O CONTROLE MENTAL – Renovação Carismática

4 08 2014

 

penteca

TRADUÇÃO DE JORGE LUIS

“Julgamos o Movimento Carismático como uma das orientações mais perigosas da Igreja em nosso tempo, estreitamente ligado em espírito com outros movimentos destrutivos e separadores que ameaça com grave dano a sua unidade e a inumeráveis almas.” Arcebispo Robert Dwyer” (Christian Order, maio 1995, pág. 265)

O CONTROLE MENTAL

Para adentrarmos na grande mentira diabólica do ‘Controle Mental’, utilizaremos o trabalho do especialista ALBERTO HORÁCIO ÁVILA (psicólogo social) em sua obra “OS PERIGOS DO CONTROLE MENTAL” da série TERCERO MILÊNIO (Ed. Claretiana, 1993 – publicada na Argentina), série dirigida por Monsenhor Héctor Aguer, então bispo auxiliar de Buenos Aires, obra que conta com sua Censura Eclesiástica e com o Imprimatur de Mons. Dr. Eduardo Mirás, vigário geral da Arquidiocese de Buenos Aires em 1992.

Devemos recordar antes de ingressar de vez neste tema que o autor irá nos falar sobre Controle Mental, não dos Carismáticos ou de Betancourt(1). Nós, havendo estudado anteriormente os textos do padre Dario Betancourt, devemos realizar a correspondente concordância com o que sob o título de ‘Controle Mental’ aqui se expõe. Devido a que muitas concordâncias poderão passar desapercebidas, ressaltaremos com negrito as partes que estas técnicas de manipulação do pensamento, que é o ‘Controle Mental’, tem com o que o padre Betancourt nos quer fazer crer que a Igreja tenha praticado sempre.

O licenciado em Psicologia e especialista em seitas, Presidente da Fundação SPES, José Maria Baamonde é quem assina o prólogo do trabalho e diz entre outras coisas sobre os ‘cursos de Controle Mental:

“Estes cursos prometem solucionar todos os problemas e servem, segundo seus mentores, para agilizar o estudo, desenvolver a memória, triunfar nos negócios, arranjar casamentos (que geralmente depois do curso se desarranjam ainda mais), vencer dependências de qualquer tipo, emagrecer, dominar poderes supostamente paranormais, realizar viagens astrais, diagnosticar enfermidades de pessoas que não conhecemos e logo tratá-las terapeuticamente, comprar um automóvel, encontrar o ‘Deus interior’, viver em harmonia com o cosmos… enfim, a Bíblia e o aquecedor.”

“Isto que poderia gerar um alívio, culmina em alguns casos, em tragédias. Como bem explica o autor da presente obra, o Controle Mental como tal, não existe, senão que se implementam técnicas de sugestão hipnóticas, com os conseqüentes riscos psicofisiológicos que o uso indiscriminado das mesmas pode provocar entre os cursantes.”

“Outro elemento importante a levar em conta é que cada vez são mais as seitas, especialmente as de tipo ‘psicoterapêutico’ ou de ‘reabilitação pessoal’, que para o recrutamento de novos membros oferecem, em um proselitismo enganoso, a possibilidade destes cursos, iniciando a pessoa em um caminho que, às vezes, não tem retorno.”

“Lamentavelmente os promotores destas técnicas se guardam muito de mencionar estes perigos e só falam do ‘poder ilimitado de nossa mente’ e ‘como dominá-la ao nosso desejo’. Possivelmente por este último o subtítulo ideal do controle mental seja: ‘…E sereis como Deuses’ do Gênesis. A primeira e mais antiga das tentações segue tendo em nossos dias toda a vigência que teve no princípio dos tempos;”

Podemos já ver aqui os elementos em comum com o que temos visto lendo os livros do padre Dario Betancourt com respeito à cura e mais especificamente no último parágrafo. Tudo ocorre pelo poder da oração feita por mim. Não como interecessora, mas como algo eficaz, enquanto que eu o desejo e o quero.

“Com segurança é difícil que o leitor não tenha ouvido falar sobre Controle Mental ou Poder Mental através de autores internacionais e nacionais como José Silva, Lauro Trevisan, Dr. Las Heras ou Prof. Lotitto. O capitalismo selvagem, com seu decadente materialismo, a falta de objetivos, a falta de credibilidade nas igrejas históricas, têm favorecido e fomentado o retorno dos ‘bruxos’. Oferecem uma mercadoria desejável: esoterismo, mantras, novos e melhores estados de consciência, experiências místicas, paraísos prometidos. As técnicas e métodos utilizados nos cursos são para dominar e possuir o estudante ou adepto, cujas características mas sobressalentes são as de ser pessoas frustradas social ou pessoalmente, com problemas de saúde, debilitadas emocionalmente. Personalidades que na maioria das vezes se encantam com a parapsicologia são seduzidas pela panacéia destes ‘mercadores de ilusões’.”

“Assistimos a um aumento do interesse por libertar o potencial que possui nossa mente, em busca de supostos poderes mágicos ocultos. Essa tendência massiva inutiliza o sentido crítico e fomenta o pensamento mágico convertendo as pessoas em seres vulneráveis à exploração e inclusive, como veremos adiante, pondo em perigo sua estabilidade psíquica. Toda essa ondulação surge da exploração, durante os últimos anos, desse potencial da mente humana e dos ‘Estados Alterados de Consciência (EAC).”

“Paradoxalmente, essa avidez científica pela mente e suas potencialidades procede do uso massivo de drogas (as drogas denominadas ‘dilatadoras da mente’, como a mescalina e o LSD ou dietilamida do ácido lisérgico). Milhares de jovens se entregaram, durante os anos 60, à experiência da ‘dilatação da mente’ com alucinógenos. Estas drogas proporcionaram a muitos experiências visionárias e místicas, revelações de indescritível beleza, cores, dimensões e forma; momentos de assombrosa compreensão, de compaixão, de amor.”

“Todos hoje conhecemos o triste resultado destas ‘magníficas experiências’. Finalmente, as experiências com estas drogas ‘psicodélicas’ se interrompeu e sua posse se converteu em um delito. Nesse contexto, surgiu a idéia de que os mesmos estavam relacionados com muitas das teorias e sentimentos que líderes espirituais haviam desejado e desejavam fazer compreender a seus seguidores.”

“O interesse pelas filosofias religiosas aumentou a curiosidade pela meditação e quando técnicas de exame interior aparecia, adquiriu um novo significado.Se iniciou assim um novo tipo de exploração: a busca de novos ‘estados de consciência’ presumidamente mais elevados e benéficos, esperançados em que não fora necessário o uso de drogas para alcançá-los.”

“Parecia que, enfim, o místico oriente teria algo a oferecer ao materialista ocidente.”

“Toda esta tendência de viu reforçada pelas notícias de investigadores que falavam sobre o sucesso dos meditadores da India, China e Japão. Entrando em um estado de consciência ‘especial, demonstravam um extraordinário controle de algumas funções fisiológicas. Variações voluntárias da freqüência cardíaca, da temperatura corporal, da pressão arterial, de processos digestivos, etc.”

“É assim como um terreno vai se preparando e os ‘mercadores de ilusões’, sempre dispostos, mesclam e unificam, ao ‘gosto do cliente’, cada uma destas coisas, para obter um dos produtos mais ‘vendáveis’ dos últimos tempos, o Controle Mental. Uma mescla de misticismo oriental com a tecnologia do ocidente.”

É irrefutável que ao falar de ‘gosto do cliente’ nos encontramos com essa adaptação que temos feito referência anteriormente, tanto da Renovação Carismática, que trataram de adaptar-se ao Catolicismo, para logo protestantizar aos católicos, como o padre Dario Betancourt, que mescla todas as técnicas e oferecem aos bispos e sacerdotes um produto ‘quase católico’, que secundado com a terrível apostasia que se vive em todo o mundo faz crer facilmente que é um reviver, uma revitalização da Igreja de Cristo, quando, analisando os ditos e escritos destes ‘sacerdotes’ nos damos conta que na verdade está muito longe de ser um rejuvenecimento da fé, senão que pelo contrário nos deparamos com uma demolição sistemática.

“Se sabe oficialmente que governos como os dos EUA, através da CIA, tem desenvolvido vários projetos de ‘Controle Mental’ com o objetivo de manipular a vontade dos seres humanos. As técnicas foram aplicadas em milhares de pessoas em hospitais militares, clínicas privadas e presídios.”

“Os campos de experimentação incluíam a perda da memória, a criação de dependências, alterações da conduta sexual, as diversas formas de sugestão, o desenvolvimento da percepção extrassensorial.”

“Parece até que estamos falando de ficção científica mas não é.”

“Aparecem as chaves de nossa unificação: a ‘sugestão’ que afirma utilizar em suas técnicas o padre Dario Betancourt e por outro lado o desenvolvimento da percepção extrassensorial, de maneira ilusória como por exemplo nas técnicas de ‘banho de luz’ e ‘palavra de conhecimento’ com as supostas telepatias com Nosso Senhor.”

“Com respeito às origens do que hoje conhecemos como ‘Controle Mental’ em nosso país (Argentina), se origina como uma das tantas técnicas de meditação e que, paulatinamente, vai incorporando elementos esotéricos e pseudo-espirituais, alcançando uma ‘melange’ pseudo-científica e pseudo-religiosa.”

É importante mergulhar no mito que se denomina CONSCIÊNCIA ALFA ou ESTADO ALFA. As origens se mesclam entre os dados extraídos do âmbito científico e idéias supersticiosas derivadas do ocultismo e esoterismo.

“O mito da CONSCIÊNCIA ALFA forma-se a partir de um elemento científico: as investigações em eletroencefalografia sobre os estados alterados de consciência, que começam na década de 50. Entre outras coisas se pretendia investigar o sono, os estados hipnóticos e outros estados alterados de consciência (EAC).”

“Assim começam a estudar-se as chamadas ‘ondas mentais’ que estão diretamente relacionadas ao fato de que o cérebro se comporta como um aparato elétrico produzindo pequenas correntes que variam segundo os estados mentais.”

