O QUE É UM MONGE?

23 09 2015
Dom Paulo Celso Demartini

Dom Paulo Celso Demartini

O monge é um homem chamado pelo Espírito Santo a renunciar aos cuidados, desejos e ambições dos outros homens para dedicar toda a sua vida à procura de Deus. O conceito é conhecido. A realidade significada pelo conceito é um mistério. Pois, concretamente, ninguém na terra sabe com precisão o que seja “buscar a Deus” enquanto não se tiver posto em marcha para achá-Lo. Homem algum pode dizer a outro em que consiste essa procura, se esse outro não for, ao mesmo tempo, iluminado pelo Espírito que fala em seu coração. Em suma, ninguém pode procurar a Deus a não ser que já tenha começado a encontrá-Lo. Ninguém pode encontrar Deus sem que primeiro Deus o tenha encontrado. O monge é o homem que procura Deus porque por Ele foi achado.
Em resumo, um monge é um “homem de Deus”.
Uma vez que todos os homens foram criados por Deus para que o pudessem encontrar, todos são, de certo modo, chamados a ser “homens de Deus”. Mas nem todos são chamados a ser monges. Um monge, portanto, é alguém chamado a se dar exclusiva e perfeitamente ao único necessário a todos os homens – a busca de Deus. A outros é-lhes permitido procurar a Deus por caminho menos direto, levar no mundo uma vida digna, fundar um lar cristão. O monge põe essas coisas de lado, embora possam ser boas. Dirige-se a Deus pelo atalho direto, “recto trámite”. Retira-se do “mundo”. Entrega-se inteiramente à oração, à meditação, ao estudo, ao trabalho, à penitência, sob o olhar de Deus. A vocação do monge se distingue até das outras vocações religiosas, pelo fato de que ele se dedica essencial e exclusivamente à busca de Deus, em lugar da busca das almas para Deus.
Encaremos o fato de que a vocação monástica tem tendência a se apresentar ao mundo moderno como um problema e um escândalo.
Numa cultura basicamente religiosa, como a da Índia ou a do Japão, o monge é, por assim dizer, coisa normal. Quando a sociedade inteira está orientada para além da busca meramente transitória dos negócios e do prazer, ninguém se espanta de que homens dediquem a vida a um Deus invisível. Numa cultura materialista, porém, fundamentalmente irreligiosa, o monge se torna incompreensível porque ele “não produz nada”. Sua vida parece completamente inútil. Nem mesmo os cristãos têm sido isentes dessa ansiedade por causa da aparente “inutilidade” do monge. Estamos acostumados com o argumento de que o mosteiro é uma espécie de dínamo que, embora não “produza” a graça, consegue esse bem-estar espiritual infinitamente precioso para o mundo.
Os primeiros pais do monarquismo não se preocupavam com tais argumentos, se bem que possam ter valor quando bem aplicados. Eles não sentiam que a procura de Deus fosse algo que necessitasse ser defendido. Ou, antes, viam que se os homens não tivessem, em primeiro lugar, consciência de que Deus deve ser procurado, nenhuma outra defesa do monaquismo adiantaria.
Deus deve, então, ser procurado?
A mais profunda lei no ser do homem é a necessidade de Deus, de vida. Deus é vida. “Estava nele a vida e a vida era a luz dos homens E a luz brilhou nas trevas e as trevas não a compreenderam” (Jo 1,4 – 5). Compreender a luz que no meio delas brilha é a maior necessidade que têm nossas trevas. Por isso, deu-nos Deus como seu primeiro mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças”. A vida monástica nada mais é do que a vida daqueles que tomaram o primeiro mandamento com a maior seriedade, e, como diz são Bento, “nada preferiram ao amor de Cristo”.
Mas quem é Deus? Onde está?
O monarquismo cristão é busca de alguma pura intuição do Absoluto? Um culto do Bem supremo? A adoração da Beleza perfeita e imutável? O próprio vazio de tais abstrações torna o coração frio. O Santo, o Invisível, o Todo-Poderoso é infinitamente maior e mais real do que qualquer abstração inventada pelo homem. Mas Ele próprio disse: “O homem não me pode ver e viver” (Ex 33,20). Entretanto, o monge persiste em exclamar com Moisés: “Mostra-me a Tua face” (Ex 33,13).
O monge, portanto, é alguém que procura tão intensamente a Deus que está pronto a morrer para poder vê-Lo. Por isso é que a vida monástica é um “martírio” bem como um “paraíso”; uma vida ao mesmo tempo “angélica” e “crucificada”.
São Paulo resolve, do seguinte modo, o problema: “Deus que disse: ‘Do seio das trevas brilhe a luz’ foi quem fez brilhar sua luz em nossos corações, para que façamos brilhar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Jesus Cristo” (2 Cor 4,6).
A vida monástica é a rejeição de tudo que obstrui os raios espirituais dessa misteriosa luz. O monge é alguém que deixa atrás de si a ficção e as ilusões de uma espiritualidade meramente humana, para mergulhar na fé em Cristo. A fé é a luz que o ilumina no mistério. É a força que se apodera das íntimas profundezas de sua alma e o entrega à ação do Espírito divino. Espírito de liberdade. Espírito de amor. A fé o segura e, como outrora fez com os antigos profetas, “firma-o sobre seus pés” (Ez. 2,2) diante do Senhor. A vida monástica é vida no Espírito de Cristo, vida em que o cristão se dá inteiramente ao amor de Deus que o transforma na luz de Cristo.
“O Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, ali está a liberdade. E todos nós que, com o rosto descoberto, refletimos como espelhos a glória do Senhor, nós nos transformamos nesta mesma imagem, cada vez mais resplandecente, conforme a ação do Senhor, que é espírito” (2 Cor 3,17 – 18). O que São Paulo diz da vida interior de todo 0 cristão, torna-se, em realidade, o principal objetivo do monge vivendo em solidão no claustro. Procurando a perfeição cristã, procura o monge a plenitude da vida cristã, a inteira maturidade da fé cristã. Para ele, “viver é o Cristo”.
Para estar livre da liberdade dos filhos de Deus, renuncia o monge ao exercício da sua própria vontade, ao direito à propriedade, ao amor do conforto e do bem-estar, ao orgulho, ao direito de fundar uma família, à faculdade de dispor do seu tempo como bem entender, a ir aonde quer e a viver conforme bem lhe parece. Vive só, pobre, em silêncio. Por que? Por causa daquilo em que ele crê. Crê na palavra de Cristo que prometeu: “Em verdade vos digo: Não há ninguém que tenha abandonado a casa ou os pais, ou os irmãos, ou a esposa, ou os filhos, por causa do reino de Deus, e que não receba muito mais no tempo presente, e, no século futuro, a vida eterna” (Lc. 18,29 – 30).
O MONGE E O MUNDO
O mosteiro não é nem um museu, nem um asilo. O monge permanece no mundo que abandonou, e é, nele, uma força poderosa, embora oculta. Para além de todas as tarefas que poderão acidentalmente se ligar à vocação do monge, este age sobre o mundo pelo simples fato de ser monge. A presença dos contemplativos é para o mundo o que o fermento é para a massa, pois há vinte séculos o próprio Cristo declarou nitidamente que o Reino dos céus se assemelha ao fermento oculto em três medidas de farinha.
Mesmo sem nunca sair do mosteiro em que vive, nem pronunciar uma palavra ouvida pelos demais homens, está o monge inextricavelmente envolvido nos sofrimentos e problemas da sociedade a que pertence. Deles não lhe é possível escapar, nem ele o deseja. Não está isento de prestar serviço nas grandes lutas de seu tempo, antes, como soldado de Cristo, está designado para tomar parte nessa batalhas, combatendo no “front” espiritual, no mistério, pelo sacrifício de si próprio e pela oração. Isso ele faz unido a Cristo crucificado, unido também a todos aqueles por quem Cristo morreu. Está consciente de que o combate não está dirigido contra a carne e o sangue, e sim “contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados nos ares” (Ef 6,12).
O mundo contemporâneo está em plena confusão. Está atingindo o ápice da maior crise na história. Nunca, antes, houve tamanha reviravolta na raça humana inteira. Forças tremendas: espirituais, econômicas, tecnológicas e políticas estão em movimento. A humanidade se vê à beira dum abismo de nova barbaria; restam, todavia, ao mesmo tempo, possibilidades quase incríveis de soluções imprevistas, a criação de um mundo novo e de uma nova civilização, tal como jamais se viu.
Estamos enfrentando o anticristo ou o milênio; ninguém sabe dizer se um ou o outro.
Neste mundo em perpétua mutação, permanece o monge como baluarte de uma Igreja que não muda, contra a qual as portas do inferno não podem prevalecer. É verdade que a própria Igreja se adapta, porque é ela uma Corpo vivo, um organismo em constante crescimento. Onde há vida, tem de haver desenvolvimento. Na ordem monástica, também deverá manifestar-se adaptação, desenvolvimento, crescimento.
Diante de Deus, diante dos homens, diante do mundo de concupiscência, seu antagonista, está o monge carregado de tremenda responsabilidade, a responsabilidade de continuar a ser aquilo que seu nome significa: um monge, um homem de Deus. Não apenas alguém que abandonou o mundo, mas alguém capaz de representar Deus neste mundo que o Filho de Deus salvou pela morte na Cruz.
O mosteiro nunca poderá ser, simplesmente, o refúgio de uma arquitetura de falso estilo gótico, de cultura clássica, e de piedade convencional. Se o monge nada mais é do que um burguês bem estabelecido na vida, com os preconceitos e o bem-estar de um membro da classe média e a habitual mediocridade que daí deriva, descobrirá que sua vida não foi dedicada a Deus, e sim ao “serviço da corrupção”, e desaparecerá com tudo que é efêmero.
Por outro lado, a vocação do monge proíbe-lhe descer à planície para tomar parte nas lutas que aí se travam. Só poderá considerar como tentações as opções que o mundo lhe oferece e as oportunidades de tomar posição em favor de uns ou contra outros. A vocação do monge chama-o exclusivamente ao que é transcendente. Está e deverá sempre se manter acima das facções humanas. Isso quer dizer que é susceptível de se tornar vítima de todas elas. Contudo, não deve renunciar à posição exclusivamente espiritual que lhe cabe, de maneira a proteger a própria pele ou ter um teto para si.
Todavia, nunca a vida monástica deverá ser de tal modo “espiritual” que chegue a impedir toda encarnação. Aqui também haveria infidelidade. O monge tem de permanecer real, e só o poderá ser mantendo-se em contacto com a realidade. Mas, para ele, a realidade está encarnada na criação, obra de Deus, na humanidade, suas dores, suas lutas e seus perigos. Cristo, o Verbo, se encarnou de maneira a viver, sofrer, morrer e ressuscitar em todos os homens, libertando-os, assim, do mal, pela espiritualização do mundo material. O monge, portanto, permanece neste mundo em caos, mundo de carne em que ele e sua Igreja proclamam incansavelmente a primazia do espírito, mas fazem-no dando testemunho da realidade da Encarnação do Verbo. Para o monge, como para todo cristão, “viver é o Cristo”. A comunidade monástica, já o vimos, vive da caridade e para a caridade, uma caridade que mantém a “lumen Christi”, a luz de Cristo ardendo na escuridão de um mundo incrédulo. O mosteiro é um tabernáculo em que o Altíssimo habita entre os homens, santificando-os e unindo-os a Si em seu Espírito. A comunidade monástica se dedica incansavelmente a todas as obras de misericórdia, em especial, às obras espirituais de misericórdia. Aos olhos do mundo, o mosteiro se ergue como incompreensível sacramento da misericórdia de Deus para com os homens. Incompreensível; portanto, incompreendido. Que há nisso de surpreendente? O próprio monge não consegue avaliar plenamente sua vocação; ainda menos pode ele compreendê-la. Contudo, a misericórdia de Deus está nele. Se assim não fosse, ele nada seria. Isso é algo que o monge não pode ignorar, se é verdadeiramente monge.
Se, em certo sentido, o monge se mantém acima das divisões da sociedade humana, não quer isso dizer que não lhe caiba um lugar na história das nações. Sempre teve e terá por vocação uma atitude de simpatia e compreensão para com todo movimento cultural e social que favoreça o desenvolvimento do espírito humano; por vocação, continuará a fazê-lo. Os beneditinos se celebrizam por seu humanismo, e ninguém ignora que os monges preservaram as tradições culturais da antigüidade. Os monges serão sempre parte integrante de qualquer sociedade que favoreça a verdadeira liberdade, pois os próprios monges são centros de liberdade espiritual e transcendente. Como tal, o mosteiro representa, neste mundo, a caridade divina de que todas as liberdades e comunhões humanas nada mais são do que a sombra.
Por isso é que importa ao monge, acima de tudo, ser aquilo que seu nome significa: um solitário, alguém que, pelo desapego de tudo, se tornou “só”. Mas, na solidão e no desapego, o monge está de posse duma vocação à caridade que atinge dimensões muito maiores do que a de qualquer outra. Pois aquele que tudo abandonou tudo possui, aquele que deixou a companhia dos homens permanece com todos pela caridade de cristo que nele vive, e aquele que renunciou a si próprio por amor a Deus é capaz de se dedicar à salvação de seus irmãos, com o poder irresistível do próprio Deus.

