Dionisiou: o Padre Eutímio

7 06 2013

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No final de outubro de 1951, passei alguns dias no mosteiro grego de Dionisiou. Ali conheci um grego de Sicón que tinha vivido no Cáucaso (Rússia), e se tinha retirado para o Atos durante o período da guerra civil. Chamava-se Eutímio, tinha sessenta anos e se destacava pela sua sabedoria. Era o bibliotecário do mosteiro e pude manter com ele conversas maravilhosas.

Uma tarde estávamos sentados na pequena sacada de sua cela, que dava para o mar. Era um outono lânguido e tranqüilo e o sol se punha no ocaso. Mar e céu estavam envoltos na claridade dourada.

– Padre Eutímio – disse-lhe – em Konevitsa perguntei ao Padre Doroteu sobre a “oração pura” e, em Novo Valaam, ao Padre Mijail, sobre os limites da oração. Que pensa V. Revma. sobre o assunto?

– Embora as orações feitas na igreja ou na cela, lidas ou cantadas, sejam muito úteis, são contudo temporárias – respondeu o Padre Eutímio. Nem sempre temos cadernos, nem música, nem podemos estar sempre na igreja, nem na cela, e é necessário viver e cumprir com o nosso dever. Não conheço outra oração que seja contínua fora da oração de Jesus. Para fazê-la não é necessário ir à igreja, nem à cela, nem ter livros. A oração de Jesus pode rezar-se sempre e em todas as partes: em casa, na rua, nas viagens, no cárcere e no hospital. Mas temos que aprendê-la.

– E como?

– Não importa como. Para começar tem-se de repeti-la para si tantas vezes quantas sejam possíveis: na cela, no caminho, quando não haja gente. Mas deve-se dizer com atenção, lentamente e com um tom suplicante como o dos pais que pedem: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende compaixão de mim, pecador”. Repita-a quanto puder mentalmente, vagarosa e atentamente. Isto é o começo. Logo você poderá uni-la à sua respiração e às batidas de seu coração. Entretanto, não se atreva a fazê-lo sem que lha tenha ensinado alguém que já tenha aprendido e a pratique, porque você cairia na tentação. Talvez você passe muitos anos assim, mas também é possível que aprenda logo. Então a oração virá à sua mente como um regato, quer trabalhe, quer durma. Logo, nem sequer as palavras serão necessárias, nem os pensamentos, e toda a sua vida se transformará em oração. A propósito disto, o Padre Doroteu lhe falava sobre João de Moldávia.

– E existe pessoa como o staretz João?

– Certamente não existe. Não longe daqui, no mesmo Atos, em Kalivia, há ermitães, alguns dos quais chegaram muito longe.

– Por favor, Padre Eutímio: pode-se conhecer por algum sinal aos que chegaram mais alto na oração de Jesus?

– Claro que se pode.

– E como?

– Se você quer aprender a orar, escolha um staretz sereno e humilde, que nunca condene, que seja, talvez, um “louco por Cristo”, que não se irrite, que não grite nem ordene. Com efeito, há staretz que ainda não têm domínio próprio e já começam a guiar os outros. Pode ser que exteriormente e de maneira técnica tenham aprendido um aspecto da oração, mas não receberam seu espírito. Julgue você mesmo: como pode condenar outros o que suplica continuamente: tem piedade de mim pecador?

– Padre, qual é a façanha espiritual mais importante?

– É certamente” a loucura por Cristo”, já que a sabedoria deste século é loucura para Deus, e vice-versa. É este um caminho difícil, que não se pode empreender sem o conselho do staretz.

– E depois?

– Depois, as peregrinações, como o autor dos “Relatos de um Peregrino”, embora para o mundo isso seja quase um disparate. Em seguida, a reclusão, o anacoretismo e o simples monacato. Mas lembre-se que o importante não é o exterior, mas o interior. Há falsos loucos por Cristo e peregrinos folgazões, anacoretas vaidosos, ermitãos que a todos condenam e monges que não seguem o caminho reto. A pessoa pode salvar-se em qualquer lugar, inclusive no mundo, porém, é mais fácil salvar-se nos mosteiros e no deserto porque ali há menos tentações. Mas se no mosteiro não se orar como se deve, será em vão ter-se retirado, e não só você perderá o que tinha, mas chegará a um estado pior, até se afastará de Deus. Isto pode acontecer muito bem.

