Chama Viva de Amor – Poesia – São João da Cruz

7 06 2015

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“Oh! Chama de amor viva
que ternamente feres
De minha alma no mais profundo centro!
Pois não és mais esquiva,
Acaba já, se queres,
Ah! Rompe a tela deste doce encontro.

Oh! Cautério suave!
Oh! Regalada chaga!
Oh! Branda mão! Oh! Toque delicado
Que a vida eterna sabe,
E paga toda dívida!
Matando, a morte em vida me hás trocado.

Oh! Lâmpadas de fogo
Em cujos resplendores
As profundas cavernas do sentido,
– que estava escuro e cego, –
Com estranhos primores
Calor e luz dão junto a seu Querido!

Oh! Quão manso e amoroso
Despertas em meu seio
Onde tu só secretamente moras:
Nesse aspirar gostoso,
De bens e glória cheio,
Quão delicadamente me enamoras!”

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A Loucura da Correria e a Serenidade da Alma

4 06 2015
padreinacio

padreinacio

Quanto custa o seu sossego,  sua tranquilidade, sua paz e sua  qualidade de vida? Qual é valor da serenidade de sua alma? A  obsessão  pela  atividade  é  uma  loucura.  A  vida  levada  com  muita  preocupação e ocupação é uma violência, uma agressão ao estado da alma e  uma atitude  grosseira e repugnante. É no ativismo exacerbado que está à  ausência do  equilíbrio,  da  moderação  e  da  vida  espiritual.  A  atividade  incessante  por  demais  exagerada  leva ao  esgotamento  físico,  mental  e  emocional.  Quantas  doenças  que  advém  do  pragmatismo,  da  velocidade  dos  afazeres,  das  tarefas  impostas  imperiosas,  da  ditadura  das  urgências,  das  máquinas  dos  poderosos  capitalistas  e  da  ganância  ter,  possuir  e  acumular  muitas  coisas.  O  resultado  é estresse,  esgotamento  total,  depressão, desconstrução de ideais, de amizades, romances, casamento e a  perda de outras coisas e da própria vida. Para uma vida agitada, avexada,  sem  controle  da  sua  ansiedade  é  uma  cadeia  infernal.  A  conexão  do  adventício  com  o  interior  tisnado  resulta  na  tísica  da  alma.  O  esquema  montado  em  nossa  era  é  destruir  o  ser  humano  aos  poucos  e  causando  lucros grandiosos para a “Elite”, “Os Senhores do Poder”. Muitas  pessoas  são  extremamente  focadas  em  seus  objetivos,  sejam  de  carreira,  numa  prática  esportiva,  ou  numa  meta,  como  perder  peso  ou  preparar  a  festa  de  casamento  perfeita,  a  jornada  de  trabalho  pesada,  as  muitas  horas  de  treino,  as  dietas  específicas  e  seguidas  à  risca  que  sinalizam  um  exagero.  Isso  causa  conflitos  em  várias  modalidades  da  vida. Quem  vive  aceso  e  acelerado  demais sem  consciência  do  que  isso  pode causar, as consequências serão catastróficas. A  sociedade  pós­moderna  anda  cada  vez  mais  agitada,  apressada  e  desrespeitosa. As próprias  crianças  vivem numa  correria desenfreada tipo  casa­escola­ginásio­casa,  com  múltiplas  tarefas  e  enfrentando  o  trânsito  caótico  nas  grandes  cidades  enquanto  o  pai  ou  a  mãe  desesperam  ao  volante. A simples  vivência  dos ruídos (nas  escolas,  nas fábricas,  nos  escritórios,  nas  ruas,  etc.)  expõe  as  pessoas  a  um  estresse  doentio  que  acabará  em  desgaste e desmotivação. As pessoas que falam muito contribuem também  com esse mal. O Síndrome do Pensamento Acelerado descrito pelo Dr. Augusto Cury em  algumas  das suas  obras (ex: Revolucione Sua Qualidade  de Vida)  é  uma  das  consequências  da  vida  agitada  que  levamos.  Ele  produz  diversos  sintomas  como  irritabilidade,  insatisfação  existencial,  dificuldades  de  concentração,  défices  de  memória,  fadiga,  sono  alterado,  perturbações  emocionais (flutuação do humor) e leva a uma ansiedade excessiva. Tem cura e libertação pra tudo isso? Claro que tem! Sentar e orar ao  Divino Espírito  Santo  pedindo força  e sabedoria  para se  organizar  e  administrar suas responsabilidades. Refletir sobre sua saúde e meditar para tomar  posse das  bênçãos  de  Deus  e  pela  graça  viver  a  gloriosa  felicidade. Ter seu momento de oração, leitura sagrada e participar de  retiros  espirituais  e  beber  da  fonte  monástica  e  eremítica.  A  serenidade da alma deve ser à base de tudo.  Configurar sua  vida na  riqueza  do  silêncio  e  na  vivência  da  espiritualidade.  Se  deliciar  da  amizade  do  Anjo  da  Guarda  (rezar  sempre  a  o  ração  do  Anjo  da  Guarda), buscar profundas experiências com Deus e caminhar na Boa  Nova de Cristo. “O silêncio  é  como  a  espada  na luta  espiritual;  a  alma tagarela  nunca  atingirá  a  santidade.  Essa  espada  do  silêncio  cortará  tudo  que  queira  apegar­se à alma. Somos sensíveis à fala e sendo sensíveis, logo queremos  responder; não levamos em conta se é da vontade de Deus que falemos. A  alma silenciosa é forte; nenhuma adversidade a prejudicará, se perseverar  no silêncio. A alma recolhida é capaz da mais profunda união com Deus,  ela vive quase sempre sob a inspiração do Espírito Santo. Deus opera sem  obstáculo na alma silenciosa.”(Diário de Santa Faustina Kowalska, n°477).

