Vida de Santa Maria do Egito, a Penitente.

30 08 2015

Por Sofrônio

Prólogo. Capítulo 1. Capítulo 2. Capítulo 3. Capítulo 4. Capítulo 5. Capítulo 6. Capítulo 7. Capítulo 8. Capítulo 9. Capítulo 10. Capítulo 11.

Prólogo

É algo louvável esconder o segredo dos Reis; mas há glória em publicar as obras de Deus, como diz o Anjo a Tobias, quando este recobra de maneira miraculosa a visão – tendo passado por tantos perigos goza então, dos efeitos do amor e da ajuda de Deus. É bastante perigoso descobrir os segredos dos príncipes e, contrariamente, causa muito prejuízo à alma calar-se sobre as ações ilustres, que Deus faz em favor dos homens pelo excesso de Sua bondade e de Sua misericórdia. É portanto temerário encobrir com o silêncio as maravilhas divinas, por um justo julgamento. Seria cair na mesma condenação daquele servo inútil que ao invés de aproveitar do talento recebido escondeu-o na terra. Eu não sepultaria nas trevas uma história tão santa quanto esta que chegou ao meu conhecimento. E não é preciso sequer acrescentar fé ao que vou escrever, considerando-se o espanto, que ações tão extraordinárias causarão. Deus me proteja de ser mentiroso em assuntos santos, e de violar a verdade daquilo que concerne a Sua glória; não tomarei parte no perigo que correm aqueles, que não compreendem senão as coisas baixas, e julgando indignamente a grandeza de um Deus que Se fez homem, não acrescentarão nada de fé a este discurso. E há pessoas que depois de o terem lido, recusam-se a lhe dar o crédito e a admiração que merece uma história tão miraculosa. Suplico a Deus que tenha piedade delas e abra-lhes o espírito, a fim que elas escutem Sua Santa palavra, e que não se tornem culpadas pelo desprezo, de tantos milagres que Ele decidiu fazer em toda a eternidade a favor de Seus Eleitos; assim elas agem considerando a fraqueza da natureza humana, julgando impossível tudo o que lhes é contado sobre as ações extraordinárias dos Santos.

Eu vou então começar esta narrativa, onde escreverei palavra por palavra segundo aquilo que se sabe ter acontecido e que me foi reportado por um homem santo, alimentado pela ciência e pela prática das coisas divinas. E, que ninguém se deixe tomar pela incredulidade, como se fosse impossível que tão grande milagre acontecesse hoje em dia, visto que a graça de Deus – que século a seculo circula na alma dos santos – torna-os Seus amigos e faz Profetas; assim como Salomão nos ensina através do conhecimento que Ele lhe deu. Mas não se deve separar o relato deste grande e generoso combate de Maria do Egito, do modo com que ela terminou seus dias na terra.

Capítulo 1

O abade Zózimo – que era um Solitário de grande virtude – tendo sido tentado por pensamentos de vaidade, apresenta-se-lhe um homem que lhe diz para ir a um mosteiro perto do Jordão onde ele mesmo fora recebido.

Havia num mosteiro da Palestina um homem chamado Zózimo que, tendo sido desde a sua infância instruído com grande zelo nos exercícios da vida solitária e educado santamente, fazia brilhar em suas palavras e em suas ações uma verdadeira piedade. Entretanto, não imaginem que eu queira aqui falar daquele Zózimo acusado de ensinar erros no que concerne a crença; os nomes são os mesmos. Este de quem falo, ficou primeiramente em um mosteiro da Palestina e passando por todos os exercícios da vida solitária, tornou-se muito recomendado pela pureza de seus hábitos e o seu fervor na penitência; pois observava inviolavelmente todas as instruções que lhe davam aqueles que desde a juventude haviam sido alimentados deste santo modo, de forma a mantê-lo capaz de suportar os combates que se lhes apresentavam na prática exata das regras e, não bastando, acrescentou ainda muito de si, pelo desejo que trazia de sujeitar a carne ao espírito. Assim, jamais percebeu-se uma pequena falta na menor das coisas e ele realizava tão perfeitamente tudo o que se esperava de um solitário, que se via com freqüência muitos outros, tanto das redondezas quanto das províncias distantes, virem até ele e, por suas instruções e seus exemplos, portarem-se com mais ardor do que antes, nos outros santos exercícios da penitência.

Tendo tantas qualidades excelentes, meditava sem cessar sobre as Santas Escrituras, pois, quer estivesse deitado para um pequeno repouso, quer estivesse levantado, quer trabalhasse com as mãos ou comesse, seu espírito ocupava-se sempre deste objetivo que se lhe tornara tão familiar e nunca interrompida a obra de recitar os Salmos e de meditar sobre as Sagradas Escrituras. Assim, tornado-se digno de ter seu espírito esclarecido por Deus, aqueles que viviam com ele asseguravam que freqüentemente era favorecido com visões; o que não é nem estranho nem incrível, pois nosso Senhor Jesus Cristo diz: “Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus;” com mais razão ainda àqueles que purificaram a sua carne, que sempre permaneceram em abstinência e cujo espírito jamais adormece no caminho da piedade; esses podem ter os olhos iluminados pelas luzes divinas, como marca da felicidade que os espera na outra vida, onde O verão em toda a Sua majestade e glória.

Zózimo dizia que estava naquele mosteiro praticamente desde ter deixado o seio materno, onde viveu até os 53 anos na observância das regras da vida solitária, e um dia, vendo-se tentado por alguns pensamentos que lhe faziam crer ser perfeito, em todas as instruções de quem quer que fosse, dizia consigo: “Há algum Solitário no mundo que possa ensinar-me algo de novo, ou mostrar-me algo que eu ainda não tenha realizado por minhas próprias ações, nesta santa maneira de viver? Haverá alguém que me ultrapasse”?

Como ele se entretinha com estes pensamentos e alguns outros parecidos, apresentou-se um homem diante dele que lhe disse: “Zózimo, é verdade que combateste generosamente e tanto quanto um homem poderia fazer. É verdade que correste bastante na carreira da vida solitária. Mas não há nenhum homem que possa se vangloriar de ser perfeito, sobretudo porque tu não sabes ainda que o presente combate é mais difícil de suportar do que os passados, e a fim de que conheças que há muitas outras vias para chegar à Salvação, sai de teu país, sai do meio dos teus próximos, sai da casa de teu pai como o grande patriarca Abraão, e vai-te ao mosteiro que fica ao longo do Jordão .”

Seguindo aquilo que lhe havia sido recomendado, Zózimo saiu do mosteiro onde havia sido alimentado desde a sua infância, e tendo chegado à beira do Jordão – o mais santo de todos os rios – foi conduzido pelo mesmo homem ao mosteiro, onde Deus lhe ordenara ir. Tendo batido à porta e falado com o porteiro, este irmão foi dizer ao abade o qual veio recebê-lo, reconhecendo por seu hábito e por sua continência tratar-se de um Solitário. Depois que Zózimo pôs-se de joelhos conforme o costume dos Solitários e que pediu a sua bênção, o abade lhe disse: “De onde vens, meu irmão? E que assunto te traz até os pobres Solitários?” Zózimo respondeu: “Meu pai, não estimo ser necessário dizer-vos de onde venho, e penso que é suficiente que saibais, que o que me traz é o desejo de encontrar aqui temas de edificação, pois soube coisas tão vantajosas deste mosteiro e tão dignas de elogio, que são capazes de levar os homens a unirem-se a Deus.” O abade retorquiu: “Meu irmão, que Deus, o único que pode curar as enfermidades da alma, queira por Sua graça instruir-te e a nós também com Seus mandamentos e conduzir nossos passos para caminharmos nos santos caminhos; pois não há homem algum que seja capaz de fazer outros, avançarem na virtude. É preciso que cada um vele cuidadosamente sobre si mesmo e, sem elevar alto demais seus pensamentos, faça o que lhe for mais vantajoso para chegar à perfeição; Deus cooperando com ele. Todavia, já que dizes que a caridade de Jesus Cristo te traz aqui para ver os pobres solitários, podes permanecer conosco se é este o teu desejo; e o Bom Pastor, que deu a vida para nossa salvação e que chama as suas ovelhas cada uma por seu nome, nos alimentará pela graça de Seu Espírito Santo.” Tendo o abade concluído suas palavras, Zózimo ajoelhou-se ainda e após ter recebido a benção, respondeu: “Assim seja” e ficou no mosteiro.

Capítulo 2

Sobre a perfeição em que se vivia neste mosteiro, onde os Solitários passavam quase toda a quaresma no deserto.

Ele viu lá, anciãos de rostos veneráveis, admiráveis em suas ações, fervorosos em espírito, e que serviam a Deus sem qualquer interrupção. Não havia hora durante a noite em que não se cantasse os salmos, e durante o dia eles estavam sempre em suas bocas, enquanto trabalhavam incessantemente com as mãos. Não se sabia o que eram cuidados inúteis. Não tinham o menor pensamento sobre o bem nem sobre outras coisas temporais, e apenas conheciam-lhes os nomes; mas empregavam todo o ano considerando o NADA desta vida, que não é senão, uma passagem cheia de dores e misérias e meditando sobre coisas semelhantes. Uma coisa somente parecia-lhes importante e trabalhavam com todo o ardor para adquiri-la: estarem mortos para o século, ao qual haviam renunciado quando deixaram o mundo e todas as coisas que dependiam dele. Vivendo assim, como se não vivessem mais, alimentavam o espírito com uma carne que não lhes faltava nunca, a Palavra de Deus, e o seu corpo com pão e água somente, a fim de terem mais motivo para esperar a misericórdia de seu Mestre. Como contou depois, Zózimo foi bastante edificado por esta maneira de viver, e excitava-se com os exemplos para avançar na perfeição, encontrando pessoas que trabalhavam tão poderosamente com ele para adquirí-la, e mostravam com tanta alegria um novo Paraíso na terra.

Poucos dias depois, chegou o tempo recomendado aos cristãos pela tradição da igreja, para celebrarem o santo jejum da Quaresma e para purificarem as almas a fim de se tornarem dignos de verem os dias da morte e da ressurreição de nosso Salvador. Ora, estes Solitários faziam todas as suas funções sem serem jamais perturbados, pois não se abria nunca a porta principal da casa, devido ser este um lugar de solidão que não somente não era freqüentado, como também não era conhecido pela maior parte dos vizinhos; e esta regra era observada desde o estabelecimento do mosteiro, o que me faz crer que foi por esta razão que Deus enviou Zózimo para lá.

Quero reportar aqui a ordem que observavam estes Solitários. No primeiro domingo de quaresma celebravam-se os divinos mistérios segundo o costume, e cada um recebia o corpo e sangue precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo, que dá a vida aos homens. Em seguida, depois de terem comido um pouco como de hábito, eles se reuniam no Oratório, onde, tendo feito a oração de joelhos, davam-se uns aos outros o santo beijo, e ajoelhando-se, beijavam seu abade e pediam-lhe a bênção, a fim de serem assistidos por suas orações no combate que iriam empreender. Abriam-se em seguida todas as portas do mosteiro, e, cantando todos a uma só voz o Salmo: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação, a quem temerei? O Senhor é a minha proteção, quem será capaz de me assustar?” eles saíam deixando um ou dois irmãos no mosteiro; não para guardarem o que lá ficava, pois não tinham nada que fosse bom para os ladrões, mas para não deixarem que o Oratório ficasse sem alguém que cantasse os louvores a Deus. Cada um levava consigo o que precisava para viver conforme suas necessidades; uns levavam figos, outros damascos, outros legumes molhados com água, e haviam os que não levavam nada, senão seus corpos e seus hábitos, comendo apenas ervas que crescem no deserto, quando pressionados pela fome. Cada um, era regra para si próprio e era uma lei inviolavelmente observada entre eles, não revelarem em que abstinência haviam vivido durante aquele tempo. Para isso passavam o Jordão e afastavam-se bastante uns dos outros; tinham a solidão por companhia. E, se viam ao longe vir em sua direção um irmão, desviavam-se de seu caminho e iam para outro lado, vivendo somente para Deus e sozinhos, cantando frequentemente os Salmos, e não comendo, senão em determinados momentos. Após haverem jejuado, voltavam ao mosteiro antes do dia da Gloriosa Ressurreição de Jesus Cristo nosso Salvador, que é a vida de nossas almas, e, no domingo em que a Santa Igreja celebra com ramos, eles estavam todos de volta. Cada um trazia de volta consigo o testemunho de sua própria consciência, sobre como havia trabalhado durante o retiro, e as sementes que havia lançado em sua alma, de maneira a torná-la forte e generosa para empreender novos trabalhos para o serviço de Deus; e não se perguntavam jamais uns aos outros, como já vos disse, como tinham vivido durante esse tempo de separação e de solidão.

