Reflexões de Dom Thomas Christian – Monge Cartuxo

25 09 2013

Transcrevo aqui alguns pensamentos das belas reflexões desse santo homem Dom Thomas, monge cartusiano.Os texto são belíssimos, mas infelizmente a tradução do italiano para o português não sai exatamente igual, por isso estou recolhendo o maior legado espiritual possível em forma de frases. Agradecendo sempre o meu amigo Roberto Sabatinelli que tanto tem fornecido enorme e rico material sobre a espiritualidade cartusiana.

Receita para vencer a pobreza do século: O AMOR.

1- “Em todos os lugares o homem, a humanidade está à procura de amor, à procura de amor e de ser amado. Pensa encontrar nas criaturas: dinheiro, enfeites, etc. Pensa encontrá-lo em seus companheiros, mas, infelizmente, continua a ser mais decepcionado.”( Dom Thomas Christian)

2- “O plano horizontal nunca vai encontrar algo para satisfazer essa sede de amor. Se o homem e a mulher são tão atormentados, torturados por este desejo, deve haver algo que deve atender e satisfazer esta sede. Se não, a existência do homem e da mulher é um absurdo. Mas nossa existência não é um absurdo, realmente, uma pessoa deu a solução. No evangelho Jesus dá a resposta. Jesus revelou-nos que temos um Pai que é amor infinito.”( Dom Thomas Christian)

3- “Este Pai criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, que é o Amor. Mas não há verdadeiro amor sem liberdade.”( Dom Thomas Christian)

4- “O Pai tem dado a mulheres e homens liberdade. A liberdade é o mais belo presente que o Pai nos fez, eécom essa liberdade que podemos amar completamente.” ( Dom Thomas Christian)

4- “O que é o amor verdadeiro? Se nós contemplamos o mistério de Deus, vamos encontrar a resposta. Deus, que é Amor, Deus deve existir em um amante e um Amado. Na verdade, Jesus revela que Deus é um Pai e um Filho. O Pai ama o Filho, para que é despojado de tudo o que ele tem para dar a seu filho, e vice-versa, o Filho ama o Pai, que lhe dá tudo o que você tem.”( Dom Thomas Christian)

5- “Então, o homem e a mulher, sendo criado à imagem e semelhança de Deus, deve dar-se plenamente e cada vez mais um ao outro amor.”(Dom Thomas Christian)

6- ” Se o amor não cresce, morre. Este amor espiritual no homem e na mulher se manifesta de forma significativa em seus corpos, e é por isso que a Bíblia diz: ‘formarão uma só carne “.(Dom Thomas Christian)

7- “Se não houver fidelidade não existe amor.”(Dom Thomas Christian)

8-  “Por outro lado, exige a igualdade, porque se um domina o outro, não há amor, mas tirania egoísta.”(Dom Thomas Christian)

9- “Mas o mundo presente, a presente civilização está em ruínas, destrói o verdadeiro amor. Pornografia reduziu à escravidão, o animal prevalece sobre o espiritual. Como resultado, o mundo está cheio de inveja, ódio e, finalmente, as pessoas matam, cometem suicídio, usam drogas, as doenças estão aumentando, aids, etc.”(Dom Thomas Christian)

9- “Um rio de sangue, uma torrente de lágrimas que cobrem o chão. Agora, se queremos ter paz, alegria, temos de voltar a Cristo, a luz verdadeira e única, a única maneira, toda a verdade e vida plena. Caso contrário, o maligno, Satanás vai dominar-nos e seremos cada vez mais infelizes neste mundo e no próximo.”(Dom Thomas Christian)

10- “O caminho indicado por Jesus para atender toda a verdade e desfrutar a vida plena é muito simples: buscar o Reino de Deus, o Pai, e todo o resto será dado por acréscimo. Isso é amar a Deus com todo o coração, com toda sua força, com todo o seu espírito e seu próximo com ele mesmo. O santo é um santo, porque ele amava a Deus com todo o coração e ao próximo como a si mesmo. Como não poderia chegar em sua fraqueza a esse amor?o próprio Jesus diz: sem mim, nada podeis fazer.”(Dom Thomas Christian)

11-“Jesus Gandhi, Madre Teresa de Calcutá salvou o mundo.Gandhi disse: “nós temos um Pai no céu. A Índia pode alimentar muito mais, v não precisa de aborto. Sem violência, podemos libertar a Índia ‘. Gandhi, de fato libertou a Índia pela oração e pelo jejum contínuo: os demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum. O Senhor diz: “se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará e nada será impossível para você.” Se tantos jovens em clubes usam drogas, não é culpa deles. A civilização atual é responsável, porque não respeita a pessoa humana.”(Dom Thomas Christian)

12-“O dinheiro é mais do que nunca, o rei do mundo, a civilização, o consumismo, a morte, a negação, a rejeição do mal e do verdadeiro bem. Não podemos servir a Deus e ao dinheiro, temos de ser semelhantes a Cristo manso e humilde de coração. Um Cristo que se fez pobre para enriquecer-nos a todos. Grande são os humildes e mansos ou seja, aqueles que venceram a si mesmos. Mas se um homem domina a si mesmo, então ele vai ser forte. Jesus será capaz de viver nele.”(Dom Thomas Christian)

NOTA: Dom Thomas partiu para pátria celeste, fazem alguns meses.

