A vocação do Cristão

22 02 2013

377643_132867373553637_1734078048_n

A vocação do cristão é a santidade,
em todo momento da vida.
Na primavera da juventude,
na plenitude do verão
da idade madura,
e depois também
no outono
e no inverno
da velhice,
e por último,
na hora da morte.

(João Paulo II)

Anúncios




Um olhar límpido à descoberta de si próprio

7 02 2013
medieval-hermit-monk-living-a-life-of-self-deprivation

Eremita da Idade Média

Para Cristo, o Homem-Deus, volta-se o olhar do monge: no seu rosto desfigurado, homem das dores, ele já divisa o anúncio profético do rosto transfigurado do Ressuscitado. Ao olhar contemplativo, Cristo revela-se como às mulheres de Jerusalém, que subiram a contemplar o espetáculo misterioso do Calvário. E assim, formado naquela escola, o olhar do monge habitua-se a contemplar Cristo também nas pregas escondidas da criação e na história dos homens, também ela inserida na sua conformação progressiva ao Cristo total.

O olhar, progressivamente cristificado, aprende desta maneira a separar-se da exterioridade, do turbilhão dos sentidos, isto é, de tudo aquilo que impede ao homem aquela suave disponibilidade a deixar-se agarrar pelo Espírito.

Percorrendo este caminho, ele deixa-se reconciliar com Cristo num processo incessante de conversão: na consciência do próprio pecado e do afastamento do Senhor, que se torna contrição do coração, símbolo do próprio batismo na água salutar das lágrimas, no silêncio e na quietude interior procurada e doada, onde se aprende a fazer bater o coração de harmonia com o ritmo do Espírito, eliminando toda a duplicidade ou ambigüidade.

Este tornar-se cada vez mais sóbrio e essencial, mais transparente a si próprio, pode fazê-lo cair no orgulho e na intransigência, se chegar a considerar que isso é fruto do seu esforço ascético. O discernimento espiritual, na purificação contínua, torna-o então humilde e manso, capaz de perceber apenas alguns traços daquela verdade que o sacia, porque é dom do Esposo, somente Ele plenitude de felicidade.

Ao homem que procura o significado da vida, o Oriente oferece esta escola para se conhecer e ser livre, amado por aquele Jesus que disse: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei” (MT 11,28). A quem procura o restabelecimento interior, Ele convida a continuar a procurar: se a intenção é reta e o rumo honesto, no fim o rosto do Pai far-se-á reconhecer, pois está impresso nas profundidades do coração humano.





Entre memória e espera

7 02 2013

562732_336390426414410_234050320_nFreqüentemente nos sentimos hoje prisioneiros do tempo presente: é como se o homem tivesse perdido a consciência de tomar parte em uma história que o precede e o segue. A essa dificuldade para situar-se entre o passado e o futuro, com espírito de gratidão pelos benefícios recebidos e por aqueles que se esperam, de modo especial as Igrejas do Oriente manifestam um acentuado sentido da continuidade que se pode chamar Tradição e espera escatológica.

A Tradição é patrimônio da Igreja de Cristo, memória viva do Ressuscitado encontrado e testemunhado pelos Apóstolos, que depois transmitiram sua recordação viva e seus sucessores, em uma linha ininterrupta que é garantida pela sucessão apostólica, mediante a imposição das mãos, até os Bispo de hoje.

Essa Tradição se desenvolve no patrimônio histórico e cultural de cada Igreja, modelado nela pelo testemunho do mártires, dos padres e santos, assim como pela fé viva de todos os cristãos no decurso dos séculos, até os novos dias. Não se trata de uma repetição inalterada de fórmulas, mas de um patrimônio que conserva vivo o núcleo kerigmático originário. Essa tradição é a que preserva a Igreja do perigo de recolher somente opiniões mutáveis e garanta a sua certeza e continuidade.

Se a tradição nos situa em continuidade com o passado, a espera escatológica nos abre ao futuro de Deus. Cada Igreja deve lutar contra a tentação de absolutizar o que realiza e, por isso, de auto-celebrar-se ou de abandonar-se ao pessimismo. O tempo é de Deus e tudo o que se realiza não se identifica com a plenitude do Reino, que é sempre dom gratuito.

O Oriente expressa de modo vivo as realidades da tradição e da espera. Toda sua liturgia, em particular, é memorial da salvação e invocação da volta do Senhor. E se a Tradição ensina às Igrejas a fidelidade ao que as gerou, a espera escatológica as impulsiona a ser o que ainda não são em plenitude e que o Senhor quer que cheguem a ser, e, portanto, a buscar sempre caminhos novos de fidelidade, vencendo o pessimismo por estar projetadas para a esperança de Deus que não nos decepciona.








%d blogueiros gostam disto: