Ditos do Deserto – Coletânea – Parte II

20 09 2013

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Pai Poemen disse de Pai John, o Anão, que ele tinha rezado a Deus para que retirasse para longe dele as paixões, de modo que ele ficasse livre de preocupações. Então ele foi contar ao ancião isto; “encontro-me em paz, sem nenhum inimigo”. O ancião lhe disse, “vá, implore a Deus que lhe envie as lutas de modo que você recupere a aflição e humildade que você possuía, pois é pela luta que as almas progridem.” Então, ele implorou a Deus e quando as batalhas vieram ele não mais rezou que elas fossem afastadas, mas disse, “Senhor, dai-me força para a luta.”

Pai John disse, “pusemos a carga leve de um lado, que é a auto-acusação, e nos carregamos com um grande peso que é a auto-justificação.”

Ele também disse, “humildade e temor de Deus estão acima de todas as virtudes.”

Pai John deu este conselho, “vigiar significa sentar-se na cela e estar sempre presente a Deus. Isto é o que significa o dizer, “eu vigiava e Deus veio até mim.”

Um dos Padres disse dele, “quem é esse John, que pela sua humildade tem toda cidade de Scete pendurada no seu dedo mínimo?”

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Ditos do Deserto – Coletânea – Parte I

20 09 2013

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 Um dia, quando ele estava sentado em frente à igreja, os irmãos foram consultá-lo sobre seus pensamentos. Um dos anciãos viu e tornando-se presa do ciúme disse a ele, “John, seu vaso está cheio de veneno.” Pai John respondeu-lhe, “Isto é bem verdade, Pai; e você disse isso vendo apenas o lado de fora, mas se fosse capaz de ver o interior também, o que diria, então?”

Alguns irmãos vieram um dia para testá-lo, para ver se ele deixaria seus pensamentos se dissiparem e falasse das coisas desse mundo. Disseram-lhe então, “damos graças a Deus, pois este ano tem chovido muito e as palmeiras puderam beber e suas folhas cresceram e os irmãos encontraram trabalho manual.” Pai John disse-lhes, “Então, é quando o Espírito Santo desce aos corações dos homens, eles se renovam e produzem folhas por temor a Deus.”

“Era dito de Pai John, o Anão, que um dia ele estava tecendo corda para duas cestas, mas sem perceber, ele fez apenas uma, até que chegasse ao teto, pois seu espírito estava absorto em contemplação.”

Pai John disse, “sou como um homem sentado debaixo de uma grande árvore, que vê bestas selvagens e serpentes, vindo contra ele em grande número. Quando não pode mais, ele corre e sobe na árvore e se salva. É a mesma coisa comigo; sento-me em minha cela e estou consciente de pensamentos maus vindo contra mim e quando não tenho mais forças contra eles, busco refúgio em Deus pela oração e sou salvo do inimigo.”





Temperança – Abade Thalassius

18 09 2013

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Uma das grandes coisas que devemos aprender é a sabedoria dos homens e mulheres da igreja primitiva ou os Padres do Deserto.

Sempre estou trazendo esses belos e ricos tesouros da nossa religião para que todos possam beneficiar-se deles enriquecendo assim as suas almas.

Falando sobre a Temperança esse Monge nos apresenta o seguinte:

Primeira Centúria (1-10)

1. Um desejo (epithymia) totalmente voltado para Deus religa a Deus e religa entre si àqueles que desejam.

2. Uma inteligência (nous) que adquiriu o amor espiritual (eros) não tem conta daquilo que convém ao amor, quando considera o próximo.

3. Aquele que abençoa de boca e menospreza em seu coração (kardia) esconde a hipocrisia sob o véu do amor.

4. Aquele que adquiriu o amor (agape) suporta sem problemas as coisas aflitivas e penosas que suscitam os inimigos (diabolos).

5. Só o amor une a criação a Deus e os seres entre si na concórdia.

6. Possui o amor verdadeiro (agape) aquele que não suporta nem dúvidas nem palavras contra o próximo.

7. É honrado por Deus e os homens, aquele que não empreende nada que possa destruir o amor (agape).

8. É próprio do amor sincero (agape) uma palavra verdadeira que vem de uma boa consciência.