Pe. Inácio José do Vale

Irmãozinho da visitação

Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas

E­mail: pe.inacio.jose@gmail.com





Somos o perfume de Cristo

10 04 2015

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Calai-vos, calai-vos! — repetia o sacerdote, enquanto tocava com seu bastão as florzinhas que cobriam o prado à beira da estrada. Eis como São Paulo da Cruz procurava conter seus arroubos de amor a Deus quando saía a passear na primavera, pois as mimosas flores do campo falavam-lhe com irresistível eloquência, proclamando a perfeição infinita do Criador! Sem palavras nem vozes que pudessem ser ouvidas, mas simplesmente por sua formosura e perfume, elas arrebatavam o Santo; e ele, para não desfalecer de enlevo, via-se obrigado a pedir-lhes silêncio…

Se este pequeno fato evidencia o quanto “é a partir da grandeza e da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece o seu Autor” (Sb 13, 5), há, porém, outro aspecto no qual poucas vezes detemos nossa atenção: o cuidado de Deus ao criar nosso corpo, dotando- o de sentidos. Por meio deles podemos não só tomar contato com as coisas materiais, como também nos elevar às sobrenaturais. Um esplendoroso panorama, os sons harmoniosos ou algum alimento saboroso muitas vezes servem de instrumento para nos recordar verdades superiores.

Tomemos como exemplo as agradáveis fragrâncias fabricadas pelas mãos humanas. Fruto do talento e do labor dos perfumistas, são elas elementos aprazíveis ao nosso olfato e à nossa alma, sobretudo quando se tornam pretexto para nosso Anjo da Guarda nos inspirar bons pensamentos, convidando- nos a refletir sobre o frescor da pureza, sobre a candura da inocência ou a limpidez de um coração reto. Não é raro, portanto, que os excelentes aromas sejam úteis para nos aproximarmos de Deus, como diz a casta esposa do Cântico dos Cânticos: “suave é a fragrância de teus perfumes; o teu nome é como um perfume derramado” (Ct 1, 3).

Decerto foi esta uma das razões pelas quais, no Antigo Testamento, Ele próprio instruiu Moisés na preparação da mistura odorífera para a unção dos sacerdotes e dos objetos sagrados (cf. Ex 30, 22?25), bem como do incenso aromático que todos os dias, pela manhã e à tarde, devia ser queimado no altar dos perfumes (cf. Ex 30, 34?36). Com isso, os fiéis podiam louvá-Lo dignamente e, ao mesmo tempo, ter uma noção das delícias eternas.

Entretanto, se consideramos os perfumes por outro prisma, eles têm uma lição a nos oferecer. Basta pensarmos numa requintada fragrância guardada num valioso frasco de cristal. Se ela tomasse vida e começasse a pensar, acaso preferiria ficar para sempre dentro daquele “palácio de vidro”, numa existência tranquila, ao invés de evolar-se pelo ar, impregnando-o com seu precioso odor? É evidente que não, pois está em sua natureza perfumar.