Thomas Merton.





Um Milagre de são Serafim de Sarov

30 08 2015

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“Ah, se você soubesse, – dizia ele certa vez a um monge, – que alegria, que doçura aguardam a alma do justo no Céu, você decidiria suportar com gratidão qualquer tristeza, aflição, perseguição e calúnia nesta vida passageira. Se esta nossa própria cela estivesse cheia de vermes, e se esses vermes estivessem comendo nossa carne no decorrer de toda nossa vida na terra, deveríamos concordar com isso, com todas as nossas forças, afim de não perdermos de forma alguma a alegria celestial que Deus preparou para aqueles que O amam.

Um acontecimento milagroso da transfiguração da face do santo foi descrito por um admirador próximo e discípulo de São Serafim – Motovilov. Aconteceu no inverno, num dia nublado. Motovilov estava sentado sobre um tronco na floresta. São Serafim estava acocorado diante dele falando sobre o sentido da vida cristã, explicando, por que motivo nós, cristãos, vivemos na terra.

“É preciso que o Espírito Santo penetre em nosso coração, – dizia ele. – Tudo aquilo de bom que nós fazemos por Cristo, nos é dado pelo Espírito Santo, porém mais do que tudo a oração, a qual está sempre em nossas mãos.”

“Batiushka”(padre) – respondeu Motovilov, – como é que eu posso ver a graça do Espírito Santo; como posso saber se Ele está comigo ou não?”

São Serafim começou a dar-lhe exemplos da vida dos santos e apóstolos, porém Motovilov ainda não entendeu. O santo então tomou-o com firmeza pelo ombro e disse: “nós dois agora, meu caro, estamos no Espírito Santo. Foi como se os olhos de Motovilov se abrissem, e ele viu que o rosto do santo brilhava mais do que o sol. Em seu coração Motovilov sentiu alegria e paz, seu corpo estava cálido, como no verão e ao redor deles se espalhava uma doce fragrância. Ele se apavorou com esta mudança extraordinária, principalmente com o fato de que o rosto do staretz resplandecia igual ao sol. Mas São Serafim disse-lhe: “Não tenha medo, meu caro. Você nem poderia estar me vendo se você mesmo não estivesse na plenitude do Espírito Santo. Agradeça ao Senhor por Sua misericórdia para conosco.” Foi assim que Motovilov compreendeu, na mente e no coração o que significava a descida do Espírito Santo e Sua transfiguração no homem.

Fonte: http://www.fatheralexander.org/booklets/portuguese/seraphim_p.htm





Os elementos essenciais da vida monástica

12 08 2015

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A semente foi plantada quando este artigo BECOSA começou a explorar a possibilidade de um instituto monástica na região sul Africano. Este era para ser um lugar de formação contínua e educação de monges e freiras em nossa região. Nós convidamos pensões como a melhor universidade Formadores beneditino e oradores experientes. No entanto, enquanto nós conversamos, chegamos a compreender que não podia ignorar o conhecimento e habilidade adquirida por membros de nossas comunidades. Quase todas as comunidades da nossa associação foi representada por pelo menos um dos seus membros para o programa MFP, e muitas vezes dois, três ou mais membros. Este programa visa atender às necessidades dos que trabalham na formação monástica ou estão se preparando para o futuro, beneficiando do ensino de alguns dos melhores mestres da vida monástica do nosso tempo. Mais de 300 monges e monjas de todos os continentes e diversas tradições monásticas frequentaram este curso. No verdadeiro sentido, é uma experiência de formação de formadores.