Eis a regra daquela casa, observada perfeitamente, e a maneira pela qual cada um daqueles Solitários unia-se a Deus no deserto e combatia contra si mesmo, de maneira a tornar-se agradável a Deus somente, e não aos homens, sabendo que todas as coisas feitas por amor aos homens e com o desejo de agradá-los, mais prejudicam do que servem, àqueles que as executam.

Capítulo 3

Zózimo, tendo ido durante a quaresma para o deserto com os outros Solitários, percebe a figura de uma criatura humana, que fugia à sua presença, e segue-a até um lugar cortado por uma torrente

Segundo o costume deste mosteiro, Zózimo passa o Jordão, levando somente seu hábito e alguma coisa para viver. Assim, ele observava a regra e atravessando aquela solidão, não comia senão quando a necessidade a isso o obrigava. Deitava-se na terra, onde o surpreendesse a noite, para repousar e dormir um pouco; e tão logo as primeiras luzes do dia apareciam, apressava-se a caminhar tendo continuamente no espírito; como contou mais tarde; o desejo de entrar mais adiante neste Deserto, com a esperança de aí encontrar algum bom pai, de quem pudesse aprender alguma coisa; e, sem cessar avançava ao acaso, como se estivesse em direção à alguém que lhe fosse conhecido. Depois de ter caminhado durante vinte dias, tendo chegada a hora das Sextas, parou um pouco, e voltando-se para o Oriente fez sua prece normal, pois havia se acostumado a parar em certas horas do dia e a cantar os Salmos de pé e a fazer ajoelhado as orações.

Quando então cantava os Salmos, e com olhar fixo mantinha os olhos elevados para o Céu, viu em sua mão direita algo como a sombra de um corpo humano, o que o encheu primeiramente de espanto e medo, por crer tratar-se de uma ilusão do diabo; mas tendo-se armado com o Sinal da Cruz e tendo perdido toda a apreensão e chegado ao fim das orações, viu, ao voltar os olhos, alguém que de fato andava na direção do Ocidente. Ora, aquilo que via era uma mulher, cujo corpo o ardor do sol havia tornado extremamente negro e cujos cabelos eram brancos como a lã, mas tão curtos que iam somente até o pescoço.

Vendo isto, que acabo de relatar, e regozijando-se na esperança de receber o consolo que esperava, Zózimo correu com todas as suas forças ao lugar, onde aquilo que lhe aparecia apressava-se em ir, pois sua alegria era muito grande; porque durante todo o tempo que havia caminhado no deserto, não havia visto nenhuma forma nem de homem, nem de bestas selvagens, nem de pássaros, nem de quaisquer animais, o que aumentava seu desejo de saber o que é que lhe aparecia; esperando tirar grande lucro disso. Ela porém, vendo Zózimo seguí-la, fugiu em direção ao fundo do deserto. Esquecendo a fraqueza de sua idade e não considerando o trabalho que lhe daria o caminho, ele correu em grande velocidade, pelo desejo que tinha de ver mais perto, aquilo que fugia dele; e assim correndo mais veloz que ela, aproximava-se cada vez mais.

Quando ele estava a uma distância que ela poderia ouvir a sua voz, ele gritou-lhe chorando: “Serva de Deus, porque fugis deste pecador e pobre velho? Quem quer que sejais, conjuro-vos pelo Deus, pelo amor de quem passais vossa vida nesta horrível solidão, a suportar-me; conjuro-vos pela esperança que tendes de ser um dia recompensada de tantos trabalhos. Parai e não recuseis a nossa bênção e nossas orações, àquele que vô-las pede em nome de Deus, que jamais rejeitou ninguém .” Zózimo misturando assim suas conjurações às suas lágrimas, chegaram ambos correndo a certo lugar, onde as águas de uma torrente haviam cruzado, e então aquilo que fugia, desceu e subiu em seguida de outro lado. Zózimo continuava gritando e não podendo passar além, permaneceu aquém da torrente que estava seca, e redobrou de tal maneira seus lamentos e suspiros que se podia escutá-los ainda muito longe.

Capítulo 4

Aquilo que fugia diante de Zózimo para, após ter atravessado a torrente, e diz-lhe que é uma mulher. Passam muito tempo a pedir a benção um ao outro, e depois em oração Zózimo a vê suspensa no ar.

Então aquela pessoa que fugia disse-lhe: “Abade Zózimo, peço-vos em nome de Deus perdoar-me, por não me voltar para falar convosco, pois sou uma mulher e como podeis ver estou nua; mas, se desejais assistir com vossas orações uma pobre pecadora, lançai-me vossa capa para que eu me cubra e possa assim voltar-me para vós e receber a vossa bênção.” Zózimo ficou tomado de um maravilhoso espanto misturado com temor e sentindo-se transportado para fora de si mesmo ao ouvir estas palavras, pois, sendo um homem excelente e que a graça de Deus havia dotado de muita prudência, julgou que aquela mulher não o tendo jamais visto ou ouvido falar dele, não o tivesse chamado por seu nome, sem uma graça particular de Deus. Executou prontamente o que ela havia ordenado, e após haver desabotoado sua capa lançou-a, virando-se de costas. Tendo-a recebido, ela cobriu-se a maior parte do corpo, e assim envolvida voltou-se para Zózimo e lhe disse: “Meu pai, que desígnio trouxe-vos a ver uma pecadora, e o que desejais saber e aprender de mim, para não temer tanto trabalho, quanto tivestes que sofrer para vir até aqui?”

Prostando-se por terra Zózimo pediu-lhe a bênção, como é costume fazer, e ela, prostrando-se por sua vez, pediu-lhe a sua também.

Permaneceram muito tempo assim e por fim ela lhe disse: “Meu pai, cabe a vós dar-me a benção e fazer a oração, visto que sois honrado pelo Presbiterado, e que há tantos anos servindo ao Santo Altar, penetrais pela graça e pela luz que Deus vos dá, nos segredos e mistérios de Jesus Cristo.” Estas palavras aumentaram o temor e a emoção de Zózimo e via-se tremer esse santo ancião e correr o suor em grandes gotas pelo seu rosto. Assim, não tendo mais forças e como se estivesse prestes a dar o último suspiro, ele lhe disse: “Ó mãe espiritual, te conheço o bastante pelo pouco que vi, pois estais toda com Deus e que quase não vives mais na terra; e posso crer que Ele vos concedeu dons muito extraordinários; pois, sem terdes jamais me visto, chamastes-me pelo meu nome; mas visto que na dignidade das funções onde se é chamado, não acontece que tenhamos uma graça igual ao cargo que temos de exercer, e que esta graça se conhece principalmente pelos efeitos maravilhosos que produz nas almas, abençoai-me pelo amor de Deus, e assisti-me com vossas orações, a fim de tornar-me um digno de imitar a vossa virtude.”

Então, compadecendo-se da teimosia do santo ancião, ela diz: “Bendito seja o Senhor que opera a salvação das almas.” Ao que Zózimo respondeu: “Assim seja” e levantaram-se os dois e ela disse-lhe: “Quem, então, vos trouxe até uma pecadora como eu? De todo o modo, já que o Espírito Santo vos conduziu até aqui por Sua graça, a fim de prestar-me alguma assistência à minha fraqueza, dizei-me, suplico-vos, de que maneira se conduzem os cristãos hoje; de que maneira agem os imperadores; e de que maneira o rebanho de Jesus Cristo é agora governado na Santa Igreja?” Zózimo respondeu: “Minha mãe, Deus concedeu às vossas santas orações uma paz, concedida aos fiéis. E não recuseis, suplico-vos em Seu nome, a um bastante indigno Solitário; o consolo que vos peço pelo amor dc Jesus Cristo por todo mundo, e particularmente para este pobre pecador, a fim de que, não tenha feito inutilmente um tão longo e laborioso caminho através desta vasta solidão.” Ela repondeu-lhe: “Meu pai, já vos disse que cabe a vós honrado com o Sacerdócio, orar a todo mundo e por mim também, visto ser uma das funções, às quais a vossa vocação vos obriga; visto que a obediência é uma das coisas que nos são mais recomendadas, farei de bom grado aquilo que me ordenares.”

Concluindo estas palavras, ela se voltou para o oriente e elevando os olhos ao céu e estendendo as mãos, começou a rezar, mexendo somente os lábios e sem que se pudesse ouvir sequer uma de suas palavras. Como mais tarde relatou, Zózimo ficou bastante espantado e, sem dizer nada, baixou o olhar contra a terra, depois vendo que ela continuava longamente em oração, levantou os olhos e viu que ela elevava-se um côvado da terra e que orava assim suspensa no ar; aquilo que tinha Deus por testemunho era muito verdadeiro. Então sentiu-se repleto de uma tão extrema apreensão, empapado de suor jogou-se no chão, sem ousar partir e dizia somente consigo: “Senhor, tem piedade de mim.”

Capítulo 5

Vendo Zózimo aquela mulher suspensa no ar, temeu tratar-se de um demônio. Então ela lhe diz qual havia sido o pensamento dele e ele a conjura, em seguida, a contar-lhe toda a história de sua vida.

Como ele estava neste estado, veio-lhe uma tentação, de que talvez fosse algum espírito maligno fingindo rezar. Então, a mulher voltando-se para ele e reanimando-o, disse-lhe: “Porque, meu pai, vossos pensamentos vos levam a escandalizar-vos a propósito de mim, fazendo-vos crer que não sou senão um espírito e que minha oração não é senão fingimento? Não duvideis de que sou uma mulher e uma pobre pecadora; mas tal como sou, recebi o Batismo, e bem distante de ser um espírito não sou senão pó e cinza, senão carne, e não tenho ao menos espírito para conceber as coisas espirituais.” Concluindo estas palavras ela fez o Sinal da Cruz sobre a sua fronte, sobre os seus olhos, sobre os seus lábios e sobre o seu estômago, e acrescentou: “Meu pai, Deus nos livra se quiser do demônio, e de tudo o que vem dele, que de nós tem sem dúvida, muita inveja.”

A estas palavras o ancião prostrou-se a seus pés e disse-lhe chorando: “Conjuro-vos por Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso verdadeiro Mestre, que por nossa salvação dignou-se nascer dc uma Virgem e pelo amor de quem estais revestida desta nudez e fizeste sacrifício de vosso corpo para Lhe serdes agradável, não escondais nada, suplico-vos, ao vosso servo, mas dizei-me quem sois, de onde vinde, quando e por que razão viestes para esta solidão, e de maneira geral, sobre todas as coisas que vos dizem respeito; a fim de que, eu conheça assim a grandeza das obras de Deus, pois que benefício pode trazer um tesouro escondido e uma ciência não declarada, assim como diziam as Escrituras? Dizei-me, então, sem escrúpulos, todas as coisas pelo amor de Deus, pois não será por vaidade mas para satisfazer este pobre pecador ainda que ele seja indigno disso. E tomo como testemunha o mesmo Deus para quem vivcs somente, e com quem conversais continuamente, e não creio ter sido trazido para esta solidão, senão pelo desejo Dele de tornar manifesto, tudo o que se passou convosco, visto que não está em nosso poder resistir às Suas vontades, e que se nosso Senhor Jesus Cristo não tivesse desejado fazer-vos conhecer e fazer saber os combates que empreendestes em Seu serviço, Ele não teria jamais permindo que alguém vos tivesse visto, e na fraqueza em que me encontrava que mal me permitia sair de minha cela, Ele não me teria dado forças para fazer com tanta diligência um tão longo caminho.”