9. Aquele que reporta a outro as queixas de um outro esconde a inveja (pleonexia) acobertada pela benevolência.

10. Assim como as virtudes (arete) carnais atraem a glória dos homens, as virtudes espirituais atraem a glória de Deus.

11. O amor e a temperança (enkrateia) purificam a alma (psyche), mas a oração (euche) pura ilumina a inteligência (nous).

12. É um homem forte aquele que pela ação (praxis) e o conhecimento (gnosis) caça o mal.

13. Encontrou a graça em Deus, aquele que adquiriu a impassibilidade (apatheia) e o conhecimento espiritual (gnosis).

14. Se queres vencer os pensamentos apaixonados (logismos), adquira a temperança (enkrateia) e o amor ao próximo (agape).

15. Guarda-te da intemperança e do ódio (orge) e não encontrarás nada que te faça obstáculo na hora da prece (euche).

16. Da mesma maneira que não se pode sentir perfumes na lama, não é possível sentir em uma alma rancorosa (orge) o bom odor do amor (agape).

17. Domines vigorosamente o ardor (thymikon) e a concupiscência (epithymia), e rapidamente serás liberado dos pensamentos (logismosmaus.

18. O trabalho oculto suprime a vanglória, e não menosprezar ninguém rechaça o orgulho.

19. O próprio da vanglória, é a hipocrisia e a mentira. E o próprio do orgulho, é a presunção e a inveja.

20. Comando, aquele que comandou a ele mesmo e que submeteu à razão alma e corpo.

21. A autenticidade de um amigo se manifesta na provação, quando ele comunga com nossa infelicidade.

22. Garanta teus sentidos por meio da hesychia, e julgue os pensamentos que são postos sobre teu coração.

23. Aos pensamentos que te afligem, responda sem ressentimentos. Mas para os pensamentos que amam o prazer, experimente a aversão.

24. A hesychia, a oração, o amor e a temperança são o quádruplo coche que eleva aos céus a inteligência.

25. Consumas teu corpo pelo jejum e as vigílias, e repudiarás o carrasco, o pensamento do prazer.

26. Assim como a cera funde ao fogo, da mesma maneira o pensamento impuro funde diante do temor de Deus.

27. É fazer o mal à alma prudente deixar muito tempo a inteligência em uma paixão culpável.

28. Suporta os ataques do que te entristece e te aflige, pois por eles a providência de Deus te purifica.

29. Se rejeitas a matéria e te desapegas do mundo, te desapegas também doravante dos maus pensamentos.

30. A obra própria da inteligência é de sempre estudar as palavra de Deus.

31. Assim como a obra de Deus é de dirigir o mundo, também a obra da alma é de governar o corpo.

32. Com qual esperança ir ao encontro do Cristo, nós que estamos escravizados até agora aos prazeres da carne?

33. A vida dura e a aflição — voluntárias, ou suscitadas pela Providência — eliminam o prazer.

34. O amor do dinheiro se acha ser a matéria das paixões, pois cresce o prazer que abarca tudo.

35. O cheque do prazer engendra a tristeza, mas o prazer estava ligado a toda paixão.

36. Com a medida de que te serves para tudo medir a teu corpo, serás em retorno medido por Deus.

37. As obras dos juízos divinos se encontram ser as justas retribuições do que foi feito pelo corpo.

38. A virtude e o conhecimento dão à luz à imortalidade. Mas sua privação foi a mãe da morte.

39. A tristeza segundo Deus elimina o prazer, e o desaparecimento do prazer é a ressurreição da alma.

40. A apatheia é a imobilidade da alma face-a-face do mal. ë impossível alcança-la sem a compaixão do Cristo.





Apoftegmas de São Cassiano

18 09 2013

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Tradução do grego de D. Estevão Bettencourt O.S.B.

1. O Abade Cassiano narrou o seguinte: «Chegamos, eu e o santo Germano, à cela de certo ancião no Egito. Acolhidos com hospitalidade amiga, perguntamos-lhe: «Por que é que, quando recebeis os irmãos peregrinos, não guardais a regra do nosso jejum, como a recebemos na Palestina?» Respondeu o ancião: «O jejum está sempre comigo; a vós, porém, não posso guardar sempre comigo. O jejum é, sim, coisa útil e necessária; depende, porém, da nossa própria vontade; o exercício da caridade, ao contrário, a Lei de Deus no-lo impõe com necessidade. Portanto, ao receber em vós o Cristo, devo tratar-vos com toda a solicitude. Quando vos despedirdes de mim, poderei reassumir a norma do jejum. Pois os filhos da câmara nupcial não podem jejuar enquanto o esposo está com eles; quando lhes é tirado o esposo, então jejuam licitamente».