Com tantos membros com uma rica experiência de formação monástica, BECOSA Associação já tinha uma substância valiosa a partir da qual foi possível tirar sabedoria e pensamento monástica.

O que finalmente emergiu de nossas discussões foi perceber que a necessidade real era para conhecer o estado BECOSA exatamente o que a vida monástica. Quando expressamos nossas vidas, seja em palavra ou ação, o que vamos dizer? Como monges e monjas, o que podemos dizer sobre o que somos?

Assim, os antigos membros do MFP foram mandatados para expressar isso de uma forma que poderia ser discutida e aplicada em todas as nossas comunidades. Temos agora decidiu publicar este documento no site da AIM e de uma forma que permite que ele seja facilmente distribuído.

Este documento é tanto uma afirmação teológica e filosófica sobre a vida monástica. A vida monástica não é borrada. Ela tem uma definição e uma forma clara e inflexível, o monaquismo permanecendo igualmente empenhados com a vida. Esperamos que este documento em si uma expressão da vitalidade profunda e surpreendente está em jogo no coração do monaquismo.

Viver a vida cristã

Viva a vida monástica é “prefiro nada a Cristo” (RB 71, 11). Se queremos comunicar a essência da vida monástica para aqueles que se juntarem a nós ou ao público em geral, esperamos que esse princípio pode ficar como prova em que dizemos, em nosso modo de viver e o declínio para os outros. Em nossas comunidades, mantemos um ambiente que facilite essa preferência. As nossas comunidades são lugares onde “perfeito amor de Deus que lança fora todo o medo” é palpável (RB 7, 67; 1 Jo 4, 18).

Prefere nada a Cristo exige uma espécie de exploração de si mesmo, talvez uma busca do seu ser interior. Isso significa fazer perguntas sobre si mesmo, sua comunidade, aqueles que estão na inicial ou aspirar a juntar nossas comunidades.

– Como podemos conhecer o Cristo?
– Será que vivemos com Cristo e em Cristo?
– Quem é Cristo para nós?
– Onde posso encontrá-lo em vida monástica? E mesmo onde é que eu acho que para encontrá-lo na vida monástica?

A resposta a estas perguntas pode revelar muito sobre nós mesmos e nossas comunidades. Porque Cristo é o monge ideal para nós, e assim a nossa vida monástica nos configura com Cristo. A tradição monástica fornece-nos com a ajuda do Espírito Santo, de modo particular a imitar Cristo e permitir que Deus trabalhe e viva em nós e através de nós.

Aqueles que estão empenhadas em tornarcontínuo que dura desde o século 4, o desejo de viver como Deus quer, na sua graça e amor superabundante, como pode ser esperado de todos os cristãos.Monaquismo só escolheu para fazer isso com uma intensa consciência de servir a Deus como parte de uma comunidade e como sacerdote, régua e do Evangelho. Mas a vida cristã é a base para o desenvolvimento dessa consciência. A nossa vida cristã não pode ser separada da nossa vida monástica. Por isso, queremos levar a particularidade cristã autêntica e com zelo.

Viver a promessa baptismal

O nosso batismo nos une a Cristo, se por algum tempo após o nascimento ou, para outros mais tarde na vida. Isso significa que somos marcados como pertencentes a Deus, selado na vida e no ensinamento de Cristo, que se torna, assim, o nosso modelo. É a prova de fogo do que fazemos e dizemos.

O encontro com a Palavra de Deus

Cristo é a Palavra de Deus. Este é o título dado a ele. A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo. A relação com Deus é o ponto de partida para conhecer essa Palavra. Devemos estar dispostos a interagir com Deus, a escuta da Palavra de Deus e responder quando entrevistamos.

Oração

A vida monástica tem uma teologia preciso: o caminho pelo qual encontramos Cristo e implantar nossa oração. Se nós precisamos saber como orar, olhamos para Cristo como nosso mestre e exemplo. Ele é a oração especialista supremo. Em cada etapa de sua própria vida, ele se juntou a um lugar deserto para orar. Nós também pode viver a oração em cada passo de nossa jornada, e especialmente neste caminho monástica nos cristifica.

A vida monástica é mais uma disposição interior. O nosso comportamento exterior reflete a transformação que ocorre em nós. Como monásticos, podemos orientá-se neste jornada de exploração da vida monástica em Cristo, especialmente aqueles que estão em formação inicial.A vida monástica é continuamente voltar-se para Deus como a fonte da vida. Nossa fé deve ser uma experiência viva, que deve ter um significado especial para nós e não apenas um conceito ou doutrina. Nós nos evangelizar pela nossa fé. Nós acreditamos em nosso relacionamento com Cristo. Nós confio na Palavra e nós segui-lo.

Outros Sacramentos

Através da nossa fé, dos sacramentos revelar seu significado. Eles construir a nossa relação com Cristo e para a nossa comunidade. Eles expressam a vida que flui de Cristo. Por outro lado, a vida monástica marca a nossa vida sacramental, tanto ao nível da comunidade que a jornada individual. Nós vivemos os sacramentos em nosso caminho uns com os outros e em nosso caminho interior de conversão a Deus. Tudo isso é baseado em nosso relacionamento com Cristo.

Em vez de o Espírito Santo

Monges e monjas são portadores do Espírito. Marcamos o Espírito de Cristo em nosso batismo.Não somente nós cremos na Palavra através do Espírito Santo, mas também temos em nós mesmos. E, sendo portadores do Espírito, nós também somos detentores de Cruz. Nossa vida monástica está intrinsecamente ligada ao mistério pascal. Vivemos este mistério em nossas vidas diárias. Cristo nos deu o seu Espírito, através de sua morte e ressurreição. Nós também temos de tomar nossa cruz e seguir os seus passos.

Pertença a Cristo

Tudo o que temos descrito a vida cristã serve para mostrar que a nossa relação com Cristo é tão íntima e próxima que podemos nos manter longe da presença de Cristo. Nós pertencemos a Cristo. Não podemos fugir dessa realidade ou atrás de nós. Como monásticos, nós abraçamos a Cristo com todo o coração, toda a mente e com toda a nossa alma, e estamos no fogo com seu ensino e da sua vida.

Da teologia da ação (Prologue 20)

becosa13Bento descreve a comunidade como uma “escola de serviço do Senhor” (RB Prologue 45). A escola descrito por Bento é uma oficina onde habilidades de trabalho pode ser afinados e aperfeiçoada.O quadro espiritual da vida monástica deve passar de teologia para a ação. O que parece ser o layout interior na prática? No Prólogo da Regra, Bento XVI escreve: “O que é mais doce, queridos irmãos e irmãs, que a voz do Senhor nos convida! Veja: no seu amor, o Senhor mostra-nos o caminho da vida. Portanto, tomai a correia a fé ea prática de boas ações. Deixemo-nos guiar pelo Evangelho e seguir em frente nos caminhos do Senhor. Então, vamos merecem vê-lo que nos chama ao seu reino “(RB Prologue 19-21).

Para encontrar respostas para as questões acima mencionadas, este é verdadeiramente procuram Deus.

Assim, o nosso ponto de partida é a preferir nada ao amor de Cristo. Queremos viver como Cristo viveu. Queremos agir como Cristo é. Então, a nossa introdução à vida monástica é através de uma vida em Cristo, sob a liderança comprovada da Regra de São Bento. Nós passar esta vida através de nosso ensino e agir aqueles que, novo, vir até nós. Por exemplo:

– Se vivemos com o Evangelho para orientar a lectio deve ser praticado normalmente ea nossa vida monástica deve ser impregnado. Nossa lectio deve ser uma experiência vivida.

– A liturgia é vida para nós, porque é a vida vivida em Cristo. É a comunidade que reza unida. A nossa liturgia deve ser realizado em conexão com a maneira como vivemos a nossa vida comunitária.

– A comunidade é a nossa vida de comunhão. Nós desenvolvemos relacionamentos com nós como Cristo, e este tecido relacional deve ser sentido na nossa maneira de viver a vida monástica.