Falando assim e acrescentando várias coisas semelhantes, aquela mulher disse-lhe: “Perdoai-me, meu pai, se morro de vergonha de vos deixar ouvir qual foi a infâmia de minhas ações. Entretanto como vistes que eu estava nua, descobri-las-ei também completamente, para que conheçais a força com que as minhas impurezas encheram a minha alma de confusão e vergonha. E estou longe, como dissestes, de querer contar, por algum sentimento de vaidade as coisas que me concernem; pois de que me poderia glorificar tendo sido um vaso de eleição não de Deus, mas do diabo? E estou certa de que assim que começar a vos fazer ouvir toda a história de minha vida, vós fugireis de mim como de diante da serpente e vossos ouvidos não quererão escutar os inúmeros crimes que cometi. Contudo contá-los-ei com verdade e sem nada disfarçar, após vos ter suplicado não interromper nunca as orações por mim, a fim de que me torne digna da misericórdia de Deus e que eu a receba no dia do julgamento.” O ancião, com estas palavras, derramou muitas lágrimas e ela começou então, a sua narrativa.

Capítulo 6

Santa Maria do Egito começa a contar a Zózimo a história de sua vida e diz-lhe como ela passou dezessete anos inteiros em horríveis crimes; e como foi a Jerusalém para ver a cerimônia da Exaltação da Santa Cruz.

Meu pai, meu país é o Egito. Estando meu pai e minha mãe ainda vivos, parti com 12 anos contra a vontade deles para Alexandria, onde não consigo pensar sem enrubescer que perdi primeiramente a honra e deixei-me levar pelo desejo contínuo e insaciável da volúpia infame e criminosa. Precisaria de muito tempo para dizer tudo em pormenores, mas dir-vos-ei tudo o mais breve que puder e tanto quanto seja necessário, para vos fazer saber, como era o ardor excessivo que me consumia no pecado. Permaneci publicamente durante mais de dezessete anos neste abrasamento funesto, e não foi absolutamente por causa de presentes, que deixei de ser virgem, pois recusava tudo o que me ofereciam; o furor que me agitava e que me levava a um tamanho excesso, fazia-me julgar que haveria muito mais urgência, quando eu não desejava absolutamente outra recompensa pelo pecado, senão o próprio pecado. Mas, não vos espanteis por eu me preocupar tão pouco com o dinheiro, visto que, eu queria viver de esmola ou daquilo que roubava, tanto que, como já vos disse, eu não tinha outra paixão senão mergulhar continuamente na lama das minhas impudências. Esta era a única coisa que me agradava e acreditava que era verdadeiramente viver, o abusar assim incessantemente do corpo que Deus me dera.

Como vivia ao acaso, vi um certo dia de verão um grande número de egípcios e líbios que corriam na direção do mar. Tendo perguntado ao primeiro que encontrei: “Para onde correm eles com tanta pressa!” Ele respondeu-me: “Vão para Jerusalém para a Exaltação da Santa Cruz, que como de costume deve ser celebrada dentro de alguns dias.” “Crês ,” perguntei-lhe, “que eles me aceitariam se eu quisesse ir com eles?” “Isto é simples,” respondeu-me, “se tivesses os meios de pagar a passagem.” “Com certeza,” repliquei, “não tenho com que pagar a passagem, nem como pagar as minhas despesas, mas não deixarei de ir, subirei no navio que eles alugaram e se recusarem a me receber, dar-me-ei eu mesma como dinheiro, e tendo desta forma meu corpo em seu poder, me receberão como pagamento. Ora, o que me fazia desejar ir com eles; perdoai-me meu pai o que ouso dizer; era ter muitos cúmplices para o meu furor.

Disse-vos bastante meu pai, sofrei, suplico-vos, e ficarei por aqui; não me obrigueis a continuar a relatar aquilo que me cobre de tão estranha confusão. Pois Deus sabe que eu não poderia falar disso sem tremer, e parece-me que todas as minhas palavras são como manchas, que sujam a pureza do ar onde ecoam.” Zózimo respondeu-lhe, regando com suas lágrimas a terra: “Em nome de Deus, minha mãe, continuai e não omitais nada de uma tão difícil narrativa.” Ela continuou então:

“Aquele jovem foi-se indo com a resposta que eu lhe havia dado, e eu, jogando fora o fuso que trazia na mão e do qual de tempos em tempos servia-me para viver, corri na direção do mar como os outros, e vi em pé na margem nove ou dez jovens cujos rostos e porte agradaram demasiadamente à minha paixão desregrada. Haviam outros também que já tinham subido ao barco, e jogando-me no meio deles despudoradamente como de costume, disse-lhes: recebei-me convosco nesta viagem, e não serei cruel demais convosco. Ao que acrescentando outras palavras mais livres e piores que estas, fi-los rir a todos. Aquelas pessoas percebendo o meu descaramento, pegaram-me e levaram-me num pequeno barco e então começamos nossa navegação.

Ó servo de Deus, como poderia eu contar-vos o que aconteceu em seguida? Que língua pode proferir e que ouvidos escutar, aquilo que se passou naquele pequeno barco durante o caminho, e de que maneira eu incitava ao pecado, aqueles miseráveis que não queriam cometê-lo? Não há palavras que possam representar a imagem detestável, dos crimes em que eu me mostrava tão sábia, e que fiz, com que aqueles pobres miseráveis cometessem. Contentai-vos portanto, meu pai, com que vos diga que não me espantaria, que o mar pudesse sofrer pelas minhas iniquidades e que a terra se abrisse, para me fazer descer viva ao inferno, eu que fazia caírem tantas almas nas redes da morte. Mas Deus, que não deseja a perda de ninguém e que quer que todos sejam salvos, pedia com certeza que eu fizesse penitência; pois Ele não quer a morte do pecador, mas espera a sua conversão com paciência impar.

Fomos assim para Jerusalém e empreguei todos os dias que aí permaneci antes da festa, em ações tão detestáveis quanto as anteriores, e ainda piores, pois não me contentando com o mal que fazia no mar com aqueles jovens, fiz ainda perderem-se muitos outros, tanto da cidade quanto os de fora, aos quais eu solicitava tomarem parte de minhas impudências.

Capítulo 7

Continuação da narrativa da Santa, contendo a sua conversão milagrosa, acontecida no dia da Festa da Exaltação da Santa Cruz e, como ela foi à Igreja de São João Batista onde comungou.

Quando chegou a festa gloriosa da Exaltação da Cruz de Nosso Senhor, eu prosseguia como antes no desejo de perder as almas dos jovens e, tão logo o dia começou a despontar, vendo que todos corriam para a igreja, corri também como os outros, e fui com eles à praça que ficava diante do Templo. Na hora da cerimônia, esforçava-me para avançar. Enfim, com extrema dificuldade cheguei à porta da igreja, mas quando quis entrar como faziam todos os outros sem nenhuma dificuldade, era impedida por um poder divino que me repelia para fora, e assim miserável que estava, encontrei-me sozinha naquela praça diante da igreja. Imaginando que isso provinha de minha fraqueza, lancei-me de novo entre aqueles que acabavam de chegar, e esforçando-me com todo o meu poder para entrar com eles, trabalhava sempre inutilmente.

Tão logo eu tocava a soleira da porta, pela qual todos os outros entravam sem dificuldade, eu era a única rejeitada; e como se houvesse uma multidão de soldados que tivessem ordem de fechar-me a entrada da igreja, eu sentia de repente um poder escondido que fazia o mesmo efeito, e de novo encontrava-me na praça como antes.

Tendo acontecido assim três ou quatro vezes, e vendo que todos os meus esforços eram inúteis, desesperava-me para poder entrar, e não tendo mais quase força para sustentar-me, tanto que meu corpo havia sido imprensado, retirei-me para um canto daquela praça, onde comecei enfim a considerar, qual poderia ser a causa, que me impedia de ver aquele santo madeiro, sobre o qual um Deus morreu para dar a vida aos homens; e um pensamento salutar tendo-me sacudido o espírito e aberto os olhos de minha alma, julguei que a abominação de minha vida, era o que me fechava a entrada do templo. Então, inundada de lágrimas e bastante perturbada, dei socos no estômago, dei grandes suspiros do mais profundo do coração, e misturando meus gritos com soluços, percebi acima de mim uma imagem da Santa Mãe de Deus.

Dirigindo-me logo a ela e olhando-a fixamente eu disse-lhe: “Santa Virgem, que concebeste segundo a carne um Deus todo poderoso, sei que não parece que, estando eu imunda como estou por causa de tantos crimes, eu ousaria adorar a vossa imagem e lançar os olhos sobre vós, que sois uma Virgem muito pura e cuja alma assim como o corpo estão isentos de toda mancha; mas que ao contrário, é bastante justo que vossa incomparável pureza tenha horror de uma pessoa tão abominável quanto eu. Entretanto, já que aprendi que este Deus a quem foste digna de carregar em vosso seio, fez-Se homem para chamar os pecadores à penitência, suplico-vos que me assistais no abandono de socorro em que estou. Recebei a confissão que vos faço de meus enormes pecados, e permiti-me entrar na igreja, afim de que não seja tão infeliz, por ser privada da visão do madeiro precioso onde Deus-homem, que concebeste permanecendo virgem, foi pregado e derramou Seu sangue pela minha salvação. Ordenai, Rainha do Céu, ainda que eu seja indigna, que a porta me seja aberta para adorar a Divina Cruz, e dou-vos por caução o mesmo Jesus Cristo que deste ao mundo; que não me aconteça jamais no futuro cair nas detestáveis impurezas com a qual sujei meu corpo; corpo este, que deveria ter cuidado para conservá-lo casto, e tão logo tenha visto o santo madeiro onde vosso filho quis sofrer por nós, renunciarei ao mundo e a todas as coisas que vem dele, e partirei na mesma hora para ir ao lugar que vos aprouver levar-me, ó Virgem Santa, como minha caução e meu guia.”

Tendo concluído estas palavras e o ardor da fé, que já começava a sentir no coração dando-me algum consolo, e fazendo-me ter confiança na bondade tão terna e tão caridosa da Mãe de Deus, parti do lugar onde havia feito a minha oração, e misturando-me àqueles que iam à igreja, não encontrei mais nada que me repelisse nem que impedisse a minha entrada. Então, fui tomada por um tremor como transportada fora de mim; todas as coisas espantavam-me, e os obstáculos que antes encontrei haviam cessados, e aquele poder secreto que me repelia, parecia agora facilitar-me a entrada; cheguei sem nenhuma dificuldade até o coração da igreja, onde recebi a graça de adorar o precioso madeiro da Cruz gloriosa, que dá a vida aos homens.

Conhecendo assim, o incompreensível excesso da misericórdia de Deus, e como Ele está sempre pronto para receber os pecadores na penitência, joguei-me na terra e após haver beijado o santo chão da igreja, sai e corri para Aquela que havia me respondido. Tendo chegado ao lugar onde minha promessa estava escrita, ajoelhei-me diante da imagem da Santa Virgem e dirigi-Lhe a minha oração desta maneira: “Muito misericordiosa Mãe de Deus, fizestes-me ver os efeitos da vossa incomparável bondade, visto que não rejeitastes minha humilde súplica ainda que indigna de ser ouvida. Vi a glória que os maus são justamente privados de ver, a glória de Deus todo poderoso, que por vossa intercessão recebe a penitência dos pecadores. Mas, miserável que sou, que necessidade há de lembrar-me e de falar mais sobre meus crimes? É tempo, Virgem Sagrada, de realizar com vossa assistência aquilo que vos prometi. Envia-me então, onde vos aprouver, sede meu guia no caminho da minha salvação; instrui-me na verdade; e mostrai-me a via que conduz à penitência.” Falando assim, ouvi uma voz como de alguém que me chamava de muito longe: “Se passares o Jordão, encontrarás um feliz repouso.” Escutando estas palavras e acreditando que eram ditas para mim, gritei chorando e olhando a imagem da Virgem: “Rainha do Universo, por quem a salvação chegou aos homens, não me abandoneis, suplico-vos.” Depois destas palavras saí daquele lugar e fui-me com grande pressa. Alguém que me viu, deu-me três peças de dinheiro e disse-me: “Recebei isto.” Tomando-as comprei três pães para a viagem que ia empreender com a graça de Deus, e tendo pedido ao padeiro o caminho do Jordão, soube por ele, por qual porta da cidade deveria sair, e fui-me então correndo e chorando.

