O QUE É UM MONGE?

23 09 2015
Dom Paulo Celso Demartini

Dom Paulo Celso Demartini

O monge é um homem chamado pelo Espírito Santo a renunciar aos cuidados, desejos e ambições dos outros homens para dedicar toda a sua vida à procura de Deus. O conceito é conhecido. A realidade significada pelo conceito é um mistério. Pois, concretamente, ninguém na terra sabe com precisão o que seja “buscar a Deus” enquanto não se tiver posto em marcha para achá-Lo. Homem algum pode dizer a outro em que consiste essa procura, se esse outro não for, ao mesmo tempo, iluminado pelo Espírito que fala em seu coração. Em suma, ninguém pode procurar a Deus a não ser que já tenha começado a encontrá-Lo. Ninguém pode encontrar Deus sem que primeiro Deus o tenha encontrado. O monge é o homem que procura Deus porque por Ele foi achado.
Em resumo, um monge é um “homem de Deus”.
Uma vez que todos os homens foram criados por Deus para que o pudessem encontrar, todos são, de certo modo, chamados a ser “homens de Deus”. Mas nem todos são chamados a ser monges. Um monge, portanto, é alguém chamado a se dar exclusiva e perfeitamente ao único necessário a todos os homens – a busca de Deus. A outros é-lhes permitido procurar a Deus por caminho menos direto, levar no mundo uma vida digna, fundar um lar cristão. O monge põe essas coisas de lado, embora possam ser boas. Dirige-se a Deus pelo atalho direto, “recto trámite”. Retira-se do “mundo”. Entrega-se inteiramente à oração, à meditação, ao estudo, ao trabalho, à penitência, sob o olhar de Deus. A vocação do monge se distingue até das outras vocações religiosas, pelo fato de que ele se dedica essencial e exclusivamente à busca de Deus, em lugar da busca das almas para Deus.
Encaremos o fato de que a vocação monástica tem tendência a se apresentar ao mundo moderno como um problema e um escândalo.
Numa cultura basicamente religiosa, como a da Índia ou a do Japão, o monge é, por assim dizer, coisa normal. Quando a sociedade inteira está orientada para além da busca meramente transitória dos negócios e do prazer, ninguém se espanta de que homens dediquem a vida a um Deus invisível. Numa cultura materialista, porém, fundamentalmente irreligiosa, o monge se torna incompreensível porque ele “não produz nada”. Sua vida parece completamente inútil. Nem mesmo os cristãos têm sido isentes dessa ansiedade por causa da aparente “inutilidade” do monge. Estamos acostumados com o argumento de que o mosteiro é uma espécie de dínamo que, embora não “produza” a graça, consegue esse bem-estar espiritual infinitamente precioso para o mundo.
Os primeiros pais do monarquismo não se preocupavam com tais argumentos, se bem que possam ter valor quando bem aplicados. Eles não sentiam que a procura de Deus fosse algo que necessitasse ser defendido. Ou, antes, viam que se os homens não tivessem, em primeiro lugar, consciência de que Deus deve ser procurado, nenhuma outra defesa do monaquismo adiantaria.
Deus deve, então, ser procurado?
A mais profunda lei no ser do homem é a necessidade de Deus, de vida. Deus é vida. “Estava nele a vida e a vida era a luz dos homens E a luz brilhou nas trevas e as trevas não a compreenderam” (Jo 1,4 – 5). Compreender a luz que no meio delas brilha é a maior necessidade que têm nossas trevas. Por isso, deu-nos Deus como seu primeiro mandamento: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças”. A vida monástica nada mais é do que a vida daqueles que tomaram o primeiro mandamento com a maior seriedade, e, como diz são Bento, “nada preferiram ao amor de Cristo”.
Mas quem é Deus? Onde está?
O monarquismo cristão é busca de alguma pura intuição do Absoluto? Um culto do Bem supremo? A adoração da Beleza perfeita e imutável? O próprio vazio de tais abstrações torna o coração frio. O Santo, o Invisível, o Todo-Poderoso é infinitamente maior e mais real do que qualquer abstração inventada pelo homem. Mas Ele próprio disse: “O homem não me pode ver e viver” (Ex 33,20). Entretanto, o monge persiste em exclamar com Moisés: “Mostra-me a Tua face” (Ex 33,13).
O monge, portanto, é alguém que procura tão intensamente a Deus que está pronto a morrer para poder vê-Lo. Por isso é que a vida monástica é um “martírio” bem como um “paraíso”; uma vida ao mesmo tempo “angélica” e “crucificada”.