– Serão logo as vésperas, Padre Eutímio? – Em seguida – respondeu – a campainha está tocando. É hora de irmos à igreja.

Saímos da pequena sacada e chegamos ao “katholikon” passando pelo corredor e pela escada. Tudo estava envolto numa luz dourada. O culto começou lento e majestoso, como sempre ocorre no Atos.

Luz radiante da glória do Pai celeste,
venturoso e imortal, ó Jesus Cristo!
Chegados ao pôr-do-sol
contemplamos a claridade da tarde,
e cantamos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo de Deus…

(Hino de Vésperas da liturgia bizantina)

À tarde assomei à pequena sacada de minha cela e contemplei o céu semeado de estrelas. O Padre Eutímio aproximou-se lentamente de mim:

– Está vendo o céu? Contemple a majestade e a beleza da Criação. Assim como não há necessidade de meditá-lo, virá o tempo em que você entenderá muitas coisas e saberá como chegar à oração mais elevada. Com a razão não se compreende, é necessária a luz. As pessoas que vivem no mundo e estão cheias de preocupações não se dão conta destas coisas e, à semelhança dos porcos, olham para o solo buscando bolotas. Mas a verdadeira felicidade e beleza só se revelam àquele em que vive Deus. Sim, grande e bendita é a força da oração. Todo o resto é pó, vaidade das vaidades e tudo é vaidade.

Peregrinando para Deus

Sérgio N. Bolshakov

Fonte:http://www.ecclesia.com.br

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Nierko-Iervi: Nina S. Nicolaevna

7 06 2013

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Estava eu sentado com Nina Nicolaevna na pequena sacada da “dacha” de Nierko-Iervi, no meio de um enorme bosque que se estendia desde Komio até ao sul pela tundra de Laplandy. A “dacha” se encontrava isolada, em meio de um espesso bosque, às margens de um lago aprazível. O sol poente se refletia nas tranqüilas águas douradas. Eu admirava sem cansar-me o jogo de cores sobre o lago. Se de manhã era profundamente azul, era quase negro na aurora, rosa ao crepúsculo e mais tarde, rosa, roxo, violeta e negro. O céu azul-claro estava sem nuvens e alguns pássaros gorjeavam no bosque. O aroma das flores e a frescura do lago chegavam até nós.

O marido e os filhos de Nina Nicolaevna já tinham ido deitar-se, e nós estávamos na sacada admirando as cores cambiantes do lago. A noite diáfana reinava em toda a sua beleza.

– Aqui estamos tão tranqüilos, Nina Nicolaevna, como se fosse outro planeta ou vivêssemos trezentos anos atrás, quando havia pouca gente, não existiam trens, automóveis, aviões e, contudo, as pessoas que buscavam o silêncio emigravam para o norte, para a ilha Solovky no Oceano Ártico.