Empreguei assim o resto do dia fazendo sem cessar, reflexões sobre mim mesma. Ora, era por volta da terceira hora do dia, quando tive a felicidade de ver a Santa e Preciosa Cruz de Nosso Salvador; e o sol estando prestes a se pôr, percebi a Igreja de São João Batista, que assentava-se ao longo do Jordão. Fui logo para o rio e lavei as mãos e o rosto com aquela água santa, e voltei para a sua igreja onde recebi o precioso Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, que dá a vida às almas. Depois, tendo comido a metade de um dos meus pães e bebido a água do rio, descansei a noite na terra.

Capítulo 8

Continuação da narrativa da Santa, contendo a maneira pela qual ela cruzou o Jordão para ir ao deserto, onde permaneceu 47 anos. E de que modo viveu durante este tempo.

Tendo chegado a alvorada, passei para o outro lado do Jordão e lá pedia ainda à Santa Virgem como meu guia, que me conduzisse ao lugar que lhe agradasse; e cheguei assim nesta solidão onde desde aquele tempo até hoje afasto-me cada vez mais, o quanto posso, evitando o encontro com quem quer que seja, e esperando a vinda do meu Deus, que salva os pequenos e os grandes que a Ele se convertem.”

Então Zózimo lhe disse: “Minha mãe, há quantos anos estais nesta solidão!” Ela respondeu: “Segundo os cálculos que fiz, há 47 anos saí da Cidade Santa.” “E o que encontrastes desde então e o que podeis encontrar ainda todos os dias,” retorquiu Zózimo, “com que vos possais alimentar?” Ela replicou: “Quando cruzei o Jordão, tinha ainda dois pães e meio, que logo ressecaram e ficaram duros como pedras, e durante alguns anos comia um pouco de cada vez”: Zózimo lhe disse: “Pudestes passar assim tanto tempo sem sofrer muitas penas e sentir muitas perturbações em vosso espírito, por tão grande mudança?”

“Fazeis uma pergunta,” disse ela, “à qual não saberia responder, sem tremer pela lembrança de tantos perigos, que pela minha maldade fizeram agitar demais a minha alma; pois temo que relatando-os, eles me inquietem ainda.” “Dize-me, eu vos suplico, minha mãe”, respondeu-lhe Zózimo, “sem esquecer coisa alguma, pois tendo Deus querido que vós me conhecesseis, não deveis esconder-me nada.”

Então ela retomou a palavra: “É verdade, meu pai, que passei dezessete anos combatendo sempre contra desejos violentos, importunos e despropositados quando começava a comer; pois desejava carne, lamentava os peixes do Egito, e desejava muito vinho, do qual gostava tanto e que no mundo bebia em excesso ao ponto de perder a razão; no lugar onde me encontrava, então, sem haver uma gota d’água somente, o que acendia em minhas veias uma sede tão ardente, que me reduzia à extremidade. Também morria de vontade de cantar aquelas canções dissolutas, que são canções do diabo, que havia aprendido pela vida, e que voltando à memória enchiam meu espírito de perturbação; mas, de repente, começando a chorar e batendo-me no estômago, representava-me a promessa tão solene que havia feito, ao vir para esta solidão e em espírito punha-me diante da imagem da Santa Mãe de Deus que me tinha sob sua proteção, suplicava-lhe em lágrimas que afastasse de mim estes pensamentos que tanto afligiam a minha alma. Muito cheia de dor, depois de ter chorado extremamente e mortificado-me com golpes, via depois uma luz e meu espírito voltava à calma.”

“Perdoai-me, meu pai, se não vos posso contar em detalhes todos os pensamentos, que me agitavam ainda por levarem-me no desejo do pecado. Sentia-me queimar com um ardor infeliz, que me arrastava, como à força, no desejo de cometê-lo; mas quando estas tentações me perseguiam, prostrava-me contra a terra, regava-a com minhas lágrimas e acreditando ver verdadeiramente diante de meus olhos, Aquela que havia respondido por mim, parecia-me que ela me reprovava com ameaças o excesso de fúria que me agitava e que, cheia de cólera, me fazia ver quais seriam os castigos assustadores pela minha horrível infidelidade; e não me levantava nunca, senão depois que aquela luz tão doce e tão favorável me houvesse iluminado como antes e banido estas perturbações de meu espírito. Era assim que eu elevava incessantemente o meu coração para aquela Santa Virgem, que carregava em Seu seio o Autor da castidade, e que eu havia tomado como minha caução para com Deus, suplicando a Ela que me assistisse naquela solidão e em minha penitência; ao que Ela jamais faltou.”

“Eis aí meu pai, como passei estes dezessete anos em um combate perpétuo, contra tantas tentações e perigos. E, desde então, esta feliz Mãe de Deus que é todo o meu recurso e todo o meu auxílio nunca me abandonou, e serviu-me de guia em geral em todas as coisas.”

Então Zózimo disse-lhe: “De que vos alimentastes e vestistes?” Ela respondeu: “Aqueles pães como vos disse duraram dezessete anos; e depois disto vivi das ervas que encontrei no deserto. Quanto às roupas, as que tinha quando cruzei o Jordão tendo-se estragado completamente, sofri muitas penas; o ardor excessivo do verão queimando-me e os frios insuportáveis do inverno reduzindo-me a um tal estado, que traspassada e tremendo, caía frequentemente no chão e permanecia como morta sem poder me mexer, combatendo assim, contra tantas necessidades e tentações diversas. Mas, no meio destas penas, o poder de Deus, de mil diferentes maneiras, conservou até hoje o meu corpo e a minha alma; e repassando em meu espírito de que males o Senhor me livrou, alimento-me de uma carne que não me falta jamais, e estou saciada pela esperança que tenho de minha salvação. A palavra de Deus que contém todas as coisas, serve-me também de alimento e de abrigo. Pois o homem não vive do pão somente. E quando àqueles, que são despojados dos afetos do pecado, faltam vestes, encontram rochedos que os cubram.”

Capítulo 9

Conclusão do discurso da Santa e de Zózimo, a quem ela obriga a vir trazer-lhe em um ano, a Santa Eucaristia; e depois separar-se dele.

Zózimo, vendo que ela citava passagens das Santas Escrituras, tiradas dos livros de Moisés, de Jó, e dos Salmos, disse-lhe: “Minha mãe, aprendestes os Salmos e lestes outros livros das Sagradas Escrituras?” Ela respondeu sorrindo: “Asseguro-vos, que desde que passei o Jordão para vir a este deserto, não vi outro homem do mundo senão a vós, nem encontrei nenhuma besta selvagem, nem nenhum outro animal. Também não aprendi, nem nunca escutei alguém que cantasse os Salmos ou os lesse; mas a palavra de Deus que é viva e eficaz, penetrando fundo no espírito humano, o instrui e ensina-lhe de maneira bastante particular. Agora, tendo acabado de prestar-vos conta daquilo que me concerne, conjuro-vos pela Encarnação do Verbo Eterno, que oreis por mim, pois sabeis que tenho cometido muitos crimes.”

A estas palavras, o ancião pôs-se de joelhos e prostrou-se contra a terra dizendo em voz alta: “Bendito seja o Senhor, que sozinho, faz maravilhas inumeráveis, tão grandes, tão admiráveis e tão gloriosas, que enchem o espírito de espanto. Bendito sede vós, meu Deus, que me fizestes ver hoje quais são os favores, com os quais cumularás aqueles que vos temem. Ó Senhor, é bem verdade que não abandonais nunca as pessoas que vos procuram.” A Santa tomando-o pela mão não lhe permitiu continuar por mais tempo contra a terra, e disse, levantando-o: “Conjuro-vos por Jesus Cristo nosso Salvador não contar a quem quer que seja, as coisas que vos disse, até que Deus me tenha libertado da prisão de meu corpo; conservai sob o selo do segredo, e com a graça de Deus rever-me-eis ainda no ano que vem, na mesma época em que estamos. Peço-vos também em Seu nome para faltar com aquilo que vos pedi, que na próxima Quaresma não passeis o Jordão segundo o costume do mosteiro onde estais.” Zózimo assombrado de ver que ela sabia deste costume e que ela falava disso como uma pessoa informada a este respeito, clamava sem cessar: “Glória seja dada a Deus, que concede àqueles que o amam, muito mais do que eles Lhe pediram.”

Ela continuou assim: “Meu pai, não saiais, suplico-vos, durante este tempo do mosteiro, de onde, quando quiserdes não estará em vosso poder sair, e na noite da Santíssima Ceia de Nosso Senhor, trazei-me num vaso sagrado e digno de tão grande mistério, o divino corpo e sangue vivificante de nosso Salvador e esperai-me do lado do Jordão, que encontra os países habitados pelas gentes do mundo, a fim de que quando eu chegar, receba estes ricos presentes que dão a vida aos fiéis. Pois, desde que comunguei na igreja do bem-aventurado Precursor antes de passar o Jordão, nunca mais recebi este Santíssimo alimento; o que me faz conjurar-vos com tanta insistência a que não recuseis meu pedido, mas trazei-me, peço-vos, o Divino Sacramento que é a vida de nossas almas; à mesma hora que Nosso Senhor criando-Os com Seus discípulos, tornou-os partícipes. Dizei a João, abade do mosteiro onde permaneceis, que vele por si mesmo e por seu rebanho, porque passam-se coisas lá, que precisam de correção. Entretanto não desejo que lhe deis este aviso presentemente, mas quando Deus vô-lo ordenar.”

Tendo acabado de proferir estas palavras e pedido a bênção do santo ancião, foi-se rapidamente para o fundo do deserto.

Capítulo 10

Tendo passado um ano, Zózimo levou a Santa Eucarístia à Santa Maria do Egito, e ela comungou. Depois, ela pediu-lhe para voltar no ano seguinte ao mesmo lugar, onde ela pela primeira vez tinha falado com ele.

Zózimo jogando-se no chão beijou o rastro dos passos da Santa, e depois voltou glorificando a Deus e prestando-Lhe infinitas ações de graça. Passando pelo mesmo caminho que havia feito no deserto, ele voltou ao mosteiro no mesmo tempo que os outros, e permaneceu todo o ano seguinte no silêncio, não ousando falar daquilo que havia visto; mas orava a Deus que lhe permitisse ver ainda aquela pessoa, por quem tinha tanto respeito e tanta admiração, e o tempo custava tanto a passar, que ele suspirava pensando no quanto este ano era longo.

Quando chegou a época do Santo Jejum e os outros Solitários depois da oração costumeira, saíram no primeiro Domingo da Quaresma cantando os Salmos, ele foi impossibilitado de ir, por uma febre que o obrigou a permanecer no mosteiro. Então lembrou-se do que a Santa lhe havia dito, que mesmo que quisesse, ele não poderia sair de lá, e alguns dias mais tarde foi aliviado de sua indisposição. Voltando os Solitários, ele realizou o que lhe havia sido ordenado, colocando em um pequeno cálice o Corpo e Precioso Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e levou também dentro de uma cesta de vime alguns figos, damascos e lentilhas embebidos em água. Depois chegando a noite, sentou-se à beira do Jordão para esperar a Santa, não se deixando adormecer, pois que ela tardava a chegar; mas olhava atentamente para o lado do deserto à espera do que desejava tanto ver, e dizia: “Não teria ela vindo, e não tendo-me encontrado, teria retornado, então?” Acompanhava suas palavras com lágrimas, e erguendo os olhos para o céu com ardor, fazia esta oração: “Meu Deus, não me recuseis ver ainda aquela que já me concedestes o favor de vê-la; mas temo, que os meus pecados me tornem indigno de receber esta graça.”