Você poderá continuar lendo toda a reflexão neste site:http://cartusialover.wordpress.com

 

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Ensinamentos de Santo Antônio, o Grande

23 09 2013
Santo Antão

Santo Antão

A maior obra dos homens é esta: ser capaz de manter seus pecados diante de Deus e estar preparado para a tentação até o último suspiro.

“Quem não tiver sido tentado não poderá entrar no reino do céu. Se suprimires a tentação, ninguém se salvará.”

Aquele que senta-se em solicitude e quietude escapou de três batalhas: ouvindo, falando e vendo. Mas mesmo assim ele tem uma constante guerra: no seu próprio coração.

O demônio teme a humildade, o bom trabalho e o jejum. Ele não consegue impedir a minha boca de falar contra ele. A ilusão do demônio logo desvanece especialmente, se o homem se arma com o Sinal da Cruz. O demônio treme ao Sinal da Cruz do Nosso Senhor, porque Ele triunfou sobre ele e o desarmou.

Segundo o Santo Antão, as tentações são manifestamente uma condição indispensável para se entrar no céu. É através das tentações que o homem obtém um faro do Deus verdadeiro. Sem tentação o homem estaria no perigo de apoderar-se de Deus e torna-lo inofensivo e inócuo. Pela tentação, porém, o homem experimenta existencialmente a sua distância de Deus, sente a diferença entre o homem e Deus. O homem permanece em luta constante, enquanto Deus repousa em si mesmo. Deus é amor absoluto, enquanto o homem é continuamente tentado pelo maligno.

Se ouvirdes atentamente a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos, porque minha é a terra, e vós constituireis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa. Ex. 19,5-6.

Aproximai-vos de Cristo, pedra viva, eleita e estimada por Deus, também vós, como pedras vivas.

Vinde formar um templo espiritual para um sacerdócio santo, a fim de oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo.

Sois uma estirpe eleita, sacerdócio real, gente santa, povo trazido à salvação, para tornardes conhecidos os prodígios dAquele que vos chamou das trevas para a luz admirável. 1Pd. 2, 4-5

Caríssimos, não descuidemos de nossa salvação. Sabei que se alguém se entrega a Deus de todo o coração, Deus tem piedade dele e lhe concede o Espírito de conversão.

Sabemos que desde as origens do mundo, os que encontraram na Lei da Aliança o caminho do seu Criador foram acompanhados por sua bondade, sua graça e seu Espírito. Mas os homens, incapazes de exercerem sua inteligência segundo o estado da criação original, inteiramente privados de razão, sujeitaram-se à criatura em vez de servir ao Criador.

Eu vos suplico, irmãos, penetrai-vos bem da maravilhosa economia da salvação.

Todo ser dotado de inteligência espiritual, aquele para quem veio o Senhor, deve tomar consciência de sua própria natureza, isto é, deve conhecer-se a si mesmo.

Seja-vos dado tomar bem consciência da graça que Ele vos deu. Não é a primeira vez que Deus visita as suas criaturas. Ele as conduz desde as origens do mundo e, de geração em geração, mantém cada uma desperta pelos acontecimentos de sua graça. Não negligenciemos, pois, chamar a Deus dia e noite. Fazei violência à ternura de Deus. Do céu Ele vos enviará Aquele cujo ensinamento vos permitirá conhecer o que é bom para vós.

Filhos, é certo que nossa enfermidade e nossa humilhação são dor para os santos e causa das lágrimas e gemidos que oferecem por nós diante do Criador do Universo.

Compreendei bem o que vos digo e declaro: Se cada um de vós não chega a odiar o que é da ordem dos bens terrestres e a isso não renunciar de todo coração, assim como a todas as atividades que daí dependem, se não chega a elevar as mãos e o coração ao Céu para o Pai de todos nós, não é para si a salvação. Mas se fazeis o que acabo de dizer, Deus vos enviará um fogo invisível, que consumirá vossas impurezas e devolverá vosso espírito à sua pureza original. O Espírito Santo habitará em vós, Jesus permanecerá junto de nós e poderemos adorar a Deus como é devido.

A todos os meus irmãos muito amados, a todos vós que vos preparais para vos aproximardes do Senhor, saúdo nEle, irmãos caríssimos, vossa natureza espiritual.

Que Deus abra os olhos de vosso coração para que percebais os múltiplos malefícios secretos, lançados todos os dias sobre nós no decorrer do tempo. Faço votos que Deus vos dê um coração clarividente e um espírito de discernimento a fim de vos apresentardes a Ele como uma vítima pura e sem mancha.