– Só aqui descansa a minha alma, Sérgio Nicolaevich. Somente aqui há lagos e bosques, não há cidades, nem povoados. Nas grandes cidades se vive com dificuldade: ruído, ar contaminado, agitação, multidões. E onde há muita gente, há intrigas, invejas, calúnias e outros males. Quando eu era jovem, gostava de toda esta agitação e ruído. Fui muito infeliz no meu primeiro casamento. Meu marido era um homem simpático, inteligente, mas superficial, desordenado, sem fé nem princípios. Quando tudo terminou em tragédia, voltei à fé. Fui a Valaam encontrar-me com o Padre João para pedir-lhe conselho: “Sabe, serva de Deus – disse ele – não sofra demasiado, como se tudo estivesse perdido. Você é jovem e pode mudar as coisas. Ademais, o Senhor nunca nos manda provações superiores às nossas forças. Lembre-se sempre disto: existe uma tradição que diz que certo monge se entristecia pela sua vida e murmurava contra a sua pesada cruz. Uma vez teve um sonho em que se via a si mesmo numa enorme gruta em cujas paredes estavam penduradas muitas cruzes. Havia cruzes de ouro, de prata, de ferro, de pedra, etc. Nisso ouviu uma voz: “A sua oração foi ouvida! ‘Escolha qualquer uma destas cruzes, a que julgar adequada a suas forças’. O monge começou a buscar com muita atenção e por fim encontrou uma pequena cruz de madeira. ‘Posso levar esta?’ perguntou. ‘Mas se esta for a tua cruz, as demais serão ainda mais pesadas’, respondeu a voz. Agora te parece que tua cruz é pesada e, contudo, eu, como staretz, ouço amiúde e vejo tantos horrores, que é um pecado você murmurar contra Deus. Reze freqüentemente repetindo a Oração de Jesus, e entregue-se à vontade de Deus. Ele próprio lhe mostrará o caminho a seguir, então venha outra vez e lhe direi o que puder”. E me deixou.

Passaram-se alguns anos. Eu trabalhava num lugar modesto e vivia tranqüila. Uma vez me convidaram a um baile, e embora já tivesse trinta anos. aproximou-se de mim um cavalheiro um pouco maior que eu e me convidou para dançar com ele. Aceitei. Depois, encontramo-nos duas vezes mais. Disseram-me que este cavalheiro era solteiro, um dos mais ricos da colônia escandinava e respeitado por todos. É ele meu atual marido e um homem muito interessante. Depois de uns dois ou três meses que nos conhecíamos, pediu-me em casamento. Meus pais ficaram entusiasmados com semelhante partido, porém, por causa de minha experiência anterior, me mostrei cautelosa e desconfiada, pedi-lhe um tempo para pensar sobre a minha resposta. Meu noivo aceitou. Procurei o staretz de Valaam para pedir-lhe conselho e lhe contei tudo. Esteve pensando alguns minutos e depois me disse: “Serva de Deus, lembre-se que lhe disse que tudo se acertaria e que o próprio Deus a conduziria pelo caminho certo, e isto aconteceu. Tenha sempre presente que as penas e o sofrimento não desaparecem, mas se transformam. Em lugar da pequena cruz de madeira de uma vida humilde, pobre, desconhecida, lhe darão uma cruz de ouro que você poderá levar, se praticar a misericórdia e a beneficência, mas será mais pesada. Inveja-la-ão, calunia-la-ão, procurarão indispor você com o seu marido e com a sua família, etc. Mas se você não se apegar nem às riquezas, nem às honras que logo virão, e à vida agitada, então você conservará a paz interior, sobretudo se você se exercitar, o mais possível, na Oração de Jesus. E ainda aconselho você a retirar-se, uma vez por ano pelo menos, a um lugar solitário e aí entregar-se à oração e à meditação. Você verá quanto lhe será útil”.

Tenho muitos anos de casada, e durante um mês, cada ano, venho aqui. No começo, meus filhos e meu marido não gostavam muito, mas agora todos esperam este momento. Isto é o paraíso. E devo dizer que o staretz estava certo porque a cruz das riquezas é mais pesada que a cruz da pobreza, e é, além disso, mais perigosa, porque é fácil cair no orgulho e ficar impassível diante da dor alheia.

Agora há um staretz maravilhoso no Novo Valaam, o hieromonge Mijail, o Recluso. Vá conversar com ele sobre suas dificuldades na vida e ele lhe dará conselhos. Dei-me conta através dos anos que a coisa à qual se aspira com obstinação, lutando contra tudo, e que finalmente acontece, não é útil, mas prejudicial, porque ou a pessoa se mortifica pela coisa, ou se torna indiferente, ou percebe que o esforço não valia a pena. O que vem de Deus, vem só, ou como diz o Evangelho: “O Reino de Deus não vem visivelmente, mas está dentro de nós”.

