Monastério de Pskov-Petchersky: Arquimandrita Antônio

7 06 2013

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O Padre Arcádio estava na sacada de sua cela dando de comer às pombas. Alto, magro, teria uns cinqüenta anos. Era afável e estava sempre de bom humor.

– Padre Arcádio, como faz para estar sempre de bom humor?

O Padre Arcádio respondeu sorrindo:

– Por que vou estar triste? Estou com saúde, posso comer e beber, estou vestido e calçado, vivo numa cela acolhedora, ajudo na igreja como diácono, trabalho numa oficina de carpintaria, leio livros espirituais e me dedico à oração. Que mais quero? Os que desejam mais que isto, estão sujeitos, segundo o apóstolo São Paulo, a muitos sofrimentos e paixões. Vencem-nos a avidez, a vanglória, a vingança ou os vícios. Quando não podem alcançar o que desejam, se lamentam, se irritam e caem na inquietação com medo de perderem o que conseguiram, e por isso se entristecem e se agitam. Se você, Sérgio Nicolaevich, quer estar sereno, viva então com simplicidade, evite o orgulho e tudo irá bem. O staretz Ambrósio de Optina dizia: “Viva com simplicidade e você viverá cem anos”.

– Isto, dentro do mosteiro, Padre Arcádio. E no mundo?

– Isto é o que acrescenta o staretz Ambrósio: “Pode-se viver também no mundo, porém não na agitação, mas na calma”.

– E que acontece se houver pecados?

– Também é simples, Sérgio Nicolaevich. Os padres do deserto diziam: “Uma vez veio um jovem monge ver o staretz e lhe disse: ‘Que farei, Abba, pois caio sempre no mesmo pecado?’ E o staretz lhe respondeu: ‘Caíste uma vez, levanta-te e arrepende-te’. ‘E se cair outra vez?’ ‘Então, levanta-te e te arrepende novamente!’ ‘E isto até quando?’ ‘Até a morte'”. Aqui está, Sérgio Nicolaevich, como permanecer na paz. Não há homem no mundo que não cometa pecado. Sobre isto, o apóstolo João escreve que para todo pecado existe o arrependimento; por isso a contínua penitência nos salva, por um lado, do orgulho e da soberba, e por outro, nos permite evitar o desespero (Apotegma de Sisoés. Alfab. 38, cf. Doroteu de Gaza, Instr. 13)*.

– E aqui que vem a propósito a oração de Jesus, Padre, quando nela se pede: Senhor, tem piedade.

– Assim é, irmão Sérgio. Nós pecamos não a cada hora, mas a cada minuto, por palavras, ações e pensamentos. Acolhemos com gesto as tentações, isto é, os pensamentos que são duvidosos, inconvenientes, sacrílegos ou impuros, olhando-os de todos os lados e aceitando-os: se não caímos em pecado, é porque não se nos apresentou uma ocasião propícia. Aqui vem a propósito a Oração de Jesus. Por exemplo, se vierem pensamentos blasfemos ou desejos de mulheres ou vontade de ofender alguém ou até de bater em alguém, deverá dirigir-se a Jesus com a sua oração, sussurrando-a ou dizendo-a mentalmente: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim pecador”; e isto, lentamente, com atenção e arrependimento, abandonando os maus pensamentos. Mas se você voltar a cair neles, não se desespere, reze a oração e sua alma se acalmará. É costume que os demônios nos apresentem, antes do pecado, a um Deus misericordioso e que gosta de perdoar, um Deus que sabe que o homem jovem e forte está inclinado à impureza e por isso não se mostra demasiado exigente. Mas ao que já pecou, lhe apresenta um Deus severo, juiz implacável que impele ao desespero. Alguns chegam até ao suicídio, e isto sem falar dos que enlouquecem. Entretanto, os que recorrem ao Senhor, sempre perseveram na humildade.

Uma vez Santo Antônio viu a terra inteira semeada de armadilhas postas pelo demônio e aterrorizado perguntou: “Quem poderá, então, salvar-se?” E ouviu a resposta: “O que é humilde”. (Apotegma de Santo Antônio, Alfab. 7, cf. Doroteu de Gaza, Instr. 2). Por isso, é importante a oração de Jesus ininterrupta. Muitos, mesmo na vida monástica, dizem que “não serve para nada” e que bastam os ofícios na igreja e as orações privadas, mas nem sempre estamos na igreja nem nas celas e a tentação nos segue por toda a parte; e em segundo lugar, se os cantos e leituras religiosas na igreja ou na cela salvassem, então, os cantores e os leitores deveriam ser sempre modelos de virtude e isto nem sempre acontece, segundo dizia o staretz Basílio. Mesmo que cantem bem, e leiam corretamente, a atenção está posta no canto e na leitura, assim como na execução musical e na dicção, e não no sentido do que se canta e do que se lê. No entanto, há certamente cantores e leitores que são espirituais.