Persuadi-vos bem que vosso ingresso e vosso progresso na obra de Deus não são obra humana, mas intervenção do poder divino que não cessa de vos assistir.

Sede, pois, vigilantes, caros filhos, não permitais que vossos olhos durmam nem que vossas pálpebras dormitem, mas clamai dia e noite a vosso Criador para que vossos pensamentos se firmem no Cristo.

No Senhor eu vos suplico, caros filhos, deixai-vos penetrar bem pelo que vos escrevo. Voltai vossa alma para vosso Criador. Perguntai a vós mesmos o que seria possível retribuir ao Senhor por todas estas graças. É tão grande a sua bondade que Ele quis que o próprio Sol se ponha a nosso serviço nesta habitação de trevas, assim como a Lua e as estrelas, para sustentar fisicamente um ser cuja fraqueza o condenaria a perecer. Não sofreram por nós os patriarcas? Não nos dispensaram os sacerdotes os seus ensinamentos? Não combatiam por nós os juízes e reis? Não foram mortos por nós os profetas? Não sofreram os Apóstolos perseguição por nós? E não morreu por todos nós o Filho bem amado? Agora é a nossa vez de nos dispormos a ir ao nosso Criador pelo caminho da pureza.

Meus caríssimos no Senhor, a vós que sois co-herdeiros dos santos, rogo que desperteis em vosso coração o temor de Deus. Preparemo-nos, pois, santamente, e purifiquemos nosso espírito para sermos puros a receber o batismo de Jesus e a nos oferecermos como vítimas agradáveis a Deus. O Espírito Consolador, recebido no Batismo, nos conduzirá a nosso estado original.

Caros irmãos, chamados a partilhar da herança dos santos, agora estais próximos de todas as virtudes. Todas elas vos pertencem se não vos embaraçais na vida carnal, mas permaneceis transparentes diante de Deus. É a pessoas capazes de me compreender que escrevo, a pessoas em condições de se conhecerem a si mesmos. Quem se conhece, tem a obrigação de adorar a Deus como convém.

Fonte:http://www.ecclesia.com.br





Onde Deus Escavou o Poço

22 07 2013
Santa Clara

Santa Clara

Quando Deus terminou o céu e a terra,
as plantas e os animais, o homem e a mulher,

e  viu que “tudo era muito bom”,  Gn 1, 31
fez uma coisa nova: inventou o repouso.
Não era propriamente o doce fazer nada,
não havia nenhum sabor de cansaço,
não possuía o enfado de nossas tardes dominicais:
era simplesmente o estupor amoroso de Deus,
frente à beleza brotada de suas mãos,
o seu olhar sorridente sobre a bondade das coisas.
Era uma vida diferente: a vida contemplativa.
Deus não queria somente para si este privilégio
de gozar, do alto, de todas as maravilhas
onde deixou refletida a sua imagem.
É uma necessidade do amor condividir a alegria.
E Deus chamou o casal humano,
no qual beleza e força faziam síntese,
e convidou-o a participar da festa.
O homem e a mulher recusaram o convite
quando pretenderam fazerem-se ‘deus’ com as suas próprias mãos.
E, desde então, a humanidade não conhece mais repouso.
Mas Deus, que não renuncia nunca à alegria,
tentou de muitos modos convencer o seu povo
A deixar o Egito de obras cansativas
para “celebrar uma festa no deserto”, Ex 5,1
junto com Ele , na intimidade do amor.
Mas esse preferiu as cisternas rachadas
de seu inútil afã,
à fonte de água viva da contemplação de Deus.
Por isso, Ele “jurou no seu furor:
Não entrarão no lugar do meu repouso”. Sl 94,11
Então Deus sonhou o Homem novo e a Mulher nova
e o seu sonho fez-se carne em Jesus Cristo,
no seio de uma humilde jovenzinha: Maria de Nazaré.
O casal regenerador do novo povo de Deus
conheceu a estrada do deserto – angústia e solidão –
antes de alcançar a terra prometida do repouso,
e tornar-se modelo da humanidade do ‘sim’
ao longo do tempo para a Igreja em caminho no mundo.
É sobre este caminho que se entrelaçam as vidas
de Francisco e de Clara de Assis, o homem e a mulher
chamados juntos a proclamar o Amor que cria e se repousa,
que salva como Cristo e regenera como Maria.
Não se compreende o misterioso fascínio do ‘poverello’
sem a secreta beleza de Clara;
não está completa a sua mensagem eloqüente,
se não se compreende que esta mesma Palavra
se encarnou também, e silenciosamente, nela.
A água  purificadora e fecunda da simplicidade evangélica
que Deus quis derramar sobre a terra ressequida do século XIII
em um dilúvio benéfico que dura até hoje,
brota do sorriso de Clara no coração de Francisco.
A este, como ao primeiro homem, o Amor se revela
como convite ao repouso, ao louvor,
à ação de graças: um convite à contemplação.
Quando Francisco começou a restaurar a igreja de São Damião,
respondendo com zelo de menino ao chamado do Crucificado,
é que Deus estava ali, escavando o poço
de onde jorraria a veia de água contemplativa
da Senhora Clara e de suas irmãs.
É ali que a visão profética
de “mulheres santas e famosas” Testamento de Santa Clara 14
chamadas  juntamente com ele, por um único carisma,
a serem  “um povo humilde e pobre”,  Sf 3,12
“felizes de não possuir nada além de Deus”,  Legenda Perusina
o exalta e lhe assinala o espírito para sempre.
Francisco e Clara: esta nova edição atualizada e gratuita
da incessante obra criadora e redentora de Deus,
onde, não por acaso, não paralelamente,
mas segundo a misteriosa e inefável reciprocidade,
que sela o relacionamento homem – mulher,
a mesma experiência de fé, a idêntica seiva contemplativa
tomando diversamente corpo, forma e matiz.
Francisco e Clara: o novo casal
em cuja unidade humana aparece, em transparência, o divino;
ele, o sol inflamado do amor paterno de Deus,
ela, a água regeneradora do amor materno de Deus;
ele, queimado do desejo de contemplação
no seu incansável peregrinar de apóstolo,
ela, transbordante de ardor missionário
na silenciosa fecundidade de uma existência escondida.
Porque o amor é assim, quando é verdadeiro amor:
pede a luta e a quietude, a busca e o repouso,
o olhar adorador e o gesto operativo.
Não que Francisco proclame apenas uma dimensão e Clara a outra:
ambos são síntese viva e palpitante
de contemplação e ação,
mas o acento tônico de sua vida cotidiana
respeita a sua condição de homem e mulher
projetada no albor do mundo,
quando Deus presenteou ao casal humano
o paraíso para o tempo do trabalho,
e o repouso para o tempo do amor.
E Clara, que amou definir-se
“plantinha” de Francisco,  Testamento de Santa Clara 37 
quase surgida dele como Eva da costela de Adão,
compreendeu e viveu o seu compromisso de mulher
à insígnia do ‘sétimo dia’.




