Segura na Mão de Deus

16 09 2013

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Quando penso em oração, a frase que logo me vem
à mente é sempre esta: segura na mão de Deus e
fale com ele, em qualquer tempo, a qualquer hora.
Não existem um tempo próprio e um tempo
impróprio para rezar. O evangelho nos manda rezar
continuamente, “sem parar” (Lc 18,1). As pessoas,
às vezes, admiram-se e perguntam como isto pode
ser possível. . . É simples. Comece por segurar a
grande mão paterna de Deus. Algumas vezes você
falará com ele, mas não é preciso fazê-lo sempre; o
importante é não largar aquela mão! Porque
enquanto a segura, está unido a ele o tempo todo.
Esta é a visão fundamental que se deve ter da
oração.
Há quem pense que precisa pôr de lado, no seu dia-a-
dia, um tempo determinado para rezar. “Preciso de
duas ou três horas”, disse-me alguém. Com tanta
coisa para fazer ao seu redor, como seria isso
possível para uma pobre mãe de família, para um
homem de negócios, para o diretor de um colégio,
para o bispo de uma grande diocese? Rezar não é
um tempo que se põe de lado; é um tempo que se
põe dentro das atividades diárias,
dentro do corre-corre, dentro do tráfego de uma
grande cidade, sobretudo dentro do trabalho que é
feito a serviço dos outros. Só dessa maneira
podemos rezar sem parar: com a mente em Deus e
com a reta intenção das nossas ações oferecidas a
ele, para que venha a nós o seu Reino. Um trabalho
assim realizado é um trabalho que se transforma em
hóstia: eleva-se e consagra-se! Transforma-se em
oração. E tudo isso pode ser oferecido pelo bem dos

outros, unindo-nos, desta forma admirável e fácil, a
todo o mundo, através do Corpo místico de Cristo e
da comunhão dos santos. “Creio na comunhão dos
santos”, dizemos todos os dias e, talvez, pouca
gente saiba o que é esta comunhão dos santos! Pois
é isto que acabo de dizer: fazer nossas ações de
cada hora enquanto seguramos a mão de Deus e
pensamos no bem dos outros!
Obviamente, há momentos e horas, em nossa vida,
especificamente designados para a oração. Entre
essas horas destaca-se a hora da missa que é, para
os católicos, a principal oração, a oração maior, a
oração “por excelência”. Aí, mais do que em
qualquer outro tempo, você se encontra com o
Senhor que vem a você com gosto e alegria. Já
procurou sentir, alguma vez, a alegria que Jesus
sente quando vem ao seu coração? Tente pensar na
felicidade que ele experimenta ao ver que você está
lá! Imagine alguém dando uma festa e circulando
por entre os diversos convidados, soltando gritinhos
de alegria: “Que bom! Você veio!” Há pessoas que
dizem: “Posso rezar em qualquer lugar; não preciso
ir à igreja nem aos domingos!” Que pena! Não
entendem nada do sentido e da importância da
missa, que é o nosso encontro especial com Deus e
com o seu povo!
A missa não é propriamente para ser rezada; ela é
para ser vivenciada, experimentada, degustada.
Envolve todo o nosso ser de maneira inefável e
absoluta. De uma certa maneira, muito bonita e
muito profunda, sobretudo muito real, você se
transforma em missa: em ofertório, em consagração
e em comunhão. Já pensou nisso alguma vez?

Entre uma missa e outra, a gente pode passar o
tempo recordando os bons momentos da convivência
com Deus, da mesma forma como dois namorados,
depois que se separam, rememoram seus momentos
de amor e de ternura.
Há também a liturgia das horas, de manhã, ao meio dia
e à tarde. Aí somos alimentados pelas orações
mais lindas que existem: os salmos de Davi. Fica
também sempre aberta a possibilidade de uns
momentos diante do Santíssimo Sacramento, esta
adorável e amorosa presença de Cristo entre nós. As
palavras de Cristo “entra no teu quarto e fecha a
porta” (Mt 6,6) são também uma ótima sugestão
para quem, vez ou outra, deseja um pouco de paz
na união com Deus. É uma maneira fácil de
transformar o próprio quarto numa espécie de
poustinia.
Em tudo isso, porém, é preciso que fique bem claro
que a verdadeira oração é, mais que tudo, esse
diálogo e comunicação entre Deus e nós; essa
conversa entre duas pessoas que se amam e que
não exige tempo nem lugar especial. Muitas pessoas
se preocupam com o “modo” dessa comunicação…
Quem ama não pensa em maneiras especiais de
expressão. Deus nos dá sua atenção infinita sem
olhar para o jeito com que nos dirigimos a ele. E é
sempre bom observar que ele aprecia, de maneira
muito carinhosa, o nosso silêncio diante dele; um
silêncio de escuta atenciosa e ávida.
Deus quer que a nossa oração seja simples. Vejam,
por exemplo, o recado de Marta para Jesus, a
respeito da doença de seu irmão Lázaro: “Senhor,
aquele que amas está doente!” (Jo 11,3). Quanta fé,

quanto amor e quanta confiança nestas poucas
palavras! Da mesma forma agiu Maria, nas bodas de
Cana, quando o vinho faltou: “Eles não têm mais
vinho” (Jo 2,3). Ela sabia o Filho que tinha. Não
perdeu tempo em longos discursos e rodeios verbais.
A exposição simples e humilde das nossas
necessidades é o que espera de nós quem está
disposto a ajudar-nos. Acho que Deus deve ficar
cansado do interminável palavreado com que muitas
pessoas se dirigem a ele.
A oração torna-se mais bela quando unida ao amor e
à caridade. Suponha, por exemplo, que você está
viajando e, de repente, vê, pela janela do ônibus,
um aleijado, um deficiente físico arrastando-se com
dificuldade.. . É o momento de se voltar para Deus
numa prece: “Senhor, ajudai, de alguma forma,
aquele pobre aleijado”. Dessa maneira, a oração nos
põe em contato com inúmeras pessoas e suas
múltiplas necessidades, físicas ou morais. E aqui
atingimos outro ponto importante: a oração é tanto
mais bela e mais eficaz quanto mais se esquece de si
para concentrar-se nas necessidades dos outros,
sobretudo dos que sofrem. Deixe que Deus pense
nas suas necessidades e nos seus problemas e
concentre-se nos dos outros. Acho horrível a oração
que eu chamaria de oração eu-me-mim: eu quero…
dá-me… para mim!
Como eu gostaria de pegar na mão de cada um de
vocês e dizer-lhes: “Venha comigo. Vamos todos
segurar a mão do Senhor e rezar a ele pelos outros
na simplicidade e no amor”. É pena que poucas
pessoas pensem nessa modalidade de oração. A
maioria de nós não está acostumada a jogar sua

oração no próprio fluxo da vida. Estamos mais
acostumados a tirar um tempo especial para rezar,
em vez de rezar o tempo todo. O tempo em que se
reza não se “tira” da vida, e vida feita oração não
precisa de tempo. Ela é a eternidade já no meio de
nós, com a mão de Deus pendendo do céu e nós
segurando-a!

Fonte: (Catarina Doherty – Alma da Minha Vida)

 

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