Assim orando e chorando, ocorreu-lhe um outro pensamento, e dizia consigo: “Mas se ela vier, o que fará? Como passará o Jordão para vir a mim pobre pecador, já que não há aqui nenhum barco? Ai! Infeliz que sou, quem me terá feito perder a felicidade, que eu tinha tanto motivo para esperar?” Estando o ancião assim, a Santa chegou e ficou do outro lado do rio. Zózimo, ao vê-La, levantou-se, e transportado pela alegria dava graças a Deus. Mas como ele estava sempre em extrema inquietação de como ela poderia passar o Jordão, ele a viu fazer o Sinal da Cruz sobre o rio (pois a lua estava então cheia e seus raios tornavam a noite extremamente clara) e em seguida caminhar sobre as águas como se estivesse em terra firme, o que o espantou de tal maneira que quis ajoelhar-se, mas ela impediu-o gritando: “Que fazeis, meu pai? Não vos lembrais de que sois padre de Deus e que levais os Divinos Mistérios?” Ele obedeceu a estas palavras, e ela, após ter passado o rio, disse-lhe: “Meu pai, dai-me a vossa bênção.” Ao que ele respondeu ainda sob a impressão extrema que lhe havia causado tamanho milagre: “Em verdade Deus é bastante fiel, quando promete tornar semelhante a Ele, aqueles que se purificam com tanto zelo pelo Seu amor. Meu Deus e meu Mestre, sede glorificado para sempre, por aquilo que me fizestes ver na pessoa de vossa serva, o quanto estou longe da verdadeira perfeição.” Ela pediu-lhe em seguida que recitasse o Símbolo e começasse a Oração Dominical. Quando terminou, segundo o costume, a Santa deu ao ancião o beijo da paz e depois recebendo o Santíssimo Sacramento estendeu as mãos para o Céu, e misturando seus suspiros às suas lágrimas, proferiu em voz alta: “Senhor, permiti agora à vossa serva, segundo a vossa Divina Palavra, partir em paz, pois meus olhos viram o meu Salvador,” e voltando-se para o ancião disse-lhe: “Perdoai-me, meu pai, o mal que vos causei, e concedei-me ainda este outro pedido: voltai agora sob a condução de Deus para vosso mosteiro, e quando o tempo estiver terminado, ide à torrente, onde vos falei pela primeira vez; mas, em nome de Deus, não falteis, e ver-me-eis então da forma que Ele quiser.” O ancião respondeu-lhe: “Aprouve a Deus que estivesse em meu poder seguir-vos e gozar da felicidade da vossa presença. Mas, suplico-vos, minha mãe, não recuseis um pequeno pedido que tenho para vos fazer: que queirais comer alguma coisa, daquilo que vos trouxe.” Então ela tomou somente 3 grãos de lentilha, os colocou na boca dizendo, que a graça do Espírito Santo era suficiente para conservar a alma na pureza, e acrescentou dirigindo-se ao ancião: “Rogo-vos, meu pai, em nome de Deus, orai por mim e não esqueçais nunca as minhas misérias.” Zózimo beijando seus pés santos, conjurou-a a rezar pela Igreja, pelo Império e por ele. E chorando e suspirando, deixou-a partir, pois não ousava retê-la mais e mesmo que quisesse não teria conseguido.

Capítulo 11

Zózimo indo ao lugar onde a Santa lhe havia indicado, encontra-a morta e a enterra. Conclusão de todo este discurso

A Santa fez ainda o Sinal da Cruz sobre o Jordão e depois caminhando sobre as águas, atravessou-o da mesma forma que havia feito ao vir, e Zózimo voltou cheio de alegria e espanto, e com pena, por não ter-lhe perguntado seu nome. Mas esperava consertar este erro no ano seguinte. E quando este ano foi concluído e os costumes ordinários do mosteiro tendo sido observados, ele voltou ao deserto que está para além do Jordão, e caminhava com muita pressa pelo desejo de gozar da felicidade de rever aquela gloriosa Santa. Mas, avançando naquela imensa solidão, e olhando e procurando de todos os lados encontrar alguma marca, que o conduzisse ao lugar onde desejava com tanto ardor chegar; como fazem os caçadores para encontrar os animais que querem caçar; enfim não vendo nenhum vestígio, encharcou de lágrimas o seu rosto e disse erguendo os olhos para o céu: “Muito humildemente eu vos suplico, meu Deus, ver este Anjo em corpo mortal, ao qual o mundo inteiro não é digno de ser comparado.”

Tendo terminado esta oração, chegou à torrente; e como todo o alto deste lugar, estava iluminado pelos raios do sol, ele percebeu na terra o corpo morto da Santa, cujo rosto estava voltado para o oriente e as mãos cruzadas. Correu logo para lá, lavou seus pés com suas lágrimas sem ousar tocar nenhuma parte de seu corpo. Tendo em seguida cantado os Salmos e recitado as orações costumeiras em ocasiões semelhantes, disse consigo: “É possível que a Santa não se agradasse daquilo que faço.” Como estava nestes pensamentos, viu estas palavras escritas na terra: “Meu pai Zózimo, enterrai o corpo da miserável Maria, devolvei a terra o que é da terra, pó ao pó. Em nome de Deus, orai por mim, neste décimo dia de Abril, na véspera da Paixão de Jesus Cristo Nosso Salvador e após ter sido tornada partícipe de Seu Santíssimo e Divino Corpo.”

Tendo lido estas palavras, o ancião pensava consigo quem poderia tê-las escrito, visto que a Santa havia-lhe dito que ela não sabia escrever, e tivera uma extrema alegria por desta maneira ter sabido o seu nome. Ele soube desta forma, que no instante em que ela recebera o Santo Sacramento à beira do Jordão, viera para aquele lugar e passara ao Céu; e que assim ela havia feito em um momento, o mesmo caminho em que ela havia empregado 20 dias inteiros caminhando sem parar. Este bom ancião tendo prestado infinitas ações de graças a Deus e encharcado com seu pranto o corpo da Santa, pôs-se a dizer: “É tempo, Zózimo, de executar o que te foi ordenado. Mas infelizmente como farei, pois não tenho como cavar a terra, nem pá nem coisa alguma.” Enquanto falava ao acaso, viu um pequeno pedaço de madeira e tomou-o, e começou a tentar abrir a terra; mas era tão dura, e ele tão extremamente fraco por conta de seus jejuns e com o caminho tão longo, que foi-lhe de todo impossível. Então, encharcado de suor do esforço que havia feito inutilmente, deu profundos suspiros, e levantando os olhos percebeu junto ao corpo da Santa um enorme leão, que lhe lambia os pés, o que o encheu primeiramente de um maravilhoso pavor e principalmente porque a Santa lhe havia dito, não ter jamais visto nenhum animal selvagem naquele deserto. Mas assegurou-se pelo Sinal da Cruz e pela fé, que aquele santo corpo poderia protegê-lo de todo o perigo. E o Leão começou a fazer-lhe carícias como para saudá-lo. Então Zózimo disse-lhe: “Rei dos animais, já que Deus enviou-te aqui, a fim de que o corpo de Sua serva não permaneça insepulto, cumpre o teu encargo, dando-me os meios de colocá-lo na terra; pois além de minha velhice que me tira a força de cavar, não há nada aqui que seja apropriado, e eu não poderia depois fazer um tão longo caminho como o que já fiz; mas visto que recebeste ordens de Deus para isso, usa tuas unhas nesta obra.”

Obedecendo ao ancião, o leão cavou de súbito uma fossa suficiente, e Zózimo depois de regar com suas lágrimas os pés da Santa, e com muitas orações, implorando sua assistência para todo o mundo e particularmente por ele; cobriu o corpo de terra, deixando-o como o havia encontrado; coberto somente uma parte, por aquele velho casaco rasgado, que havia jogado para a Santa dois anos antes. Enquanto isso, o leão permaneceu firme, e quando o oficio de piedade acabou, retiraram-se os dois ao mesmo tempo. Este soberbo animal e uma doce ovelha foram-se para o fundo do deserto, e Zózimo voltou bendizendo a Deus e cantando um Cântico de louvor a Jesus Cristo Nosso Salvador.

Quando voltou ao mosteiro, contou-lhes desde o começo o que lhe havia acontecido, sem nada esconder-lhes do que vira ou escutara, para que aprendendo os efeitos milagrosos da Onipotência de Deus, fossem cheios de admiração e que assim celebrassem com temor e com amor; o dia da bem aventurada passagem daquela gloriosa Santa, por cuja opinião o abade João percebeu, que alguns de meus irmãos precisavam de correção e converteu-os pela assistência da misericórdia de Deus. Quanto a Zózimo, depois de ter vivido até a idade de 100 anos naquele mosteiro, foi-se em paz gozar da Presença de Deus pela Graça de Jesus Cristo, ao qual com Seu Pai e o adorável Espírito Santo vivificador das almas, a honra, o poder e a glória pertencem pelos séculos dos séculos. Amém.

Folheto Missionário número PA19b

Copyright © 2001Holy Trinity Orthodox Mission

466 Foothill Blvd, Box 397, La Canada, Ca 91011

Editor: Bishop Alexander (Mileant)

 





A vida de nossa Santa Mãe Maria do Egito – PARTE I

20 09 2013

(De O Grande Canon, a obra de Santo André de Creta, Mosteiro da Santíssima Trindade, Jordanville, NY, EUA)

 

São Zózimo

São Zózimo

“É bom para esconder o segredo de um rei, mas é glorioso revelar e pregar as obras de Deus” (Tobias 12:07) Então disse o Arcanjo Rafael a Tobias, quando ele executou a maravilhosa cura de sua cegueira. Na verdade, não para manter o segredo de um rei é perigosa e um risco terrível, mas para ficar em silêncio sobre as obras de Deus é uma grande perda para a alma. E eu (diz São Saphronius), por escrito, a vida de Santa Maria do Egito, tenho medo de esconder as obras de Deus pelo silêncio.Lembrando-se do infortúnio ameaçou o servo que escondeu o seu talento dado por Deus na terra (Mat. 25,18-25), eu sou obrigado a passar a conta santo que chegou a mim. E que ninguém pense (continua St. Saphronius) que eu tive a audácia de escrever inverdades ou duvidar esta grande maravilha – que eu nunca mentir sobre coisas santas! Se não fizer acontecer para ser pessoas que, depois de ler este registro, não acredito, que o Senhor tenha misericórdia deles, porque, refletindo sobre a fraqueza da natureza humana, eles consideram impossíveis essas coisas maravilhosas realizadas por pessoas santas. Mas agora temos de começar a contar essa história mais incrível, que teve lugar em nossa geração.

Havia um certo ancião em um dos mosteiros da Palestina, um sacerdote da vida santa e fala, que desde a infância tinha sido criado de forma monásticas e costumes. O nome deste ancião foi Zózimo. Ele tinha sido através de todo o curso da vida ascética e em tudo o que ele aderiu à regra, uma vez dada a ele por seus tutores no que diz respeito aos trabalhos espirituais. Ele também adicionou um bom negócio próprio, enquanto trabalhava para submeter a sua carne à vontade do espírito. E ele não falhou em seu objetivo. Ele era tão conhecido pela sua vida espiritual, que muitos vieram a ele de mosteiros vizinhos e alguns até mesmo de longe. Ao fazer tudo isso, ele nunca deixou de estudar as Escrituras Divinas. Quer seja para descansar, em pé, trabalhando ou comendo alimentos (se os restos Ele mordiscou poderia ser chamado de alimento), ele incessantemente e constantemente tinha um único objetivo: sempre a cantar de Deus e praticar o ensino das Escrituras Divinas. Zózimo usados ​​para relatar como, logo que ele foi retirado do seio de sua mãe, ele foi entregue ao mosteiro, onde ele passou a sua formação como um asceta, até que ele atingiu a idade de 53. Depois disso, ele começou a ser atormentado com o pensamento de que ele era perfeito em tudo e não precisava de instruções de ninguém, dizendo a si mesmo mentalmente: “Existe um monge na terra que possa ser de utilidade para mim e me mostrar uma espécie de ascetismo que eu não tenha feito? Existe um homem ser encontrado no deserto que tenha me superado? “

Assim pensou o ancião, quando de repente um anjo apareceu a ele e disse: “. Zózimo, você lutou bravamente, na medida em que este se encontra dentro do poder do homem, e valentemente você foi através do curso ascético Mas não há nenhum homem que tenha atingido a perfeição. Antes de deitar lutas desconhecidos maiores do que os que você já realizou. Que você pode saber quantos outros caminhos levam à salvação, deixe sua terra natal como o famoso patriarca Abraão e ir para o mosteiro pelo rio Jordão “.