– Nosso trabalho é a nossa missão. É o nosso apostolado.

– E, finalmente, a conversão deve ser uma experiência que vivemos no fundo de nós mesmos. A conversão é uma transformação nas profundezas do nosso ser e deve ser refletida em nosso modo de vida em Cristo. Nossa conversão é visto pelos outros, e às vezes pode surpreender-nos por isso estamos juízes pobres em relação a nós mesmos.

Lectio

Ouvir é o primeiro passo em nosso relacionamento com Deus. Este é o ponto crucial da introdução à lectio divina . A lectio tornou-se uma das atividades centrais de um monge porque ela nos permite “ouvir com o ouvido de nosso coração” (RB Prologue 1). Em nossa prática da lectio , desenvolvemos fé e confiança no fato de que a Palavra de Deus é Espírito e Verdade. Esta verdade é evidente na forma como nós deixar que a Palavra nos movemos e nos transforme. Nós ouvir e traduzir em ação o que Deus diz na Bíblia pela fé.

A prática da lectio é “buscar o coração de Deus na Palavra de Deus” (Gregório Magno). É por meio das escrituras que passamos a conhecer o Deus que nos ama. Nós ler devagar, metodicamente, com cuidado e repetidamente para encontrar Cristo, e deixe-nos ensinar como seus discípulos. Assim, a maneira que nós somos ensinados, inspirado, confortado e desafiado pelo Evangelho torna-se uma parte da jornada da nossa vida, com as realidades que enfrentamos e os dons que recebemos. A conclusão da Regra (RB 73), os capítulos sobrelectio , obediência e trabalho de Deus, podemos alimentar uma espiritualidade da Palavra em ação.

De qualquer forma, nossa jornada iluminada pela Bíblia não é apenas individual. Nós temos que compartilhar a Palavra com os outros. Quando podemos, tentamos encher nossos pensamentos textos bíblicos.

Liturgia

A liturgia, num contexto monástica é uma liturgia viva, não apenas um desempenho ou uma rotina obrigatória. Ele é para nós escola de oração. Imitamos Cristo na oração com ele. Porque ele próprio usou os Salmos em sua própria relação com o seu Pai, que faria seu grito na cruz (Salmo 22). O mistério pascal está vivo em nós através da adoração que fazemos juntos em comunidade. Assim, temos de aprender a orar por ele, ao participar activamente no que dizemos e fazemos juntos como uma comunidade. A preparação e reflexão tornar-se aspectos cruciais deste esforço. A oração individual é a base dos nossos salmos “para que a nossa mente está de acordo com as nossas vozes” e vice-versa (RB 19, 7). Use a liturgia de elementos, especialmente os Salmos, na nossa oração pessoal pode ser eficaz o suficiente para este culto vivo.

Os Salmos são a peça central de nossa Opus Dei . Como monásticos, tentamos entender qual o papel que eles desempenham em cada escritório e em nossas próprias vidas. Temos de ser capazes de ensinar as pessoas a rezar os salmos, transmitir valor e ver o que eles significam para nós e para o mundo.

Nós compartilhar e celebrar a nossa fé no Opus Dei . Na Eucaristia com Cristo e uns com os outros, começamos a descobrir a beleza da adoração desde que introduzimos nosso próprio corpo dessa beleza. Enquanto a liturgia torna-se um ato sagrado que imita Cristo e seus ensinamentos. O que fazemos como Igreja de Cristo é a nossa resposta ao seu sacrifício de amor. A comunidade que reza unida expressa gratidão para com o amor de Deus para toda a criação.

Comunidade

Esperança, fé, amor e caridade: se um ou outro ponto está faltando em nossa vida comunitária, então nossas comunidades começam a avaria. Todas essas características devem estar presentes em uma comunidade e amor centrado em Cristo que contém tudo. E, como diz Paulo, “o maior de todos os dons é amor” (1 Cor 13, 13).

Como dissemos acima, a vida comunitária é uma vida de comunhão, não só entre si mas também com Deus. É a Eucaristia que nos faz viver corpo de Cristo. A comunidade é realmente “a escola de serviço do Senhor”, onde todos nós trabalhamos juntos na arte de servir a Deus. Servir não é nada mais do que uma expressão de amor.

Todos os capítulos da Regra de São Bento que lidar com diferentes funções no mosteiro – o abade, o despenseiro, mestre de noviços, o hoteleiro, pessoas idosas, etc. – Intimamente refletem o serviço a que Jesus nos chama a todos, pelo seu próprio exemplo e seu novo mandamento de amar uns aos outros como ele nos (João 13 RB 2, 21, 31.35.38.53.57.58.65 e outros) amei .

No serviço, obediência – e muito menos obediência mútua (RB 5, 71) – desempenha um papel crucial. Nós usamos um ao outro através da obediência em comunidade. Assim, começamos a ver toda a vontade de Deus (RB 3). A Eucaristia é o sinal sacramental da nossa vida comunitária, uma vez que constrói a nossa vida comunitária da mesma forma que cria uma teologia da comunidade. Amor, intimidade, amizade e afeto são as características deste tipo de comunhão. Nós confio e acredito na unidade da nossa comunidade que permite desenvolver o diálogo ea comunicação. Em uma comunidade de fé e amor, estamos comprometidos com a estabilidade (que é um dos três componentes do nosso votos monásticos e obediência, RB 58).

Para facilitar esse compromisso, é importante para uma comunidade monástica para saber sua história e de ser capaz de receber a partir dele como muito do que vem de seu sucesso com os seus erros.

A fim de facilitar também o engajamento, a comunidade deve ter uma boa compreensão do verdadeiro lugar de disciplina e as regras que regem a vida da comunidade. A correção fraterna é necessário e saudável, desde que esse direito é exercido com bondade e leva à reconciliação e do perdão.

O principal fundamento da cultura em comunidade é o Evangelho ea Regra de São Bento oferece um caminho que tem provado a viver o Evangelho. Esta é a cultura que temos recebido como monges e monjas. Não há outras considerações não deve substituir isso.

Trabalhando

O trabalho em nossas comunidades devem, espero, ter qualidades em termos de recepção e missão. Além disso, como afirmou Benoît, não devemos ter medo de sujar as mãos. Na medida do necessário, o trabalho manual é parte da nossa vida (RB 48, 8). E qualquer trabalho que fazemos, esta é mais uma maneira de construir a comunidade. Nós trabalhamos para o desenvolvimento humano, para outros, bem como o nosso. Como artesãos, participamos como co-criadores e colaboradores na construção do reino de Deus.

Conversão

becosa14grpQuando fazemos profissão monástica, conversão de vida representa a terceira parte do nosso pensamento. Esta dimensão implica que nós aceitamos a ser liderado por Cristo, que morreu por nós, para que nos tornemos novas criaturas em si (1 Cor 5: 14,17). O Espírito Santo não é apenas aquele que nos cria, mas também é aquele que constantemente nos recria.Tornamo-nos novas criaturas em descobrir o amor de Deus por nós, para que possamos amá-lo (1 Jo 4, 19).Crescimento e mudança são como o fruto dessa vinda de amor em nossos corações (Rm 5, 5). Como já foi dito, esta irrupção é servido principalmente pelo nosso batismo. Assim, lembre-se nosso convênio batismal nos ajuda a permanecer confiante no meio das mudanças necessárias e cruciais que Deus pode possivelmente chamar.

A conversão envolve não apenas a transformação, mas também humildade. Capítulo 7 da Regra de São Bento é um excelente guia para abrir-nos aos impulsos e movimentos do Espírito em nós. Humildade, por vezes, requer uma mudança radical quando sairmos dos nossos próprios caminhos para colocar a comunidade em primeiro lugar nas decisões que tomamos. Temos muito a aprender uns com os outros, especialmente aqueles que tomaram este caminho antes de nós e até mesmo aqueles que virão depois de nós. Benedict enfatiza a importância de consultar os membros mais jovens da antiga, bem como da comunidade e perguntar-lhes sobre o que pensam ou sabem porque “o Senhor muitas vezes descobre um irmão mais novo como é o melhor “(BR 3, 3). É preciso humildade para admitir os limites de nosso conhecimento e necessidades da comunidade e Deus.