– Padre Arcádio, diga-me: que é melhor, a vida ativa no cenóbio ou em comunidade, ou a solidão do deserto?

– Cada coisa deve ser a seu tempo. Primeiramente, é necessária a vida em comum para polir-se, como as pedras do litoral dos mares ou das margens dos lagos, que são agudas e ásperas quando caem na água, e logo, ao se roçarem umas com as outras, se vão polindo até ficarem como se fossem de marfim. A vida em comum serve para polir nossas arestas e provar a nossa humildade, a nossa paciência, afabilidade e pobreza. E quando todas estas virtudes já forem costume em nós, então alguém poderá pensar em se retirar para a solidão, e isto numa idade já madura, por volta dos cinqüenta anos, pois antes será apenas veleidade e vanglória. E então, se a pessoa chega a polir-se e acostumar-se à oração de Jesus, então pode, mais ainda, deve retirar-se para a solidão e preparar-se para transportar-se a um mundo distinto e espiritual. Já que, no estado em que a morte nos surpreender, seremos julgados. Aquele que, como as virgens prudentes; estiver sempre disposto com a Oração de Jesus e tiver azeite na lâmpada de sua alma, entrará preparado nesse mundo, que é diferente deste ao qual foi chamado. é o que pedimos na ladainha: “… Um fim cristão de nossa vida, sem dor, sem remorso, pacífico e uma boa resposta diante do tribunal temível de Jesus Cristo” (Ofertório da liturgia bizantina). Assim é a Oração de Jesus. Quem a pratica está na verdade e é humilde, simples, alegre e bem-aventurado. Que mais podemos desejar?

Era uma maravilhosa manhã de verão. No céu azul brilhavam as cruzes douradas dos templos brancos, rosa e amarelos. Entre a folhagem, cantavam os pássaros. Uma serena alegria se estendia a todas as coisas.

Peregrinando para Deus

Sérgio N. Bolshakov

Fonte:http://www.ecclesia.com.br

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São Poemen, o Grande

22 03 2013
Abba Poemen

Abba Poemen

São Poemen, o Grande, respondendo à pergunta «O que é a fé?», disse que a fé consiste em permanecer na humildade e praticar a misericórdia; isto é, fazer-nos humildes perante todos e perdoar-lhes todas as descortesias e ofensas, todos os seus pecados. (Abba Poemen)


São Poemen, o Grande, respondendo à pergunta «O que é a fé?», disse que a fé consiste em permanecer na humildade e praticar a misericórdia; isto é, fazer-nos humildes perante todos e perdoar-lhes todas as descortesias e ofensas, todos os seus pecados.

Como os tolos zelotes fingem que a fé é a causa fundamental de seu zelo, que eles saibam que a verdadeira fé, e conseqüentemente também o verdadeiro zelo se expressam na humildade perante o próximo e na piedade para com ele. Deixemos o trabalho de julgar e condenar as pessoas para àqueles sobre cujos ombros recaiu o dever de julgar e governar seus irmãos.

«Aquele que é movido pelo falso zelo», diz Santo Isaac, o Sírio, “sofre de uma grave doença». «Ó homem, tu que pensas que podes usar teu zelo contra as debilidades dos outros, tu renunciastes à saúde de tua própria alma! Melhor teria sido dedicardes teus cuidados à cura de ti mesmo; e se queres curar os doentes, saiba que os doentes necessitam de cuidados e não de reprimendas. Mas tu, ao invés de ajudar os outros, atiras-te na mesma enfermidade dolorosa. Este zelo não é tido como forma de sabedoria, mas é uma das doenças da alma, e um sintoma de pequenez da mente e de extrema arrogância. O início da sabedoria divina é a quietude e a doçura, que são o estado mental básico próprio das almas grandes e fortes e que suporta as fraquezas humanas. Vós que sois fortes devem suportar as fraquezas dos fracos (Rom. 15:1), dizem as Escrituras».

E novamente: «Restaure um pecador no espírito da doçura e da gentileza» (Gal. 6:1). O Apóstolo considera a paz e a paciência (Gal. 5:22) como alguns dos frutos do Espírito Santo.





Pedido de Perdão

10 02 2013

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Um dia Abba Isaac foi para um mosteiro. Ele viu um irmão cometer um pecado
e ele condenou. Quando ele voltou para o deserto, um anjo do Senhor veio
e ficou na frente da porta de sua cela, e disse: “Eu não vou deixar você
entrar. ” Mas ele persistiu, dizendo: “Qual é o problema?” E o anjo
respondeu: “Deus me enviou a perguntar onde você quer jogar a culpa do
irmão, a quem você tem condenado. ” Imediatamente ele se arrependeu e disse: “Eu
pequei, me perdoe. ” Em seguida, o anjo disse: “Levante-se, Deus o perdoou.
Mas a partir de agora, tome cuidado para não julgar alguém fez diante de Deus. “








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