“O eletroencefalograma recolhe os distintos sinais elétricos que o cérebro produz e permite uma análise posterior.”

“Deste modo se chega com o tempo à classificação destes padrões de ondas:

– ONDAS ALFA: são observadas em sujeitos despertos com os olhos fechados, em repouso físico e mental. Quer dizer, o ambiente deve ser confortável e relativamente livre de estímulos. Em outras circunstâncias, em sujeitos normais, se podem registrar ondas alfa, por exemplo nas primeiras horas do sono ou durante uma anestesia geral bem ligeira. Pode estar ausente em certos sujeitos normais. Pode, assim mesmo, ser bem amplo, permanente ou aparecer com os olhos abertos em certas condições.”

Recordemos aquilo que nos dizia o padre Dario Betancourt na página 80 sobre COMO SE FAZ O BANHO DE LUZ. Lá diz Betancourt: É NECESSÁRIO ANTES DE TUDO UM LUGAR TRANQUILO QUE CONVIDE À ORAÇÃO… É MUITO IMPORTANTE ACALMAR O ESPÍRITO PARA ENTRAR EM ORAÇÃO. Poderíamos pensar que o que Betancourt quer obter, segundo o Controle Mental, um ambiente propício para que se gerem as Ondas Alfa.

O resto das ondas que se registraram são: Ondas Beta, que se registram no indivíduo desperto, em atividade; as Ondas Delta, que se observam nos primeiros anos de vida, durante o sono profundo e em anestesia geral. Fora desses estados a aparição de ondas delta é sinal de estado patológico. Finalmente, aparecem as Ondas Theta, que se registram durante o sono e se interrompem em ocasiões por estados penosos.

“Destas investigações se desprendia a relação que existia entre a produção de ondas alfa e sua associação a estados subjetivos de sensações de paz, relaxamento, tranqüilidade, etc. Um psiquiatra norte-americano, Joe Karniya, se embocou à investigação da possibilidade de ensinar-se às pessoas a distinguir seus próprios ritmos mentais, a reconhecer os ritmos alfa dos ritmos beta. Em sua busca experimentou com sujeitos normais, em seu laboratório de Chicago, USA, usando os registros de EEG.”

“Com o propósito de registrar as frequências das ondas alfa, se fazia soar um sinal para que, neste preciso momento, o sujeito de experimentação ‘adivinhara se estava produzindo onda alfa ou ondas beta. Imediatamente era informado se havia acertado ou não, produzindo o que se chama uma retroalimentação ou feedback.”

“As provas iniciais alcançaram resultados interessantes. Os percentuais de acerto variavam entre 60 e 80%, o que fazia supor a possibilidade de treinar, então, aos sujeitos para que produzissem voluntariamente ondas alfa.”

“Esta interessante curiosidade científica se associou de imediato às notícias sobre estudos EEG realizados em meditadores orientais, praticantes em sua maioria de zen e de ioga. Estas notícias mostravam que os praticantes destas diversas técnicas, em plena meditação, produziam grande quantidade de ondas alfa.”

“É assim como da união indiscriminada e apriorística destas notícias com o agradável condimento do mágico e esotérico, surge um dos mais manifestos mal-entendidos dos instrutores e difusores do Controle Mental; se os meditadores como ioguis, lamas, gurus, etc. quando se encontram em plena meditação, ou mais corretamente, ‘transe’, a maioria das vezes caracterizado por um estado subjetivo de calma, paz, bem-estar, êxtase, sensação de iluminação, etc., produzem grande quantidade de ondas alfa, se conseguirmos fazer as pessoas produzir ondas alfa conseguiremos que elas obtenham paz, bem-estar, relax, saúde, êxtase, estados transcendentais, etc!!!”

Citemos algo em referência ao denominado ‘transe’: se denomina assim a um estado hipnoide, sonabúlico, no qual caem frequentemente meditadores, ioguis, médiuns, etc. durante suas práticas e que muitas vezes parece ser necessário para a manifestação de suas suspeitas faculdades. Este estado psicofisiológico especial denominado ‘transe’ (de transitus, passamento; passar de um estado a outro) é descrito muitas vezes como uma forma de auto-hipnose, já que difere da hipnose que provoca a heterossugestão pela ausência de subordinação a um hipnotizador, ademais, em geral, a passividade não se encontra tão acentuada como se crê, podendo-se observar todas as transições, inclusive o desdobramento da personalidade. Sua aparição não depende completamente da vontade, se bem que muitos ‘meditadoes’, ‘controladores mentais’ podem entrar em transe com inteira segurança, utilizando técnicas distintas e na maioria das vezes empregam uma aceleração viva do ritmo respiratório (hiperventilação) entre outras.

“Nisto consistiu basicamente o estratagema do Controle Mental. Simplesmente ‘blindaram’ argumentos mediante uma estipulação implícita. Para ele estipularam um novo significado para o conceito de ‘estado alfa’ ou ‘consciência alfa’, colocando e associando-o com paz, harmonia, relax, êxtase, etc…”

“Baseando-se nesta falsa teoria, de que esta nova forma de autocontrole pouparia, aparentemente, os muitos anos de estudo para dominar as ‘técnicas de meditação orientais’ e, também, dando renda solta ao pensamento mágico subjacente em todo ser humano (esquecendo-se um ‘pouco’ os métodos científicos), supuseram ter encontrado a chave de outros muitos segredos da mente vinculados a crenças orientais, ocultistas, esotéricas e gnósticas.”

“Foi assim que em meados da década de 60 começaram a surgir grupos que ofereciam (e oferecem) o ensinamento do que chamam: ‘estados alfa’, entrar em alfa’, ‘chegar ao nível alfa’, ‘meditação alfa’ e outras necessidades pelo estilo.”

“Estes grupos ofereciam e oferecem atualmente (claro que com novos toques mágicos para melhorar o marketing), cursos em que prometem saúde, prosperidade, paz mental, sono profundo pelas noites, maior criatividade, controle de hábitos perniciosos (cigarro, alcoolismo, etc.), controle da dor, novas capacidades para resolver os problemas que se confrontam com o mágico (senão com o ridículo), supostas faculdades para poder ‘curar’ aos demais e até o desenvolvimento da percepção extra-sensorial (telepatia, clarividência, etc.). Toda esta panacéia com simplesmente alcançar o ‘estado alfa’ (a esta altura a ‘alfamania’ é patologicamente visível).”

Lembremos que estas técnicas de Controle Mental são ensinadas em cursos em hotéis ou salões; se bem que em muitas coisas diferem-se da problemática dos Carismáticos em geral e do Padre Betancourt em particular, devemos entender que “os resultados estão orientados para o mesmo lado” e com estamos vendo a base das técnicas utilizadas são as mesmas.

A diferença é que no caso dos Carismáticos a credibilidade do pregador está alicerçada com uma grande publicidade e o grande ‘escudo’ de ser católico, enquanto que nos doutrinadores das seitas e grupos de Controle Mental esta credibilidade deve ser conquistada diante do auditório. Em ambos os casos temos a certeza de que a maioria dos que vão assistir ao encontro possuem características especiais tanto cultural quanto socialmente, como também no que denominamos ‘mentalidade mágica’.

“Para alcançar seu objetivo, (estes grupos) não deixam de servir-se indiscriminadamente e em uma atitude abertamente negligente e irresponsável, de uma grande variedade de sistemas que misturam, dentre os que se incluem, principalmente, técnicas de relaxamento, meditação, hipnose, pensamento positivo, hiperventilação, exercícios físicos, programações subconscientes mediante sugestão e auto sugestão e aprendizagem do que chamam “visualização criativa”.

As semelhanças começam a nos surpreender. Já falamos do que para o padre Dario Betancourt significa a utilização da “visualização criativa”, ou seja as técnicas de imaginação de situações, conversas, etc.

É no parágrafo seguinte (pág. 23) onde as “suspeitas” começam a tornar-se “certezas”:

“Por exemplo, Silva Mind Control oferece cursos de 48 horas, que constam de várias conferências e sessões de ‘condicionamento’. Estes se cumprem com leituras e meditações utilizando algumas das ‘exclusivas’ técnicas de Silva, assim como também técnicas mais tradicionais de psicoterapia e hipnose. Exatamente como na maioria dos ‘doutrinamentos’ cúlticos, o Controle Mental Silva leva a cabo suas sessões desde a parte da manhã (9 hs) até tarde da noite (22 hs). Esta atitude tende a sobrecarregar o indivíduo e a eliminar eficazmente qualquer tipo de reflexão crítica sobre o que se tenha dito e sobre o que se esteja pensando. Isto chega a fatigá-lo a tal ponto que provavelmente o indivíduo perde a maior parte de suas barreiras racionais.”

As chamadas ‘sessões de evangelização’ da Renovação Carismática tem exatamente esta duração (ainda que comecem mais cedo e encerrem um pouco antes que os de Silva). A sucessão de ‘pregações’ vai criando o clima necessário para a posterior utilização das técnicas de Reforma do Pensamento ou Condicionamento de Conduta que Betancourt leva mais adiante.

Tudo deve começar com uma “sessão de música”, chamada também de “Ministério de Música” ou “Música de operação”, que como o nome indica vai operando condicionamentos nos assistentes através da sensibilização, emoção, e aumento de tensão. Logo depois aparece o pregador, que é recebido de maneira triunfal, e que eleva ainda mais a tensão do auditório que o esperava ansiosamente (e não se dava conta que era manipulado pela “sessão de música de operação”) com um Crucifixo que é levantado pelo pregador incitando-os à descarga parcial da tensão acumulada. Obviamente a fixação do pregador com a imagem de Nosso Senhor é poderosa para a psique dos crentes.

A experiência que vivemos nos dias 13 e 14 de novembro de 1999, em San Luis, Argentina, nos diz que o Padre Betancourt recomendou especialmente aos organizadores locais que disseram às pessoas a importância e a necessidade de assistir ambos os dias completos.