Bem como a estabilidade ea obediência andam de mãos dadas, obediência e conversão estão intimamente relacionados entre si, tornando as três partes do mesmo todo um voto aninhada para que complexo. Bento não vê-los como três saudações diferentes, mas como partes da mesma promessa. New chegar em nossas comunidades para entender completamente o significado do voto e que o compromisso realmente significa para eles. Portanto, é importante que um recém-chegado a ler todo o capítulo 58 e repetidamente. O discernimento de conversão é um requisito importante. Este é desejar o puro leite espiritual, para que o crescimento pode acontecer a salvação (1 Pedro 2: 2). Alguns documentos podem ajudar a entender o compromisso:

– O Rito de Iniciação Cristã para adultos católicos traça o caminho de um reengajamento vida cristã das promessas batismais.

– O ritual de batismo no livro de orações Anglicana da Igreja Anglicana da África do Sul ou o livro de oração comum da Igreja da Inglaterra ea da Igreja Episcopal dos Estados Unidos pode ser uma outra fonte documentação importante.

Este ritual lembra-nos as promessas que fazemos, ou que outra pessoa deu em nosso nome, quando nós entrarmos na igreja cristã. Nosso voto monástico é mais uma realização de nosso batismo. Assim, o treinamento na vida monástica é realizada até mesmo durante o curso de um aspirante, que pode precisar de um pouco de catequese e de formação para o espírito monástico. Uma boa base cristã é vital para a vocação de um recém-chegado.

A conversão também afeta vários outros aspectos de nossa vida em comunidade:

– O sacramento da reconciliação não é simplesmente uma maneira para nós para lavar os nossos pecados, mas uma oportunidade de conversão.

– Repetir: correção fraterna pode ser uma fonte eficaz de conversão, uma vez que é feita de forma amigável.

– Além do Capítulo 7, Secção 4 de Regra de São Bento para nós muito claramente listar as ferramentas de conversão. Este capítulo pode iluminar grandemente os meios de obtenção de “puro leite espiritual” que assim o desejarem.

– O desenvolvimento humano e espiritual deve contribuir para o nosso crescimento na salvação. Quando crescemos, é como uma pessoa em todas as suas componentes.

– A auto-consciência não pode ser uma ferramenta de conversão óbvio, mas temos que ser consciente o suficiente para ser monges e monjas. A vida monástica é uma vida de plena consciência. Nós nunca conscientemente manter maus hábitos.

A motivação para buscar a Deus

No capítulo 58 da Regra de São Bento, ele disse que não deveríamos dar uma entrada fácil para novos candidatos na vida monástica. Devemos “procurar saber se o espírito com que eles vêm de Deus” (RB 58, 1; 1 João 4: 1). Esta declaração mostra como São Bento quer que sejamos cuidadosos com a formação dos recém-chegados. Ele também diz que “nós damos-lhes um ex-irmão, capaz de levá-los a Deus. Este irmão está cuidando deles com muito cuidado. Ele vai olhar atentamente para o recém-chegado. Será que ele realmente procura a Deus? Ele é ansiosamente aplica ao serviço de Deus, obediência, testes que fazem humilde? “(RB 58, 6-7). Os treinadores das nossas comunidades têm na maioria dos casos uma responsabilidade grande e até mesmo muito importante da vida monástica. Bento é muito clara sobre isso no Capítulo 58 da Regra. James Otis Sargent Huntington, o fundador da ordem da Cruz gloriosa, escreve na sua Regra que o futuro de uma comunidade está em suas mãos (regra de James Otis Sargent Huntington, c. 32, § 146). O formador ensina não só pelo que ele diz, mas também pelo exemplo. Ele ou ela dá para ver o que a vida novatos em busca de Deus deve ser como. A característica mais importante do treinamento é que isso não acontece em “uma classe”, mas no acompanhamento espiritual ativa dos noviços.

Mas também é importante perceber que a comunidade deve promover um ambiente em que uma boa formação pode acontecer. O treinador desde que a comunidade é um modelo para aqueles que chegam. E assim, boa comunidade treinamento é aquele que pode ver em todas as coisas a busca de Deus. Em certo sentido, todos nós estamos continuando comunidade educativa sobre a tradição monástica. O treinamento não pára com os votos perpétuos.Continuamente aprender, crescer e desenvolver-se como um macho ou fêmea grupo de convivência na unidade é a melhor maneira de ganhar as almas daqueles que entram em nossas comunidades, e aqueles que de uma forma ou outro em contacto connosco. Em outras palavras, nós todos juntos e ser imitadores de Cristo.

Abaixo está uma lista de treinamento “essencial” para a tradição monástica, ele é bom ter conhecimento como monges e monjas que foram introduzidas a esta forma de vida antiga, que respira e dá sempre vitalidade. Alguns destes pontos foram abordados em detalhes nos parágrafos anteriores e são agrupados em categorias gerais, após uma breve introdução.

E Relações com a Comunidade

O estagiário deve aprender a desenvolver relacionamentos e compreender o que significa viver em uma comunidade particular. Criar ligações entre as duas partes exige sacrifícios por parte do candidato ea comunidade. A comunidade desempenha um papel de mentor em como estabelecer essa relação e pode ajudar o recém-chegado a ser formado. Os membros da comunidade devem agir de tal forma que eles têm de provar-se digno de ser imitado. Eles oferecem modelos e maneiras de ensinar a pessoa que está em formação. A comunidade deve estar envolvida neste processo. Aqueles que vêm deve aprender a escutar, a amar os seus irmãos e irmãs, aprender com os outros e os seus exemplos e mostram um cuidado visível e um certo interesse nas propostas e os ensinamentos da comunidade. Existe uma relação entre duas partes e, é claro, o diálogo é crucial. Esperemos que, postulantes e noviças são capazes de procurar Deus na comunidade, em sua vida, e seus membros nas suas relações com a comunidade. O recém-chegado ea comunidade em conjunto para se engajar nesse processo e fielmente.

1- Ouça a amar – ouvir com o coração é o verdadeiro fundamento da vida monástica.

2- A comunidade deve ser o foco cristocêntrica.

3- vida comunitária é crucial nos estágios iniciais de formação.

4- Devemos todos querem aprender uns com os outros.

5- Buscamos Deus na comunidade.

6- Nós pagamos a atenção para o outro.

7- O treinador não é o único preocupado com o recém-chegado individual. A comunidade também é formativa.

Diálogo 8- (ver introdução acima).

9. Compromisso com a vida da comunidade e sacrifício (ver introdução acima).

10- Quando nos reunimos em comunidade, assim como nós somos. A falsa piedade não tem lugar em verdadeiras relações no seio da tradição monástica.

11- Os membros da comunidade têm de imitar a Cristo (ver introdução acima).

12- Quando nos reunimos em relação, nós vivemos “nosso” liturgia (veja acima sobre a Liturgia).

13- A comunidade deve ser um lugar santo, sagrado, um espaço onde o sacrifício tem lugar no qual somos santificados.

As habilidades na comunidade de recém-chegados, pré-requisitos?

Como já disse, a vida monástica preferem nada a Cristo. Esta preferência informa o caminho todo mundo vive. Se tivermos o amor perfeito de Deus, ele irá conduzir fora todo o medo.Esta afirmação era especialmente o capítulo sobre humildade. Este valor claramente monástica permeia todos aqueles que vivem essa preferência. Cristo é o humilde servo que “ter a forma de Deus, não teve ciúmes ocupou o posto que igualou a Deus, mas esvaziou, assumindo a forma de servo, chegando em semelhança de homens. Reconhecido homem em sua aparência, ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz “(Fl 2, 6-8). Isto é o que procuramos quando vemos nossos noviços e postulantes crescer em nossa tradição. Capítulo 58 também descreve muito bem as qualidades de olhar para aqueles que se juntar a nós.

1- faz uma pesquisa, um desejo de Deus? Será que recém-chegado busque a Deus com todo o coração e toda a alma e com toda a sua mente?

2- É a pessoa pode entender uma mensagem integrados na vida comum? Será que ele ou ela está interessada ou dócil / e saber o ponto de vista de seu desenvolvimento humano e espiritual?

3- Será que o candidato busque a Deus na comunidade? (Veja as seções sobre comunidade acima.)

4- O recém-chegado define uma relação de amor definitivo com Cristo ressuscitado e leva outros a esta reunião de diálogo.

5- Compromisso com a vida da comunidade e sacrifício, como dom de si (veja as seções sobre comunidade acima).

6- A Palavra é vivida em toda a pessoa.

7- A pessoa está disposta e capaz de conversão.

8. Será que o estagiário se sente bem com os outros? É que ela conheceu através desta comunidade? Será que vai de falsa piedade sobre esta pessoa?

9- A pessoa deve estar disposto a imitar a Cristo e mostrar sinais de que está bem feito nele.

10- Todos devem entender o caminho ea origem das pessoas em formação.

11- Será que o recém-chegado compreender o significado eo propósito da vida monástica?

12- É o estagiário pronto para ter, a fim de ser ensinada?

13. Quem é Cristo para o candidato?

14- Espera-se que o recém-chegado como oração e é naturalmente inclinado a orar.

15- O recém-chegado deve também amar a Palavra de Deus.

A maioria dos formadores: a arte de ganhar almas

As sobreposições entre as qualidades para procurar em aqueles que estão em formação e aqueles que o treinador considera fundamental possuir ou cultivar, como tal, são bastante surpreendente. Não, nós não estamos tentando fazer com que nossos postulantes e noviças fotocópias de nós mesmos, nem tentando fazer os outros membros da comunidade de robôs.Se assim fosse, os nossos próprios egos estão muito envolvidos no processo de formação.Quem faz o melhor e da maneira mais verdadeira é Cristo através do ensino do Espírito Santo, nas palavras o Papa Bento XVI: “Educar torna-se uma missão maravilhosa se realiza em colaboração com Deus que é o primeiro e verdadeiro educador de todo homem “. Papa Bento XVI afirma em conexão com o batismo. A criança é educada “para o sacramento que marca a entrada na vida divina na comunidade eclesial”. Ele disse aos pais: “Podemos dizer que esta foi a sua primeira escolha educativa como testemunhas da fé a seus filhos: a escolha é fundamental! “(Papa Bento XVI, homilia para a festa do Batismo de Cristo, pregado no Vaticano 08 de janeiro de 2012).

Educamos estagiários para viver novamente do seu Baptismo, para lembrar quem eles são e para quem eles pertencem. A vida monástica pode ser visto como uma demonstração e uma outra expressão da vida batismal em Cristo. Se temos de ser formadores / educadores devemos lembrar que é realmente o instrutor e não impedi-lo. É por isso que devemos desejo de ser treinado por Cristo. Temos que ser maleável para a salvação trabalhando em Cristo. O Papa Bento XVI escreve: “Como adultos, temos o compromisso de recorrer a boas fontes para o nosso bem e para a de quantos estão confiados à nossa responsabilidade” ( Ibid .).

Isto é especialmente verdadeiro quando se é mestre de noviços. Precisamos desenhar a partir da fonte de Cristo, a Palavra e os sacramentos da Igreja. Temos de “nutrir” nós mesmos “com estas fontes, a fim de orientar os mais jovens em seu crescimento.” Para dar, recebemos e buscar a Palavra de Deus na vida da comunidade, na nossa oração e na formação que oferecemos. E acima de tudo, procuramos imitar a Cristo, para serem conformes à medida em que nós ensinamos nossos candidatos e os nossos novatos a fazer o mesmo.

1- Os formadores de ser imitadores de Cristo.

2- Nós, treinadores vêm aos nossos novatos assim como nós somos, abandonando qualquer forma de falsa piedade.

3- Os nossos postulantes e noviças eles podem ver que a conversão funcione através de nós, seus mestres novatos?

4- Do vivemos a Palavra e aceitar para os recém-chegados?

5. Estamos empenhados em viver em comunidade na oferta de nós mesmos.

6- Os formadores para estabelecer um relacionamento amoroso decisivo com Cristo ressuscitado e eles devem ser capazes de levar os outros à reunião de diálogo.

7- Não buscamos a Deus na comunidade?

8- Não oferecemos uma mensagem integrada à experiência de vida?

9- Faça uma pesquisa e desejo dentro de nós, especialmente no que diz respeito a Deus?

10- Temos de garantir a boa vontade ea confiabilidade dos candidatos. Precisamos mostrar um monte de amor e estar preocupado com esta tarefa e, se necessário, discutir com outros especialistas.

11- O acompanhamento é a liderança e companheirismo, à luz da aprendizagem ao longo da vida do viajante que viaja com a gente.

12. Os formadores devem ser capazes de compreender onde os candidatos.

13. Os formadores devem ter um bom entendimento, sólida do significado e propósito da vida monástica.

14. Os treinadores têm de criar um ambiente para o noviciado para ser um lugar de oferta (e, portanto, santificação) dentro da comunidade.

15. Os treinadores têm de estar abertos à mudança e, particularmente, aprender com aqueles que são treinados.

16. Quem é Cristo para nós, treinadores?

17- Devemos amar e incentivar a oração.

18- Devemos amar e incentivar um amor da Palavra.

O efeito de tudo isto

Em sendo guiado e conduzido pela tradição monástica, o nosso objetivo é ter uma atitude verdadeiramente consciente e responsável para a presença de Deus em nós. A vida monástica se torna autêntico testemunho de vida cristã. Em outras palavras, a vida monástica é nada, mas uma vida cristã vivida com seriedade e integridade.

Fonte pesquisada:http://www.aimintl.org/





O Deserto

6 07 2015

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Deserto

O deserto constitui, na revelação do Antigo e do Novo Testamento, um tema de atração particular. Sabemos que Israel teve no deserto as experiências mais imediatas da presença, do amor, da misericórdia de Deus, e que nele teve que lutar pela pureza de sua entrega, pela fidelidade a seu Deus. Para uma tradição, o deserto passou a ser inclusive um símbolo da relação mais pura, da frescura do primeiro amor entre Deus e Israel. Na medida, porém, em que Israel se fez sedentário, foi variando sua compreensão do deserto, e não viu nele senão algo terrível, cheio de ameaças e feras, onde ninguém podia viver. Deste modo, a meditação de sua própria história fê-lo perder a visão idílica de sua peregrinação pelo deserto, e apercebeu-se de que essa época esteve cheia de pecado, de ofensa a Deus, a tal ponto que em certo momento o deserto chegou a ser símbolo do juízo condenatório de Deus. Já se vislumbra nisto a oscilação na consideração do deserto como habitação privilegiada de Deus e como lugar de sua ausência, horrível, cheio de perigos e tentações. O Novo Testamento é igualmente devedor dessa dupla visão. É no deserto que São João Batista começa o anúncio do Reino de Deus, e para onde foge a Igreja perseguida do Apocalipse (12,5-6). É também a montanha solitária lugar preferido por Jesus para sua oração íntima. Mas o deserto é, além disso, morada do demônio, símbolo do obscuro e sem vida. Jesus é tentado no deserto e, segundo seu próprio ensinamento, esse é o lugar próprio dos demônios. Seja qual for a origem dessa dupla imagem do deserto, o essencial é que participa do paradoxo de tudo o que conforma a relação de Deus com o homem. Não há lugar, nem tempo, nem coisa, nem pessoa que goze da unidade que só é própria de Deus. Tudo está marcado com o signo da ambiguidade. Tudo pode ser sinal da presença de Deus, tudo pode ser também tentação para esquecê-lo. O deserto aparece então não sob a simplista concepção de uma fuga ou evasão do mundo, senão como aquela realidade de nosso mundo na qual, mais do que em nenhuma outra, se está com indefesa desnudez ante a única decisão que importa: por Deus ou contra ele. O deserto recorda ao homem sua pobreza e solidão essenciais, sem as quais não se pode compreender nem a riqueza da criação nem a graça que significa a comunidade e o serviço aos homens. É essa dupla visão caracterizada também pela “Vida”. Santo Antão vai ao deserto, vai progressivamente em busca de maior solidão para poder se enfrentar com todas as incitações que pretendem envolvê-lo em sua complexidade, estorvando-lhe o caminho à recuperação de sua unidade. É o lugar de sua luta contra o demôniio. À medida, porém, que seu progresso espiritual avança, o deserto se converte para ele em lugar privilegiado de seu encontro pessoal e místico com Deus. Esta é a finalidade verdadeira e última de toda austeridade, de toda vida ascética. Seria insensato crer que Santo Antão ou os monges esgotam sua vida na busca do demônio. Buscam primeiramente a Deus, mas sabem muito bem que esse caminho passa através de todas as ilusões demoníacas. As privações de todo tipo, a leitura e meditação da Palavra de Deus, a oração constante, são as armas para percorrer o caminho sem temer os perigos. Sua meta última é, porém, restaurar a imagem do homem tal como foi criado por Deus: dono, e não escravo do mundo, ao serviço do único Senhor do universo, e assinalar o estado último e definitivo, em que tudo é um, em que tudo é Sim e Amém.

