja, comunidade dos convocados à sinopse para celebrar o dom daquele que é oferente e oferta: eles, participando nos Santos Mistérios, tornam-se “consangüíneos” de Cristo, antecipando a experiência da divinização no laço, já inseparável, que, em Cristo, liga divindade e humanidade.

Mas a Eucaristia é também aquilo que antecipa a pertença de homens e coisas à Jerusalém celeste. Revela assim cabalmente a natureza escatológica: como sinal vivo de tal expectativa, o monge continua e leva à plenitude na liturgia a invocação da Igreja “maranatha” repetido continuamente não só com palavras, mas a existência inteira.








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