São Paulo resolve, do seguinte modo, o problema: “Deus que disse: ‘Do seio das trevas brilhe a luz’ foi quem fez brilhar sua luz em nossos corações, para que façamos brilhar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Jesus Cristo” (2 Cor 4,6).
A vida monástica é a rejeição de tudo que obstrui os raios espirituais dessa misteriosa luz. O monge é alguém que deixa atrás de si a ficção e as ilusões de uma espiritualidade meramente humana, para mergulhar na fé em Cristo. A fé é a luz que o ilumina no mistério. É a força que se apodera das íntimas profundezas de sua alma e o entrega à ação do Espírito divino. Espírito de liberdade. Espírito de amor. A fé o segura e, como outrora fez com os antigos profetas, “firma-o sobre seus pés” (Ez. 2,2) diante do Senhor. A vida monástica é vida no Espírito de Cristo, vida em que o cristão se dá inteiramente ao amor de Deus que o transforma na luz de Cristo.
“O Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, ali está a liberdade. E todos nós que, com o rosto descoberto, refletimos como espelhos a glória do Senhor, nós nos transformamos nesta mesma imagem, cada vez mais resplandecente, conforme a ação do Senhor, que é espírito” (2 Cor 3,17 – 18). O que São Paulo diz da vida interior de todo 0 cristão, torna-se, em realidade, o principal objetivo do monge vivendo em solidão no claustro. Procurando a perfeição cristã, procura o monge a plenitude da vida cristã, a inteira maturidade da fé cristã. Para ele, “viver é o Cristo”.
Para estar livre da liberdade dos filhos de Deus, renuncia o monge ao exercício da sua própria vontade, ao direito à propriedade, ao amor do conforto e do bem-estar, ao orgulho, ao direito de fundar uma família, à faculdade de dispor do seu tempo como bem entender, a ir aonde quer e a viver conforme bem lhe parece. Vive só, pobre, em silêncio. Por que? Por causa daquilo em que ele crê. Crê na palavra de Cristo que prometeu: “Em verdade vos digo: Não há ninguém que tenha abandonado a casa ou os pais, ou os irmãos, ou a esposa, ou os filhos, por causa do reino de Deus, e que não receba muito mais no tempo presente, e, no século futuro, a vida eterna” (Lc. 18,29 – 30).
O MONGE E O MUNDO
O mosteiro não é nem um museu, nem um asilo. O monge permanece no mundo que abandonou, e é, nele, uma força poderosa, embora oculta. Para além de todas as tarefas que poderão acidentalmente se ligar à vocação do monge, este age sobre o mundo pelo simples fato de ser monge. A presença dos contemplativos é para o mundo o que o fermento é para a massa, pois há vinte séculos o próprio Cristo declarou nitidamente que o Reino dos céus se assemelha ao fermento oculto em três medidas de farinha.
Mesmo sem nunca sair do mosteiro em que vive, nem pronunciar uma palavra ouvida pelos demais homens, está o monge inextricavelmente envolvido nos sofrimentos e problemas da sociedade a que pertence. Deles não lhe é possível escapar, nem ele o deseja. Não está isento de prestar serviço nas grandes lutas de seu tempo, antes, como soldado de Cristo, está designado para tomar parte nessa batalhas, combatendo no “front” espiritual, no mistério, pelo sacrifício de si próprio e pela oração. Isso ele faz unido a Cristo crucificado, unido também a todos aqueles por quem Cristo morreu. Está consciente de que o combate não está dirigido contra a carne e o sangue, e sim “contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados nos ares” (Ef 6,12).
O mundo contemporâneo está em plena confusão. Está atingindo o ápice da maior crise na história. Nunca, antes, houve tamanha reviravolta na raça humana inteira. Forças tremendas: espirituais, econômicas, tecnológicas e políticas estão em movimento. A humanidade se vê à beira dum abismo de nova barbaria; restam, todavia, ao mesmo tempo, possibilidades quase incríveis de soluções imprevistas, a criação de um mundo novo e de uma nova civilização, tal como jamais se viu.
Estamos enfrentando o anticristo ou o milênio; ninguém sabe dizer se um ou o outro.
Neste mundo em perpétua mutação, permanece o monge como baluarte de uma Igreja que não muda, contra a qual as portas do inferno não podem prevalecer. É verdade que a própria Igreja se adapta, porque é ela uma Corpo vivo, um organismo em constante crescimento. Onde há vida, tem de haver desenvolvimento. Na ordem monástica, também deverá manifestar-se adaptação, desenvolvimento, crescimento.
