Cavaleiros Templários – Os Pobres Soldados de Jesus Cristo e do Templo de Salomão

23 08 2013
Templário

Templário

A Ordem dos Templários nasceu em 1118, na cidade de Jerusalém, por
iniciativa Hugh de Payens mais oito cavaleiros, todos de origem francesa. A
Ordem dos Templários, cujo nome completo era Ordem dos Pobres Cavaleiros
de Cristo e do Templo de Salomão, tornou-se, nos séculos seguintes, uma
instituição de enorme poder político, militar e econômico. A sua divisa era: Non
nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam, o que significa “Não a
nós, Senhor, não a nós, dai a glória ao Vosso nome”. Inicialmente as suas funções
limitavam-se aos territórios cristãos conquistados na Terra Santa durante o
movimento das Cruzadas, e visavam à proteção dos peregrinos que se
deslocavam aos locais sagrados. Nas décadas seguintes, a Ordem se beneficiou
de inúmeras doações de terra na Europa que lhe permitiram estabelecer uma rede
de influências em todo o continente, o que mais tarde seria motivo para sua
perdição…
Comprometeram-se a uma causa monástica e militar. Embora muitos
Cavaleiros, naqueles tempos, lutassem por dinheiro, terra ou poder, os Templários
faziam votos de pobreza e de castidade. Sua missão era principalmente a de
proteger os peregrinos a caminho da Terra-Santa.
O Rei Balduíno II cedeu-lhes como abrigo o estábulo ao lado da mesquita
de Al-Aqsa como quartel general. Este local supõe-se que era o exato local do
Templo do Rei Salomão.
Os cavaleiros tomaram o estilo de vida das ordens monásticas fundadas no
tríplice preceito: voto de pobreza, voto de castidade e voto de Obediência. E se
auto-intitularam: Os Pobres cavaleiros de Cristo. Adotaram como símbolo dois
cavaleiros em um só cavalo para mostrar sua pobreza – pois não tinham dinheiro
para comprar um cavalo – e também seu companheirismo.
Também adotaram o nome do local onde se estabeleceram ficando então
nomeada a ordem como: Pauperes Commilitones Christi Templique
Salomonis (Os pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão) mas
ficaram conhecidos como: os Cavaleiros Templários. (algumas vezes chamados
de : Cavaleiros de Cristo, Cavaleiros do Templo, Pobres Cavaleiros, Ordem do
Templo, etc.)
Como toda Ordem Religiosa, a Regra dos Templários, criada por São Bento
de Núrsia, também era baseada nos três pontos básicos das instituições religiosas
da época, ou seja: castidade, pobreza e obediência. Em geral eram originários de
famílias abastadas. Mas só podia se tornar Cavaleiro propriamente dito o filho de
um Nobre. Os cavaleiros tinham o direito de usar (não possuir) 3 cavalos, um
escudeiro e duas tendas. Comparativamente, um cavaleiro bem montado e
equipado, treinado e seguido pelo seu séqüito de escudeiros, tinha o poder
equivalente a um tanque de Guerra Contemporâneo.

Havia uma parte religiosa propriamente dita, com Padres, Capelães,
Diáconos, Bispos. E por causa da bula “Omne datum optimum”, também só
prestavam obediência ao Grão-Mestre da Ordem e ao Papa.
Relíquias
Eram também os protetores das relíquias sagradas. As relíquias eram
restos de pessoas ou coisas consideradas sagradas e capazes de realizar
milagres. Uma relíquia popular naquele tempo era um pedaço de madeira da
“Verdadeira Cruz” – a cruz em que Jesus foi crucificado. Outra era a cabeça de S.
João Batista, que foi decapitado após ter sido enfeitiçado pela sedutora dança de
Salomé. Os povos na idade média tinham uma adoração desesperada por
relíquias, que veneravam com admiração. Mas logicamente fraudes existiam. Um
pândego da época disse que se e juntássemos todas as lascas de “cruzes de
Cristo”, haveria madeira suficiente para uma floresta inteira!
Os Templários tinham em sua posse ainda a coroa dos espinhos, tirada da
cabeça de Cristo. Tiveram também o corpo da mártir Santa Eufémia de Chalcedon
(julgava-se ter poderes de cura divinos), entre diversas outras relíquias.
A Ordem dos Hospitalários
A Ordem dos Hospitalários (ou Ordem de São João de Jerusalém) vem de
uma tradição que começou como uma Ordem Beneditina fundada no século XI na
Terra Santa, mas que rapidamente se tornaria uma Ordem militar cristã uma
congregação de regra própria, encarregada de assistir e proteger os peregrinos
àquela terra. Face às derrotas e conseqüente perda desse território, a Ordem
passou a operar a partir da ilha de Rodes, onde era soberana, e mais tarde desde
Malta, como estado vassalo do Reino da Sicília.
Poder-se-ia afirmar que a extinção desta ordem se deu com a sua expulsão
de Malta por Napoleão. No entanto, os mesmos cavaleiros iriam instalar-se na ilha
de Malta, doada por Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, adotando a
designação de “Ordem de Malta”.
A Ordem Teutônica
A Ordem Teutônica (Em Alemão: Deutscher Orden; Em Latim: Ordo
Domus Sanctæ Mariæ Theutonicorum) foi uma ordem militar cruzada, vinculada
à Igreja Católica por votos religiosos, formada no final do século XII em Acre, na
Palestina. Usavam vestes brancas com uma cruz negra.
Após a derrota das forças cristãs no Oriente Médio, os cavaleiros mudaramse para a Transilvânia em 1211, a convite do Rei André II da Hungria, mas foram
expulsos em 1225. Transferiram-se então para o norte da Polônia, onde criaram o
Estado independente da Ordem Teutônica. A agressividade da Ordem ameaçava

