PENTECOSTES – Tradução: Monges da Comunidade Monástica São João, o Teólogo

24 05 2015
«Pentecostes» Ícone de Theófanes de Creta - 1546 Monastério Stavronikita - Monte Athos - Grécia)

«Pentecostes» Ícone de Theófanes de Creta – 1546
Monastério Stavronikita – Monte Athos – Grécia)

A Festa de Pentecostes ou das «Semanas», como a chama o Pentateuco, era para os judeus a «Festa das Primícias» de trigo ou a «Festa da colheita». A Festa, de origem estritamente agrícola, assumiu sucessivamente um sentido histórico-salvacional, ligado às Alianças. Esta acepção, a partir da segunda metade do século II a. C, foi assumida pela Sinagoga que, por sua vez, centrou memória na Aliança do Sinai.

A Igreja Primitiva, por sua vez, não preservou para si estas memórias judaicas, porque teve sua experiência própria: a descida do Espírito Santo. O período sagrado dos cinqüenta dias, recorda o tempo de espera e a efusão do Espírito Santo sobre os Apóstolos, ocorrida no qüinquagésimo dia após a celebração da Páscoa da Ressurreição, marcando o inicio da missão evangelizadora.

O Pentecostes, dia do nascimento da Igreja, é o momento em que o verdadeiro significado da Cruz e da Ressurreição de Cristo se manifesta e a nova humanidade retorna à comunhão com Deus.

A Festa da Aliança do Sinai, que se celebra no mundo hebreu, recordando a entrega das Tabuas da Lei, se converteu, com o cristianismo, na festa dos Dons das Línguas, porque, através delas, cada povo ou nação pode receber o anúncio e retornar à primitiva unidade que se rompeu em Babel. Desde o dia de Pentecostes, a Igreja tomou consciência da Nova Páscoa, segundo havia predito o próprio Senhor: «O consolador, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará cada coisa e vos recordará tudo o que eu vos disse».

Pela herança da tradição primitiva da Igreja, os cinqüenta dias, após a Páscoa constituem uma só festa, celebrados com grande júbilo, porque formavam um único acontecimento e tinham a mesma importância do domingo em que celebramos a Ressurreição com toda a solenidade.

Na segunda metade do século IV, a celebração indiferenciada do Mistério pascal, sofreu algumas modificações, obedecendo a ordem cronológica dos eventos da salvação, segundo a narração dos Atos dos Apóstolos. Naquela época, como se deduziu do relato de Egeria, em Jerusalém, o ultimo domingo da cinqüentena se celebrava, conjuntamente, tanto o envio do Espírito Santo sobre os Apóstolos, como a Ascensão. Em outras Igrejas, contudo, ia-se estabelecendo a festa da Ascensão no quadragésimo dia após a Páscoa e no qüinquagésimo dia, a Festa da descida do Espírito Santo.

A iconografia

A iconografia, para a Festa de Pentecostes, é constante, ainda que se registrem variantes mais ou menos significativas, que foram discutidas por teólogos e historiadores da Arte. A mais importante é a presença da Mãe de Deus no centro da reunião dos Apóstolos. A presença da Mãe de Deus no cenáculo é encontrada inicialmente na iconografia dos primeiros séculos como, por exemplo, no Evangeliário sírio de Rábula de 587 e que, mais tarde, foi proposta novamente ao final do século XVI. Sua presença tem sido explicada de diversos modos: referindo à narração dos Atos dos Apóstolos ou no sentido dedutivo, isto é, tendo presente que o evento aconteceu em Sião, lugar onde a Virgem vivia, supõe-se que ela participava do grupo dos Apóstolos.

As razões de sua ausência na iconografia bizantina e na ocidental, durante muito tempo, também têm suas explicações: Maria concebeu pelo Espírito Santo, logo foi transformada por ele, estando plena do Espírito Santo; os textos litúrgicos não oferecem indicações relacionadas, de forma clara e pontual sobre a sua presença e papel, no momento da descida do Espírito Santo. Posteriormente, a re-introdução da presença de Maria na Descida do Espírito Santo, pelo Ocidente e sucessivamente por alguns filões iconográficos bizantinos, trouxe como conseqüência novo significado para o Ícone de Pentecostes e o crescimento do culto mariano.

O cenáculo e as línguas de fogo

«O Cenáculo e as línguas de fogo»

Na parte superior do ícone estão pintadas duas casas, semelhantes a torres. Desde modo, quer se dar a entender que a cena se desenvolveu no piso superior, onde aconteceu a Ultima Ceia, que após a Ressurreição do Senhor se converteu em lugar de encontro dos discípulos e de reunião e de oração dos Apóstolos.

Os edifícios, simétricos, apresentam aberturas somente na parte superior, seguindo as direções das línguas de fogo que são emanadas da esfera celeste, donde partem doze raios.

«Aparecendo em línguas de fogo, o Espírito o faz recordar as palavras de salvação que Cristo recebeu do Pai e transmitiu aos Apóstolos». Assim se entoa no Cânon das Matinas da Festa.