6. Texto da “Vida”

A “Vida de Santo Antão” foi escrita por Santo Atanásio em grego. Do texto grego se conhecem 165 manuscritos. Mais da metade deles se conservam na forma que receberam na compilação de Simeão Metafrasto, o hagiógrafo grego, em fins do século X. Este texto só teve até agora duas edições originais. A primeira foi feita por David Hoeschel em 1611; por este texto todo o século XVII conheceu a “Vida”. Em 1698, os beneditinos da Congregação de São Mauro J. Loppin e B. de Montfaucon publicam a primeira edição crítica das obras de Santo Atanásio, a qual figura na Patrologia grega de Migne, t.26, col. 837-976. De fato, ambas as edições, salvo algumas variantes, continuam utilizando o texto metafrástico. Seria necessária uma edição crítica do texto grego. Do texto original há duas versões latinas e várias orientais. A versão latina mais conhecida é a devida ao presbítero Evágrio de Antioquia, que no ano 388 chegou a ser bispo de sua cidade; Evágrio era amigo de São Jerônimo, e dedicou sua tradução a Inocêncio, amigo comum de ambos, morto em 374. Esta versão é, pois, do tempo de Santo Atanásio, e deve ter sido feita pouco depois da publicação do original, o que demonstra sua ampla difusão e popularidade. Dom André Wilmart deu a conhecer em 1914 a existência de outra versão latina distinta, conservada num códice do Capítulo da Basílica de São Pedro, e publicou algumas partes. Gérard Garitte editou-a integralmente em 1939. Supõe-se hoje em dia, geralmente, que esta versão é também anterior à de Evágrio, mas a deste é que foi constantemente copiada e impressa. Aparece efetivamente na edição beneditina mencionada anteriormente, ao pé do texto grego, e é também a publicada por Migne, tanto na Patrologia grega como no vol. 73, col. 125-168, da Patrologia latina. Também existem versões coptas, árabes, etíopes, sírias, armênias e georgianas, algumas já editatas, outras entretanto inéditas.

7. Nossa versão

Como já se explicou ao leitor no prólogo, o manuscrito original da tradução castelhana foi preparado sobre o texto latino de Evágrio de Antioquia. Dada a penúria de material patrístico em nossa região, só nos foi possível utilizar o volume da Patrologia grega por muito pouco tempo. De todo modo, revimos todo o manuscrito segundo esse texto. As variantes de Evágrio, que nos pareceram mais importantes, consignamo-las nas notas com a sigla: E. Foram-nos muito úteis as versões de René Draguet, Robert T. Meyer e Jean Bremond, assinaladas mais adiante na bibliografia. Desde já agradecemos todas as observações dos eruditos amigos sobre erros de tradução ou sugestões para sua melhor formulação. É este também o lugar para agradecer de todo o coração ao Pe. Elmar Boos, o.f.m. Cap. do Convento de São Francisco de Valdivia, por sua generosidade em obter para nossa biblioteca o “Patristic Greek Lexikon”, de G.W.H. Lampe.

8. Lacunas

Estamos muito conscientes de nossas insuficiências e lacunas. Em particular teríamos gostado de incluir a tradução das cartas e apoftegmas atribuídos a Santo Antão. Igualmente quiséramos ter podido incluir nesta “Introdução” uma resenha das traduções castelhanas da “Vida” e, sobretudo, uma exposição dos motivos mais salientes de sua doutrina espiritual. Mas, não só esta “Introdução” se teria estendido muito além do que já o foi, como também declaramos nossa incompetência neste ponto, maior ainda do que nos outros em que nos atrevemos a tocar.

9. Bibliografia

Damos a lista das obras que mais nos serviram tanto para a redação desta Introdução, como para a preparação da tradução e das notas.

MIGNE, Patrologia grega, t. 26 (PG).

MIGNE, Patrologia latina, t. 73 (PL).

COLOMBAS, GARCIA M., El monacato primitivo, T. I BAC 351, Madrid, 1974, 376 p.

BREMOND, JEAN, Los Padres del Yermo. Prólogo de Henri Bremond. Aguilar, Madrid, s.a., 510 p.

DRAGUET, RENE, Les Pères du Désert. Plon, Paris, 1949, 1 X – 333.

LAMPE, G.W.H., Patristic Greek Lexikon. Clarendon. Oxford, XLVII – 1568 p.

LORIE, L.T.H.A., Spiritual Terminology in the Latin Translation of the Vita Antonii (Latinitas Christianorum Primaeva XI). Dekker & van de Vegt, Nimega, 1955, XV – 180 p.

MEYER, ROBERT T., The Life of Saint Anthony (Ancient Christian Writers, n. 10). The Newman Press, Westminster, Maryl., 1950, 130 p.

Studia Anselmiana 38: Antonius Magnus Eremita. Cura BASILII STEIDLE OSB Herder, Roma, 1956, VIII – 306 -.

Fonte de pesquisa: http://www.padresdodeserto.net/antao2.htm





Experiência do Deserto

26 05 2015

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“… e esses homens estão longe de si mesmos, como ébrios de bebida, ébrios em espírito de mistério e de Deus”. (Pseudo-Macário, Homilias Espirituais).

Solidão, silêncio e oração incessante configuram o conceito central da espiritualidade do deserto, que tem grande valor para nós que vivemos situações sempre novas e desafiadoras como cristãos. Já ensinava São Paulo apóstolo: “Orai incessantemente” (1 Ts 5,17) foi fundamental para vida ascética dos Padres do Deserto, eremitas, monges e monjas.

Os Padres do Deserto foram eremitasascetasmonges e monjas que viviam majoritariamente no deserto da Nítria (Scetes), no Egito a partir do século III d.C. O mais conhecido deles foi Santo Antão (ou Santo Antônio, o Grande), que mudou-se para o deserto em 270-271 e se tornou conhecido tanto como o pai quanto o fundador do monasticismo no deserto. Quando Antão morreu em 356, milhares de monges e freiras tinham sido atraídos para a vida no deserto seguindo o exemplo do grande santo. Seu biógrafo, o doutor da Igreja Santo Atanásio de Alexandria, escreveu que “o deserto tinha se tornado uma cidade”.

Nos séculos III e  IV da era cristã os desertos da Síria e do Egito viram afluir em grande número homens como Santo Antão, São Pacômio, São Macário e Paulo de Tebas  que, respondendo ao chamado de Jesus Cristo, deixaram a vida do mundo para se dedicarem a uma vida com Deus no deserto,  na solidão e na oração, ali fundando os primeiros mosteiros da história cristã. Estes monges se tornaram conhecidos como os padres (ou pais) do deserto. Surgia, assim, uma nova sociedade à margem da antiga; comunidades de ascetas que, com o nome de lauras, sketes, coenobia, se tornariam, na solidão do deserto, o modelo da cidade vindoura, a Jerusalém Celeste.

Três principais tipos de monasticismo se desenvolveram no Egito à volta dos Padres do Deserto. Um foi à vida austera do eremita, como praticado pelo próprio Antão e seus seguidores no Baixo Egito. Outro foi a vida cenobita, comunidades de monges e monjas no Alto Egito formadas por São Pacômio. O terceiro foi uma vida semi-eremita vista principalmente na Nítria e em Scetes, a oeste do Nilo, iniciada por Santo Amum. Estes últimos eram pequenos grupos (de dois a seis) de monges e freiras com um ancião em comum – os grupos separados se reuniam em aglomerações maiores para a celebração dos sábados e domingos. Este terceiro grupo monástico foi responsável pela maior parte dos ditados que foram compilados na obra “Ditados dos Pais do Deserto”.