As tres misericórdias e as quatro compaixões

15 05 2013
S.Bernardo de Clairvaux

S.Bernardo de Clairvaux

Tradução de Antonio Carneiro

1. Perdoa-me, Deus, segundo tua imensa misericórdia! (Sl 50, 3) Assim como os pecados são mínimos, medianos e imensos, também existe a misericórdia pequena, mediana e imensa. Um grande pecador precisa de grande misericórdia, como onde abundou os pecado superabunde a graça (Rm 5, 20). Misericórdia pequena considero a paciência, que não pune de imediato o pecado, espera pela penitência. É pequena não em si, mas comparada com outras. A paciência do Senhor é muito grande, e imensa toda sua misericórdia. Quando pecaram os anjos não esperou, precipitou-os do céu; o homem que pecou não lhe consentiu (ficar), expulsou-o logo do paraíso. Entretanto, espera e tolera, suporta dez anos, vinte, até a velhice e a senilidade (Sl 70, 18). E se consideramos quantos e quão graves pecados se cometem no quotidiano, não nos parece leves aqueles que receberam de imediato uma sentença de sua condenação ? Não é de estranhar que o Profeta por pouco desse um passo em falso, e quase resvalasse suas pisadas, (Sl 72, 2-3) ao invejar os perversos e ver prosperar os malvados, que não cessam de dizer: É que Deus vai saber, ou vai se inteirar o Altíssimo? (Sl 72, 11) Contamos com a graça da cruz de Cristo e sua virtude: Eu vivo, disse o Senhor: não quero o pecador morto, mas que seja convertido e vivo. (Ez 33,11) Quanto a minha visão, é a voz do Cristo ressuscitado (132), isto é, como se disse: Queira, ou não o judeu, eu vivo; não quero a morte do pecador, porque quis morrer pelos pecadores: quero que minha morte seja frutífera, e copiosa para a redenção deles. (Sl 129, 7)

2. Esta misericórdia do Senhor, pela que se mostra lenta em castigar e pronta a perdoar, repito que não é pequena em si, mas sim comparada com outras; e é que ela só é incapaz de salvar, e inclusive agrava a sentença da condenação, como foi dito: Isto fizeste e calei. (Sl 49,21) Escutemos sobre isso o Apóstolo, com sua terrível entonação: duvidas da grandeza da bondade e tolerância de Deus? Ignoras quanta paciência tem Deus para a penitência te aduzir? Tu também, segundo tua dureza e coração impenitente, te entesouras de ira para o dia da ira. (Rm 2, 4-5) Entesouras, diz-se, de tesouros de ira em troca de tesouros de misericórdia que desprezas, e esvazia em ti a misericórdia de Deus. É segundo o quê ? Segundo tua dureza e coração impenitente? Quem será capaz de cindir essa dureza, a não ser aquele que ao morrer cindiu as rochas? (Mt 27, 51) Quem concederá um coração penitente, a não ser aquele de quem todos dons são preciosos? (Tg 1, 17)