Diante de Deus, diante dos homens, diante do mundo de concupiscência, seu antagonista, está o monge carregado de tremenda responsabilidade, a responsabilidade de continuar a ser aquilo que seu nome significa: um monge, um homem de Deus. Não apenas alguém que abandonou o mundo, mas alguém capaz de representar Deus neste mundo que o Filho de Deus salvou pela morte na Cruz.
O mosteiro nunca poderá ser, simplesmente, o refúgio de uma arquitetura de falso estilo gótico, de cultura clássica, e de piedade convencional. Se o monge nada mais é do que um burguês bem estabelecido na vida, com os preconceitos e o bem-estar de um membro da classe média e a habitual mediocridade que daí deriva, descobrirá que sua vida não foi dedicada a Deus, e sim ao “serviço da corrupção”, e desaparecerá com tudo que é efêmero.
Por outro lado, a vocação do monge proíbe-lhe descer à planície para tomar parte nas lutas que aí se travam. Só poderá considerar como tentações as opções que o mundo lhe oferece e as oportunidades de tomar posição em favor de uns ou contra outros. A vocação do monge chama-o exclusivamente ao que é transcendente. Está e deverá sempre se manter acima das facções humanas. Isso quer dizer que é susceptível de se tornar vítima de todas elas. Contudo, não deve renunciar à posição exclusivamente espiritual que lhe cabe, de maneira a proteger a própria pele ou ter um teto para si.
Todavia, nunca a vida monástica deverá ser de tal modo “espiritual” que chegue a impedir toda encarnação. Aqui também haveria infidelidade. O monge tem de permanecer real, e só o poderá ser mantendo-se em contacto com a realidade. Mas, para ele, a realidade está encarnada na criação, obra de Deus, na humanidade, suas dores, suas lutas e seus perigos. Cristo, o Verbo, se encarnou de maneira a viver, sofrer, morrer e ressuscitar em todos os homens, libertando-os, assim, do mal, pela espiritualização do mundo material. O monge, portanto, permanece neste mundo em caos, mundo de carne em que ele e sua Igreja proclamam incansavelmente a primazia do espírito, mas fazem-no dando testemunho da realidade da Encarnação do Verbo. Para o monge, como para todo cristão, “viver é o Cristo”. A comunidade monástica, já o vimos, vive da caridade e para a caridade, uma caridade que mantém a “lumen Christi”, a luz de Cristo ardendo na escuridão de um mundo incrédulo. O mosteiro é um tabernáculo em que o Altíssimo habita entre os homens, santificando-os e unindo-os a Si em seu Espírito. A comunidade monástica se dedica incansavelmente a todas as obras de misericórdia, em especial, às obras espirituais de misericórdia. Aos olhos do mundo, o mosteiro se ergue como incompreensível sacramento da misericórdia de Deus para com os homens. Incompreensível; portanto, incompreendido. Que há nisso de surpreendente? O próprio monge não consegue avaliar plenamente sua vocação; ainda menos pode ele compreendê-la. Contudo, a misericórdia de Deus está nele. Se assim não fosse, ele nada seria. Isso é algo que o monge não pode ignorar, se é verdadeiramente monge.
Se, em certo sentido, o monge se mantém acima das divisões da sociedade humana, não quer isso dizer que não lhe caiba um lugar na história das nações. Sempre teve e terá por vocação uma atitude de simpatia e compreensão para com todo movimento cultural e social que favoreça o desenvolvimento do espírito humano; por vocação, continuará a fazê-lo. Os beneditinos se celebrizam por seu humanismo, e ninguém ignora que os monges preservaram as tradições culturais da antigüidade. Os monges serão sempre parte integrante de qualquer sociedade que favoreça a verdadeira liberdade, pois os próprios monges são centros de liberdade espiritual e transcendente. Como tal, o mosteiro representa, neste mundo, a caridade divina de que todas as liberdades e comunhões humanas nada mais são do que a sombra.
Por isso é que importa ao monge, acima de tudo, ser aquilo que seu nome significa: um solitário, alguém que, pelo desapego de tudo, se tornou “só”. Mas, na solidão e no desapego, o monge está de posse duma vocação à caridade que atinge dimensões muito maiores do que a de qualquer outra. Pois aquele que tudo abandonou tudo possui, aquele que deixou a companhia dos homens permanece com todos pela caridade de cristo que nele vive, e aquele que renunciou a si próprio por amor a Deus é capaz de se dedicar à salvação de seus irmãos, com o poder irresistível do próprio Deus.

