Ensinamentos de Santo Antônio, o Grande

23 09 2013
Santo Antão

Santo Antão

A maior obra dos homens é esta: ser capaz de manter seus pecados diante de Deus e estar preparado para a tentação até o último suspiro.

“Quem não tiver sido tentado não poderá entrar no reino do céu. Se suprimires a tentação, ninguém se salvará.”

Aquele que senta-se em solicitude e quietude escapou de três batalhas: ouvindo, falando e vendo. Mas mesmo assim ele tem uma constante guerra: no seu próprio coração.

O demônio teme a humildade, o bom trabalho e o jejum. Ele não consegue impedir a minha boca de falar contra ele. A ilusão do demônio logo desvanece especialmente, se o homem se arma com o Sinal da Cruz. O demônio treme ao Sinal da Cruz do Nosso Senhor, porque Ele triunfou sobre ele e o desarmou.

Segundo o Santo Antão, as tentações são manifestamente uma condição indispensável para se entrar no céu. É através das tentações que o homem obtém um faro do Deus verdadeiro. Sem tentação o homem estaria no perigo de apoderar-se de Deus e torna-lo inofensivo e inócuo. Pela tentação, porém, o homem experimenta existencialmente a sua distância de Deus, sente a diferença entre o homem e Deus. O homem permanece em luta constante, enquanto Deus repousa em si mesmo. Deus é amor absoluto, enquanto o homem é continuamente tentado pelo maligno.

Se ouvirdes atentamente a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos, porque minha é a terra, e vós constituireis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa. Ex. 19,5-6.

Aproximai-vos de Cristo, pedra viva, eleita e estimada por Deus, também vós, como pedras vivas.

Vinde formar um templo espiritual para um sacerdócio santo, a fim de oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo.

Sois uma estirpe eleita, sacerdócio real, gente santa, povo trazido à salvação, para tornardes conhecidos os prodígios dAquele que vos chamou das trevas para a luz admirável. 1Pd. 2, 4-5

Caríssimos, não descuidemos de nossa salvação. Sabei que se alguém se entrega a Deus de todo o coração, Deus tem piedade dele e lhe concede o Espírito de conversão.

Sabemos que desde as origens do mundo, os que encontraram na Lei da Aliança o caminho do seu Criador foram acompanhados por sua bondade, sua graça e seu Espírito. Mas os homens, incapazes de exercerem sua inteligência segundo o estado da criação original, inteiramente privados de razão, sujeitaram-se à criatura em vez de servir ao Criador.

Eu vos suplico, irmãos, penetrai-vos bem da maravilhosa economia da salvação.

Todo ser dotado de inteligência espiritual, aquele para quem veio o Senhor, deve tomar consciência de sua própria natureza, isto é, deve conhecer-se a si mesmo.

Seja-vos dado tomar bem consciência da graça que Ele vos deu. Não é a primeira vez que Deus visita as suas criaturas. Ele as conduz desde as origens do mundo e, de geração em geração, mantém cada uma desperta pelos acontecimentos de sua graça. Não negligenciemos, pois, chamar a Deus dia e noite. Fazei violência à ternura de Deus. Do céu Ele vos enviará Aquele cujo ensinamento vos permitirá conhecer o que é bom para vós.

Filhos, é certo que nossa enfermidade e nossa humilhação são dor para os santos e causa das lágrimas e gemidos que oferecem por nós diante do Criador do Universo.

Compreendei bem o que vos digo e declaro: Se cada um de vós não chega a odiar o que é da ordem dos bens terrestres e a isso não renunciar de todo coração, assim como a todas as atividades que daí dependem, se não chega a elevar as mãos e o coração ao Céu para o Pai de todos nós, não é para si a salvação. Mas se fazeis o que acabo de dizer, Deus vos enviará um fogo invisível, que consumirá vossas impurezas e devolverá vosso espírito à sua pureza original. O Espírito Santo habitará em vós, Jesus permanecerá junto de nós e poderemos adorar a Deus como é devido.