Zózimo fez como lhe foi dito. Ele deixou o mosteiro, em que ele viveu, desde a infância, e foi para o Rio Jordão. Por fim, ele chegou à comunidade para que Deus lhe havia enviado.Depois de ter batido na porta do mosteiro, disse o monge que foi o porteiro quem ele era, eo porteiro disse o abade. Ao ser admitido à presença do abade, Zózimo fez a prostração monástica habitual e oração. Vendo que ele era um monge, o abade perguntou:

“De onde você vem, meu irmão, e por que você veio para nós, pobres velhos?”

Zózimo respondeu: “Não há necessidade de falar sobre de onde eu vim, mas eu vim, o pai, em busca de lucro espiritual, pois ouvi grandes coisas sobre a sua habilidade em conduzir as almas para Deus.”

“Irmão”, o abade disse-lhe: “Só Deus pode curar a enfermidade da alma. Que Ele te ensinar e nos Seus caminhos divinos e nos guiar. Mas como é o amor de Cristo que passou a visitar-nos pobres velhos, então fique com a gente, se é por isso que você veio. Que o Bom Pastor, que deu a sua vida pela nossa salvação encher-nos a todos com a graça do Espírito Santo “.

Depois disso, Zózimo se inclinou para o abade, pediu suas orações e bênção, e ficou no mosteiro. Lá, ele viu anciãos proficiente em ação ea contemplação de Deus, em chamas, em espírito, trabalhando para o Senhor. Eles cantavam incessantemente, eles permaneceram em oração durante toda a noite, o trabalho sempre foi em suas mãos e salmos em seus lábios. Nunca houve uma palavra ociosa foi ouvida entre eles, eles não sabiam nada sobre a aquisição de bens temporais ou dos cuidados da vida. Mas eles tinham um desejo – a tornar-se no corpo como cadáveres. Seu alimento constante era a Palavra de Deus, e seus corpos sustentado a pão e água, tanto quanto o seu amor por Deus permitiu que eles. Vendo isso, Zózimo foi muito edificados e preparado para a luta que estava diante dele.

Muitos dias se passaram eo tempo se aproximava, quando todos os cristãos rápido e preparar-se para adorar a Divina Paixão e Ressurreição de Cristo. Os portões do mosteiro foram mantidos sempre bloqueado e só abriu quando um da comunidade foi enviado para fora em alguma missão. Era um lugar deserto, não só não visitado por pessoas do mundo, mas ainda desconhecido para eles.

Havia uma regra no mosteiro que foi a razão pela qual Deus trouxe Zózimo lá. No início do Grande Jejum [sobre Perdão domingo], o sacerdote celebrou a santa Liturgia e todos comeram do santo corpo e sangue de Cristo. Após a Liturgia eles foram para o refeitório e iria comer um pouco de comida quaresmal.

Em seguida, todos se reuniram na igreja, e depois de orar fervorosamente com prostrações, os anciãos beijou outro e pediu perdão. E cada um fez a prostração ao abade e pediu a sua bênção e orações para a luta que estava diante deles. Depois disso, os portões do mosteiro foram abertas, e cantando: “O Senhor é a minha luz ea minha salvação, a quem temerei O Senhor é o defensor da minha vida;? De quem terei medo?” (Salmo 26:1) eo resto do salmo, todos foram para o deserto e cruzou o rio Jordão. Apenas um ou dois irmãos foram deixados no mosteiro, não para proteger a propriedade (pois não havia nada para roubar), mas de modo a não deixar a igreja sem serviço divino. Cada um levou com ele tanto quanto ele podia ou queria, em forma de alimentos, de acordo com as necessidades de seu corpo: um tomaria um pouco de pão, outro alguns figos, outras datas ou trigo de molho em água. E alguns não levou nada, mas seu próprio corpo coberto de trapos e alimentado quando a natureza obrigou a ele sobre as plantas que cresciam no deserto.

Depois de atravessar o Jordão, todos se espalharam por toda parte em diferentes direções. E esta foi a regra de vida que eles tinham, e que todos eles observado – nem para falar uns com os outros, nem para saber como cada um viveu e jejuou. Se eles fizeram acontecer a avistar um do outro, eles foram para outra parte do país, vive sozinho e sempre cantando a Deus, e em um determinado momento de comer uma quantidade muito pequena de comida. Dessa forma, eles gastaram todo o rápido e usado para retornar ao mosteiro uma semana antes da ressurreição de Cristo, no Domingo de Ramos. Cada um voltou com sua própria consciência como testemunha de seu trabalho, e ninguém perguntou a outro como ele passou seu tempo no deserto. Tais eram as regras do mosteiro. Cada um deles, enquanto no deserto lutou consigo mesmo perante o Juiz da luta – Deus – não procurando agradar a homens e rápido diante dos olhos de todos. Para o que é feito para o bem dos homens, para ganhar louvor e honra, não é só inútil aquele que faz isso, mas às vezes a causa de grande castigo.

Zózimo fez o mesmo que todos os outros. E ele foi muito, muito para o deserto com a secreta esperança de encontrar algum pai que poderia estar vivendo lá e que pode ser capaz de satisfazer sua sede e saudade. E ele vagou em incansável, como se estivesse correndo em algum lugar definido. Ele já tinha caminhado durante 20 dias, e quando a sexta hora chegou, ele parou e, voltando-se para o Oriente, começou a cantar a hora sexta, e recitar as orações habituais. Ele costumava quebrar sua jornada assim em horários fixos do dia para descansar um pouco, para cantar salmos de pé, e orar sobre os joelhos dobrados.

E enquanto ele cantava assim sem virar os olhos do céu, de repente ele viu à direita da colina sobre a qual ele estava a aparência de um corpo humano. No começo, ele estava confuso pensando que ele teve uma visão do diabo, e até começou com medo. Mas, depois de ter se guardado com ele sinal da cruz e banido todo o medo, ele voltou seu olhar nessa direção e, na verdade, viu alguma forma deslizando em direção ao sul. Ele estava nu, a pele escura, como se queimado pelo calor do sol, o cabelo em sua cabeça era branco como a lã, e não muito tempo, caindo logo abaixo do pescoço. Zózimo foi tão feliz em contemplar uma forma humana que ele correu atrás em perseguição, mas a forma fugiu dele. Ele seguiu. Finalmente, quando ele estava perto o suficiente para ser ouvido, ele gritou:

“Por que você corre de um homem velho e pecador? Escravo do Verdadeiro Deus, espere por mim, quem quer que seja, em nome de Deus, eu vos digo, pelo amor de Deus para o bem de quem você está vivendo no deserto.”

“Perdoe-me pelo amor de Deus, mas não posso virar para você e mostrar-lhe o meu rosto, Abba Zózimo. Porque eu sou uma mulher e nu como se vê a vergonha descoberta do meu corpo. Mas se você gostaria de realizar um desejo de uma mulher pecadora, jogue-me seu manto para que eu possa cobrir o meu corpo e pode voltar-se para você e pedir sua bênção “.

Aqui terror apreendidos Zózimo, pois ele soube que ela o chamou pelo nome. Mas ele percebeu que ela não poderia ter feito isso sem saber nada dele, se ela não tivesse tido o poder de discernimento espiritual.

Ele imediatamente fez o que lhe foi perguntado. Ele tirou o velho, manto esfarrapado e jogou para ela, afastando-se enquanto o fazia. ela o pegou e foi capaz de cobrir pelo menos uma parte de seu corpo. A ela se voltou para Zózimo e disse:

“Por que você quiser, Abba Zózimo, ver uma mulher pecadora O que você gostaria de ouvir ou saber de mim, vocês que não têm diminuído a partir de tais grandes lutas?”

Zózimo atirou-se no chão e pediu a sua bênção. Ela também prostrou-se diante dele. E assim eles estavam no chão prostrado pedindo a bênção de outro. E uma palavra só poderia ser ouvido de ambos: “Abençoa-me!” Depois de um longo tempo a mulher disse a Zózimo:

“Abba Zózimo, é você quem deve dar a bênção e rezar. Você está dignificado por ordem do sacerdócio e para maio anos você tem sido em pé diante do altar sagrado e oferecendo o sacrifício dos Mistérios Divinos”.

Este Zózimo atirou em ainda maior terror. Por fim, com lágrimas, disse-lhe: “Ó mãe, cheio de espírito que ele, pelo seu modo de vida, é evidente que você vive com Deus e morreram para o mundo A graça concedida é aparente – para você ter ligado. me pelo nome e reconheceu que eu sou um padre, apesar de você nunca ter me visto antes. Graça é reconhecido não por um de ordens, mas por dons do Espírito, então me dê sua bênção, pelo amor de Deus, eu preciso de suas orações. “

Em seguida, dando lugar antes o desejo do mais velho, a mulher disse: “Bendito é Deus que se preocupa com a salvação dos homens e suas almas.”

Zózimo respondeu: “Amém”.s_maria_egipcia

E ambos se levantaram. Em seguida, a mulher perguntou o ancião: “Por que você veio, homem de Deus, para mim, que sou tão pecador Por que você gostaria de ver uma mulher nua e desprovida de todas as virtudes Embora eu saiba uma coisa – a Graça do Espírito? Espírito trouxe-o para me prestar um serviço a tempo. Diga-me, pai, como é que o povo cristão viver? E os reis? Como é a Igreja guiada? “

Zózimo disse:. “Por suas orações, mãe, Cristo concedeu uma paz duradoura a todos, mas cumprir a petição indigno de um homem velho e rezar para o mundo inteiro e para mim que sou um pecador, de modo que minhas andanças no deserto não pode ser infrutífera. “

Ela respondeu: “Você que é um padre, Abba Zózimo, é você quem deve orar por mim e por todos – porque esta é a sua vocação Mas, como todos nós devemos ser obedientes, terei prazer em fazer o que você pedir.”.

E com estas palavras, ela virou-se para o Oriente, e erguendo os olhos ao céu e estendendo suas mãos, ela começou a orar em um sussurro. Não se podia ouvir as palavras separadas, de modo que Zózimo não conseguia entender nada do que ela disse em suas orações. Enquanto isso, ele levantou-se, de acordo com a sua própria palavra, tudo em uma vibração, olhando para o chão, sem dizer uma palavra. E ele jurou, chamando Deus para testemunhar que, quando finalmente ele achou que sua oração era muito longa, ele tirou os olhos do chão e viu que ela foi criada ataque a distância de um braço do chão e pôs-se a rezar no ar. Quando viu isso, ainda maior terror se apoderou dele e ele caiu no chão, chorando e repetindo maio times “Senhor, tem piedade.”

E enquanto prostrado no chão, ele foi tentado por um pensamento: não é um espírito, e não é a sua oração, talvez, uma hipocrisia. Mas no mesmo momento em que a mulher virou-se, levantou o velho do chão e disse:? “Por que pensamentos confundi-lo, Abba, e tentá-lo de mim, como se eu fosse um espírito e um dissember em oração Saiba, santo pai, que eu sou apenas uma mulher pecadora, embora eu esteja guardado pelo batismo Santo. e eu não sou espírito, mas terra e cinzas, e carne sozinho. “

E com estas palavras que ela guardava-se com o sinal da cruz em sua testa, olhos, boca e peito, dizendo: “Que Deus nos defender do mal e de seus projetos, pois feroz é sua luta contra nós.”