2. O mesmo referiu o seguinte: «Havia um ancião, a quem uma santa virgem servia. Os homens, porém, diziam: ‘Eles não são puros’. Este rumor chegou aos ouvidos do ancião. Quando, pois estava para morrer, disse aos Padres: Após a minha morte, plantai o meu bastão sobre a sepultura; se germinar e der fruto, sabei que sou puro com esta virgem; se, porém, não germinar, concluí que caí com ela». Ora o bastão foi plantado; e no terceiro dia germinou e deu fruto. Todos, então, glorificaram a Deus».

3. Contou ainda: «Chegamos à cela de outro ancião, o qual nos fez comer. Quando já estávamos satisfeitos, convidou-nos a tomar mais alguma coisa. Como eu lhe dissesse que não podia mais, respondeu-me: ‘Por seis vezes que chegaram irmãos, pus a mesa, e, convidando-os vez por vez, comi com eles; e ainda tenho fome. Tu, porém, tendo comido uma vez, de tal modo te saciaste que não podes mais comer’».

4. O mesmo narrou de novo: «O Abade João, preposto de um cenóbio, foi ter com o Abade Paésio, que já por quarenta anos vivia no mais retirado recanto do deserto. Já que o Abade João possuía grande caridade para com o Abade Paésio e, em conseqüência, tinha certa liberdade de lhe falar, perguntou-lhe: ‘Que fizeste de bom, vivendo por tanto tempo a sós, sem que os homens te pudessem perturbar facilmente?’ Respondeu: ‘Desde que vivo solitário, o sol nunca me viu comer’. Disse por sua vez o Abade João: ‘Nem a mim viu irado’».

5. O mesmo Abade João, perto de morrer, estava animado e alegre por partir para junto de Deus.
Cercaram-no então os irmãos, pedindo-lhe que lhes deixasse como herança uma palavra breve e salvífica, pela qual pudessem chegar à perfeição emCristo. O ancião gemeu e disse: «Nunca fiz a própria vontade, nem ensinei a alguém o que antes não tivesse praticado».

6. A respeito de outro ancião, que residia no deserto, o Abade Cassiano contou que rogou a Deus, lhe desse a graça de nunca adormecer durante algum colóquio espiritual; caso, porém, alguém proferisse palavras maldizentes ou ociosas, caísse logo no sono, para que seus ouvidos não recebessem ta] veneno. Dizia que o demônio é zeloso das palavras ociosas, e adversário de todo ensinamento espiritual; o que ele ilustrava com este caso: «Certa vez, quando eu falava a alguns irmãos de coisas de proveito espiritual, foram tomados de tão pesado sono que nem podiam mover as pálpebras. Eu, então, querendo mostrar a ação do demônio, introduzi um dito ocioso; eles, em conseqüência, despertaram-se e alegraram-se profundamente. Gemendo, pois, disse: ‘Enquanto falávamos de coisas celestiais, os olhos de todos vós estavam dominados pelo sono; quando, porém, escapou uma palavra ociosa, todos com ânimo vos acordastes. Por isto, irmãos, exorto-vos: reconhecei a ação do mau demônio, e vigiai, guardando-vos do torpor, quando fizerdes ou ouvirdes algo de espiritual’».

7. Referiu mais o seguinte: «Um Senador que renunciara ao mundo e distribuíra os seus bens aos pobres, guardou algumas das suas posses para seu próprio uso, não querendo assumir a humildade que decorre da renúncia total nem a genuína submissão da regra cenobítica. A esse São Basílio dirigiu a seguinte palavra: ‘Deixaste de ser Senador, e não te fizeste monge’».

8. Disse ainda: «Havia um monge que residia numa gruta no deserto, ao qual os familiares conforme a carne comunicaram o seguinte: ‘Teu pai está gravemente enfermo e prestes a morrer; vem para receber a herança’. O monge respondeu-lhes: ‘Antes dele, eu morri para o mundo; um morto não recebe herança de um vivo’».





