Das Instituição dos Primeiros Monges I

7 10 2013
Elias e Eliseu

Elias e Eliseu

Elias, o primeiro monge, institui a vida monástica por inspiração de Deus.
Do Retiro de Elias no Deserto. Do duplo fim 
da vida eremítica e da renúncia aos bens terrenos.

Este Elias, Profeta de Deus, foi o primeiro de todos os monges que existiram e nele teve princípio a santa e gloriosa instituição monacal.
Com a ânsia que sentia pela divina contemplação e o veemente desejo de progredir na virtude, retirou-se para longe das cidades e despojando-se de todos os interesses terrenos e mundanos, se propôs começar a viver a vida eremítica, religiosa e profética, consagrando-se a ela como ninguém até então havia feito, e com a inspiração e o impulso do Espírito Santo, começou a vivê-la e a instituiu.
Porque, aparecendo-lhe o Senhor, lhe ordenou que fugisse dos povoados dos homens e se escondesse no deserto, e vivesse dali em diante a vida monástica da maneira que lhe havia inspirado. Isto se prova claramente com as palavras da Sagrada Escritura. Referindo-se a isto, lê-se no Livro dos Reis: “E falou o Senhor a Elias, dizendo-lhe: Sai daqui dirija-te para o Oriente e esconde-te na fonte do Carit, que está defronte o Jordão. Ali beberás da fonte e mandei aos corvos que te levem de comer.” (III Rs, 3,4).

O Espírito Santo pôs em Elias um veemente desejo de executar tão santo e tão conveniente mandato que lhe havia inspirado, e o escolheu e fortaleceu para que pusesse em prática tão desejadas promessas.
Os Religiosos monges ermitãos que somos, devemos meditar sempre mais cada uma destas palavras, não só no sentido literal histórico, mas principalmente no sentido
místico, e com tanto maior solicitude, quanto nelas se encerra mais perfeitamente a instituição, isto é: o modo de vida para chegar à perfeição profética e, enfim, à vida religiosaeremítica.
Esta vida de perfeição religiosa encerra dois fins: um podemos consegui-lo com nosso esforço e o exercício das virtudes, ajudados pela graça divina. Este fim consiste em oferecer a Deus o coração santo e limpo de toda mancha atual de pecado.
Conseguimos este fim quando já formos perfeitos e estivermos no Carit, ou seja, quando nos tivermos escondido naquela caridade da qual disse o sábio: “a caridade cobre todas as faltas” (Prov 10,12).
Mostrando o Senhor a Elias que queria que chegasse a este fim de caridade, lhe disse: te esconderás na torrente do Carit.
O outro fim da santa vida eremítica é dom totalmente gratuito de Deus que Ele comunica à alma. Consiste em que, não só depois da morte, mas ainda nesta vida mortal, possa gozar no afeto do amor e no gozo da luz do entendimento, algo sobrenatural do
poder da presença de Deus e o deleite da eterna glória. Isto quer significar beber da torrente da delícia divina.
Deus prometeu este fim a Elias ao dizer-lhe; ali beberás da torrente.
Para conseguir estes dois fins, o monge deve abrasar-se na vida profética e eremítica, como o disse o Profeta; neta terra deserta, sem caminho e sem água, ponho-me em tua presença como no santuário, para contemplar teu poder e tua glória. (Sl 62, 3).
Por isto escolheu viver em terra deserta, sem caminho e sem água, para deste modo apresentar-se como num santuário diante do Senhor, que é o coração limpo de pecado, afirma o primeiro fim da vida solitária escolhida, que é oferecer a Deus o coração santo e limpo de todo pecado atual.
E o que segue para contemplar teu poder e tua glória, expressa claramente o segundo fim da vida eremítica que consiste em experimentar de alguma forma nesta vida ver misticamente dentro da alma algo do poder da divina presença e saborear a doçura da
eterna glória.
O Primeiro fim que é o coração limpo se alcança pelo esforço e a prática das virtudes, ajudados pela divina graça. Ao segundo, chega-se pelo amor perfeito e pela pureza do coração; isto é: chega-se a saborear deleitosamente algo de uma alta notícia de
Deus e da glória celestial, conforme o que disse o Senhor: “o que me ama, será amado por meu Pai, e eu o amareis e me manifestarei nele” (Jo XIV, 21).
Pois, conforme as palavras que até aqui copiamos, Deus falou a Elias para lhe ensinar como o primeiro e principal de todos os monges e nele persuadir-nos a todos quantos nos propusermos imitá-lo: “que sejamos perfeitos, como nosso Pai celestial é
perfeito (Mt III, 48); e, sobretudo, mantende a caridade que é o vínculo da perfeição” 1º aos Cor, 3, 14).
Para que cheguemos a obter os dons da perfeição aconselhada e a saborear a visão da glória prometida a Elias pelo Senhor nas palavras citadas, esforcemo-nos com atenta diligência por entendê-las com exatidão e logo pô-las em prática.

Quando o Senhor fala a Santo Elias, diz a todo Religioso do Antigo ou do Novo Testamento: “Sai daqui, isto é, das coisas mundanas e passageiras e vai para o oriente, isto é: dirige tua luta contra a natural concupiscência de teu corpo, e esconde-te na torrente do Carit: não vivas nas cidades, entre o povo, mas diante ou melhor, defronte do Jordão, que é o viver separado do pecado pela caridade”.
Subindo por estes quatro degraus, chegarás ao cimo da perfeição profética e ali beberás da torrente. E para que não te falte a perseverança neste modo de viver, mandei aos corvos que te levem de comer.
Compreenderás isto com maior clareza quando eu o explicar-te ordenadamente,expondo-o frase-por-frase.

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