Há muito, muito tempo, quando começou o sofrimento com o meu primeiro marido, disse a uma tia, que era uma mulher de muita experiência: “Vou deixar meu marido. Deixarei tudo e outra vez serei feliz”. Ela respondeu-me: “Vê-se que você é jovem, Nina. Você nunca poderá fugir de si mesma e se tiver paz em sua alma, estará bem em toda a parte. Na vida não se pode fugir do sofrimento, deve-se ter paciência, orar e esperar, e o Senhor lhe mostrará o caminho a seu tempo. Esta é a verdade, mas quando a gente é jovem, não entende isso”.

Calamo-nos. O lago estava mais escuro. “Já são onze horas da noite – advertiu Nina Nicolaevna e está claro como o dia. Está na hora de descansar, Sérgio Nicolaevich, boa-noite!”

Peregrinando para Deus

Sérgio N. Bolshakov

Fonte:http://www.ecclesia.com.br





o Abade João do Novo Valaam (Peregrinando para Deus Sérgio N. Bolshakov)

7 06 2013

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Novo Valaam: o Abade João do Novo Valaam

Um dia de agosto, estávamos sentados conversando no jardim do Novo Valaam, o abade João e eu. Ainda que estivesse o tempo parado e brilhasse o sol, sentia-se já a aproximação do outono. A manhã tranqüila brilhava dourada pelo sol, e o ar era translúcido.

– Padre João, diga-me se há alguém que abandona a Oração de Jesus.

– Como não? O demônio se mete em toda a parte. Se um demônio procura tentar um leigo, ao monge o tentam dois, e ao que pratica a Oração de Jesus, três. Você leu a “Antologia da Oração de Jesus” e “Conversações sobre a Oração de Jesus” que editou o falecido Cariton?

– Li-as.

– Ali se fala muito disto, de sua substância e da necessidade de uma profunda humildade e de não se sobre-valorizar quando se reza esta oração, como fazem alguns. Para que rezamos? Para que lembrando-nos continuamente do Senhor e arrependendo-nos de nossos pecados, cheguemos à serenidade espiritual, ao silêncio interior, ao amor do próximo e à verdade. Então vivemos em Deus, que é amor.

Mas há pessoas que consideram esta oração como uma magia com a qual conseguem a adivinhação de pensamento, o dom de milagres e de cura, etc. Este proceder é muito pecaminoso, e os que assim agem, são enganados pelo demônio que lhes concede certos poderes e logo, com eles, os faz perecer para sempre.

Eu fui abade em Pechenguy, que está muito distante, no litoral do oceano Ártico. No verão o sol não se põe durante três meses, e no inverno, há três meses de noite, e se encontra numa imensa solidão: o oceano tempestuoso, a desolação e, por todas as partes, as melancólicas tundras.

Acontece muitas vezes que os que oram intensamente nestas condições, chegam a desgastar-se. Alguns monges enlouquecem e começam a ouvir vozes e ter visões. Um deles começou a ouvir vozes como de anjos em sua cela. Estas vozes lhe diziam que já havia alcançado grandes alturas espirituais, que poderia fazer milagres como o Salvador e andar sobre as águas. O pobre se deixou convencer e quis comprovar o fato por si mesmo, caminhando por sobre uma fina capa de gelo, como não tivesse peso algum. O resultado foi que se afundou nas águas. Como gritou, o salvaram, mas adoeceu por causa da água gelada e logo morreu arrependido. Este é um caso extremo, mas a outros o demônio os vence de outro modo: rezando e vendo em si mesmos certo progresso espiritual, começam a vangloriar-se e a considerar a todos indignos e inferiores a si, e crêem que são vasos escolhidos de Deus. Estes, em geral, condenam a todos, se irritam facilmente, quando os repreendem e sempre estão inquietos. Embora o apóstolo São Paulo tenha dito que os que invocam o Senhor Jesus Cristo e o confessam como Filho de Deus serão salvos, o mesmo Salvador nos ensina que “nem todo o que diz ‘Senhor, Senhor’, será ouvido, mas o que cumpre a vontade do Pai Celestial”. E apesar de estes invocarem o Senhor, o seu coração está longe dele. É necessário, então, acrescentar à oração a observância dos mandamentos, porque a fé sem as obras é morta e as obras feitas com fé alcançam a perfeição.