A todos os meus irmãos muito amados, a todos vós que vos preparais para vos aproximardes do Senhor, saúdo nEle, irmãos caríssimos, vossa natureza espiritual.

Que Deus abra os olhos de vosso coração para que percebais os múltiplos malefícios secretos, lançados todos os dias sobre nós no decorrer do tempo. Faço votos que Deus vos dê um coração clarividente e um espírito de discernimento a fim de vos apresentardes a Ele como uma vítima pura e sem mancha.

Persuadi-vos bem que vosso ingresso e vosso progresso na obra de Deus não são obra humana, mas intervenção do poder divino que não cessa de vos assistir.

Sede, pois, vigilantes, caros filhos, não permitais que vossos olhos durmam nem que vossas pálpebras dormitem, mas clamai dia e noite a vosso Criador para que vossos pensamentos se firmem no Cristo.

No Senhor eu vos suplico, caros filhos, deixai-vos penetrar bem pelo que vos escrevo. Voltai vossa alma para vosso Criador. Perguntai a vós mesmos o que seria possível retribuir ao Senhor por todas estas graças. É tão grande a sua bondade que Ele quis que o próprio Sol se ponha a nosso serviço nesta habitação de trevas, assim como a Lua e as estrelas, para sustentar fisicamente um ser cuja fraqueza o condenaria a perecer. Não sofreram por nós os patriarcas? Não nos dispensaram os sacerdotes os seus ensinamentos? Não combatiam por nós os juízes e reis? Não foram mortos por nós os profetas? Não sofreram os Apóstolos perseguição por nós? E não morreu por todos nós o Filho bem amado? Agora é a nossa vez de nos dispormos a ir ao nosso Criador pelo caminho da pureza.

Meus caríssimos no Senhor, a vós que sois co-herdeiros dos santos, rogo que desperteis em vosso coração o temor de Deus. Preparemo-nos, pois, santamente, e purifiquemos nosso espírito para sermos puros a receber o batismo de Jesus e a nos oferecermos como vítimas agradáveis a Deus. O Espírito Consolador, recebido no Batismo, nos conduzirá a nosso estado original.

Caros irmãos, chamados a partilhar da herança dos santos, agora estais próximos de todas as virtudes. Todas elas vos pertencem se não vos embaraçais na vida carnal, mas permaneceis transparentes diante de Deus. É a pessoas capazes de me compreender que escrevo, a pessoas em condições de se conhecerem a si mesmos. Quem se conhece, tem a obrigação de adorar a Deus como convém.

Fonte:http://www.ecclesia.com.br

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Apoftegmas de São Cassiano

18 09 2013

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Tradução do grego de D. Estevão Bettencourt O.S.B.

1. O Abade Cassiano narrou o seguinte: «Chegamos, eu e o santo Germano, à cela de certo ancião no Egito. Acolhidos com hospitalidade amiga, perguntamos-lhe: «Por que é que, quando recebeis os irmãos peregrinos, não guardais a regra do nosso jejum, como a recebemos na Palestina?» Respondeu o ancião: «O jejum está sempre comigo; a vós, porém, não posso guardar sempre comigo. O jejum é, sim, coisa útil e necessária; depende, porém, da nossa própria vontade; o exercício da caridade, ao contrário, a Lei de Deus no-lo impõe com necessidade. Portanto, ao receber em vós o Cristo, devo tratar-vos com toda a solicitude. Quando vos despedirdes de mim, poderei reassumir a norma do jejum. Pois os filhos da câmara nupcial não podem jejuar enquanto o esposo está com eles; quando lhes é tirado o esposo, então jejuam licitamente».