Ora, todos nós, batizados, “somos para Deus o perfume de Cristo entre os que se salvam e entre os que se perdem” (II Cor 2, 15). Eis a grande vocação do cristão: difundir por todo o mundo o sublime odor de Nosso Senhor Jesus Cristo,

Ir.Patricia Victoria Jorge Villegas, EP




Conclusão sobre a essência da Humildade

9 04 2013

São Soluane

São Soluane


O Bispo Alexander conclui seu pensamento sobre a humildade com esse belo texto:
Esta foi uma breve demonstração do estado humilde da mente e da alma como descrito nos escritos dos Pais. Como pode ser visto, não tem nenhuma relação com a vulgaridade, nem pode ser confundida com a auto-humilhação. Uma pessoa humilde vê suas imperfeições e sempre se volta para a ajuda de Deus, reconhecendo-o como o seu Juiz e obedecendo-o em tudo, submete-se a Sua vontade e faz o melhor de si para abster-se do pecado. Estando sempre ocupado em melhorar, o humilde não nota os erros dos outros e está sempre pronto a perdoar. Ele aspira à perfeição, ficar próximo de Deus e seu mais importante objetivo é glorificá-Lo.

Ninguém está totalmente livre de ter uma opinião exagerada sobre si mesmo. A sede de reconhecimento, a intenção de atrasar o sucesso de alguém, o desejo de instruir e comandar são traços negativos que requerem correção, são passos direcionados à vaidade e ao orgulho, que fazem do homem desagradável para a sociedade e repulsivo aos olhos de Deus.

A disposição humilde é a mais saudável e natural. Quando alguém se aproxima de Deus direcionando a sua mente corretamente, ele sente o toque de Sua graça na oração e percebe perfeitamente sua pequenez e imperfeição. O orgulho é o resultado de uma noção exagerada de si mesmo e de suas habilidades, originado da cegueira espiritual, quando alguém se encerra em si mesmo e falha em perceber a Deus.

A fé cristã nos chama a sermos modestos e humildes, aceitando que tudo de bom em nós não é nosso e pertence a Deus. Realmente, tudo vem de Deus: nossa vida, o belo mundo ao nosso redor, nossa saúde e os vários talentos e vantagens que apreciamos. Pela nossa fé, para o perdão de nossos numerosos pecados, para a libertação de perigos desconhecidos, para bênçãos cheias de graça, para os caminhos imperceptíveis pelos quais a Sua providência nos leva ao Seu Reino, por tudo isso e muito mais, devemos sempre ser gratos ao nosso Pai Celestial, que nos dá toda a Sua bondade através de Seu único filho, que morreu na cruz por nós, pecadores. Se não impedirmos Deus de nos salvar, estaremos todos no Céu. É nossa teimosia e orgulho que nos destroem!

Portanto, a humildade é a pobreza preciosa que leva à escalada das virtudes, enriquecendo com dons espirituais e, finalmente, colocando o homem na entrada do Reino do Céu.

Vamos completar esse trabalho com um elogio à humildade do Ancião Siluano:

A alma de um homem humilde é como o mar: quando você joga uma pedra no mar, ele perturbará sua superfície por um momento e a jogará imediatamente para a sua profundidade.

Assim é o desgosto jogado no coração do humilde, porque o Senhor está com ele.

Onde habitas, alma humilde, e quem habita contigo e o que pode parecer-se contigo?

Tu és iluminado como o Sol, mas tu não queimas e tira seu calor para longe dos que estão perto de ti.

Tu és a terra da mansidão, de acordo com a palavra do Senhor.

Tu és como um jardim florescendo, com uma bela casa ao fundo, onde o Senhor gosta de estar.

O Céu e a terra te amam.

Os santos Apóstolos, os Profetas, os Hierarcas e os Ascetas te amam.

Os Anjos, os Serafins e os Querubins te amam.

A Mãe de Deus, a humilde, te ama.

O próprio Senhor te ama e alegra-se por causa de ti.
A pobreza

que enriquece

(Sobre a virtude da Humildade.
Escrito pelo Bispo Alexander (Mileant)
Traduzido pela Dra Rosita Diamantopoulos)





O Prólogo

14 02 2013

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“O mundo já emprestou-nos um corpo e por isso ele quer adquirir a nossa alma. Como pode o mundo nos dominar, se ficar como soldados do conquistador do mundo? “

– St. Nikolai Velimirovich de O Prólogo





Duas Almas

12 02 2013

misticaalex«Sinto que tenho duas almas, uma que sofre e outra que não pode sofrer. A que não sofre não é minha, e a que sofre não são meus os sofrimentos. A que não sofre é puríssima, parece que tudo vê e que em toda a parte habita e que nada se lhe pode ocultar; é dela a Terra, é dela o Céu. A que sofre, está em trevas, não é pura está manchada. Mas não sei como; são duas almas e uma só alma. A que é pura está ligada à culpada; dá-lhe vida, ampara-a, encaminha-a. Mas eu não posso aguentar em mim esta pureza unida a tanta miséria, que eu sou; é um sol, um brilho, que eu não posso enfrentar, faz-me conhecer mais os meus defeitos e horrorizar-me deles.»

(Sentimentos da Alma; 24/Outubro/1947)








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