– E como saber a quem a pessoa deve dirigir-se em busca de conselho, Padre?

– Procure um staretz sereno, bondoso, humilde, que se conserve na paz de sua consciência e no silêncio interior, isto é, que a ninguém condene. Mas fuja dos que estão descontentes, apegados ao dinheiro e que julgam a todos, porque a sua companhia poderá perverter você. Lembre-se, contudo, que com a orientação de um staretz se pode viver um tempo, mas quando se começa a fazer oração e a vigiar os pensamentos, para que você precisará mais de staretz? Não se pode permanecer sempre criança. Temos de nos tornar responsáveis com os anos e pode ser que, com o tempo, você mesmo chegue a ser um staretz.

– Como pode ser isto?

– Muito simples. O staretz é um homem rico em experiência espiritual e sabedoria e com um grande amor a todos. Os staretzs podem ser simples monges, como o supra citado Zosima Verjovsky de quem Dostoievsky copiou seu staretz Zosima: leia a sua vida e você mesmo verá. Assim também foram São Basílio, João de Moldávia, o glorioso santo staretz abade Melquisedeque, que viveu até os cento e vinte anos. O staretz Daniel Aginsky, grande santo e mestre da Sibéria, e Kuzma Bisrky eram simples leigos e iam procurá-los não somente leigos, mas sacerdotes e até monges e bispos em busca de seus sábios conselhos. E houve um grande staretz: o autor dos Relatos. Soube que foi um camponês de Orlov, segundo um manuscrito que encontrei entre a correspondência do Padre Ambrósio de Optina e que tinha sido encontrado no mosteiro de são Panteleímon, no Atos. Provavelmente, este peregrino, voltando da Terra Santa a seu lar na Rússia, passou pelo Atos, como faziam muitos e contou suas viagens ao staretz Jerônimo Solomentsev. Este ordenou talvez que ele as escrevesse; ele as terá escrito e talvez tenha ficado no Atos.

– As peregrinações são uma façanha, Padre João?

– Sim, e somente a loucura por Cristo a consegue, e não é permitida senão a poucos e sempre com a bênção de algum santo staretz. Se não podemos suportar o pequeno, como poderemos suportar o grande? O staretz Leônidas de Optina costumava contar a estória seguinte: Havia um monge que sempre o molestava pedindo-lhe que lhe permitisse usar cilício e o staretz respondia: “Para que queres usar cilício? Ser monge já é um cilício pesado, se fores monge como deves ser”. Mas o monge continuava pedindo. Por fim o staretz lhe permitiu, mas, chamando o monge ferreiro, lhe disse: “Amanhã irá um monge procurá-lo pedindo-lhe que lhe faça um cilício. Então você lhe dirá: “Para que você quer cilício? E dê-lhe uma boa bofetada”. No dia seguinte, chegou o monge muito feliz, e disse ao staretz que tinha pedido ao ferreiro que lhe fizesse um cilício e, como resposta, ele lhe tinha dado uma bofetada. “Bem – disse-lhe o staretz – se não suportas uma bofetada e vens logo queixar-te, para que queres usar cilício? Não se deve pedir mais do que o que se pode dar”.

– O Padre Mijail lhe disse: “Irmão, semeie a boa palavra em toda a parte, nos espinhos, no caminho e nas pedras; pode ser que cresça e dê fruto até cem por um”. Que pensa sobre isto, Padre?

– Se foi o Padre Mijail quem disse isso, tem -se de ouvir. Semeie a boa palavra em toda a parte e será “peregrino” como o Peregrino. Isto, irmão, não é uma pequena façanha.

– Poderei perseverar, Padre?

– Com fé, você poderá, porque está escrito: “Tudo posso naquele que me conforta”. Exercite-se na Oração de Jesus e ela o estimulará para você o conseguir.

Fonte:http://www.ecclesia.com.br








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