O primeiro dia (sábado dia 13) começou por volta das 10 hs devido a problemas com o som, o que desagradou profundamente aos organizadores. Um deles, em declarações afirmou que lamentavam (os organizadores e o Padre Betancourt) esta demora, já que o evento devia começar com a “música de operação” a fim de predispor melhor aos assistentes. Mais claro, impossível!

“Talvez definir o que entendemos por “sugestão” em medicina e psicologia seja uma tarefa difícil. Na atualidade, todo tratamento de psicoterapia gira ao redor do emprego da sugestão, independentemente do método empregado para o tratamento das alterações psíquicas, e na mesma esfera das modificações somáticas de origem no psíquico, se atribuem muitas vezes à sugestão o principal sucesso obtido ao empregar a mesma em estado de vigília ou hipnótico.”

“A palavra sugestão vem do verbo ‘sugerir’, que significa ‘fazer entrar no ânimo de uma idéia. Propor.’ Existem duas maneiras pelas quais a sugestão chega ao conhecimento do indivíduo. Uma aparentemente normal e outra na qual esta penetra na pessoa graças a um estado especial de sua personalidade ou sua consciência. Não é o mesmo uma sugestão que podemos receber ao ver um filme, que se introduz por um discurso ou uma ação em conjunto de indivíduos entre os quais nos podemos encontrar.”

“Uma sugestão externa constitui, de certo modo, o começo do despertar de nossos conhecimentos e a ela se une logo uma autosugestão que nós mesmo realizamos.”
Algo que sempre nos chama a atenção por parte dos adeptos da Renovação Carismática é o seu alto grau de messianismo, ou seja sentir-se, ou crer-se, ungidos, distintos, com poderes que só os que estão dentro deste grupo parecem poder desenvolver.” E esta é talvez sua característica mais secreta.

Ao utilizar uma terminologia que os diferencia do resto dos católicos (e que os aproxima dos protestantes) os ingênuos seguidores crêem ter deste modo participação no grupo de onde ‘o Espírito Santo abençoa’ e portanto usam um vocabulário especialíssimo.

Esta linguagem ou jargão utilizado não é outra coisa senão o que se chama “formulação de propósitos” ou “propósitos formulados” em psicologia. Não esqueçamos que já nos fizeram crer que as palavras são eficazes para a cura. O exemplo mais patético está na página 103 do livro Vengo a Sanar, do Padre Dario Betancourt sobre a “Palavra de conhecimento”, que assegura:

MUITAS VEZES COINCIDE O ANÚNCIO DA PALAVRA DE CONHECIMENTO COM O ATUAR DE DEUS. EM OUTRAS OCASIÕES, PARECE QUE A PALAVRA DE CONHECIMENTO, POR SER CAMINHO DO ESPÍRITO, É PALAVRA EFICAZ QUE REALIZA SEU CONTEÚDO. ASSIM COMO QUANDO DEUS DISSE ‘HAJA LUZ’ E ESTA APARECEU, DE MANEIRA ANÁLOGA AO ANUNCIAR-SE A CURA, ESTA SE REALIZA.”

Sobre isto, Ávila em seu livro diz:

“Estas ordens podem ter uma ‘força hipnótica’ e, quando alguma vez se praticam com sucesso, é porque se equiparam, quanto aos efeitos, à sugestão. Mas este sucesso (um doente que melhora, um adepto que ‘adivinha’ algo), se divulga a toda voz e aos quatro ventos, enquanto que se desconhecem os fracassos, pois aquela pessoa que fez caso ao Controle Mental e teve problemas, não se manifestará jamais por medo de passar ridículo. O Controle Mental pretende através do desenvolvimento de suspeitas faculdades extrassensoriais, diagnosticar doenças nas pessoas e/ou nos animais, atuar sobre a saúde de qualquer ser humano, seja ele conhecido ou não.”

“Basicamente o Controle Mental nos diz que empregando a técnica chamada ‘Percepção efetiva sensorial’ podemos nos projetar mentalmente em objetos, na matéria vivente em inclusive em seres humanos. Fixe-se o leitor que não se trata simplesmente de imaginar que alguém está ali, mas que, de acordo com os pregadores do Controle Mental, efetivamente estaremos ali. Esta projeção imaginária nos fará superar as barreiras do espaço e de todas as leis físicas conhecidas, convertendo-nos em uma espécie de médicos à distância.”

“Trata-se de leso e plano curandeirsmo.”

Nestes parágrafos, o autor nos mostra de modo impressionante as semelhanças com os casos que a Renovação Carismática mostra como ‘milagres’ e ‘testemunhos’. O recurso à imaginação, como já dissemos, não é somente fantasia para os ingênuos, mas também um recurso muito perigoso.

Nas técnicas estudadas (banho de luz e palavra de conhecimento) é a própria imaginação que origina o fenômeno interior. Não há dúvida de que a confusão gerada tanto pelas técnicas em si, como pelo envolvimento ‘condicionado’ de música e ‘fé’, predispõem estes ingênuos seguidores a desenvolver uma consciência mágica que lhes faz ver manifestações de Deus em todas as coisas. Incrivelmente a maior parte dos sacerdotes que de algum modo colaboram com os Carismáticos ajudam na criação desta consciência mágica.

Um foco que se queima e a deflagração produzida pela ruptura do filamento se esparge pelo interior do vidro: “É o Espírito Santo.” Se pela forma do filamento que é do tipo M (ou seja, mais baixo que seus extremos e mais alto em dois picos centrais) essa deflagração se transforma em uma mancha em forma de ‘M’ a resposta é: “A Virgem Maria que está me falando.”

Em uma manhã de umidade, no vôo de um pássaro, na borra do café, ou em qualquer coisa costumeira, com a consciência assim confundida os adeptos da Renovação Carismática e de outros grupos ‘pseudo-místicos’ crêem ter revelações especiais. É que têm sido condicionados nessa ‘mentalidade mágica’, supersticiosa e anti-cristã por estas técnicas de Controle Mental, sugestão e auto-hipnose.

“Toda afetação orgânica, visceral ou de qualquer outra espécie, comporta necessariamente um elemento psicológico. Se se atua somente sobre o elemento psíquico concomitante, a ‘cura’ necessariamente será então somente aparente. Isto é o que acontece nos tão aclamados casos supostamente efetivos de cura do Controle Mental. Seus criadores e recriadores nos falam somente dos casos ‘bem sucedidos’, mas as provas de seguimento e comprovação científica brilham por sua ausência… Por que será?

Na Renovação Carismática ocorre exatamente o mesmo. As curas são circunstanciais, menores, fúteis, pouco estudadas e dirigidas somente à percepção consciente da dor, ou seja somente aparente. As provas nunca aparecem. Nunca demonstram publicamente a verdade do que se proclama em seus meios de comunicação. No mais, frente à ausência de testemunhos concretos de cura, o próprio Padre Dario Betancourt e seus seguidores locais anunciaram que os efeitos muitas vezes não se dão no mesmo momento do ‘show de curas’, mas que se deve esperar pacientemente pelos próximos dias, porque as curas vão acontecendo ‘aos poucos’. “A meta principal dos métodos do Controle Mental é a remoção dos sintomas. A maioria das curas são passageiras precisamente por ser efeito da sugestão ou auto-sugestão e não de uma verdadeira remoção das causas.”

“Podem surgir ‘fenômenos’ devido a esse estado especial de consciência, de onde por alguma das pretendidas ‘técnicas’ forçamos uma dissociação de nosso inconsciente e algumas de suas faculdades se manifestam um pouco, pela pequena fenda que abrimos no psiquismo. Algo perigosíssimo, pois junto a estes ‘fenômenos’ podem emergir uma variada gama de traumas latentes. Estes traumas poderiam encontrar-se ocultos, sem atuação. Mas poderiam sair à superfície ou se já saíram reforçar-se e agravar-se. Para algumas pessoas propensas (desequilibrados, doentes fronteiriços, hiperemotivos e hipersensíveis) uma só experiência provocada pode ter conseqüências nefastas.

Existe algo que chama a atenção de quem estuda o Movimento Carismático, o Controle Mental e outras técnicas e grupos da mesma espécie. Os adeptos que se decepcionam são poucos. Estes não retornam nunca mais. Sem embargo um alto percentual daqueles que assistiram aos eventos dos Carismáticos, ainda que não recebam ‘dons’, curas ou outro tipo de manifestações especiais, permanecem com o grupo e não se afastam. As condições de manipulação mental a que são submetidos pelos doutrinadores são tão profundas que lhe criam esta dependência. São manipulados psiquicamente por premissas de auto-hipnose. Formulação de propósitos e sugestão. Além do mais lhe fazem crer que se não acontece o que eles esperam (manifestações sensíveis e especialmente a cura) é por culpa deles e não dos pregadores ou organizadores. Só é culpa dos próprios adeptos. Não deixarão de repetir até bastar frases como esta: “Segundo as disposições e a cooperação individual os sacramentos são mais eficazes” com o que lhe diz às pessoas uma mensagem que no interior do adepto soará como: “Se me curou é obra dos Carismáticos (ou de Betancourt, por exemplo), mas, é por minha culpa, porque me falta fé, porque sou um grande pecador, etc.”

Sem dúvida é uma obra diabólica que pode desembocar na desesperação pela salvação, posto que previamente tem sido identificada esta com a cura corporal.

“Todas estas interpretações errôneas são produto da mentalidade distorcida com a firme intenção de manipular psiquicamente ao adepto, para depois doutriná-lo”.

Esta frase final de Ávila nos deixa a chave completa para compreender o que acontece com a Renovação Carismática:

“Por trás do enorme aparato pseudo-científico e comercial montado para a difusão do Controle Mental, se esconde um amálgama de ambição econômica, pretensões de poder e delírio messiânico. Se esconde em definitivo o perigoso mecanismo das seitas que os conduz à ignorância, à miséria, à alienação e à destruição.”