Thomas Merton.





Fraternidade de Jerusalém Apostólica

31 03 2014
Monge em Oração

Monge em Oração

Todos os dias no período da tarde, os irmãos e irmãs da Fraternidade de Jerusalém Apostólica abrem seus corações para a meditação das Escrituras e na gratuidade da Lectio Divina . “… deixar que o Espírito moldar-se como um discípulo e uma alma em você se abre para a alegria Sua Divina Presença de acordo com a promessa de Cristo (. se alguém me ama ele viremos a ele e faremos nele morada) O segredo da felicidade é o seguinte: Bem-aventurado aquele que tem prazer na lei do Senhor, e deve ser meditar dia e noite .. ” ( Livro de Oração da Vida Capítulo 2 )
http://fraternitaapostolicadijerusalemme.blogspot.com.br/





Os Beneditinos e a Oração

13 09 2013
Monges Beneditinos

Monges Beneditinos

A definição clássica de oração fala dela como “a elevação da mente e do coração a Deus.” Se alguém entende oração só assim, ele vai ser pensado como uma atividade intermitente, algo que se faz só quando ligar ativamente os pensamentos e afetos Godward. Na tradição monástica, seria mais correto falar de oração como permitir que tudo o que se experimenta ou faz para ser visto à luz do amor, o cuidado providencial de Deus. Então toda a vida tende a se tornar uma única grande oração, que é o que os monges sempre procuraram colocando-se em um cenário em que todas as atividades do dia levar harmoniosamente para uma atenção permanente e orante de Deus.
Dentro da programação diária, há, é claro, certos períodos quando as atividades habitualmente chamados de oração no centro das atenções.Uma delas é a Liturgia das Horas, quando Salmos do Antigo Testamento, as leituras da Bíblia e de outros textos religiosos e períodos de reflexão silenciosa permitir que os monges do nosso tempo para continuar uma tradição de louvar a Deus através da oração comum, que remonta aos primeiros dias da Igreja. No Santo Anselmo de nos reunimos na igreja da abadia, quatro vezes por dia para cantar os Salmos, atenta para as leituras, e oferecem petições para as necessidades das pessoas em todo o mundo. Além disso, cada manhã, comemoram a grande oração da Igreja, a Eucaristia, momento em que renovamos a nossa própria auto-oferta a Deus em união com a de Jesus Cristo.