Os Apóstolos começaram a anunciar a Palavra a partir do momento em que receberam o Espírito Santo e, por estarem unidos, representavam a unidade espiritual dos Sínodos futuros. De forma análoga os ícones que representam os Concílios Ecumênicos reproduzem o mesmo esquema iconográfico.

O rei

«O Rei»

No centro do semi-circulo, imerso na obscuridade, aparece um ancião, com trajes régios e que segura entre suas mãos um grande lenço branco. Em alguns ícones, sobre ele, aparecem doze rolos que simbolizam as pregações apostólicas. O significado desta figura não é unívoco. Parece ter tomado forma a partir do século X. Anteriormente, em seu lugar figurava um aglomerado de povos, de distintas línguas e nacionalidades, como narra os Atos dos Apóstolos. Quando seu nome é indicado, é chamado de “O Kosmos” (o mundo). O velho Rei, pretendia representar o conjunto dos povos e nações que tinham na pessoa do Imperador Bizantino, seu ponto de referência. Tal significado, fruto da evolução conceitual de caráter histórico-político, pode ser mais direto e imediato se o enquadrarmos na estrutura que a rodeia, na assim chamada «Bema Sírio».

Na tradição arquitetônica das Igrejas Sírias e caldéias, encontramos, com efeito, um elemento do qual resta hoje somente algum sinal: o ambão ou o bema no centro da Igreja. Trata-se de uma tribuna em forma de ferradura colocado no centro da Igreja em frente ao abside e o santuário. Sobre este acontecia a liturgia da Palavra, o anuncio à Jerusalém e ao mundo, onde tomavam acentos os celebrantes. O Rei, então, no centro do semicírculo é o mundo, posto que ele detém o mandato celeste sobre a terra.

O ancião está representado de forma a lembrar a figura do rei David, que representa os «muitos profetas e justos que desejaram ver o que vistes e não viram, e escutar o que escutastes, e não escutaram».

Em outros casos, o Rei é identificado com o Profeta Joel. O motivo é de natureza litúrgica. Pois, na grande vésperas de Pentecostes, a segunda Leitura vetero-testamentária está extraída precisamente de Joel: «Eu infundirei meu espírito sobre vós, e profetizarão vossos filhos e vossas filhas, e vossos anciãos terão sonhos, e vossos moços terão visões». Profecia esta que foi mencionada por Pedro para justificar o comportamento dos Apóstolos frente aos “homens da Judéia” e a todos aqueles que se encontravam em Jerusalém depois da descida do Espírito Santo.

Os doze

«Os Doze»

Os doze estão em geral dispostos nas duas alas do semicírculo e entre os dois grupos está um lugar vazio. O trono vazio simboliza o trono preparado para a segunda vinda de Cristo. Neste caso, a representação assume o significado do Juízo Final, onde os doze se sentarão para julgar as tribos de Israel. Há ícones onde aparece a pomba, símbolo do Espírito Santo; ela é o sinal tangível da realização da economia da salvação com a manifestação trinitária.

O Mistério de Pentecostes, com efeito, não é a encarnação do Espírito, mas a efusão dos dons que comunicam a graça incriada à pessoa humana, a cada membro do corpo de Cristo. A unidade que se realiza na comunhão eucarística é por excelência, um dom do Espírito Santo.


FONTE:

El Arca de Noé

Pesquisado em: http://www.ecclesia.com.br/

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Espiritualidade dos Cartuxos

30 07 2014

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Para o louvor da glória de Deus, Cristo, Verbo do Pai, tem através do Espírito Santo, desde o início escolhido certos homens, a quem ele haveria de conduzir à solidão e unir-se a si mesmo em amor íntimo. (Prólogo dos estatutos da Ordem dos Cartuxos).





São Bruno e seus companheiros

5 10 2013

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« Para louvor da glória de Deus, Cristo, palavra do Pai por mediação do Espírito Santo, elegeu desde o princípio alguns homens, a quem levou à solidão para uní-los a si em íntimo amor. Seguindo esta vocação, o Pai Bruno entrou com seis colegas no deserto de Cartuxa e se instalou ali. »(Est.Cartusiano)





Crença e Prática da Igreja Primitiva

18 09 2013

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Entre as proposições modernistas condenadas por Pio X no decreto “Lamentabili sane” (3 de Julho, 1907) são os seguintes:

“Na Igreja primitiva não havia o conceito da reconciliação do cristão pecador pela autoridade da Igreja, mas a Igreja por graus muito lentos apenas se acostumara a esse conceito. Além disso, mesmo depois de penitência passou a ser reconhecida como uma instituição da Igreja, que não foi chamado pelo nome de sacramento, porque era considerado um sacramento odioso. ” (46) “O Senhor palavras:” Recebei o Espírito Santo, cujos pecados você deve perdoar, são-lhes perdoados, e cujos pecados você deve manter são retidos “(João xx, 22-23), em nada se referem a o sacramento da Penitência, o que os Padres de Trento pode ter tido o prazer de afirmar. ” (47)