TÉCNICAS DE INDUÇÃO A CRISE HISTÉRICA

Finalmente e para ilustrar melhor transcrevemos do livro SEITAS E LAVAGEM CEREBRAL (original: SECTAS Y LAVADO DE CEREBRO – ED. BONUM, 1991) do licenciado em Psicologia José María Baamonde este capítulo que nos descreve claramente os ‘casos de sanidade’ (pág. 76):

“A presente é uma técnica utilizada por vários movimentos e, de forma preferencial, por parte daqueles que dizem realizar ‘curas’ ou ‘exorcismos’. Nestes grupos é freqüente ver que ao fazer a imposição das mãos ou outro gesto já estipulado, por parte do líder do grupo, se registrem desmaios ou crises convulsivas em meio a fortes e desgarradores gritos, ou fenômenos de transe diversos.”

“Tais efeitos não respondem a nada mágico, nem milagroso ou sobrenatural.”

“Tão somente é a consciência lógica da utilização de uma técnica psicológica conhecida com o nome de ‘Indução à Crise Histérica’ ou, simplesmente como ‘técnica de indução à crise’, a qual pretende obter uma sorte de choque nas pessoas que são submetidas à mesma.”

“A forma de levá-la a cabo é relativamente simples. Se medirmos em um gráfico a intensidade e inflexão da voz que implementa a técnica, observaríamos os seguintes passos:

– Contando com um auditório previamente preparado, pois veio se relembrando com antecedência não somente sobre o poder inegável do influenciador, mas também sobre a segurança de que se operarão ‘milagres’ e ‘grandes maravilhas’, o influenciador começa a falar calmamente e desde um nível 1.

– Logo depois de começar, incrementa o volume da voz e a inflexão da mesma, até chegar a um nível 4. Esta é uma técnica básica de oratória que pretende, entre outras coisas, mobilizar o auditório. Se o influenciador falasse em um tom monocorde obteria um efeito inverso quase hipnótico, de adormecimento, também muitas vezes utilizado.”

É importante que recordemos que no caso dos Carismáticos muitos dos processos que Baamonde descreve são ‘pulados’ porque a predisposição dos adeptos é tal que não se necessitam tantas irrupções de gritos e inflexões. Será compensada esta carência com o esgotamento físico (calor ou frio, fome e outros incômodos) que facilitarão o aumento da tensão residual.

“No caso que estamos analisando se busca, com o aumento de tensão na voz do influenciador, um aumento recíproco da tensão no auditório.”

“Ao chegar ao nível 4, produz uma descarga da tensão acumulada. Esta descarga geralmente se leva a cabo por meio de exclamações que são, em seguida, repetidas pelo auditório (por exemplo: Aleluia! Glória a Deus! Amém! Graças Jesus! Etc.).”

“Agora se observa que esta descarga é parcial, já que faz cair a tensão tão somente até um nível 3, ou seja, não alcança a extrair a totalidade da tensão acumulada no auditório, e resta em conseqüência uma carga residual de tensão.”

“O influenciador retoma o discurso porém não de onde havia começado, no nível 1, mas inicia a partir do nível 3. Daí volta a incrementar a tensão da voz; até chegar ao nível 6, e produz uma nova descarga.”

“Esta nova descarga, mais violenta e com um uso repetido e ‘in crescente’ dos términos utilizados, chega a um nível 5, pelo que aumenta a carga residual de tensão acumulada.”

“O influenciador prossegue a partir do nível 5 e assim sucessivamente, até que a carga de tensão acumulada no auditório se torna impossível de suportar e necessita ser descarregada violentamente, em forma de choque.”

“Assim começam a gerar-se os clássicos desmaios, gritos histéricos e diversas formas de transe.”

“As pessoas submetidas a tal técnica e que efetuam esta descarga violenta da tensão acumulada em forma de choque registram uma série de sintomas psicofisiológicos muito interessantes.”

“Primeiramente, se observa uma espécie de anestesia sensitiva a nível do córtex cerebral. Por isto é tão freqüente que aquele que sofria de reumatismo, úlcera no duodeno, etc, não registre na forma consciente a dor, e se crê curado.”

“O reumatismo e a úlcera continuam; o que se detém temporariamente é a percepção consciente das dores provocadas por tal ou qual doença.”

“Este fenômeno fisiológico se vê reforçado por outro de ordem psicológico, que consiste em um mecanismo de defesa inconsciente, da integridade iogue.”

“Se de alguma maneira pudéssemos ‘escutar’ o inconsciente, este diria algo mais ou menos assim: ‘Não passei toda essa experiência de tensão para ficar igual. Necessariamente não tenho que sentir mais dor’, ou ‘…necessariamente tenho que ser distinto’.

“A esta síndrome psicofisiológica de anestesia sensitiva, se adiciona um forte estado confusional, característico de todo choque.”

“Chamado estado confusional, entre outros elementos, é ele que possibilita que ao despertar ou sair do estado de crise, o sujeito aceite facilmente a instrução ou explicitação que o influenciador dê a respeito. Se explica assim a total ausência de questionamentos ou pensamento crítico por parte do ‘danificado’, ao ser-lhe dito, por exemplo, que foram exorcizados e retirados vinte demônios de seu corpo.”

CONCLUSÃO FINAL

“Vêem só visões disparatadas, só fazem predições enganosas, eles que dizem: oráculo do Senhor! quando o Senhor não os enviou; e, todavia, esperam a realização de sua palavra. Não é verdade que não tendes senão visões ineptas e não fazeis senão predições enganadoras, quando dizeis: oráculo do Senhor, quando eu não falei coisa alguma? E, por isso, eis o que diz o Senhor Javé: porque proferis oráculos enganadores e tendes visões mentirosas, eu vou castigar-vos – oráculo do Senhor Javé. Estenderei minha mão contra esses profetas de visões ineptas e de oráculos enganadores. Não farão mais parte do conselho do meu povo, não serão inscritos no número da casa de Israel e não regressarão à terra de Israel. E saberão assim que sou eu o Senhor Javé.” (Ezequiel 13,6-9)

“O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas, de hipócritas e impostores que, marcados na própria consciência com o ferrete da infâmia.” (1 Tim 4,1-2)

Cremos que há muitas pessoas boas dentro da chamada Renovação Carismática ou Movimento Carismático. Muitas pessoas de ‘boa fé’, ainda que ignorantes em muitos casos, que se deixam enganar pelas artes más destes falsos profetas.

A mentalidade atual não tolera a verdade cruelmente expressada. Se atém ao ‘diálogo’, aos bons modos, a jogar água sobre a doutrina com o objetivo de não cair em disputas.

É o que se chama falso irenismo ou ‘paz do mundo’.

Quando nos propomos realizar seriamente esta investigação, sabíamos que chegaríamos a conclusões muito duras para os ouvidos modernistas e progressistas. E que para muitos seria motivo de escândalo.

São Beda nos deu o empurrão que faltava: “Se o escândalo vem pela verdade, é melhor que venha” (Catena Áurea)

Se houvesse uma possibilidade de que o Movimento Carismático e o Padre Betancourt estivessem na verdade… diríamos que teria que os seguir como fiéis discípulos e nos fazer todos ‘carismáticos’. Nós seríamos os primeiros a fazer-lo, porque somente o amor à Verdade é que nos move.

Mas se eles mentem, se eles enganam, se eles não fazem o que a Igreja fez sempre, como cremos haver demonstrado nesta investigação, nos vemos obrigados a enfrentá-los.

Até as últimas conseqüências.

Encomendamo-nos à Santíssima Virgem nesta tarefa, já que ela é o terror dos hereges. A destruidora do maligno e seus erros.

“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza”. (Mt 6,24)

“Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha”. (Lc 11,23)

©MMV – Militia in Veritate

Para citar este texto:

CRISTIANDAD FM – “MANIPULAÇÕES PSÍQUICAS DO MOVIMENTO CARISMÁTICO” (tradução de Jorge Luis)
Blog TRADIÇÃO VIVA (EM DEFESA DA FÉ CATÓLICA)
http://tradicaoviva.blogspot.com/2007/08/manipulaes-psquicas-do-movimento.html
Postado por Jorge Luis às 22:16
11 de Agosto de 2007
UM POUCO SOBRE A RCC…
Salve Maria

Tenho recebido alguns ‘scraps’ em meu perfil do Orkut de membros do movimento conhecido como ‘Renovação Carismática Católica’, onde estas pessoas afirmam ser eu portador de ódio a este movimento. Dentre outras coisas, me questionam como posso eu ser contra um movimento que tem a aprovação do Papa, e que, agindo assim, estou buscando a divisão na Igreja.

Antes de mais nada, é importante conhecer as origens do que hoje é a Renovação Carismática. Não sem antes passarmos pelas origens do chamado Movimento Pentecostal ou Avivamento. Para tanto, valho-me de um estudo sobre a Renovação Carismática publicado no site da Capela de Nossa Senhora da Conceição (RJ), de onde transcrevo algumas partes:

1) Breve História do Movimento (RCC)

a) Raízes Protestantes:

Apesar de muitos carismáticos tentarem atribuir suas chamadas “manifestações do Espírito” `a ininterrupta Tradição Apostólica, eles acabam sempre por fracassar nesse intento. Alguns chegam ainda a sustentar que o fenômeno cessou por causa de uma atitude “sufocante e burocratizante “por parte da Hierarquia Católica. Apesar disso, o fato da existência desses carismas não ser conhecido depois da era Apostólica, é algo que fica claramente demonstrado por essa declaração de Santo Agostinho, feita no quarto século:

“Quem em nossos dias, espera que aqueles a quem são impostas as mãos para que recebam o Espírito Santo, devem portanto falar em línguas , saiba que esses sinais foram necessários para aquele tempo. Pois eles foram dados com o significado de que o Espírito seria derramado sobre os homens de todas as línguas, para demonstrar que o Evangelho de Deus seria proclamado em todas as línguas existentes sobre a Terra. Portanto o que aconteceu, aconteceu com esse significado e passou”

Ao descartarmos a atribuição dos carismas à Tradição Apostólica , devemos portanto olhar para outras direções para compreendermos a origem desse fenômeno moderno. Muitos escritores atribuem o início do moderno Pentecostalismo a John Wesley, o famoso ministro ex-Anglicano e fundador do Metodismo no século 18.