os países vizinhos, em especial o Reino da Polônia e o Grão-Ducado da Lituânia.
Em 1410, na Batalha de Grunwald (Tannenberg), um exército combinado polacolituano derrotou a Ordem e pôs fim a seu poderio militar. O poder da Ordem
continuou a declinar até 1525, quando seu Grão-Mestre, Alberto de
Brandemburgo, converteu-se ao luteranismo e assumiu o título e os direitos de
Duque hereditário da Prússia (embrião do Reino da Prússia, catalisador do futuro
Império Alemão). O Grão-Mestrado foi então transferido para Mergentheim, de
onde os Grão-Mestres continuavam a administrar as consideráveis posses da
Ordem na Alemanha. Em 1809, quando Napoleão determinou a sua extinção, a
Ordem perdeu as suas últimas propriedades seculares, mas logrou sobreviver até
o presente. Atualmente, trabalha primordialmente com objetivos assistenciais.
Reinald de Châtillon
Não era um Cavaleiro Templário, mas mantinha afinidades com a Ordem e
frequentemente participava de ações contra os muçulmanos, por quem nutria um
ódio feroz e completamente irracional!
Transformou-se no principal inimigo público dos muçulmanos e um homem
marcado para a morte por Saladino a partir de duas atitudes vis que tomou contra
aquele povo.
Em 1182 Châtillon concebe um plano ardiloso: invadir Meca e roubar o
corpo do Profeta Maomé para cobrar tributo de peregrinos que desejassem visitá-
lo em sua fortaleza de Kerak.
Vencidos por tropas muçulmanas lideradas por Malik, irmão de Saladino,
muitos foram feitos prisioneiros e outros escravizados.
Pouco tempo depois, liderou um ataque covarde a uma caravana
muçulmana pacífica, desarmada, em peregrinação a Meca.
Tais episódios conduziram Saladino, líder dotado de elevado senso de
honra e justiça a ver em Châtillon um criminoso ignominioso, sem honra ou senso
de justiça, capaz das mas atrozes barbaridades movido por puro ódio.
Quando já próximo da queda de Jerusalém, o sucessor de Balduíno IV,
agora Rei de Jerusalém Guy de Lusignan, foi aprisionado com um grande
contingente de cruzados e Saladino teve a oportunidade de retribuir por todo o mal
feito pelo vilão: ofertou água de rosas com gelo trazido das montanhas ao rei de
Jerusalém e este passou a taça a Châtillon. As rígidas regras de hospitalidade
muçulmana ditavam que, quem partilhasse da água, do pão ou do sal na mesma
Tenda deveria ser poupado e alimentado. Repreendido, teve a taça tomada e
Saladino ofereceu a ele a possibilidade de entregar-se ao Islã a fim de ser
poupado. Châtillon, sempre arrogante, retrucou que era Saladino quem deveria
entregar-se ao cristianismo a fim de evitar o fogo do inferno. A arrogância e
intolerância de Châtillon foram superiores à cortesia do grande cavalheiro que era
Saladino e este lhe decepou a cabeça com um só golpe de cimitarra.