Estes serviços de oração comunitária são complementadas por períodos em que cada monge passa o tempo a sós com Deus na meditação e na leitura orante das Escrituras. Esta última prática, que São Bento chamado lectio divina (“leitura divina”), refere-se a uma forma de se aproximar da Bíblia em que a ênfase não é sobre o quanto se pode ler em uma única sessão, mas em quão profundamente se vai penetrar na significado de uma passagem, pedindo, em particular a forma como o texto está tratando um pessoalmente, aqui e agora. Tal reflexão fornecerá regularmente um monge com “pensamentos de oração” que ficam em sua mente durante todo o dia.

Uma das vantagens da forma tradicional beneditino de vida é que pode acomodar uma ampla variedade de pessoas. Há uma liberdade expansiva na Regra de São Bento, incluindo o seu tratamento de oração. Seu capítulo 52, um dos mais curtos mas mais belo de todos, diz respeito ao oratório do mosteiro. Nela, ele escreve que, no final da Liturgia das Horas “, todos devem sair em completo silêncio e reverência para com Deus, para que quem queira rezar por si só não será perturbado pela insensibilidade do outro. Além disso, se em outras vezes que alguém escolhe para rezar em particular, ele pode simplesmente entrar e orar, e não em voz alta, mas com lágrimas e devoção sincera. “Este é o espírito de oração que em Santo Anselmo de procuramos cultivar como nós continuar a tradição beneditina, no início do século 21.

Fonte pesquisada:http://www.stanselms.org





Oração do Coração

10 09 2013
Monge em Lectio Divina

Monge em Lectio Divina

O que diremos da oração do coração? Vamos tentar, em primeiro lugar, pôr em evidência a noção geral do que ela é.A oração do coração é essencialmente essa interpretação contemplativa da “vida escondida em Cristo”; a mesma que passa por Orígenes e pelos Alexandrinos, Gregório de NissaEvágrio e os Padres do deserto, os Sinaítas (João Clímaco e seus sucessores), Simeão o Novo Teólogo e os grandes hesicastas do monte Atos dos séculos XIII e XIV, Nicéforo, Gregório o Sinaíta, etc. Simplificando e fazendo abstração das diferenças que separam, por exemplo, Evágrio do Novo Teólogo ou de Nicéforo, pode-se dizer que a oração do coração opõe à corrente ativa e cenobítica a corrente intelectualista e monástica, a BasílioPacômio e Teodoro EstuditaEvágrio e Antão.

Os teóricos da oração do coração concordam, ao preconizar um caminho mais curto e mais fácil de oração, de Hésychia, de volta ao reino interior, para empregar suas expressões familiares.

O método – eles insistem sobre o caráter científico – não se diz inédito. Nicéforo invoca toda uma tradição, se bem que mais concernente à vida deoração solitária, em geral. Compreende duas fases. Por comodidade suprimimos o conjunto de disposições que precedem e envolvem o uso do método:humildade, desprendimento, lembrança da morte, obediência absoluta ao pai, etc.