Ouvindo e vendo isso, o ancião caiu no chão e, abraçando seus pés, ele disse com lágrimas: “Eu te peço, pelo nome de Cristo, nosso Deus, que nasceu de uma virgem, para o bem de quem você tirou a si mesmo, por cuja causa de ter esgotado a sua carne, não se esconda de seu escravo quem você é e de onde e como você veio a este deserto Conte-me tudo para que as obras maravilhosas de Deus pode tornar-se conhecido A sabedoria oculta e um tesouro secreto.. – Que proveito há neles? Conte-me tudo, eu te imploro, por não por vaidade ou por auto-exibição que você vai falar, mas para revelar a verdade para mim, um pecador indigno. Creio em Deus, para quem você vive e a quem você serve. Acredito que Ele me conduziu a este deserto, a fim de me mostrar seus caminhos no que diz respeito a você. Ele não está em nosso poder para resistir aos planos de Deus. Se não fosse a vontade de Deus que você e você vida r seria conhecido, Ele não teria me permitiu vê-lo e não teria me fortalecido para realizar esta jornada – Eu, que nunca se atreveu a deixar o meu celular “.

Muito mais do que Abba Zózimo dizer. Mas a mulher levantou-o e disse: “Tenho vergonha, Abba, para falar-lhe da minha vida desgraçada, perdoa-me pelo amor de Deus, mas como você já viu o meu corpo nu eu também desnudar antes de meu trabalho, então que você pode saber com o que vergonha e obscenidade minha alma está cheia eu não estava fugindo de vaidade, como você pensou, por que tenho eu do que se orgulhar -.? I, que foi o instrumento escolhido pelo diabo Mas quando eu começar a minha história você vai correr de mim, a partir de uma cobra, para os seus ouvidos não será capaz de suportar a vileza de meus atos. Mas vou dizer-lhe tudo, sem esconder nada, apenas implorando-lhe, antes de tudo rezar incessantemente para me , para que eu possa encontrar misericórdia no dia do Juízo. “

O ancião chorou ea mulher começou a sua história:

“Minha terra natal, pai de santo, foi o Egito. Já durante a vida de meus pais, quando eu tinha doze anos de idade, renunciou o seu amor e foi para Alexandria. Tenho vergonha de lembrar como, quando houver, eu em primeiro lugar arruinou a minha virgindade e depois desenfreadamente e insaciavelmente me entreguei à sensualidade É mais a tornar-se a falar desta brevemente, de modo que você pode apenas saber a minha paixão e minha luxúria;. durante cerca de 17 anos, me perdoe, eu vivia como que eu era. . fogo de deboche público E não foi por causa do ganho – aqui eu falo a verdade pura Muitas vezes, quando eles queriam me pagar, eu recusei o dinheiro que agiram desta maneira, de modo a fazer tantos homens quanto possível.. para tentar obter de mim, fazendo de graça o que me dava prazer. Você não acha que eu era rico e que era a razão de eu não ter dinheiro. vivia de esmolas, muitas vezes por fiar o linho, mas eu tinha um desejo insaciável e uma paixão irreprimível por mentir em imundície. Esta era a vida para mim. Todo tipo de abuso da natureza I considerado vida.

É assim que eu vivia. Então, um verão Eu vi uma grande multidão de Lybians e egípcios correndo em direção ao mar. Perguntei a um deles: ‘Onde estão esses homens correndo para? Ele respondeu: ‘Eles são todos que vão a Jerusalém para a Exaltação da Santa Cruz Preciosa e vivificante, que acontece em poucos dias. ” Eu disse a ele: ‘Será que vão me levar com eles, se eu gostaria de ir? ” ‘Ninguém vai impedi-lo se você tiver dinheiro para pagar a viagem e para a alimentação. ” E eu disse-lhe: Para dizer a verdade, eu não tenho dinheiro, não tenho comida. Mas eu irei com eles e deve ir a bordo. E eles me alimentar, se querem ou não. Eu tenho um corpo – devem levá-lo ao invés de pagar a viagem. De repente eu estava cheia de vontade de ir, Abba, para ter mais amantes que poderia satisfazer a minha paixão. Eu te disse, Abba Zózimo, para não forçar-me a dizer-lhe da minha desgraça. Deus é minha testemunha, eu estou com medo de você e contaminando o ar com as minhas palavras. “

Zózimo, chorando, respondeu-lhe: “Falar em pelo amor de Deus, mãe, fala e não quebrar o fio de um conto tão edificante.”

E, retomando sua história, ela continuou: “Essa juventude, ao ouvir minhas palavras desavergonhadas, riu e saiu, enquanto eu, jogando fora minha roda de giro, correu em direção ao mar na direção que todos pareciam estar tomando E. vendo alguns jovens que estão na costa, a cerca de dez ou mais deles, cheio de vigor e de alerta em seus movimentos, eu decidi que iria fazer para o meu propósito (parecia que alguns deles estavam esperando por mais viajantes, enquanto outros tinham ido em terra) Shamelessly, como de costume, eu misturei com a multidão, dizendo: Leve-me com você para o lugar que você está indo;. você não vai me encontrar supérfluo. Eu também acrescentou mais algumas palavras chamando o riso diante geral. Vendo a minha disposição de ser sem-vergonha, que prontamente me levou a bordo do barco. Aqueles que eram esperados vieram também, e partimos de uma só vez.

Como devo relacionar com você o que aconteceu depois disso? Cuja língua pode dizer, cujos ouvidos pode tomar em tudo o que aconteceu no barco durante essa viagem! E tudo isso eu freqüentemente forçado os jovens miseráveis, mesmo contra sua própria vontade. Não há depravação mentionable ou inominável de que eu não era seu professor. Estou espantado, Abba, como o mar estava nossa licenciosidade, como a terra não abriu suas mandíbulas, e como era de que o inferno não me engolir vivo, quando eu tinha enredado na minha net tantas almas. Mas eu acho que Deus estava buscando o meu arrependimento. Para Ele não deseja a morte do pecador, mas magnanimamente espera seu retorno a ele. Finalmente chegamos em Jerusalém. Passei os dias antes do festival na cidade, vivendo o mesmo tipo de vida, e talvez ainda pior. Eu não estava contente com os jovens que tinha seduzido no mar e que tinha ajudado a ser o de obter a Jerusalém, muitos outros – os cidadãos da cidade e estrangeiros – Eu também seduziu.

O santo dia da Exaltação da Cruz amanheceu, enquanto eu ainda estava voando sobre – a caça de jovens. Ao amanhecer, vi que todo mundo estava correndo para a igreja, então eu corri com o resto. Quando a hora para a elevação santo se aproximou, eu estava tentando fazer o meu caminho com a multidão que estava lutando para atravessar as portas da igreja. Eu finalmente apertou através de grande dificuldade quase à entrada do templo, a partir do qual a árvore vivificante da Cruz estava sendo mostrado para as pessoas. Mas quando eu pisar na soleira da porta, que todos passaram, eu fui parado por uma força que impediu entrando. Enquanto isso, foi posto de lado pela multidão e me vi sozinha na varanda. Pensando que isso tinha acontecido por causa da fraqueza da minha mulher, eu novamente comecei a trabalhar o meu caminho no meio da multidão, tentando cotovelo me para a frente. Mas em vão eu lutava. Mais uma vez os meus pés pisaram na soleira da porta sobre a qual os outros estavam entrando na igreja sem encontrar qualquer obstáculo. Só eu parecia permanecer inaceitável pela igreja. Era como se houvesse um destacamento de soldados que estavam ali para se opor a minha entrada. Mais uma vez eu estava excluída pela mesma força poderosa e mais uma vez eu estava na varanda.

Depois de repetir a minha tentativa de três ou quatro vezes, a última vez que eu me sentia exausta e não tinha mais força para empurrar e ser empurrado, então eu fui para o lado e pôs-se num canto da varanda. E só então, com grande dificuldade, começou a nascer em mim, e eu comecei a entender a razão pela qual eu estava impedido de ser admitido a ver a Cruz vivificante. A palavra da salvação gentilmente tocou os olhos do meu coração e me revelou que era a minha vida impura que impedia a entrada para mim. Comecei a chorar e lamentar e bater meu peito, e suspirar das profundezas do meu coração. E então eu estava chorando quando eu vi acima de mim o ícone da Santíssima Mãe de Deus. E voltando-se para ela o meu corpo e os olhos espirituais eu disse:

Ó Senhora, Mãe de Deus, que deu à luz na carne a Deus, a Palavra, eu sei, ó quão bem eu sei, que não é honra ou louvor a ti, quando alguém tão impura e depravada como eu olho para a tua ícone , ó sempre Virgem, que fizeste manter teu corpo e alma na pureza. Justamente eu inspirar ódio e nojo diante da tua pureza virginal. Mas eu ouvi dizer que Deus, que nasceu de ti tornou-se homem de propósito para chamar os pecadores ao arrependimento. Então me ajude, pois não tenho outro tipo de ajuda. Ordenar a entrada da igreja para ser aberto para mim. Permitam-me a ver a árvore venerável em que Aquele que nasceu de ti sofreu na carne e no qual Ele derramou o Seu santo Sangue para a redenção dos pecadores e para mim, indigno como sou. Seja minha testemunha fiel perante o teu filho que eu nunca mais vai contaminar o meu corpo, a impureza da fornicação, mas assim que eu vi a árvore da Cruz vou renunciar ao mundo e suas tentações e vai onde quer que tu queres me levar. ‘

Assim falei, e como se adquirir alguma esperança na fé firme e sentindo alguma confiança na misericórdia da Mãe de Deus, deixei o lugar onde eu estava rezando. E eu fui novamente e se misturaram com a multidão que estava empurrando o seu caminho para o templo. E ninguém parecia me impedir, ninguém impediu a minha entrada na igreja. Eu estava possuído com tremor, e estava quase em delírio. Tendo chegado tão longe como as portas que eu não poderia chegar antes – como se a mesma força que tinha me prejudicado agora abriu caminho para mim – eu agora entrou sem dificuldade e me encontrei dentro do local sagrado. E foi assim que eu vi a Cruz vivificante. Vi também os Mistérios de Deus e como o Senhor aceita o arrependimento. Me jogar no chão, eu adorava aquele santo terra e beijou-a com tremor. Então eu saí da igreja e foi para ela que tinha prometido para ser meu segurança, para o lugar onde eu tinha selado o meu voto. E dobrando os joelhos diante da Virgem Mãe de Deus, dirigi-me às suas palavras como estas:

Ó Senhora amorosa, tens mostrado-me o teu grande amor por todos os homens. Glória a Deus que recebe o arrependimento dos pecadores por ti. O que mais posso lembrar ou dizer, eu que sou tão pecador? É o momento para mim, ó Senhora, para cumprir o meu voto, segundo a tua testemunha. Agora me levar pela mão ao longo do caminho do arrependimento! E com essas palavras, ouvi uma voz do alto:

`Se você atravessar o Jordão você vai encontrar glorioso descanso.

Ouvindo esta voz e ter fé de que era para mim, eu chorei à Mãe de Deus: ‘Ó senhora, senhora, não me abandone!’

Com estas palavras, eu deixei o pórtico da igreja e partiu em minha jornada. Quando eu estava saindo da igreja um estranho olhou para mim e deu-me três moedas, dizendo: ‘Irmã, levar estes “.