Abjetamente subserviente ao monarca francês, foi coroado em Lyon na
presença de Filipe, que sempre o dominou. A primeira conseqüência de sua
fragilidade em relação ao rei da França foi a transferência da sede do papado de
Roma para Avignon, início do chamado “Cativeiro de Avignon”. Atendendo aos
insistentes pedidos de Filipe, Clemente canonizou o papa Celestino V e iniciou um
processo contra o falecido papa Bonifácio VIII que, segundo as intenções do rei,
deveria ter terminar com a sua condenação, o que não aconteceu em virtude da
vigorosa atuação dos Cardeais. Segundo a Lei Canônica da Época, o cadáver de
Bonifácio VIII deveria ser exumado e, se considerado efetivamente culpado de
heresia, seria queimado na fogueira…
Foi um período difícil para a Igreja e teve como o pior fruto, a imagem de
um papa não como um pai universal, e sim, uma espécie de capelão do rei da
França. Foram sete papas franceses e também a maioria dos cardeais.
Além disso, para fazer frente à construção e manutenção da corte papal,
aumentaram-se exageradamente os impostos e as taxas. Tudo era vendido a alto
preço: nomeações, graças, indulgências e dispensas. Os ânimos católicos se
distanciam da Cúria e surge sempre mais forte o grito: “A Igreja tem que ser
reformada”. A autoridade do papa decaiu muito com o excesso de excomunhões,
lançadas por motivos quase que exclusivamente políticos. Durante 20 anos toda a
Alemanha ficou sob excomunhão. Em 1328 um patriarca, 5 arcebispos e 30 bispos
foram excomungados. São João d’Ávila deplorava que nas paróquias, em cada
festa, fossem anunciadas de 7 a 10 excomunhões.
As vozes que amavam a Igreja e Roma se faziam ouvir cada vez mais alto:
“quer-se a liberdade da Igreja, a liberdade do Papa, um Papa universal.” Duas
santas mulheres fizeram eco a essa necessidade universal: Brígida da Suécia e
Catarina de Sena. Catarina, jovem, analfabeta, mística e santa, assumiu como
vocação fazer o papa retornar a Roma. Escrevia-lhe até palavras duras: “Seja
homem, paizinho! Não tenha medo”. Foi a Avignon e ali pôde constatar a
corrupção da Cúria que ela dizia, “cheirar muito mal, com o mesmo mau cheiro de
Roma”. Garantiu a segurança da transferência papal e, em 1367, Urbano V
ingressou triunfalmente na Roma papal. Era tamanha a desordem na cidade, que
o bom papa fugiu para a França. Seu sucessor, Gregório XI (1370-1378), retornou
a Roma em 1377 e fez do Vaticano a residência papal oficial. Santa Catarina
passou a viver em Roma e quase que diariamente ia ao Vaticano, rezar pelo Papa
e pela Igreja.
Como não poderia deixar de acontecer, o Cativeiro de Avignon deu azo ao
Grande Cisma do Ocidente, com dois papas católicos romanos, um em Roma e
outro em Avignon excomungando-se mutuamente…
O Cisma do Ocidente (1378 – 1417)
Contra Urbano VI, papa legítimo, é eleito Clemente VII como antipapa
residente em Avignon. Papas e antipapas se sucediam e se excomungavam, a
ponto de se ter a impressão de que toda a cristandade estivesse excluída da
Igreja. Foi o Grande Cisma, que fez a Igreja num certo período ter três papas! Os