Oração do Coração

10 09 2013
Monge em Lectio Divina

Monge em Lectio Divina

O que diremos da oração do coração? Vamos tentar, em primeiro lugar, pôr em evidência a noção geral do que ela é.A oração do coração é essencialmente essa interpretação contemplativa da “vida escondida em Cristo”; a mesma que passa por Orígenes e pelos Alexandrinos, Gregório de NissaEvágrio e os Padres do deserto, os Sinaítas (João Clímaco e seus sucessores), Simeão o Novo Teólogo e os grandes hesicastas do monte Atos dos séculos XIII e XIV, Nicéforo, Gregório o Sinaíta, etc. Simplificando e fazendo abstração das diferenças que separam, por exemplo, Evágrio do Novo Teólogo ou de Nicéforo, pode-se dizer que a oração do coração opõe à corrente ativa e cenobítica a corrente intelectualista e monástica, a BasílioPacômio e Teodoro EstuditaEvágrio e Antão.

Os teóricos da oração do coração concordam, ao preconizar um caminho mais curto e mais fácil de oração, de Hésychia, de volta ao reino interior, para empregar suas expressões familiares.

O método – eles insistem sobre o caráter científico – não se diz inédito. Nicéforo invoca toda uma tradição, se bem que mais concernente à vida deoração solitária, em geral. Compreende duas fases. Por comodidade suprimimos o conjunto de disposições que precedem e envolvem o uso do método:humildade, desprendimento, lembrança da morte, obediência absoluta ao pai, etc.





MILAGRE EUCARISTICO DE SCETE

9 09 2013
Santo Antão

Santo Antão

Scete Egito Séc. III – IV

A narracão desse milagre Eucaristico vem dos primeiros séculos do cristianismo e faz parte da coletânea de apotegmas dos Padres do Deserto que viviam no Egipto como eremitas para seguir o exemplo de Santo Antonio Abade. Um monge duvidou da presenca real de Jesus no pão e vinho consagrados e durante a missa, depois da consagração, no lugar do pão estava o Menino Jesus. Outros três monges que assistiam á Missa tiveram a mesma visão.Nos apotegmas dos Padres do Deserto, encontramos a descrição de um antigo Milagre Eucarístico. O Padre Daniel, o Faranita conta: “O nosso Padre Arsênio nos dizia que um monge de Scetis era muito trabalhador, mas rude em matéria de fé. Por ignorância, se equivocava quando dizia: “o pão que comemos não é realmente o Corpo de Cristo, mas um símbolo.” Dois padres mais velhos que o ouviram falar, sabendo que ele era um homem piedoso e de bom coração, pensaram que dizia isso sem malícia e por ignorância, assim que foram falar com ele: “Pai, ouvimos dizer que uma pessoa diz coisas contrárias à fé, diz que o pão que recebemos não é realmente o Corpo de Cristo, mas é um símbolo.” O monge lhes disse: “Sou eu que o diz!” Entao os anciãos começaram a exortá-lo: “Tu nao deves crer nisto, mas naquilo que a Igreja Católica transmite. Nós acreditamos que este pão é o Corpo de Cristo e que este Cálice é o Sangue de Cristo e não um símbolo.” (…), Mas o monge respondeu: “se não acontece nada que me convença do contrário, não mudo de ideia.” Os dois padres anciãos lhe disseram: “Durante toda a semana rezaremos a Deus sobre este Mistério e acreditamos que Ele o desvelará. (…)
No Domingo seguinte, os três foram à igreja e se puseram num lugar à parte, o monge incrédulo estava sentado no meio dos outros dois. Os olhos deles se abriram quando o pão para o Santo Sacrifício da Missa foi colocado sobre o Santo Altar e viram que no lugar dele havia um menino. Somente os três monges tiveram essa visão; quando o sacerdote estava para partir o pão, eis que desceu do céu um anjo do Senhor com uma espada e sacrificou o menino e versou o seu sangue no cálice e quando o sacerdote partiu o pão em pequenos pedacos, o anjo fez o mesmo com a criança.
No momento em que eles se aproximaram para receber os santos dons, o monge incrédulo recebeu carne ensagüentada. Diante daquela visão, ele aterrorizado gritou: “Creio, ó Senhor, que o pão é o teu Corpo e o Cálice o teu Sangue!” Imediatamente a carne que estava nas suas mãos tomou as aparências do pão, conforme o Mistério e ele comungou dando graças a Deus.”

Obs:
As descrições dos Milagres Eucaristicos aqui apresentados foram retirados do site: http://www.therealpresence.org/index.html








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