E, tomando o dinheiro, eu comprei três pães e tomou-los comigo na minha jornada, como um presente abençoado. Perguntei a pessoa que vendeu o pão: `Qual é o caminho para a Jordânia? Eu estava direcionado para a porta da cidade o que levou assim. Correndo em que passei os portões e ainda chorando fui na minha jornada. Daqueles que conheci eu perguntei o caminho, e depois de caminhar para o resto do dia (acho que eram nove horas quando eu vi a cruz) Eu finalmente chegou ao pôr do sol a Igreja de São João Batista, que se situou em nas margens do Jordão. Depois de orar no templo, desci ao Jordão e lavou o rosto e as mãos em suas águas sagradas. Eu participava da santa e vivificante Mistérios na Igreja do Precursor e comi metade de um dos meus pães. Então, depois de beber um pouco de água do Jordão, deitei-me e passou a noite no chão. Na parte da manhã eu achei um pequeno barco e atravessou para a margem oposta. Eu novamente rezou a Nossa Senhora para me levar para onde quisesse. Então eu me encontrei no deserto e, desde então, até o dia de hoje eu estou distante de tudo, manter longe das pessoas e fugindo de todos. E eu vivo aqui agarrado ao meu Deus que salva todos os que se voltam para Ele de pusilanimidade e tempestades. “

Zózimo lhe perguntou: “Quantos anos se passaram desde que você começou a viver neste deserto?”

Ela respondeu: “Quarenta e sete anos já se passaram, eu acho, desde que deixei a cidade santa.”

Zózimo perguntou: “Mas o alimento que você acha?”

A mulher disse: “Eu tinha dois pães e meio, quando eu cruzei o Jordão Em breve eles secou e ficou duro como rocha Comer um pouco aos poucos vou terminar-los depois de alguns anos…”

Zózimo perguntou: “Pode ser que, sem ficar doente você tem vivido tantos anos assim, sem sofrer de alguma forma de uma mudança tão completa?”

A mulher respondeu: “Você me faz lembrar, Zózimo, do que não me atrevo a falar Pois, quando eu me lembro de todos os perigos que eu venci, e todos os pensamentos violentos que me confundem, estou novamente com medo de que eles vão tomar posse de mim. “.

Zózimo disse: “Não se esconda de mim nada, falar comigo sem esconder nada.”

E ela lhe disse:. “Acredite em mim, Abba, 17 anos passei no deserto lutando bestas selvagens – desejos loucos e paixões Quando eu estava prestes a participar de alimentos, que eu usei para começar a lamentar a carne e peixe que de que Eu tinha tanta coisa no Egito. Lamentei também não ter vinho que eu tanto amava. porque eu bebia muito vinho quando vivia no mundo, enquanto aqui eu ainda não tinha água. que eu usei para queimar e sucumbir à sede. O desejo louco por canções libertinas também entrou em mim e me confundiu muito, me batendo em cantar canções satânicas que eu tinha aprendido uma vez. Mas quando tais desejos entrou em mim, me bateu no peito e me lembrei da promessa que fizera quando vai para o deserto. Em meus pensamentos eu voltei para o ícone da Mãe de Deus, que havia me recebido, e com ela eu chorei em oração. implorei a ela para afugentar os pensamentos para que a minha alma miserável estava sucumbindo. E depois chorando por muito tempo e bater o meu peito, eu costumava ver a luz no passado que parecia brilhar em mim de todos os lados. E depois da violenta tempestade, calma duradoura desceu.

E como eu posso dizer-lhe sobre os pensamentos que me pediu para fornicação, como posso expressá-los a você, Abba? Um fogo se acendeu na minha miserável coração que parecia me queimar completamente e desperta em mim uma sede de abraços. Tão logo esse desejo veio até mim, me jogou na terra e regou com as minhas lágrimas, como se eu via diante de mim o meu testemunho, que apareceu para mim em minha desobediência, e que parecia ameaçar punição para o crime. E eu não me levantar do chão (às vezes eu coloco assim prostrado por um dia e uma noite), até que uma luz calma e doce, desceu e me iluminou e afugentou os pensamentos que me possuía. Mas sempre me virei para os olhos de minha mente a minha protetora, pedindo-lhe para estender a ajuda a alguém que estava afundando rápido nas ondas do deserto. E eu sempre tive como minha ajudante, e como o Accepter do meu arrependimento. E, assim, eu vivi por 17 anos em meio a perigos constantes. E, desde então, mesmo até agora, a Mãe de Deus em tudo o que me ajuda e me leva como se fosse pela mão “.

Zózimo perguntou: “Será que você não precisa de comida e roupas?”

Ela respondeu: “Depois de terminar os pães que eu tinha, de que falei, há dezessete anos, tenho alimentado com ervas e todos os que podem ser encontrados no deserto as roupas que eu tinha quando eu cruzei o Jordão tornou-se rasgado e desgastado eu.. sofreu muito com o frio e muito com o calor extremo. Às vezes o sol me queimou e em outras vezes eu tremi da geada, e muitas vezes caindo no chão Eu estava sem fôlego e sem movimento. Lutei com muitas aflições e com terríveis tentações. Mas a partir desse momento até agora o poder de Deus de diversas maneiras tinha guardado minha alma pecadora e meu humilde corpo. Quando eu apenas refletir sobre os males de que Nosso Senhor me livrou Eu tenho um alimento imperecível de esperança de salvação. I estou alimentados e vestidos pelo todo-poderosa Palavra de Deus, o Senhor de todos. Porque não é só de pão que vive o homem. e aqueles que tirou os trapos do pecado não têm refúgio, escondendo-se nas fendas das rochas (Job 24;. Hebreus 11:38). “

Ouvindo isso ela citou palavras das Escrituras, de Moisés e Job, Zózimo perguntou-lhe: “E por isso que você leu os salmos e outros livros?”

Ela sorriu para isso e disse ao ancião: “Acredite ser, eu não vi um rosto humano desde que atravessaram o Jordão, exceto seu hoje eu não vi um animal ou um ser vivo desde que vim para o deserto.. Eu nunca aprendi nos livros. que nunca ouviram falar quem cantou e lê-los. Mas a palavra de Deus que é viva e eficaz, por si só ensina o conhecimento do homem. Então este é o fim do meu conto. Mas, como Perguntei-lhe, no início, por isso mesmo agora eu te imploro por causa da palavra de Deus encarnado, a orar ao Senhor por mim, que sou um pecador. “

Assim, concluindo aqui o seu conto, ela prostrou-se diante dele. E com lágrimas o mais velho exclamou:.. “Bendito é Deus quem cria o grande e maravilhoso, glorioso e maravilhoso sem fim Bem-aventurado é Deus que me mostrou como Ele recompensa aqueles que o temem Na verdade, ó Senhor, Tu não abandona aqueles que buscam a Ti! “

E a mulher, não permitindo que o mais velho a curvar-se diante dela, disse: “Eu te peço, pai de santo, por causa de Jesus Cristo, nosso Deus e Salvador, não conte a ninguém o que você ouviu, até que Deus me proporciona desta terra . E como partir em paz e novamente no próximo ano, você deve me ver, e eu de você, se Deus nos preservar em Sua grande misericórdia. Mas, pelo amor de Deus, faça o que eu te perguntar. próximo ano, durante a Quaresma não atravessar o Jordão, como é o seu costume no mosteiro. “

Zózimo ficou surpreso ao ouvir que ela conhecia as regras do mosteiro, e só poderia dizer: “Glória a Deus, que dá grandes presentes sobre aqueles que O amam.”

Ela continuou:.. “Permanecei, Abba, no mosteiro E mesmo se você quiser partir, você não será capaz de fazê-lo e ao pôr do sol do dia sagrado da Última super, coloque um pouco do vivificante Corpo e Sangue de Cristo em um vaso santo digno de possuir esses mistérios para mim, e trazê-lo. e espere por mim, nas margens do Jordão adjacentes as partes habitadas da terra, para que eu possa vir e participar dos Dons vivificante. Pois, desde o tempo que eu comunicada no templo do Precursor, antes de atravessar o Jordão até hoje, eu não ter abordado os Santos Mistérios, e sede para eles com amor irreprimível e saudade. E, portanto, eu peço e imploro que me conceda o meu desejo – Traga-me os mistérios vivificante na mesma hora em que Nosso Senhor fez seus discípulos participar de Sua Ceia Divino Diz João, o abade do mosteiro onde vivem Olhe para si mesmo e para seus irmãos, pois há muita coisa que precisa de correção Only… não digo isso agora, mas quando Deus orienta. Rezem por mim! “

Com estas palavras, ela desapareceu nas profundezas do deserto. E Zózimo, caindo de joelhos e curvando-se para o chão em que ela tinha estado, enviou-se glória e graças a Deus. E, depois de vagar minucioso do deserto, ele voltou ao mosteiro no dia em que todos os irmãos voltaram.

Durante todo o ano, ele ficou em silêncio, não ousando contar a ninguém o que tinha visto, mas ele orou a Deus para dar-lhe outra chance de ver o rosto do cara ascética. E quando finalmente o primeiro domingo do Grande Jejum chegou, todos foram para o deserto com as orações habituais eo canto dos salmos. Apenas Zózimo ficou retido por doença – ele estava em uma febre. E então ele se lembrou do que o santo tinha dito a ele: “e até mesmo se você quiser partir, você não será capaz de fazê-lo.”

Muitos dias se passaram e, finalmente, se recuperando de sua doença, ele permaneceu no mosteiro. E quando os monges voltaram, e no dia da Última Ceia ocorreu, ele fez o que lhe tinha sido ordenado; colocando alguns do corpo mais puro e sangue em um pequeno cálice e colocando alguns gis e as datas e lentilhas embebido em água em um pequeno cesta, ele partiu para o deserto e chegou às margens do Jordão e sentou-se para esperar o santo. Ele esperou por um longo tempo e, em seguida, começou a duvidar. Então, erguendo os olhos ao céu, ele começou a orar: “Concedei-me, Senhor, para contemplar o que tens permitido ser para contemplar uma vez Não me deixe sair em vão, sendo o peso de meus pecados.”.

E depois outro pensamento lhe ocorreu: “E se ela vier Não há barco, como ela vai atravessar o Jordão para vir a mim, que sou tão indigno?”

E como ele estava pensando assim, ele viu a santa mulher aparecer e ficar do outro lado do rio. Zózimo levantou-se alegria e glorificando e agradecendo a Deus. E mais uma vez, ocorreu-lhe que ela não poderia atravessar o Jordão. Então ele viu que ela fez o sinal da cruz sobre as águas do Jordão (ea noite foi um luar um, como ele contou depois) e, em seguida, ela de uma só vez pisou nas águas e começou a caminhar sobre a superfície em direção a ele. E quando ele queria prostrar-se, gritou para ele enquanto ainda caminhando sobre a água: “O que você está fazendo, Abba, você é um padre que leva os dons divinos!”

Ele obedeceu a ela e ao chegar à praia, ela disse ao ancião: “Perdoe-me, pai, abençoa-me!”

Ele respondeu-lhe tremendo, para um estado de confusão tinha superado ele ao ver o milagre:. “Verdadeiramente Deus não mentiu quando prometeu que, quando nos purificar seremos semelhantes a Ele. Glória a Ti, Cristo, nosso Deus, que tem me mostrado através deste teu escravo quão longe estou de perfeição. “

Aqui, a mulher pediu-lhe para dizer o Credo eo Pai. Ele começou e terminou a oração, e de acordo com o costume da época deu-lhe o beijo da paz nos lábios. Tendo participado dos Santos Mistérios, ela levantou as mãos para o céu e suspirou com lágrimas nos olhos, exclamando: “Agora, deixai o teu servo partir em paz, ó Senhor, segundo a tua palavra, porque meus olhos viram a tua salvação”.

Então ela disse ao ancião: “Perdoe-me, Pai, para pedir-lhe, mas cumprir outro desejo meu Vá agora para o mosteiro e deixar a graça de Deus te guardar E no próximo ano voltar para o mesmo lugar em que eu te conheci.. . Venha pelo amor de Deus, por que você deve me ver de novo, pois essa é a vontade de Deus. “

Ele disse a ela: “A partir deste dia em diante eu gostaria de segui-lo e sempre ver o seu rosto santo Mas agora cumprir o primeiro e único desejo de um homem velho e tirar um pouco da comida que eu trouxe para você.”.

E ele mostrou-lhe a cesta, enquanto ela apenas tocou as lentilhas com as pontas dos dedos, e tendo três grãos, disse que o Espírito Santo guarda a substância da alma impoluta. Então ela disse: “Orai, pelo amor de Deus, orem por mim e lembre-se um miserável.”

Fonte:http://www.fatheralexander.org








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