3. Esta é a segunda misericórdia, muito maior que a anterior, já que impede que seja infrutífera e se converta em condenação de morte. (Lc 24, 20), dando penitência, sem a qual a paciência, em lugar de aproveitar-nos prejudica muito. E pode ser suficiente para os pecados leves, porque a penitência quotidiana basta para salvar-nos de tudo isso que não podemos evitar enquanto vivemos neste corpo de pecado. (Rm 6, 6) Para os pecados mais graves, e os pecados que levam para a morte, (Jo 5, 16) além de fazer penitência, é preciso continência. Difícil é arrancar-se da sua cerviz o jugo do pecado (Gn 27, 40) previamente aceito, e só (133) é possível com o poder divino, porque quem comete o pecado é escravo do pecado,(Jo 8, 34) e somente uma mão forte(Ex 13, 3) pode liberá-lo dele.

4. Esta é a grande misericórdia, necessária aos grandes pecadores, de que se diz: Perdoa-me, Deus, segundo tua imensa misericórdia e segundo a imensidão de tuas compaixões, (Sl 50, 3) e etcétera. Das quatro filhas da grande misericórdia é dito, que são sentir a amargura, diminuir as oportunidades, fortalecer a resistência e sanar as afeições. Às vezes o Senhor infunde piedosamente certa amargura naquele que está acorrentado ao pecado, e por esse meio ocupa seu espírito e vai expulsando os nefastos deleites do pecado. Outras vezes o priva das ocasiões, e não permite que sua fraqueza sofra a tentação. Outras concede força para resistir; o que é muito melhor, pois ainda que sinta a tentação é capaz de enfrentar varonilmente e não consentir. E outras vezes sana o afeto, que é perfeitíssimo, e com o que erradica toda tentação , assim não só não consente isso, como nem que se sinta tentado.

Obras Completas de San Bernardo – Tomo VI – Sermones varios
Biblioteca de Autores Cristianos, serie normal n° 497, Madrid, 1988, 534 p.
ISBN 84-220-1315-0
edición bilingüe promovida porla Conferencia Regional Española de Abades Cistercienses
introducción y traduccion por Mariano Ballano

Fonte:http://www.sophia.bem-vindo.net





Apoftegmas do Abade Agatão

5 03 2013

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1. Disse o Abade Pedro, o discípulo do Abade Lote: «Estávamos certa vez na cela do Abade Agatão, quando foi ter com ele um irmão que dizia : «Quero morar com os irmãos; dize-me como hei de viver com eles». Respondeu-lhe o ancião : «Como no primeiro dia em que te chegares a eles, assim todos os dias da tua vida conserva a tua qualidade de estranho, de modo a não teres familiaridade com eles». Perguntou então o Abade Macário: «E que importa a familiaridade?» Respondeu-lhe o ancião : «A familiaridade se parece com um calor muito ardente, o qual, sempre que se produz, afugenta a todos e destrói os frutos das árvores». Interrogou o Abade Macário: «Tão daninha assim será a familiaridade?» Respondeu o Abade Agatão: «Não há outro afeto pior do que a familiaridade; com efeito, é a matriz de todas as paixões. É preciso que o operário 1 não experimente familiaridade, mesmo que viva a sós na cela. Sei que um irmão, tendo morado muito tempo em sua cela, onde havia um leitozinho, disse : ‘Teria mudado de cela sem ter percebido nem mesmo o leitozinho, se outro não me tivesse chamado a atenção’. Um tal é realmente operário e guerreiro».

2. Disse o Abade Agatão: «É preciso que o monge não deixe que a consciência o acuse em coisa nenhuma».

3. Disse também: «Sem a observância dos preceitos divinos, o homem não progride em uma só virtude que seja».

4. Disse ainda: «Nunca adormeci tendo alguma coisa contra alguém; nem, enquanto o podia, deixei que alguém fosse dormir tendo algo contra mim».

5. A respeito do Abade Agatão diziam que o foram procurar alguns homens, os quais tinham

ouvido dizer que possuía grande discernimento. E, querendo experimentar se se enfurecia, disseram-lhe: «Tu és Agatão?» Ouvimos a teu respeito que és fornicador e soberbo». Respondeu: «De fato, assim é». Acrescentaram: «Tu és Agatão, o tagarela e difamador?» Respondeu: «Sou». Disseram mais : «Tu és Agatão, o herege?» Respondeu: «Não sou herege». Solicitaram-no, então, nestes termos: «Dize-nos por que é que aceitaste tão graves coisas que te dissemos; esta última, porém, não a suportaste». Respondeu-lhes: «Aquelas, eu as ponho em minha conta, pois são de proveito à minha alma; ser herege, porém, significa separar-se de Deus, e não me quero separar de Deus». Tendo ouvido isto, admiraram o seu discernimento, e foram-se edificados.