Sinclética, Mãe do Deserto, disse: “No começo, há luta e muito trabalho para os que se aproximam de Deus. Mas, depois disso, há uma indescritível alegria. É como acender uma fogueira: no início há muita fumaça e seus olhos lacrimejam, mas depois você consegue o resultado desejado. Assim devemos acender o fogo divino em nós mesmos, com lágrimas e esforço”.

Charles de Foucauld

Um dos principais fatores da caminhada do Padre Charles de Foucauld (1858-1916),  foi a redescoberta do deserto. Ele era uma pessoa prática, de ação e inquieto, vai descobrir que apesar de toda técnica e conhecimento moderno, o bom Deus ainda deve ser encontrado na solidão e no silêncio do deserto. Ele escreveu: “É no deserto que nos despojamos, que afastamos de nós o que não é Deus, esvaziando completamente a pequena morada de nossa alma, para deixar todo o lugar exclusivamente só para Deus”.

“Nos primeiros anos do século XX, um francês amante da literatura e da vida de aventuras, renomado explorador, teve a oportunidade de viver uma das mais sugestivas aventuras cristãs do século passado. Charles de Foucauld, o monge que sozinho construía tabernáculos no deserto argelino para “transportar” Jesus para o meio àqueles que não o conheciam nem o buscavam, e que morreu assassinado por aqueles mesmos tuaregues entre os quais escolhera viver, em silêncio e oração, sem ter ganhado entre eles ne­nhum novo cristão. Sua história tão irrepetível constitui um dom de alento e de conforto”, escreveu o jornalista e escritor italiano Gianni Valente (1).

Charles de Foucauld recusou por muito tempo o termo missionário: “A minha vida aqui não é a de um missionário, mas a de um eremita” escreveu a Henry de Castries 28 out 1905 (2). A 2 de Julho de 1907, que mesmo escreveu a Mgr. Guérin, destacando as palavras “Eu sou um monge, não um missionário, feita para o silêncio, para não falar ” (3). Esta recusa em ser chamado missionário levou-o a querer desenvolver um apostolado da presença silenciosa, “incógnito”. Em correspondência, Charles acredita que esta presença é essencial, a fim de “gritar com a vida o Evangelho de Cristo”.

Charles de Foucauld afirmou: “Quero passar sobre a terra de maneira obscura como um viajante à noite”. “Viver na pobreza, na abjeção, no sofrimento, na solidão, no abandono para estar na vida com o meu Mestre, o meu Irmão, o meu Esposo, o meu Deus, que viveu assim toda a sua vida e me dá esse exemplo desde o nascimento”. “A vossa vocação: Pregar o Evangelho silenciosamente como eu fiz na minha vida escondida, e como também fez Maria e José”.

Se para o Bem-Aventurado Charles de Foucauld o deserto foi de fato e de verdade o deserto do Saara, onde viveu 16 anos, para seus filhos espirituais este “deserto” consiste agora em participar de retiros espirituais, retirar-se em lugares isolados, de preferência em contato com a natureza, para assim despojamos diante de Deus, poder melhor escutá-lo, adorá-lo e amá-lo eternamente.

A experiência do deserto é um profundo encontro com Deus e uma comunhão de amor em prol da missão de gritar o Evangelho de Cristo com a vida.

Pe. Inácio José do Vale

Fraternidade Sacerdotal JesusCáritas

Notas:

(1) Fonte: http://www.30giorni.it/articoli_id_7974_l6.htm

(2)  Foucauld, Letters to Henry de Castries , Paris, Grasset, 1938, p. 177.

(3) Citado em J.-F. Six. Itinerário espiritual de Charles de Foucauld , Paris, Seuil, 1958, p. 280.

Bibliografia

NOUWEN, Henri J. M. A Espiritualidade do Deserto e o Ministério Contemporâneo – O Caminho do Coração. São Paulo: Ed. Loyola, 2000.

HAMMAN, E. Os Padres da Igreja, São Paulo: Ed. Paulinas, 1980.

LACARRIÈRE, Jacques. Padres do Deserto. São Paulo: Ed. Loyola, 1996.

CHRYSSAVGIS, John.  Ware, Kallistos. Ward, Benedicta. In the Heart of the Desert: Revised Edition: The Spirituality of the Desert Fathers and Mothers (Treasures of the World’s Religions). Bloomington, Ind.: World Wisdom, 2008.





Charles de Foucauld: A Missão no Deserto de Hoje

26 05 2015

Scannabue

Por Cardeal Walter Kasper

Comoveu-me a autêntica espiritualidade evangélica, espiritualidade de Nazaré, espiritualidade do silêncio, da escuta da Palavra de Deus, da adoração eucarística, da simplicidade da vida e da partilha fraternal. Mas tarde, compreendi a atualidade e a exemplaridade do testemunho de Charles de Foucauld para os cristãos e o cristianismo no mundo de hoje. Charles de Foucauld me parecia interessante como modelo para realizar a missão do cristão e da Igreja não apenas no deserto de Tamanrasset, mas também no deserto do mundo moderno: a missão por meio da simples presença cristã, na oração com Deus e na amizade com os homens.

Apesar de todos os esforços pastorais realizados, as igrejas estão cada vez mais vazias no domingo e a sociedade mais descristianizada. Muitos têm a impressão de pregar para ouvidos surdos. Nessa situação difícil, o exemplo de Charles de Foucauld pode ser de grandíssima ajuda para muitos sacerdotes. Nós, cristãos, também somos filhos de nosso tempo; queremos planejar, fazer, organizar, controlar os resultados… Charles de Foucauld nos sugere uma abordagem diferente: imitar e viver a vida de Jesus em Nazaré.

Não apenas as palavras é a vida que convence. Escrevia a De Foucauld o seu mestre espiritual, padre Henri Huvelin, numa carta de 18 de julho de 1899: “Faz-se o bem com aquilo que se é, bem mais do que com o que se diz… Faz-se o bem quando se é de Deus, quando se pertence a Ele!”.

Muitas vezes vagamos sem uma meta precisa e uma sólida esperança. Somos, portanto, um povo junto ao qual a pregação do Evangelho e a conversão são difícil. Nessa situação, Charles de Foucauld nos dá uma res­posta profética, mas também exigente, no fundo a única resposta possível: uma vida evangélica que manifesta a alternativa profética do Evangelho, tornando-o novamente interessante e atraente. Assim, Charles de Foucauld é uma figura luminosa, e pode ser também um válido contrapeso diante do perigo de um aburguesamento e de uma tediosa banalização da Igreja.

Charles de Foucauld me parecia interessante como modelo para realizar a missão do cristão e da Igreja não apenas no deserto de Tamanrasset, mas também no deserto do mundo moderno: a missão por meio da simples presença cristã, na oração com Deus e na amizade com os homens (1).

Imitar Jesus Cristo

Sua motivação era simplesmente imitar o amor generoso de Jesus. Charles de Foucauld escreveu:  “Toda a nossa existência deve gritar o Evangelho de cima dos telhados. Toda a nossa pessoa deve respirar Jesus. Todas as nossas ações e toda a nossa vida deve proclamar que pertencemos a Jesus. Nós fazemos o bem, não pelo que dizemos e fazemos, mas pelo que somos, pela graça que acompanha as nossas ações, pela maneira que Jesus vive dentro de nós, pela maneira que nossas ações são ações de Jesus que trabalha através de nós” (2).

São João Paulo II situou Charles de Foucauld entre “aqueles que exerceram grande influência em toda a vida da Igreja, por meio da luz e do poder do Espírito” (3).

No mundo em que estamos vivendo cheio de conflitos, perturbado, desencontrado, fundamentalista e libertino, temos a graça da espiritualidade foucauldiana como uma proposta impactante de eficaz mudança nos corações. Nada evangeliza tão bem e profundamente do que o testemunho dos verdadeiros seguidores de Jesus Cristo.

Pe. Inácio José do Vale

Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas-Charles de Foucauld
Notas:

(1) Fonte: http://www.30giorni.it/articoli_id_7974_l6.htm. Parte da entrevista selecionada. 01/02/ 2005.

(2)  Fonte: http://www.thejosephhouse.org/defoucauld/biography.htm.

(3) Annie de Jésus, Irmãzinha. Charles de Foucauld: nos passos de Jesus de Nazaré. Vargem Grande Paulista, SP. Ed. Cidade Nova, 2004, p.8.








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