O próprio Wesley, filho de um ministro Anglicano, cresceu tentando “espiritualizar” a então ainda “muito-católica” religião Anglicana, ou seja, tentando livrar o Anglicanismo de todo o seu “ranço”católico. Ele enfatizava a necessidade de uma piedade pessoal extremamente emocional, um “relacionamento pessoal”com Deus. Um dia, depois de um período convalescendo de uma longa enfermidade, Wesley sentiu uma “sufocante” manifestação do “Espírito” e percebeu que todas as suas antigas obras religiosas não passavam de tolices. Assim “cheio do poder”, batizado no Espírito, tendo recebido aquilo que ele chamava de “segunda-bênção”, ele foi capaz de sair e conquistar os corações de gelo das massas de denominação Anglicana dando-lhes um sentido mais profundo da presença de Deus através de seu “Método” de “Encontros de Oração”.

O paralelo entre o nascimento do Metodismo e as orígens da RCC se tornam ainda mais evidentes quando consideramos o segundo passo no desenvolvimento do primeiro. Wesley começou o seu movimento como uma espécie de suplemento para os serviços dominicais da Igreja Anglicana. Os encontros de oração eram realizados durante a semana, normalmente com a supervisão de algum membro do clero. Mas logo logo as autoridades Anglicanas começaram a ficar apreensivas com o rumo que os Metodistas estavam tomando e assim recusaram-se a designar mais elementos do clero para acompanhá-los. Como consequência, Wesley e seu movimento romperam com a hierarquia Anglicana, fundando sua própria igreja, sob sua própria autoridade, embora nunca tendo renunciado ao seu “sacerdócio anglicano”. O número de apóstatas Católicos, cuja apostasia_ formal ou material_ é devida à RCC sem dúvida é significante, pois qualquer um sabe que uma igreja pentecostal ou carismática é formada quase em sua totalidade por apóstatas católicos.

O Pentecostalismo propriamente dito, teve início com o movimento Revivalista ou de Reavivamento, o qual desovou entre outras, a seita do reverendo Charles Parham em Topeka, Kansas por volta do ano de 1900. Os Católicos Carismáticos atribuem o início do “Derramamento do Espírito” nos tempos modernos a essa seita herética. Uma breve sinopse da história dessa seita pode ser encontrada no livro de William Whalen chamado “Minorias Religiosas na América”:

“O aparecimento da glossolalia ( falar em línguas) foi registrado em 1901. Charles Parham, um pregador do movimento da Santidade, andava desanimado com sua própria aridez espiritual. Ele alugou então uma mansão que mais parecia um “elefante branco” em Topeka, Kansas, e ali começou uma escola bíblica com cerca de 40 alunos. Juntos eles começaram uma espécie de curso intensivo das Escrituras e chegaram à conclusão de que falar em línguas era o sinal de que um cristão havia recebido o batismo no Espírito Santo. Às 7 horas da tarde, numa véspera de Ano Novo, uma de suas alunas, Agnes N. Ozmen, começava a reunir o grupo para orar e quando foram-lhe impostas as mãos, ela começou a orar em línguas. Dentro de poucos dias, muitos outros a seguiram na experiência.”

Pahram passou os cinco anos seguintes levando uma vida de pregador intinerante antes de abrir outra escola bíblica, desta vez em Houston no Texas. Um de seus alunos, um ministro negro chamado W. J Seymore, levou a mensagem do “evangelho-pleno” à Los Angeles. Assim o movimento de Reavivamento, com apenas 3 anos de existência na Califórnia já atraía pessoas de tudo quanto é parte do país e essas pessoas se encarregaram de fundar e espalhar o Pentecostalismo na maioria das grandes cidades dos Estados Unidos, bem como em muitos países da Europa. As antigas igrejas do movimento revivalista recusavam-se a enfatizar a necessidade de se falar em línguas, mas rapidamente dezenas de denominações pentecostais independentes se organizaram, dando origem entre outras , às chamadas “assembléias de Deus”.

Logo após esse firme estabelecimento em solo protestante, o Pentecostalismo começou a crescer rapidamente. De qualquer modo, sempre foi visto pelos escritores católicos como uma nova seita herética, nunca como “igreja-irmã”. A revolução entrou na Igreja com a mudança de atitude proclamada pelo Vaticano II, uma abertura das janelas para o mundo, o que significou também uma abertura para todas as religiões do mundo- sob a guia de seu Príncipe e fundador, Satanás.

b) O Retiro de Duquesne e seus antecedentes (extraído do site da Comunidade Shalom):

“A primeira pessoa beatificada pelo Papa João XXIII foi uma freira chamada Elena Guerra, fundadora em Lucca, na Itália, das Irmãs oblatas do Espírito Santo. Entre os anos de 1895 e 1903, a irmã escreveu doze cartas ao Papa Leão XIII pedindo a pregação permanente do Espírito Santo, “que é aquele que faz os santos”, e expressou ao Santo Padre o seu desejo de ver toda a Igreja unida em permanente oração, como o estavam Maria e os Apóstolos no Cenáculo, aguardando a vinda do Espírito Santo. Como resultado, o Papa Leão XIII publicou “Provida Matris Caritate”, onde pediu que a Igreja celebrasse, entre as festas da Ascensão e Pentecostes uma solene novena ao Espírito Santo; e publicou também a sua encíclica sobre o Espírito Santo, “Divinum Ilud Munus”, e em 1º de Janeiro de 1901, primeiro dia do século vinte, invocou o Espírito Santo e cantou ele mesmo o hino “veni, Creator Spiritus” em nome da Igreja. Mas, apesar da fraca resposta dos católicos ao chamado do papa Leão XIII, pessoas de outras denominações se puseram em oração ao Espírito Santo e receberam manifestações impressionantes dos dons e poder do Espírito Santo, até que nos meados da década de 1960 também a Igreja Católica começou a experimentar a Graça da Renovação Carismática.

Neste momento veremos a infiltração do protestantismo no chamado ‘movimento carismático’ católico:

“Em Agosto de 1966 estes dois professores (da universidade de Duquesne) encontraram-se com Ralph Martin e Steve Clark na Convenção Nacional dos Cursilhos e receberam destes cópias dos livros “A Cruz e o punhal” e “Eles falam em outras línguas” (de autoria protestante – Nota minha), que tratam da experiência pentecostal. Impressionados com a clareza que agora viam do papel do Espírito Santo na vida de quem crê, procuraram um ministro da Igreja episcopal, que embora não tivesse vivido a experiência do batismo no Espírito os conduziu a uma paroquiana sua, chamada Flo Dodge. Esta paroquiana, com seu grupo carismático de oração, os levou e, mais dois professores da Duquesne, a receber o batismo no Espírito Santo.

O que lemos acima parece ser, no mínimo, aterrador: católicos buscam em livros protestantes a clareza necessária para viver uma ‘experiência’ com o Espírito Santo, e recebem das mãos de uma protestante o ‘batismo no Espírito Santo’, pois, como no próprio texto da Shalom afirma: ‘Todavia, eles ainda queriam “algo mais”. Não tinham uma noção exata daquilo que queriam e que ainda estava faltando’!!! Uma porta para que o Demônio se mostre e seduza os corações mais simples…

O resto da história todos nós já a conhecemos. Por isso pergunto: como não se dedicar a combater um movimento que se diz católico, mas tem em sua raízes mais profudas o protestantismo??? Como aceitar passivamente que pessoas de boa vontade sejam enganadas por doutrinas já há muito condenadas pela própria Igreja???

Rezo a Deus para que mostre aos ‘carismáticos’ a enganação a que se sujeitam, e que a Igreja seja forte para sufocar a heresia que teima em contaminar seus filhos, e é por isso que luto com todas as forças contra este movimento, pelo bem das almas e pela glória de Deus e de sua Santa Igreja, assistida desde sempre pelo Espírito Santo… não este ‘espírito’ que reina entre os pentecostais e carismáticos.

A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA
A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA
(negação dos Sacramentos e caricatura dos Dons do Espírito Santo)
Tradução do espanhol por Jorge Luis

Atualmente se fala com freqüência na Igreja do Movimento Pentecostal e da Renovação Carismática. Efetivamente há muitos católicos hoje em dia que buscam receber a graça do Espírito Santo por um caminho diferente que em definitivo nos chega através do Protestantismo. O Movimento Pentecostal é de origem protestante (1) e entrou na Igreja (2) transformando-se no Movimento da Renovação Carismática. Temos que dizer com clareza que estas manifestações são cada vez mais freqüentes na Igreja e sempre com a autorização das autoridades eclesiásticas (3).

No mês de Novembro de 1984, durante a reunião que teve lugar em Munique conhecida como Katholikentag, todos os Cardeais e Bispos alemães se congregaram junto a mais de oitenta mil fieis. Todo o mundo foi testemunha destas estranhas manifestações que tiveram lugar geralmente antes de se administrar o Sacramento da Eucaristia. E não cabe dúvida que diante de tais manifestações alguém se perguntasse se estavam inspirados pelo verdadeiro Espírito de Deus ou se tratava de outro espírito.

Mais ou menos e também por este modo, em Graz (Áustria), tiveram lugar uma serie de manifestações carismáticas diante do bispo deste lugar, no qual afirmou que adiante seriam aceitas na Igreja Católica como um meio para atrair aos jovens cuja prática religiosa era cada vez menor. Talvez, seguiu dizendo, seja um meio para que renasça a vida cristã entre a juventude.

Ao mesmo tempo, em Paray-le-Monial, se celebram freqüentemente reuniões deste tipo, adornadas com certos elementos tradicionais.

Concretamente aqui, em Paray-le-Monial, há jovens que passam a noite em adoração diante do Santíssimo Sacramento, rezando o Rosário e dando testemunho de um autêntico espírito de oração. No entanto há um aspecto curioso e estranho nele em que se mesclam elementos da Tradição e essas manifestações raras e nada habituais na Igreja.