cristãos, e mesmo os sábios e santos, não tinham mais muita clareza sobre quem
era o papa verdadeiro.
França, Espanha e Escócia reconheciam Clemente VII como papa legítimo;
Itália, Inglaterra, Irlanda, Boêmia, Polônia, Hungria e Alemanha reconheciam
Urbano VI. E os santos? Santa Catarina de Sena apoiava Urbano VI e chamava
de demônios encarnados os eleitores de Clemente VII; já São Vicente Ferrer
reconhecia como verdadeiro papa a Clemente VII. Certamente, para o povo, era
mais difícil ter alguma certeza.
Para salvar a unidade da Igreja, alguns teólogos passaram a defender a
Teoria Conciliar: os bispos reunidos em Concílio detêm o poder da Igreja, acima
do Papa. No fundo, o que se queria era garantir a eleição de um único e legítimo
papa e recuperar a unidade eclesial.
Somente o Concílio de Constança (1414-1418) conseguiu acabar com o
Cisma, com a eleição unânime de Martinho V (1417-1431) após a renúncia do
papa legítimo Gregório XII.
Conseqüências
Após tantos conflitos, divisões, papas sem visão pastoral e universal, não é
de se estranhar que, aos olhos do povo cristão, uma Igreja nacional, controlada
pelo poder do Estado, fosse a melhor solução. Isso aconteceu e foi uma das
causas que explicou o sucesso da Reforma Protestante na Europa.
Na França, em 1438 se ratificou como lei estatal a Teoria Conciliar, a
proibição de apelar para Roma como última instância, limitações dos direitos da
Santa Sé nas nomeações para ofícios e benefícios na França. Somente em 1905,
o Papa voltou a nomear os bispos franceses.
Na Alemanha, os príncipes usurparam a jurisdição eclesiástica em seus
territórios com a imposição de taxas sobre os bens eclesiásticos. O sentimento
anti-romano era muito forte, cunhando-se até a expressão “doutor em Roma, burro
na Alemanha”.
Na Inglaterra, a descrença em relação a Roma se fortaleceu com o
Cativeiro de Avignon: aos olhos dos ingleses o papa era instrumento do soberano
francês contra quem a nação inglesa se empenhou em longa e violenta luta.
Vários decretos do século XIV negam ao papa o direito de nomeação para os
ofícios eclesiásticos ingleses, proíbem o apelo a Roma e a introdução das Bulas
papais. De fato, a Igreja inglesa era independente de Roma.
Na Espanha, a unidade religiosa foi considerada básica para a unidade
nacional. Em 1478 nasceu a Inquisição Espanhola sob controle estatal. Em 1492,
com a reconquista dos domínios muçulmanos – o reino de Granada – ao sul da
Península Ibérica e a conquista da América, Portugal e Espanha adquirem o
direito do Padroado, pelo qual assumiram o governo da Igreja.
Esses fatos podem explicar, em parte, o porquê da tragédia religiosa do
século XVI, quando um frade reformador, Martinho Lutero, provocou a divisão
religiosa e política da Europa cristã. Séculos de relaxamento pastoral no coração

da Igreja Romana afastaram numerosos povos e nações. Lutero simbolizou, com
seu gesto, as numerosas gerações que clamavam pela reforma da Igreja.
1307 – A violenta ganância de Filipe de Valois, a subserviência
abjeta de Clemente V e o Ataque insano aos Templários
O monarca francês e seu papa marionete fizeram chegar ao conhecimento
dos Grãos-Mestres do Templo e do Hospital que planejavam uma nova Cruzada
contra os muçulmanos utilizando-se das forças conjuntas das duas Ordens Bélicoreligiosas ainda em ação, devendo elas fundir-se numa nova Ordem sob o
comando dos Hospitalários.
Convidados a Poitiers, nas imediações de Paris, Jacques de Molay, GrãoMestre do Templo e Foulques de Villaret, Grão-Mestre dos Hospitalários, deveriam
apresentar-se a 1º de novembro de 1306, Dia de Todos os Santos. Jacques de
Molay, de posse de um plano detalhado para uma nova cruzada e um arrazoado
detalhado acerca da inconveniência da fusão entre as duas Ordens religiosas e
militares, chegou ao encontro com vasta antecedência. Foulques de Villaret,
atrasou-se à reunião, dela se retirando na primeira oportunidade. Jacques de
Molay ficou sozinho: uma ovelha em meio a lobos, hienas e chacais…
Por volta do dia 20 de setembro de 1307 Filipe de Valois enviou cartas
lacradas a todos os senescais do reino com ordens expressas de que somente
fossem abertas na noite de quinta-feira 12 de outubro. O falecimento de Charles
de Valois, irmão de Filipe, determinou uma viagem do Grão-Mestre Jacques de
Molay que, sem nada desconfiar, ocupou lugar de destaque nas exéquias sendo
mesmo um dos que carregaram o esquife do príncipe falecido no próprio dia 12 de
outubro, véspera de sua captura…
Quando as cartas foram simultaneamente abertas, a ordem expressa do rei
resumia-se em: “os Templários são acusados de graves heresias e crimes
devendo ser todos aprisionados e postos a ferros na madrugada de sexta-feira 13
de outubro de 1307”. Data daí a crença de que toda a sexta-feira 13 é um dia
aziago.
Estarrecidos, os Templários pouco ou nada ofereceram em termos de
resistência entregando-se aos soldados do Rei sem entender as acusações mas
acreditando firmemente poder comprovar sua inocência.
Relata-se que, por mais que todo o procedimento tenha sido mantido em
rigoroso sigilo, 3 carroças carregadas com o que provavelmente seria o tesouro
dos Templários saíram do Templo em Paris em direção a local incerto e jamais se
soube o paradeiro daquele tesouro. Sabe-se que, em função de suas atividades
de proteção a peregrinos em direção à Terra Santa, os Templários dispunham de
uma grande frota de navios que, misteriosamente desapareceram das costas da
França. Muito se especulou: teriam ido para a Escócia, aonde a influência de
Filipe de Valois e Bertrand de Got não chegava? O que é ainda motivo de
pesquisa é o paradeiro do Tesouro dos Templários e de seus navios
misteriosamente desaparecidos.