2. O mesmo referiu o seguinte: «Havia um ancião, a quem uma santa virgem servia. Os homens, porém, diziam: ‘Eles não são puros’. Este rumor chegou aos ouvidos do ancião. Quando, pois estava para morrer, disse aos Padres: Após a minha morte, plantai o meu bastão sobre a sepultura; se germinar e der fruto, sabei que sou puro com esta virgem; se, porém, não germinar, concluí que caí com ela». Ora o bastão foi plantado; e no terceiro dia germinou e deu fruto. Todos, então, glorificaram a Deus».

3. Contou ainda: «Chegamos à cela de outro ancião, o qual nos fez comer. Quando já estávamos satisfeitos, convidou-nos a tomar mais alguma coisa. Como eu lhe dissesse que não podia mais, respondeu-me: ‘Por seis vezes que chegaram irmãos, pus a mesa, e, convidando-os vez por vez, comi com eles; e ainda tenho fome. Tu, porém, tendo comido uma vez, de tal modo te saciaste que não podes mais comer’».

4. O mesmo narrou de novo: «O Abade João, preposto de um cenóbio, foi ter com o Abade Paésio, que já por quarenta anos vivia no mais retirado recanto do deserto. Já que o Abade João possuía grande caridade para com o Abade Paésio e, em conseqüência, tinha certa liberdade de lhe falar, perguntou-lhe: ‘Que fizeste de bom, vivendo por tanto tempo a sós, sem que os homens te pudessem perturbar facilmente?’ Respondeu: ‘Desde que vivo solitário, o sol nunca me viu comer’. Disse por sua vez o Abade João: ‘Nem a mim viu irado’».

5. O mesmo Abade João, perto de morrer, estava animado e alegre por partir para junto de Deus.
Cercaram-no então os irmãos, pedindo-lhe que lhes deixasse como herança uma palavra breve e salvífica, pela qual pudessem chegar à perfeição emCristo. O ancião gemeu e disse: «Nunca fiz a própria vontade, nem ensinei a alguém o que antes não tivesse praticado».

6. A respeito de outro ancião, que residia no deserto, o Abade Cassiano contou que rogou a Deus, lhe desse a graça de nunca adormecer durante algum colóquio espiritual; caso, porém, alguém proferisse palavras maldizentes ou ociosas, caísse logo no sono, para que seus ouvidos não recebessem ta] veneno. Dizia que o demônio é zeloso das palavras ociosas, e adversário de todo ensinamento espiritual; o que ele ilustrava com este caso: «Certa vez, quando eu falava a alguns irmãos de coisas de proveito espiritual, foram tomados de tão pesado sono que nem podiam mover as pálpebras. Eu, então, querendo mostrar a ação do demônio, introduzi um dito ocioso; eles, em conseqüência, despertaram-se e alegraram-se profundamente. Gemendo, pois, disse: ‘Enquanto falávamos de coisas celestiais, os olhos de todos vós estavam dominados pelo sono; quando, porém, escapou uma palavra ociosa, todos com ânimo vos acordastes. Por isto, irmãos, exorto-vos: reconhecei a ação do mau demônio, e vigiai, guardando-vos do torpor, quando fizerdes ou ouvirdes algo de espiritual’».

7. Referiu mais o seguinte: «Um Senador que renunciara ao mundo e distribuíra os seus bens aos pobres, guardou algumas das suas posses para seu próprio uso, não querendo assumir a humildade que decorre da renúncia total nem a genuína submissão da regra cenobítica. A esse São Basílio dirigiu a seguinte palavra: ‘Deixaste de ser Senador, e não te fizeste monge’».

8. Disse ainda: «Havia um monge que residia numa gruta no deserto, ao qual os familiares conforme a carne comunicaram o seguinte: ‘Teu pai está gravemente enfermo e prestes a morrer; vem para receber a herança’. O monge respondeu-lhes: ‘Antes dele, eu morri para o mundo; um morto não recebe herança de um vivo’».





Renúncia do Papa Bento XVI

11 02 2013

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Texto do discurso do santo Padre Bento XVI

Caríssimos Irmãos,

Convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.








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