6 . Narraram do Abade Agatão que passou muito tempo a construir a cela com os seus discípulos; tendo-a terminado, retiraram-se nela para a habitar. Na primeira semana, porém, viu algo que não o edificava, e disse aos discípulos: «Levantai-vos, vamo-nos daqui». Ora estes perturbaram-se muito dizendo: «Se de qualquer modo já pensavas em te mudar, por que é que sofremos tão grande fadiga para construir a cela? De novo os homens, escandalizados por nós, hão de dizer : «Eis que os instáveis mais uma vez se mudaram». Vendo-os, então, pusilânimes, respondeu-lhes: «Se se escandalizarem alguns outros se edificarão, dizendo: «Bem-aventurados estes, pois, por causa de Deus, se mudaram e tudo desprezaram’. Quem, pois, quer vir, venha; eu agora me vou». Atiraram-se, então, por terra, rogando-lhe que lhes concedesse partir com ele, até que obtiveram licença.

7. Disseram também a respeito dele que, muitas vezes, mudava de pouso tendo apenas a sua foicezinha no cesto.

8. Perguntaram uma vez ao Abade Agatão o que é maior: o trabalho do corpo ou a disciplina interior (da alma). Respondeu o ancião: «O homem se parece com uma árvore: o trabalho do corpo é como que a folhagem, enquanto a disciplina da alma é como que o fruto. Pois que, conforme está escrito, ‘toda árvore que não produz fruto bom, será cortada e atirada ao fogo’ (Mt 3, 10), é evidente que todo o nosso esforço deve visar ao fruto, isto é, à disciplina da alma. Contudo também são necessários o envoltório e o ornamento da folhagem, que são o trabalho do corpo».

9. Perguntaram-lhe ainda os irmãos: «Qual a virtude, ó Pai, que entre as demais exige maior labor?» Respondeu-lhes: «Desculpai-me, julgo que não há labor igual ao da oração a Deus. Pois, todas as vezes que o homem quer orar, tentam os inimigos arredá-lo; bem sabem que não são suplantados por outro meio do que pela oração a Deus. Na prática de qualquer virtude que o homem assuma á si, se persevera, consegue tranquilidade; a oração, porém, até o último hálito requer luta».

10. O Abade Agatão era sábio de mente, diligente de corpo; em geral bastava a si mesmo, tanto no trabalho manual como na alimentação e no vestuário.

11. O mesmo caminhava com os seus discípulos, quando um destes encontrou na estrada um grãozinho verde de ervilha e perguntou ao ancião: «Pai, mandas que eu o recolha?» O ancião olhou-o com admiração e interrogou: «Fostes tu que aí o puseste?» Respondeu o irmão: «Não». E o ancião retrucou: «Como então queres recolher o que não puseste ?»

12. Um irmão foi ter com o Abade Agatão, dizendo : «Permite-me que habite contigo». Ora, quando caminhava pela estrada, encontrara pequena pedrade nitro, e a tomara consigo. Disse-lhe, pois, o ancião: «Onde encontraste esse seixo?» Respondeu o irmão: «Encontrei-o na estrada ao caminhar, e recolhi-o». Acrescentou o ancião: «Se vinhas habitar comigo, como ousaste recolher o que não havias semeado?» E mandou-lhe colocar de novo o seixo no lugar donde o tirara.

13. Um irmão dirigiu-se ao ancião, dizendo: «Um co preceito me foi dado, e, por causa dele, há luta em mim; queria sair para cumpri-lo, mas temo aluta». Disse-lhe o ancião: «Se estivesse Agatão em tuas condições, cumpriria o preceito e venceria a luta».

14. Reuniu-se na Cétia, para tratar de determinada questão, um conselho, o qual lavrou a respectiva sentença. Depois do mesmo, chegou-se o Abade Agatão aos monges, dizendo: «Não resolvestes o caso devidamente». Perguntaram-lhe: «Tu quem és para dizer uma palavra sequer?» Respondeu: «Sou filho de homem. Pois está escrito : ‘Se, de fato, proferis a justiça, sentenciai o que é reto, ó filhos dos homens’» (Sl 57, 2).

15. Diziam do Abade Agatão que passou três anos com uma pedra na boca até que adquiriu o hábito do silêncio.

16. Referiam também dele e do Abade Amum que, quando vendiam algum objeto, diziam uma vez o preço, e, o que se lhes dava, recebiam-no em silêncio e tranquilidade. Igualmente, quando queriam comprar alguma coisa, davam com silêncio o que se lhes dizia e tomavam o objeto, sem proferir nada absolutamente.

17. O mesmo Abade Agatão disse: «Nunca dei um ágape2; mas o dar e o receber eram para mim ágape (refeição): julgava que o lucro de meu irmão é obra de frutificação» 3.