MILAGRE EUCARISTICO DE SCETE

9 09 2013
Santo Antão

Santo Antão

Scete Egito Séc. III – IV

A narracão desse milagre Eucaristico vem dos primeiros séculos do cristianismo e faz parte da coletânea de apotegmas dos Padres do Deserto que viviam no Egipto como eremitas para seguir o exemplo de Santo Antonio Abade. Um monge duvidou da presenca real de Jesus no pão e vinho consagrados e durante a missa, depois da consagração, no lugar do pão estava o Menino Jesus. Outros três monges que assistiam á Missa tiveram a mesma visão.Nos apotegmas dos Padres do Deserto, encontramos a descrição de um antigo Milagre Eucarístico. O Padre Daniel, o Faranita conta: “O nosso Padre Arsênio nos dizia que um monge de Scetis era muito trabalhador, mas rude em matéria de fé. Por ignorância, se equivocava quando dizia: “o pão que comemos não é realmente o Corpo de Cristo, mas um símbolo.” Dois padres mais velhos que o ouviram falar, sabendo que ele era um homem piedoso e de bom coração, pensaram que dizia isso sem malícia e por ignorância, assim que foram falar com ele: “Pai, ouvimos dizer que uma pessoa diz coisas contrárias à fé, diz que o pão que recebemos não é realmente o Corpo de Cristo, mas é um símbolo.” O monge lhes disse: “Sou eu que o diz!” Entao os anciãos começaram a exortá-lo: “Tu nao deves crer nisto, mas naquilo que a Igreja Católica transmite. Nós acreditamos que este pão é o Corpo de Cristo e que este Cálice é o Sangue de Cristo e não um símbolo.” (…), Mas o monge respondeu: “se não acontece nada que me convença do contrário, não mudo de ideia.” Os dois padres anciãos lhe disseram: “Durante toda a semana rezaremos a Deus sobre este Mistério e acreditamos que Ele o desvelará. (…)
No Domingo seguinte, os três foram à igreja e se puseram num lugar à parte, o monge incrédulo estava sentado no meio dos outros dois. Os olhos deles se abriram quando o pão para o Santo Sacrifício da Missa foi colocado sobre o Santo Altar e viram que no lugar dele havia um menino. Somente os três monges tiveram essa visão; quando o sacerdote estava para partir o pão, eis que desceu do céu um anjo do Senhor com uma espada e sacrificou o menino e versou o seu sangue no cálice e quando o sacerdote partiu o pão em pequenos pedacos, o anjo fez o mesmo com a criança.
No momento em que eles se aproximaram para receber os santos dons, o monge incrédulo recebeu carne ensagüentada. Diante daquela visão, ele aterrorizado gritou: “Creio, ó Senhor, que o pão é o teu Corpo e o Cálice o teu Sangue!” Imediatamente a carne que estava nas suas mãos tomou as aparências do pão, conforme o Mistério e ele comungou dando graças a Deus.”

Obs:
As descrições dos Milagres Eucaristicos aqui apresentados foram retirados do site: http://www.therealpresence.org/index.html





A armadura do monge

27 07 2013

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“Os que tem de ir a guerra – dizia São Jerônimo em uma conversa com seus monges -, preparam-se antes com cuidado”.

O soldado “olha se tem escudo, se tem espada, se tem machado, se tem flechas, se seu cavalo está em boas condições”. Para lutar convém preparar antes a armadura. Segundo Filoxeno de Mabbug, era a “armadura espiritual” a única coisa que o monge devia levar consigo ao abandonar o mundo.

Muitos são os padres e escritores que descreveram, mais ou menos minuciosamente, a armadura espiritual. Alguns de seu elementos eram conhecidos desde tempos atrás. São Paulo falava do cinto da verdade, a couraça da justiça, o escudo da , o elmo da saúde, a espada da palavra de Deus. Em outras passagens do Novo testamento se mencionam estas armas e outras semelhantes: a oração, o jejum, e a sobriedade, a leitura e o uso da Sagrada Escritura, a invocação do nome de Jesus. Entre outros Padres da Igreja, insiste Orígenes nestas práticas, assim como também navigilância constante e o cultivo de todas as virtudes. Outras armas são, segundo o mesmo Orígenes, o afastamento dos cuidados e distrações domundo, as visões consoladoras e reconfortantes que o Senhor concede a seus atletas, e especialmente o “discernimento de espíritos”. Os monges se servem de todas estas armas, e com a experiência do combate cotidiano, foram completando seu arsenal.

Teofano, o Recluso – Conselhos aos Ascetas








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