Que podemos pensar de tudo isto? Devemos crer que é um novo caminho aberto por ocasião do Concilio Vaticano II, e incluído alguns anos antes, para receber o Espírito Santo?

“O Movimento Pentecostal é de origem protestante e tem entrado na Igreja transformando-se no Movimento da Renovação Carismática”

Tudo parece indicar que estas novas manifestações não estão de acordo com a Tradição da Igreja. De onde procede o Espírito Santo? Quem nos dá o Espírito Santo? Quem é o Espírito Santo?

DE ONDE PROCEDE O ESPÍRITO SANTO?

O Espírito Santo é Deus. Spiritus est Deus, diz São João. “Deus é Espírito”. E Deus quer que rezemos e lhe adoremos em espírito e verdade. Assim pois mais que manifestações sensíveis, externas, se trata de uma atitude espiritual que deve mostrar nosso verdadeiro vínculo com o Espírito Santo. No Evangelho Nosso Senhor Jesus Cristo anuncia aos Apóstolos que receberão o Espírito Santo, que Ele lhes enviará o Espírito Santo. O Espírito Santo, Espírito de verdade, de caridade, que glorificará a Nosso Senhor porque tomará dEle e lho dará a conhecer. Mittam eum ad vos. “Eu lhos enviarei”. Este Espírito procede de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Pai. O dizemos no Credo: Credo in Spiritum Sanctum, qui ex Patre Filioque procedit. “Que procede do Pai e do Filho”. Esta é a Fe católica: cremos que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho e que Nosso Senhor Jesus Cristo veio precisamente à Terra para comunicar-nos seu Espírito, para infundir-nos sua vida espiritual, sua vida divina.

OS SACRAMENTOS

Como se da a recepção do Espírito Santo? Que meios usa Nosso Senhor? Se vale destas manifestações (4) que vemos na Renovação Carismática e nos Pentecostais? Em absoluto. É por meio dos Sacramentos, instituídos por Ele, que nos comunica seu Espírito.

Devemos insistir de forma especial nesta verdade da Tradição: Nosso Senhor nos comunica seu Espírito pelo Batismo. Ele disse a Nicodemos na entrevista noturna que manteve com ele. “Aquele que no renasce da água e do Espírito Santo não entrará no Reino dos Céus”. Devemos renascer da água e do Espírito Santo. Ademais Nosso Senhor comunicou também desta forma seu Espírito aos Apóstolos. Primeiramente receberam o batismo de João e depois em Pentecostes receberam o Batismo do Espírito. E logo depois de terem recebido o Espírito Santo, que fizeram?

“Creio que deveríamos meditar com mais atenção a grande realidade de nosso Batismo. É uma total transformação a que se opera em nossas almas com a recepção deste sacramento.”

Eis o que fizeram os Apóstolos: foram batizar; comunicaram o Espírito Santo a todos que tiveram Fé, a todos que creram em Nosso Senhor Jesus Cristo.

É assim como a Igreja, sob a influência e o ditame de Nosso Senhor Jesus Cristo, comunica o Espírito Santo às almas através do Batismo. Todos nós recebemos o Espírito Santo no dia de nosso Batismo. Creio que deveríamos meditar com mais atenção a grande realidade de nosso Batismo. É uma total transformação a que se opera em nossas almas com a recepção deste sacramento.

Os outros Sacramentos vêm a completar esta efusão do Espírito Santo recebido no dia de nosso Batismo.

O Sacramento da Confirmação nos comunica também todos os dons do Espírito Santo com grande profusão, já que temos necessidade deles para alimentar e fortalecer nossa vida espiritual, nossa vida cristã.

E isso não é tudo. Com efeito, Nosso Senhor Jesus Cristo quis que dois Sacramentos em particular nos comunicasse seu Espírito de forma freqüente, com o fim de manter em nós a efusão de seu Espírito. São os Sacramentos da Penitencia e da Sagrada Eucaristia. O Sacramento da Penitencia reforça a Graça que recebemos no dia de nosso Batismo e purifica nossas almas de nossos pecados. Não podemos pensar em receber numerosas graças do Espírito Santo se estamos contristando-lhe pelo pecado. O Sacramento da Penitencia restitui pois em nós a força do Espírito Santo, a virtude da Graça.

O que diremos do Sacramento da Sagrada Eucaristia que nos é dado pela celebração do Santo Sacrifício da Missa? É nesse preciso instante em que o Sacrifício da Missa se consuma, continuando-se assim o Sacrifício da Redenção, quando o Sacramento da Sagrada Eucaristia se realiza. Esta graça flui do Coração traspassado de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Sangue e a água que saem de seu Sagrado Coração significam as graças da Redenção e ao mesmo tempo nos comunicam sua vida divina. Na Sagrada Eucaristia recebemos toda vez a santificação de nossas almas para apartá-las do pecado e a união com Nosso Senhor Jesus Cristo, e em tudo isto se nos comunica a força do Espírito Santo.

Os Sacramentos do Matrimonio e da Ordem santificam a sociedade. O primeiro santifica as famílias e o segundo é conferido para comunicar precisamente o Espírito Santo a todas as famílias cristãs, a todas as almas. São momentos nos quais Nosso Senhor Jesus Cristo nos dá realmente seu Espírito, Espírito de verdade, de caridade e de amor.

Finalmente o Sacramento da Extrema-Unção nos prepara para receber a verdadeira e definitiva efusão do Espírito Santo, quando receberemos nossa recompensa no Céu.

NÃO TEMOS DIREITO A ESCOLHER OUTROS MEIOS

Estes são os meios que Nosso Senhor Jesus Cristo quis empregar para comunicar-nos sua vida espiritual, seu próprio Espírito. Não temos direito a querer e escolher outros meios distintos daqueles que Nosso Senhor Jesus Cristo nos deu, esses meios que Ele mesmo instituiu tão singelos, tão belos, tão eficazes e tão simbólicos ao mesmo tempo. Não pretendamos receber o Espírito Santo mediante simples manifestações externas ou gestos originais. É demais temer que todas estas manifestações sejam inspiradas pelo espírito do mal, precisamente para enganar aos fieis, fazendo-lhes crer que recebem o verdadeiro Espírito de Nosso Senhor. E não é verdade, não recebem o Espírito Santo, mas outro tipo de espírito… Cuidado para não deixar-nos enganar por estas correntes, velando para que não o sejam também nossos familiares. Façamos ver que Nosso Senhor Jesus Cristo pôs todo seu empenho em comunicar-nos o Espírito Santo através dos Sacramentos que Ele mesmo instituiu.

A VERDADEIRA AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NAS ALMAS: OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Assim, pois, como atua o Espírito Santo em nossas almas? Primeiramente apartando-nos do pecado, mediante os dons da Fortaleza e do Temor de Deus. Especialmente o temor filial e não o temor servil, ainda que pode ser útil o temor que nos infundem os castigos, guardando-nos fiéis a Nosso Senhor Jesus Cristo e a seus Mandamentos. Mas é o temor filial que devemos cultivar. È este temor que nos infunde o Espírito Santo. Temor de apartar-nos de Nosso Senhor Jesus Cristo que é nosso tudo, de apartar-nos de Deus, do Espírito Santo. Este temor deveria ser suficiente e eficaz para apartar-nos de todo pecado voluntário, seja ele que seja. Que nossa vontade não se afaste de Deus pelo apego a bens contrários à Vontade divina. Este é o primeiro efeito dos dons do Espírito Santo.

Através dos Dons do Conselho e Sabedoria o Espírito Santo nos inspira a submissão à Vontade de Deus; o Dom de Conselho aperfeiçoa a virtude da Prudência. Todos temos necessidade em nossa vida de saber qual é a Vontade de Deus para poder cumpri-la. Nem sempre é fácil. Há momentos em que devemos tomar certas decisões, que são sem dúvida complicadas, e é então quando descobrimos ser difícil conhecer a Vontade de Deus. O Espírito Santo nos ilumina pelos Dons de Conselho e Sabedoria.

A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade nos move também à oração, à união com Nosso Senhor Jesus Cristo, à união com Deus Pai através da oração. Eis aqui o Dom da Piedade, um dos sete Dons do Espírito Santo. O Dom da Piedade se manifesta especialmente na virtude da Religião que leva as almas a Deus. Virtude da Religião que forma parte da virtude da Justiça, pois é justo e digno que tributemos um culto. E o culto que Deus Pai quer que lhe tributemos através da Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, mediante o Sacrifício do Calvário. Pela celebração do Santo Sacrificio da Missa Deus Pai quis que lhe tributasse toda honra e toda gloria por Nosso Senhor Jesus Cristo, com Ele e nEle.

Isto é o que a Igreja nos pede que façamos cada Domingo: unir-nos ao Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a oração mais bela e maior. Na Santa Missa o Espírito Santo nos inspira esta virtude da Religião, espírito de piedade profunda, realidade espiritual muito mais que sensível.

UMA FRASE BEM REPETIDA: A PARTICIPAÇÃO ATIVA NA LITURGIA

De novo nos vemos obrigados a dizer que há um erro na reforma litúrgica: a repetição maçante sobre a participação dos fiéis. Eu mesmo ouvi dos lábios de Monsenhor Bugnini, peça chave na reforma litúrgica, dizer o seguinte: “A reforma litúrgica tem como objetivo incentivar a participação dos fiéis na Liturgia”.

De que participação se trata? Esta é la pergunta. Uma participação externa? Una participação oral? Estas formas não são sempre a melhor maneira de participar. Por que a participação externa? Por que estas cerimônias? Por que estes cantos? Por que estas orações vocais? Acaso é com o fim de chegar à união interior, a essa união espiritual, sobrenatural, a essa união de nossas almas com Deus?

Dito isto é bem possível que alguém possa assistir ao Santo Sacrifício da Missa em atitude silenciosa, sem abrir sequer o Missal, precisamente quando toda a atenção se dá no que ali se celebra, e a alma está centrada, invadida pelos sentimentos que o sacerdote manifesta em sua ação litúrgica, pendente do momento em que o ministro pronuncia o confiteor, seu ato de contrição. Desta forma a alma faz suas as palavras do sacerdote e se dói de seus pecados.