18. O mesmo quando queria julgar alguma coisa que via, dizia dentro de si: «Agatão, não faças o mesmo». Com isto se apaziguava a sua mente.

19. O mesmo disse: «O homem irascível, ainda que ressuscite um morto, não é agradável a Deus».

20. Em certa época, o Abade Agatão teve dois discípulos que, separadamente, levavam vida eremítica. Um dia perguntou a um : «Como vives em tua cela?» Respondeu-lhe: «Jejuo até o pôr do sol, e então como dois pãezinhos». Disse: «Eis um regime digno, que não acarreta muita fadiga». E ao outro interrogou: «Como vives tu?» Respondeu : «Jejuo dois dias, no fim dos quais como dois pãezinhos». Disse-lhe então o ancião: «Lutas intensivamente sustentando duas pugnas, pois, se alguém come todos os dias e não se sacia, luta. Outros há que querem jejuar dois dias e saciar-se; tu, porém, duplicas o jejum e não te sacias».

21. Um irmão interrogou o Abade Agatão a respeito da fornicação. Respondeu-lhe este: «Vai, atira diante de Deus a tua fraqueza, e encontrarás sossego».

22. Certa vez adoeceram o Abade Agatão e outro dos anciãos. Ora, estando eles deitados na cela, um irmão lia o livro do Gênesis e chegou ao capítulo em que Jacó diz: «José não está, Simeão não está, e a Benjamim haveis de levar; assim fareis chegar em tristeza a minha velhice ao túmulo» (Gên 42, 36). Falou então o ancião: «Não te bastam os outros dez, ó Pai Jacó?» Disse o Abade Agatão: «Cala-te, ancião; se Deus tem alguém por justo, quem é que há de condenar?»

23. Disse o Abade Agatão: «Se alguém me fosse extremamente caro, e eu soubesse que ele me leva ao pecadoeu o afastaria de mim».

24. Disse também: «É preciso que, a toda hora, o homem se recorde do juízo de Deus».

25. Estando os irmãos a falar sobre a caridade, perguntou o Abade José: «Sabemos nós o que é caridade?» E contou, a respeito do Abade Agatão, que este tinha um canivete; foi ter com ele um irmão, o qual se pôs a louvar o objeto; o Abade, então, não o deixou partir sem que tivesse aceito o canivete».

26. Dizia o Abade Agatão: «Se me fosse possível encontrar um leproso e dar-lhe o meu corpo em troca do corpo dele, fá-lo-ia com prazer. Pois esta é a caridade perfeita».

27. Também dizia dele que, certa vez tendo ido à cidade para vender seus artefatos, encontrou na praça pública um homem atirado por terra, doente, o qual não tinha quem dele tratasse. Ora o ancião permaneceu com ele, tomando uma morada de aluguel, com o trabalho de suas mãos pagava o aluguel e as demais coisas de que necessitava o doente. Assim se deixou ficar quatro meses, até que estivesse curado o enfermo. Depois do que, o ancião voltou para a sua cela em paz.

28. Contava o Abade Daniel: «Antes que o Abade Arsênio viesse ter com meus Pais, também estes permaneciam com o Abade Agatão. Ora o Abade Agatão gostava do Abade Alexandre porque este era lutador4 e diligente.

Aconteceu que todos os discípulos de Agatão lavavam os seus fios de tear no rio; também o Abade Alexandre lavava diligentemente. Os outros irmãos, porém, disseram ao ancião: «O irmão Alexandre nada faz». O mesmo, querendo curá-los, disse-lhe: «Irmão Alexandre, lava bem, pois são fios de linho». Alexandre, tendo ouvido isto, entristeceu-se. Depois, porém, o ancião consolou-o, dizendo: «Então não sabia eu que trabalhas zelosamente? Todavia, disse-te aquilo, em presença deles, a fim de curar a sua mente pela tua obediência, irmão».

29 . A respeito do Abade Agatão narraram que se esforçava por cumprir todas as ordens. Quando navegavam em barco, era ele o primeiro a agarrar o cabo do remo; quando irmãos iam ter com ele, logo depois da oração, punha a mesa com as próprias mãos; com efeito, era cheio do amor de Deus. Quando estava próximo da morte, ficou três dias de olhos abertos e fixos. Os irmãos, então tocaram-no, dizendo: «Abade Agatão, onde estás?» Respondeu-lhes: «Estou colocado diante do tribunal de Deus». Perguntaram-lhe: «Também tu temes, ó Pai?»Respondeu-lhes: «Até agora fiz o que pude para observar os mandamentos de Deus; sou homem, porém; como hei de saber se meu esforço agradou a Deus?» Disseram-lhe os irmãos: «Não tens confiança em teu labor, executado conforme Deus?» Retrucou: «Não terei confiança, antes de me encontrar com Deus; pois um é o modo de julgar de Deus, outro o dos homens». Como o quisessem interrogar de novo, disse-lhes: «Praticai a caridade, não faleis mais comigo, pois estou atarefado». E morreu com alegria. Com efeito viam que ele partia como alguém que saúda os amigos e bem-amados. Tinha grande vigilância em tudo, e dizia: «Sem grande vigilância o homem não progride numa virtude sequer».

