Hino Contra Bar Daisan – Santo Efrén, o Sírio

2 09 2013

Santo Efrem da Síria (~306-373), conhecido como «A Lira do Espírito Santo», pela beleza e profundidade de suas poesias, se preocupou em refutar os erros que, pouco mais de um século antes, o doceta Bar Daisan (~154-222) havia propagado por meio de seus populares hinos, tratando de unir seus conhecimento de ocultismo com o cristianismo, e que seus seguidores, na época de Efrém, continuavam difundindo.

Ícone de Santo Éfrem, o Sírio

Ícone de Santo Éfrem, o Sírio

Há um Ser, que se conhece a Si mesmo
e se vê a Si mesmo.

Ele habita em Si mesmo
e a partir de Si mesmo se desdobra.

Glória ao seu Nome.

Este é um Ser que,
por sua própria vontade,
está em todo lugar,
é invisível e visível,
manifesto e escondido.

Ele está em cima e embaixo.
Familiar e condescendente
por sua graça entre os pequenos;
mais sublime e mais exaltado que os importantes,
como convém à sua glória.

O veloz não pode exceder sua presteza,
nem o retardatário ir além da sua paciência.

Ele está antes de tudo e depois de tudo,
em meio a tudo.

Ele é como o mar,
e toda a criação se move n’Ele.

Como as águas envolvem os pés
em todos seus movimentos,
assim o Criador está vestido com toda a criatura,
com o grande e o pequeno.

E como os pés estão escondidos na água,
assim estão escondidos em Deus
a altura e a profundidade,
o distante e o próximo,
e os seus habitantes.

E como a água se encontra com os pés
onde quer que vão,
assim Deus se encontra com todo o que caminha.

E como a água toca o peixe em cada volta que faz,
assim Deus acompanha e observa
cada homem em todos seus atos.

Os homens não podem mover a terra,
que é seu carro,
assim tampouco ninguém
se afasta do Único Justo, que é seu sócio.

O Único Bom está unido ao corpo,
e é a luz dos olhos.

Um homem não é capaz de escapar de sua alma,
pois ela está com ele.

Nem tampouco há homem escondido do Bom,
pois Ele o envolve.

Como a água envolve o peixe e este o sente,
assim também todas as naturezas sentem a Deus.

Ele se difunde no ar,
e com teu alento ingressa no mais íntimo de ti.

Ele está unido à luz,
e ingressa quando tu vês, por teus olhos.

Ele está unido ao teu espírito,
e te examina a partir de dentro, para saber quem és.

Ele habita em teu espírito,
e nada do que está no teu coração lhe é oculto.

Como a mente precede o corpo em todo lugar,
assim Ele examina tua alma antes de tu a examinares.

E como o pensamento precede em muito o ato,
assim seu pensamento conhece de antemão
o que tu planejarás.

Comparado com sua impalpabilidade,
tua alma é corpo e teu espírito carne.

Ele, que te criou,
é alma de tua alma,
espírito de teu espírito,
distinto de tudo,
e unido a tudo,
e manifesto em tudo,um grande prodígio
e um esconderijo maravilhosamente insondável.

Ele é o Ser cuja essência
nenhum homem é capaz de explicar.

Este é o Poder cuja profundidade é inexpressável.

Entre as coisas visíveis e entre as coisas ocultas,
não há nada que se compare a Ele.

Este é Aquele
que criou e formou do nada tudo o que és.

Deus disse:
– Faça-se a luz!
Uma coisa criada.
Ele fez a escuridão e se fez a noite.

Observa: uma coisa criada.
Fogo nas pedras,
água nas rochas:
o Ser os criou.

Há um Poder que os tirou do nada.

Contempla, também hoje,
o fogo não está armazenado na terra.

Olha! É continuamente criado
por meio de pederneiras.

É o Ser quem ordena sua existência
por meio d’Ele mesmo, que o sustenta.

Quando Ele quer, o acende,
quando Ele quer, o apaga,
para chamar à atenção ao obstinado.

Em uma grande alameda
se acende o fogo pela fricção de um madeiro.

A chama consome,
se move forte,
e ao final se apaga.

Se fogo e água são seres e não criaturas,
então, antes que a terra fosse,
onde estavam ocultas suas raízes?

Quem quiser destruir sua vida,
abra sua boca para falar de tudo.

Quem quiser odiar a si mesmo
e não se circunscrever a Deus
pensa ser uma grande impiedade
alguém crer em um erudito.

E se pensa que disse a última palavra,
alcançou o Paganismo.

Ó Bar Daisan,
filho do rio Daisa,
cuja mente é líquida como seu nome!


FONTE:

VE Multimedios \ Veritatis Esplendor

Tradução: Carlos Martins Nabeto

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