Quando se entoa o Kyrie Eleison se faz una chamada à piedade e à misericórdia de Deus. Quando se lê o Evangelho ou a Epístola surge o espírito de Fé. O Credo é um ato de Fé, de Fé nas verdades ensinadas pela Santa Igreja. No momento do Ofertório a alma se oferece, junto com a Hóstia, na patena. Se oferece o trabalho do dia, a própria vida e a família, os entes queridos: tudo se oferece a Deus. Os sentimentos continuam expressando-se desta maneira através da Missa, é magnífico. Esta é a verdadeira participação, participação interior de nossas almas na oração pública da Igreja. Não tem que ser necessariamente uma participação externa, ainda que esta seja bem útil e possa nos ajudar a estar unidos ao sacerdote. Mas o fim é sempre a união espiritual de nossos corações e de nossas almas com Nosso Senhor Jesus Cristo, com Deus Pai. E por tudo isso é um erro quando se pretende que os fieis participem externamente e isto em tal grau que chega a ser um obstáculo para a oração interior e a união das almas com Deus.

“Não temos direito a querer e escolher outros meios distintos daqueles que Nosso Senhor Jesus Cristo nos deu, esses meios que Ele mesmo instituiu tão singelos, tão belos, tão eficazes e tão simbólicos ao mesmo tempo.”

Quantas pessoas dizem que não podem rezar agora com a Nova Missa. Sempre se está ouvindo algo. Sempre há uma oração em comum, pública, manifestada externamente, que é motivo de distrações e impede que possamos nos recolher e assim estar unidos mais intimamente com Deus. É a negação do que se está fazendo. O espírito de Piedade e o Dom da Piedade são também uma manifestação do Espírito Santo.

DA PIEDADE À CONTEMPLAÇÃO

Finalmente os Dons do Entendimento e da Ciência nos convidam à contemplação de Deus através das coisas deste mundo. O Dom da Ciência e o Dom do Entendimento nos penetram e nos infundem a Luz da existência de Deus, de sua Presença em todas as coisas e especialmente nas manifestações espirituais e sobrenaturais que Deus nos concede pela Graça e pelos Sacramentos. Quando o Espírito Santo ilumina a uma alma esta vê de alguma maneira a presença de Deus em todas as coisas e assim se une a seu Senhor no viver diário esperando vê-lo realmente na vida eterna.

O ESPÍRITO SANTO FONTE DA VIDA INTERIOR

Assim é e assim se manifesta o Espírito Santo. Nos Evangelhos, nos Atos dos Apóstolos, nas Epístolas, se pode contemplar ao Espírito Santo. Está em todas as partes e em todas as partes se manifesta. É a expressão claríssima da Vontade de Deus Pai que deseja ver-nos como nos santificamos pela presença do Espírito Santo.

Peçamos à Santíssima Virgem Maria, inundada pelo Espírito Santo, Ela que é Nossa Mãe do Céu, que nos ajude a viver esta vida espiritual, interior e contemplativa. Ela que tanto recato teve em manifestar externamente sua oração. Umas poucas palavras no Evangelho bastam para nos mostrar e descobrir um pouco a alma da Santíssima Virgem Maria.

Ela meditava as palavras que proferia Nosso Senhor. As meditava em seu Coração, nos diz o Evangelho. Este era o espírito da Santíssima Virgem Maria: meditava as palavras de Jesus.

Meditemos também nós os ensinamentos do Evangelho; meditemos os ensinamentos que a Igreja nos faz aprender para nos unir cada vez mais e mais a Deus Nosso Senhor.

† Mons. Marcel Lefebvre

Notas:
(1) Em primeiro de janeiro de 1901 uma estudante protestante experimentou de repente uma sensação de paz e de gozo que segundo ela provinha de Cristo e igualmente se pôs a falar em línguas cujo conhecimento ignorava. Passados alguns dias toda sua comunidade havia recebido, como ela, o “Batismo no Espírito”. Assim nascia o Movimento Pentecostal protestante.
(2) Em 13 de janeiro de 1967 dois professores da Universidade de Pittsburgh pedem que se lhes imponha as mãos em uma assembléia protestante, descobrindo com grande surpresa que “falam em línguas”. Nascia a Renovação Carismática católica.
(3) Esta tendência ecumenista atual, de tão grande êxito, não constituirá talvez o que se vêm chamando a “renovação conciliar”?
(4) Os sinais extraordinários de Pentecostes foram carismas passageiros cujo fim era interessar aos judeus na predicação dos Apóstolos. À medida que a Igreja se estendia estes carismas foram desaparecendo pouco a pouco.

Texto original: ‘La Renovacion Carismatica: negación de los sacramentos y caricatura de los Dones del Espíritu Santo’, publicado em http://www.statveritas.com.ar/Varios/Lefebvre-Carismaticos.htm

Disponível em: http://tradicaoviva.blogspot.com/search/label/RCC

Será o movimento carismático a ilusão espiritual sutil dos tempos do Anticristo ?
http://ortodoxiacatolica.wordpress.com/2008/07/16/rcc-um-sinal-dos-tempos-do-anticristo/

A Bíblia e os Santos Padres, nos falam claramente sobre o sinal do fim dos tempos, que não será uma grande “renovação” espiritual, ou uma “efusão do Espírito Santo,” mas sim de uma apostasia quase universal, de uma grande ilusão espiritual tão sutil, capaz de enganar até os escolhidos, e se possível, causar até o desaparecimento virtual do Cristianismo da terra. Saberemos que o Anticristo provará para o mundo que é o Cristo fazendo seus pródigios unido a um movimento cheio de “poder,” que faz todos os tipos de falsos milagres, sinais e maravilhas enganadoras (II Tessalonicenses 2:9).

A ilusão do “falar em línguas” dos carismáticos

Se analisarmos cuidadosamente os escritos da “renovação carismática,” veremos que esse movimento guarda muitas semelhanças com diversos movimentos sectários do passado, baseando-se de modo primário — ou mesmo integral — em práticas religiosas e ênfases doutrinárias bizarras. A única diferença é que a ênfase é outra, um ponto específico que nem os sectários no passado reconheceram como crucial: o “falar em línguas.”
Aqui já se pode notar uma ênfase (no falar em línguas) que certamente não está presente no Novo Testamento, onde o falar em línguas teve um significado menor, servindo como um sinal da descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes (Atos 2) e duas ocasiões (Atos 10 e 19). Depois do primeiro ou talvez do segundo século não há registro desse fenômeno em qualquer documento do magistério, e não há relatos de sua ocorrência nem mesmo entre os grandes padres do deserto Egípcio que, dotados do Espírito de Deus, podiam realizar numerosos milagres surpreendentes, inclusive ressuscitar os mortos. Pode-se resumir a atitude Ortodoxa com relação ao genuíno falar em línguas, com as palavras de Santo Agostinho (Homilias sobre São João, VI:10): “Nos primeiros tempos O Espírito Santo desceu sobre aqueles que acreditaram, e eles falaram em línguas que haviam aprendido, conforme o espírito lhes ensinava.” Estes sinais faziam parte daquela época, pois foi necessário que este sinal do Espírito Santo se manifestasse em todas as línguas mostrando que dever-se-ia proclamar o Evangelho de Deus aos quatro cantos da Terra. Foi um sinal que acabou. E como resposta aos pentecostais contemporâneos — e sua estranha ênfase nessa questão — Agostinho continua: “Espera-se agora que aqueles que recebem a imposição de mãos devem falar em línguas? Ou quando impusemos nossas mãos sobre as crianças, cada um de vocês esperou ver se elas falariam em línguas? E quando se vê que elas não falam em línguas, qualquer um de vocês foi tão perversos a ponto de dizer que não receberam o Espírito Santo?”

Tal fenômeno, longe de ser um dom concedido de modo livre e espontâneo, sem a interferência do homem — como são os verdadeiros dons do Espírito Santo — pode-se estimular o falar em línguas de maneira previsível através de uma técnica regular de um grupo “de oração” concentrado e que é acompanhado por hinos protestantes psicologicamente sugestivos (“Ele vem! Ele vem!”), culminando em uma “imposição de mãos,” e que as vezes envolve esforços puramente físicos, como a repetição contínua de uma determinada frase, ou apenas fazer sons com a boca. Uma pessoa admite que, como muitas outras, depois de falar em línguas.
O Padre carismático Jonas Abib, da Canção Nova, num vídeo disponível no You Tube, aparece ensinando fazer com a boca sons silábicos sem sentido no esforço de iniciar o fluxo da oração em línguas; e tais esforços, ao invés de serem desencorajados, são estimulados pelos carismáticos. Ora, pode qualquer cristão da ortodoxia católica dotado de bom senso confundir estes perigosos jogos psíquicos com os dons do Espírito Santo? Está claro que de não há nada cristão nesse fenômeno, ou pelo menos nada que seja espiritual. Ao invés disso, trata-se de uma série de mecanismos psíquicos que podem ser ativados através de técnicas psicológicas ou físicas bem definidas — o “falar em línguas” ocuparia, então, um papel chave neste processo, como um tipo de “gatilho.”
http://br.youtube.com/watch?v=IJtF8-Hj_zE
De qualquer modo, além de não haver nenhuma semelhança com os dons espirituais descritos no Novo Testamento, este “falar em línguas” está mais próximo do xamanismo praticado nas religiões primitivas, onde o xamã ou pajé faz uso de uma técnica regular para entrar em transe e enviar ou receber uma mensagem para algum “deus” em uma língua que lhe é desconhecida. Se prestarmos atenção ao movimento, podemos ver que a renovação carismática não é exatamente uma “renovação,” pois nela há pouco arrependimento ou condenação dos pecados, mas essencialmente uma busca pelo poder e a experimentação.