Extração de confissões e execuções
Os calabouços eram locais extremamente úmidos, insalubres,
desconfortáveis, criados para quebrar a vontade dos prisioneiros, acorrentados
durante todo o tempo. A estas aflições acrescentou-se uma série de outras
práticas comuns na França embora proibidas em outros países civilizados: a
tortura sistemática. Contra os Templários aprisionados utilizavam-se a torquês
(arrancava-se a panturrilha com uma torquês afiada e nela se despejava chumbo
derretido), a Roda (esta era planejada para esticar tanto o corpo da vítima que
muitos vieram a óbito), as surras e chibatadas e tormentos indescritíveis que
somente cessavam diante da confissão do que o Rei e seu papa fantoche haviam
estipulado. Os templários deveriam confessar, entre outras coisas absurdamente
estapafúrdias que:
_ Praticavam sistematicamente a sodomia, o homossexualismo (heresia, prática
antinatural e crime hediondo)
_ Adoravam uma cabeça mumificada ou um ídolo demoníaco cognominado de
Baphomet.
_ Em seus rituais de Iniciação eram obrigados a renegar o Cristo e cuspir na Cruz.
O que mais causou espanto à opinião pública foi o fato de tantos homens
pios, devotados a dedicar sua vida à causa de Cristo, em sua maioria originária de
famílias nobres estivesse envolvida em tais práticas inverossímeis sem que em
décadas ninguém emitisse qualquer palavra sobre tais heresias antes que fossem
violentamente torturados.
Nos anos que se seguiram, a ordem foi sendo quebrada em vários países.
Na Espanha e Portugal, continuou ativa na guerra contra os muçulmanos, Foi
fundada por D.Dinis de Portugal, a Ordem de Cristo, que era a mesma coisa, mas
com outro nome. Posteriormente já no século XV Infante D.Henrique se torna
Grão-Mestre da Ordem de Cristo e inicia as Grandes Navegações Portuguesas.
Na Alemanha, os Templários desafiaram a todos para provar sua inocência. Na
Inglaterra as torturas eram legalmente proibidas. Embora tenha ocorrido uma
única execução de um Cavaleiro Templário em solo inglês pela Santa Inquisição,
jamais se ouviu de qualquer deles confissão alguma dos delitos que lhes eram
imputados.
Na Escócia a bula Papal nunca foi lida e nenhuma prisão foi feita. Mais
tarde seriam uma das influências de uma nova Ordem que surgiria junto as
sociedades dos pedreiros-livres (os mesmos que construíram as catedrais góticas
com base nos aprendizados da Construção do Templo de Salomão). Há
fortíssimos indícios que, desta união entre os Templários e as Guildas de
Pedreiros Medievais formaram a base do que viria a ser a Maçonaria.
Naturalmente, com o passar dos anos, todos os que tinham justos motivos para
ocultar-se dos rigores da Igreja juntaram-se aos Maçons (Rosacruzes,
Alquimistas, Pitagóricos, Órficos, Astrólogos, Cabalistas…)
De 1307 a 1314 o Grão-Mestre Jacques de Molay além de preceptores da
Ordem como Hugo de Piraud e Godofredo de Charney permaneceram
encarcerados e submetidos às mais hediondas formas de tortura.