De acordo com o Concílio de Trento, o consenso de todos os Padres sempre entendeu que pelas palavras de Cristo apenas citadas, o poder de perdoar e reter pecados foi comunicado aos Apóstolos e seus sucessores legais (Sec. XIV, c. I). É, portanto, a doutrina católica que a Igreja desde os primeiros tempos acreditou no poder de perdoar pecados, concedida por Cristo aos Apóstolos. Tal crença na verdade foi claramente inculcada nas palavras com que Cristo concedeu o poder, e que teria sido inexplicável para os primeiros cristãos se qualquer um que professavam a fé em Cristo tinha questionado a existência desse poder na Igreja. Mas se, ao contrário, supomos que nenhuma crença existia desde o início, nos deparamos com uma dificuldade ainda maior: a primeira menção de que o poder teria sido considerado como uma inovação tanto desnecessária e intolerável, que teria demonstrado pouco sabedoria prática na parte daqueles que estavam se esforçando para atrair os homens a Cristo, e ele teria levantado um protesto ou levou a um cisma que certamente teria ido no registro tão claramente, pelo menos como fez divisões iniciais sobre questões de menor importância. Mas tal registro é encontrado, mesmo aqueles que procuraram limitar o próprio poder pressuposto de sua existência, e sua própria tentativa de limitação colocá-los em oposição à crença predominante católico.

Voltando agora à evidência de um tipo positivo, temos de constatar que as declarações de qualquer padre ou escritor eclesiástico ortodoxo sobre penitência não apenas apresentar seu ponto de vista pessoal, mas a crença comumente aceita, e, além disso, que a crença de que recorde não era novidade na época, mas foi a doutrina tradicional proferida pelo ensino regular da Igreja e incorporada em sua prática. Em outras palavras, cada testemunha fala de um passado que remonta ao início, mesmo quando ele não expressamente apelo à tradição.

Santo Agostinho († 430) adverte os fiéis: “Não vamos ouvir aqueles que negam que a Igreja de Deus tem o poder de perdoar todos os pecados” (De agon Cristo, iii..).

Santo Ambrósio († 397) repreende os Novatianists que “professavam a mostrar reverência ao Senhor, reservando somente a Ele o poder de perdoar os pecados. Maior erro não pode ser feito do que o que eles fazem na busca de rescindir os seus mandamentos e arremessar de volta Ele concedeu o perdão …. A Igreja obedece em ambos os aspectos, pelo pecado de ligação e por perder isso, porque o Senhor quis que para tanto o poder deve ser igual “(De poenit, I, II, 6.).

Novamente ele ensina que este poder era para ser uma função do sacerdócio. “Parecia impossível que os pecados sejam perdoados pela penitência; Cristo concedeu esta (alimentação) para os Apóstolos e dos Apóstolos foi transmitido ao escritório de sacerdotes” (op. cit, II, II, 12.).

O poder de perdoar estende a todos os pecados: “Deus não faz distinção, Ele prometeu misericórdia a todos e aos seus sacerdotes Ele concedeu a autoridade para perdoar sem qualquer exceção” (op. cit, I, III, 10.).

Contra o mesmo hereges St. Paciano, Bispo de Barcelona (m. 390), escreveu a Sympronianus, um de seus líderes: “Este (perdão dos pecados), você diz, só Deus pode fazer bem verdade:., Mas o que Ele faz através de Sua sacerdotes é a realização de seu próprio poder “(Ep. I anúncio Sympron, 6 no PL, XIII, 1057).

No Oriente durante o mesmo período, temos o testemunho de São Cirilo de Alexandria (m. 447): “Os homens cheios do Espírito de Deus (isto é, sacerdotes) perdoar os pecados em duas maneiras, por admitir ao batismo aqueles que são dignos ou em perdoar os filhos arrependidos da Igreja “(Em Joan., 1, 12, em PG, LXXIV, 722).

São João Crisóstomo († 407), depois de declarar que nem os anjos, nem arcanjos ter recebido tal poder, e depois de mostrar que os governantes terrenos podem ligar apenas os corpos dos homens, declara que o poder do sacerdote de perdoar os pecados “penetra a alma e atinge para o céu “. Portanto, ele conclui, “se fosse loucura manifesta para condenar tão grande poder de um, sem a qual não podemos nem obter céu nem vir para o cumprimento das promessas …. Não só quando eles (os sacerdotes) nos regenerar (batismo), mas também depois de nosso novo nascimento, eles podem nos perdoar os pecados “(De sacra., III, 5 quadrados).

Santo Atanásio (m. 373): “Como o homem a quem o batiza sacerdote é iluminado pela graça do Espírito Santo, o mesmo acontece com aquele que em penitência confessa seus pecados, receber através do perdão padre em virtude da graça de Cristo” (Frag. contra Novat., em PG, XXVI, 1315).

Publicação informações escritas por Edward J. Hanna. Transcrito por Donald J. Boon. A Enciclopédia Católica, Volume XI. Publicado em 1911. New York: Robert Appleton Companhia. Nihil obstat, 1 de fevereiro de 1911. Remy Lafort, STD, Censor. Imprimatur. + Cardeal John Farley, Arcebispo de Nova York








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