Nicholas Berdyaev, eminente intérprete ortodoxo oriental do cristianismo diz que a “renovação carismática” possui um fundamento inteiramente diferente à luz do ensinamento ascético tradicional e ortodoxo da Igreja e revela-se como uma fraude espiritual. Logo, não há lugar para ambas as concepções no mesmo universo espiritual: para aceitar a “nova espiritualidade” da “renovação carismática” é necessário rejeitar a ortodoxia católica; e reciprocamente, para permanecer um cristão fiel, deve-se rejeitar a “renovação carismática” que é uma falsificação da ortodoxia.
TENDO POUCO OU NENHUM FUNDAMENTO nas fontes genuínas da espiritualidade cristã — os sagrados Mistérios da Igreja, os ensinamentos espirituais transmitidos pelos Santos Padres de Cristo e de seus apóstolos — os seguidores da “renovação carismática” não possuem nenhum diferenciar o que é graça de Deus e o que é fraude. Todos os “escritores carismáticos” mostram, em grau maior ou menor, uma falta de cautela e discernimento em relação às experiências que tiveram.

O fraude do Batismo do Espírito Santo
Um dos efeitos mais comuns após o “Batismo do Espírito Santo” é a risada e a euforia. Um católico disse: “Estava tão eufórico que a única coisa que conseguia fazer era rir deitado no chão” (Ranaghan, p. 28). Outro católico disse: “O senso da presença e do amor de Deus era tão grande que só me lembro de estar rindo na capela por mais de meia hora, cheio do amor de Deus” (Ranaghan, p. 64).
Um protestante descreve seu Batismo “Comecei rindo… Apenas ria e ria, foi algo tão bom que nem consigo descrever. Ri até a exaustão.” (Sherril, p. 113). Outro protestante disse: “A nova língua havia se mesclado com uma nova onda de alegria, todo medo que tinha parecia ter ido embora. Era a língua da risada.” (Sherrill, p. 115). Um padre ortodoxo, Pe. Eusebius Stephanou escreveu: “Não pude esconder o largo sorriso da minha face, e a cada minuto dava uma grande risada — a risada do Espírito Santo, que dá um refrescante alívio.” (Logos, April, 1972, p. 4).
Ora, qual o critério da tradição Ascética da Igreja em relação ao “riso do Espírito Santo” e em relação às atitudes irreverentes frente ao Santíssimo Sacramento, como vemos com frequência?

São Barsanúnfio e São João, ascetas do século VI, dão a resposta Ortodoxa em relação a prática definitivamente não Cristãs. Um monge ortodoxo foi acometido por este problema (Resposta 451).: “no temor a Deus não há risada. As Escrituras nos falam dos tontos, que levantam a voz em risada (Sirach 21:23). A palavra do tolo está sempre alterada e privada da graça.”
São Efraim, o Sírio, ensina com a mesma claridade: “A risada e a falta de cerimônia são o começo da corrupção da alma. Se vê isso em ti mesmo, saiba que chegaste a profundidade dos males. Peça para que Deus o tire desta morte. A risada nos tira a benção prometida aos que lamentam (Mateus 5:4) e destrói tudo de bom que foi construído. A risada ofende o Espírito Santo,não traz benefícios à alma, desonra o corpo. A risada tira nossas virtudes, não se lembra da morte e nem pensa nas torturas.” (Filocália, Edição Russa, Moscou, 1913, vol. 2, p. 448).
Além das risadas, das irreverências e dos prantos, há freqüentemente várias outras reações físicas ao “Batismo do Espírito Santo,” inclusive a sensação de calor, e muitos tipos tenebrosos de contorções, e o tombo.
A pessoa não sabe com o que se maravilhar mais: com a incongruência total de tais sentimentos histéricos, que conduz as pessoas enganadas às contorções do “Espírito Santo,” ou para as “inspirações divinas,” ou ainda para a “paz de Cristo.” Está bem claro, que tais pessoas carecem de orientação e experiência espiritual, estão totalmente analfabetas. Em toda história do Cristianismo ortodoxo, não há qualquer experiência “extática” produzida pelo Espírito Santo. É uma tolice quando alguns apologéticos “carismáticos” comparam suas experiências infantis e histéricas com as revelações divinas outorgadas aos maiores Santos, como para São Paulo durante a estrada de Damasco, ou para São João Evangelista, em Patmos. Estes Santos estavam sobre a proteção do verdadeiro Deus (sem contorções, e certamente, sem risadas), já estes pseudo-cristãos estão reagindo à presença de um espírito invasor, e o adorando.
O Ancião Macário de Optina escreveu sobre uma pessoa em um estado semelhante: “Pensando em encontrar o amor de Deus em sentimentos consoladores, você não está buscando a Deus, mas está buscando a si mesmo, isto é, sua própria consolação, evitando o caminho das lamentações, ficando perdido e sem consolações espirituais”

O espírito dos últimos tempos.
A “renovação carismática,” é um “sinal” da apostasia?

O movimento ecumênico se apresenta como um movimento de “boas intenções” e de boas “ações humanitárias,” mas percebe-se que está unido a um outro movimento sutil cheio de “poder,” que faz todos os tipos de falsos milagres, sinais e maravilhas (II Tessalonicenses 2:9).
Então, o que isso quer dizer? A RCC não vem resgatar um ecumenismo deformado, e o coloca em sua meta principal? E isto não é apenas o primeiro passo para a maior meta de nos colocar completamente para fora do Cristianismo: estabelecendo a “unidade espiritual” de todas as religiões, de todos seres humanos, numa espécie de Pentecostes sem Cristo e sem a Igreja católica? Não temos aqui o denominador comum da “experiência espiritual” é fundamental para uma nova religião mundial, a religião do Anticristo? Esta não é a chave à “unidade espiritual” do ser humano que o movimento ecumênico busca em vão?
O ensinamento católico em relação ao anticristo é um assunto muito grande e não pode ser apresentado aqui. Mas se, como os seguidores da “renovação carismática” acreditam, os últimos dias realmente estão chegando, e é de importância crucial para o Cristão ser informado deste ensinamento, pois os “falsos profetas” mostrarão grandes sinais e maravilhas, a tal ponto, que será possível enganar até mesmo os eleitos (São Mateus. 24:24).
E o “eleito” não é certamente essas multidões de pessoas que estão aceitando estas ilusões estranhas às Escrituras, já que “o mundo não está no limiar de um grande despertar espiritual,” mas sim de que somos o “pequeno rebanho” para qual Nosso Salvador prometeu: “Porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino.” (São Lucas 12:32). Até mesmo o verdadeiro “eleito” será extremamente tentado pelos grandes “sinais” e maravilhas” do anticristo; mas a maioria dos “cristãos” o aceitará sem exitação, e é justamente isso que o “Novo Cristianismo” busca.
Estas “experiências religiosas” são, todavia, tentações da natureza, em que há pelo menos tanto um auto-engano psíquico como há um ritual autentico de iniciação demoníaca, naqueles que estão “meditando” de maneira fervorosa e os que pensam estar recebendo o “Batismo do Espírito” estão recebendo realmente uma iniciação ao reino do satanás.
Mas a meta dessas “experiências,” é dar lugar da técnicas de iniciação mais eficientes a medida que a humanidade prepara-se para elas, mediante atitudes de passividade e aberturas a novas “experiências religiosas” que são pré-pagãs e que preparam o cenário para a manifestação do mistério da iniquidade.
A ilusão
(São Gregório, o Sinaíta, Pequena Filocalia, p. 169-170. Paulus)
Amante de Deus, fica bem atento…Quando, ocupado em tua obra, vires luz ou fogo, dentro ou fora de ti, ou a suposta imagem de Cristo, dos anjos ou dos santos, não o aceites; correrias o risco de sofrer por isso. Não permitais também que teu espírito os invente. Todas essas formações exteriores intempestivas têm como resultado a indução da alma ao erro.
O verdadeiro princípio da oração é o calor do coração, que consome as paixões, produz na alma alegria e júbilo, e fortalece o coração num amor seguro e num sentimento de plenitude indubitável. Tudo o que se apresenta à alma, de sensível ou de intelectual […] não vem de Deus, foi enviado pelo inimigo. É o ensinamento dos Santos Padres. Quando vires teu espírito atraído para fora ou para o céu, por algum poder invisível, não creias; não deixe que ele seja arrastado, mas traze-o de volta à sua obra, imediatamente.
As coisas divinas vêm sozinhas; tu ignoras sua hora”, diz Isaac, o Sírio. O inimigo interior e natural dos rins* transforma, como quer, uns e outros, os objetos espirituais; faz passar uns por outros, apresenta, sob a aparência de fervor, seu fogo desordenado, para entorpecer a alma. Ele faz parecer júbilo a alegria insensata e a volúpia lúbrica, com seu cortejo de presunção e obstinação. Esse inimigo se esconde dos principiantes inexperientes e faz com que vejam, na obra de sua mentira, a operação da graça. […]
No coração de todo iniciante, agem duas operações, de maneira distintas. Uma sob o efeito da graça; outra sob o efeito do erro. Marcos atesta-o: “Há uma operação espiritual e uma operação satânica desconhecida das crianças”. A operação da graça é uma virtude do fogo do Espírito, que se exerce no coração com alegria; fortifica, aquece e purifica a alma, suspende por algum tempo seus pensamentos e mortifica provisoriamente os movimentos do corpo. São estes os frutos e os sinais que testemunham sua verdade: lágrimas, contrição, humildade, temperança, silêncio, paciência, solidão e tudo o que dá um sentimento de plenitude e de certeza indubitáveis.
Deus é um “fogo que consome” (Dt 4, 23) as paixões e não as excitam. A operação do erro é indecisa e desordenada, diz Diádoco de Fótice. Causa-nos alegria despropositada, presunção perturbação, acende o temperamento, trabalha a alma e a aquece, atrai para si a alma, para que o homem, contraindo o hábito da paixão, expulse pouco a pouco a graça. [NT: neste caso as paixões e as emoções são excitadas]
* (No Antigo Testamento, os rins são a sede das paixões e dos impulsos inconscientes)

Fonte: http://www.confrariadesaojoaobatista.com.br

 

 

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