30. Certa vez o Abade Agatão dirigiu-se à cidade a fim de vender pequenos objetos, e encontrou um leproso à margem da estrada. Perguntou-lhe o leproso: «Aonde vais?» Respondeu o Abade Agatão: «Para a cidade a fim de vender objetos». Disse-lhe: «Sê caridoso, e leva-me para lá». Agatão, tomando-o nos braços, levou-o para a cidade. Rogou-lhe então o outro: «Onde venderes os objetos, lá coloca-me». Ele assim fez. Quando acabou de vender um objeto, perguntou-lhe o leproso: «Por quanto o vendeste?» Respondeu: «Por tanto». Disse-lhe o leproso: «Compra-me um pão». E aquele o comprou. E de novo vendeu outro objeto. Interrogou então o leproso: «E este, por quanto o vendeste ?» Respondeu : «Por tanto». E o mesmo retrucou : «Compra-me isto». Aquele comprou. Ora, quando terminou de vender todos os seus objetos e se queria ir, disse-lhe o leproso: «Vais embora?» Respondeu: «Sim». E aquele: «Sê de novo caridoso, e reconduze-me aonde me encontraste». E Agatão, tomando-o nos braços, carregou-o para seu antigo lugar. Este então lhe disse: «Bendito és, Agatão, pelo Senhor no céu e na terra». E o Abade, levantando os olhos, a ninguém viu. Com efeito, fora um anjo do Senhor que descera a fim de o experimentar.





Livro dos Provérbios (Pr) 1

25 02 2013

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1 Provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel,
2 para conhecer a sabedoria e a instrução, para compreender as palavras sensatas,
3 para adquirir as lições do bom senso, da justiça, da eqüidade e da retidão,
4 para dar aos simples o discernimento, ao adolescente a ciência e a reflexão.
5 Que o sábio escute, e aumentará seu saber, e o homem inteligente adquirirá prudência
6 para compreender os provérbios, as alegorias, as máximas dos sábios e seus enigmas.
7 O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. Os insensatos desprezam a sabedoria e a instrução.
8 Ouve, meu filho, a instrução de teu pai: não desprezes o ensinamento de tua mãe.
9 Isto será, pois, um diadema de graça para tua cabeça e um colar para teu pescoço.
10 Meu filho, se pecadores te quiserem seduzir, não consintas,
11 se te disserem: Vem conosco, faremos emboscadas, para (derramar) sangue, armaremos ciladas ao inocente, sem motivo,
12 como a região dos mortos devoremo-lo vivo, inteiro, como aquele que desce à cova.
13 Nós acharemos toda a sorte de coisas preciosas, nós encheremos nossas casas de despojos.
14 Tu desfrutarás tua parte conosco, uma só será a bolsa comum de todos nós!
15 Oh, não andes com eles, afasta teus passos de suas sendas,
16 porque seus passos se dirigem para o mal, e se apressam a derramar sangue.
17 Debalde se lança a rede diante daquele que tem asas.
18 Eles mesmos armam emboscadas contra seu próprio sangue e se enganam a si mesmos.
19 Tal é a sorte de todo homem ávido de riqueza: arrebata a vida àquele que a detém.
20 A Sabedoria clama nas ruas, eleva sua voz na praça,
21 clama nas esquinas da encruzilhada, à entrada das portas da cidade ela faz ouvir sua voz: e até quando os que zombam se comprazerão na zombaria?
22 Até quando, insensatos, amareis a tolice, e os tolos odiarão a ciência?
23 Convertei-vos às minhas admoestações, espalharei sobre vós o meu espírito, ensinar-vos-ei minhas palavras.
24 Uma vez que recusastes o meu chamado e ninguém prestou atenção quando estendi a mão,
25 uma vez que negligenciastes todos os meus conselhos e não destes ouvidos às minhas admoestações,
26 também eu me rirei do vosso infortúnio e zombarei, quando vos sobrevier um terror,
27 quando vier sobre vós um pânico, como furacão, quando se abater sobre vós a calamidade, como a tempestade, e quando caírem sobre vós tribulação e angústia.
28 Então me chamarão, mas não responderei, procurar-me-ão, mas não atenderei.
29 Porque detestam a ciência sem lhe antepor o temor do Senhor,
30 porque repelem meus conselhos com desprezo às minhas exortações,
31 comerão do fruto dos seus erros e se saciarão com seus planos,
32 porque a apostasia dos tolos os mata e o desleixo dos insensatos os perde.
33 Aquele que me escuta, porém, habitará com segurança, viverá tranqüilo, sem recear dano algum.








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