Jacques de Molay contava 70 anos de idade quando, a 18 de março de
1314 foi amarrado a uma estaca numa ilha remota do rio Sena em companhia de
seus companheiros de cela. Protestando inocência até o último momento, as
últimas palavras do último Grão-Mestre do Templo ainda ecoam através do tempo:
“Senhor,
Permiti-nos refletir sobre os tormentos que a iniqüidade e a
crueldade nos fazem suportar. Perdoai, ó meu Deus, as calúnias
que trouxeram a destruição à Ordem da qual Vossa Providência
me estabeleceu chefe. Permiti que um dia o mundo, esclarecido,
conheça melhor os que se esforçam em viver para Vós. Nós
esperamos, da Vossa Bondade, a recompensa dos tormentos e da
morte que sofremos para gozar da Vossa Divina Presença nas
moradas bem-aventuradas.
Vós, que nos vedes prontos a perecer nas chamas, vós julgareis
nossa inocência.
Intimo o papa Clemente V em quarenta dias e Felipe o Belo em
um ano, a comparecerem diante do legítimo e terrível trono de
Deus para prestarem conta do sangue que injusta e cruelmente
derramaram.”
Seja como for, Bertrand de Got (Clemente V) efetivamente faleceu 40 dias
depois da Intimação do Grão-Mestre e Filipe de Valois (“O Belo”) em um ano
também morreu, causando grande impressão a todos quantos testemunharam as
palavras finais do Grão-Mestre do Templo.
Relembremos que a época era cultuadora de relíquias e que os assistentes
da execução colheram restos mortais dos mártires executados usando-as como
autênticas relíquias…
O Julgamento da História
De tudo o que aconteceu nos eventos daquele tempo sombrio fica clara a
crueldade de Filipe de Valois, que não se detinha diante de nada para levar a cabo
seus intentos maliciosos.
O uso sistemático da tortura priva o ser humano da Razão e, tal como ficou
provado durante os períodos de tortura por que a humanidade tem passado (do
Império Romano à Ditadura Militar Brasileira) o supliciado confessa o que quer
que o torturador queira ouvir ou implante em sua mente.
Diante da legislação internacional o uso da tortura para obtenção de
confissões não é admissível: o supliciado confessa qualquer coisa que o torturador
queira ouvir!
Havendo sobreviventes dos Templários e de seus pensamentos e
ensinamentos em vários pontos do mundo aonde não chegava a autoridade de
Filipe de Valois ou de Bertrand de Got encontram-se seres humanos honrados,
nobres, cavalheirescos e, como já se enfatizou mais de uma vez, um dos mais
poderosos pilares de sustentação ou mesmo formação da Maçonaria como a
conhecemos hoje.

O nome do último Grão-Mestre dos Templários, Jacques de Molay, é hoje
lembrado com carinho e respeito por jovens de todo o mundo na Ordem que
recebeu o seu nome, suprema justiça histórica!
Grão-Mestres do Templo
Hugo de Payns 1119 – 1136
Roberto de Craon 1137 – 1149
Everardo de Barres 1149 – 1152
Bernardo de Trémélay 1152 – 1153
André de Montbard 1153 – 1156
Bertrand de Blanquefort 1156 – 1169
Filipe de Nablus 1169 – 1171
Arnold de Torroja 1180 – 1184
Gérard de Ridefort 1185 – 1189
Robert de Sablé 1191 – 1193
Gilberto Erail 1194 – 1200
Filipe de Plessiez 1201 – 1209
Guilherme de Chartres 1210 – 1232
Pedro de Montaigu 1219 – 1232
Armando de Périgord 1232 – 1244
Ricardo de Bures 1244 – 1247
Guilherme de Sonnac 1247 – 1250
Reinaldo de Vichiers 1250 – 1256
Tomás Bérard 1256 – 1273
Guilherme de Beaujeu 1273 – 1291
Teobaldo Gaudin 1291 – 1293
Jacques de Molay 1293 – 1314
BIBLIOGRAFIA:
• Os Templários – Piers Paul Red – Ed. Imago
• Templários, os Cavaleiros de Deus – Edward Burman – Ed. Nova Era
• O Templo e a Loja – Michael Baigent e Richard Leigh – Ed. Madras
• Nascidos do Sangue – John J. Robinson – Ed. Madras
• Os Grandes Julgamentos da História – Os Templários – Claude Bertin
– Otto Pierre Editores
• A História Secreta da Maçonaria – Charles W. Leadbeater – Ed. Madras

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One response

11 01 2017
FILHO... a história por contar, UM DIA QUEM SABE...

Sou muito fã dos guerreiros desse tempo, principalmente dos Templários. Actualmente estou a ler o livro “A Irmandade”de Robyn Young, é um livro fantástico pertencente a uma trilogia.

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