Vigilância

27 07 2013

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Entre os grandes meios que conta o monge para sair vencedor na “guerra invisível”, não se pode deixar de mencionar, ao lado da discrição de espíritos e da direção espiritual, a vigilância ou, como diziam os antigos em uma linguagem mais técnica, a nepsis. Com efeito, tanto a direção espiritual como a diakrisis seriam perfeitamente inúteis se o monge não estivesse sempre alerta, atento aos movimentos do inimigo.

O termo nepsis pertence ao vocabulário técnico da espiritualidade oriental. É o nome de ação do verbo neutro néphein, que significa o estado desobriedade, por oposição ao methyein, que designa o estado de embriaguez. Deste primeiro sentido material passou a adquirir uma acepção mais nobre: “o estado de uma inteligência dona de si mesma, prudente, ponderada, por oposição a essa espécie de embriaguez mental que despoja oespírito de seu equilíbrio, não importa porque causa: a mania”. Tanto os escritores gregos profanos como a Sagrada Escritura conhecem este conceito e os vocábulos que o servem de veículo; mas foi entre os ascetas orientais onde a doutrina da nepsis conheceu a fase mais gloriosa de sua carreira.

Esta doutrina havia tomado forma entre os monges cristãos desde os primeiros tempos. Assim Santo Antão opões a nepsis aos ataques dosdemônios. Santo Arsênio declara que é necessária a todo homem que não quer fatigar-se em vão. De São Pacômio nos dizem: “Seu coração era tão vigilante como uma porta de bronze contra os ladrões”. Os textos são muito abundantes.

O papel da nepsis, chamada também “atenção”, “guarda do coração” e “guarda do espírito”, consiste em dirigir a defensiva, e sua especialidade, em vigiar as possíveis surpresas; graças a ela, o espírito pode repelir ao adversário desde que intenta aproximar-se. Quando Procário, abade de Lerins, aconselhava: “Observa sempre a cabeça da antiga serpente, isto é, os inícios dos pensamentos”, formulava um dos princípios básicos de espiritualidade do monacato primitivo. A “cabeça da serpente” aparece em outros textos para ilustrar uma doutrina constante. Agora bem, este princípio de estragégia espiritual implica, evidentemente, uma atenção aguda e eficiente, uma vigilância sem distrações nem esquecimentos. Por usar uma imagem que Evagrio toma das Escrituras, é preciso montar a guarda na porta do coração e perguntar, como Josué, a cada um dos pensamentos que se apresentam: “Sois dos nossos ou dos inimigos?”. E franquear lhe a entrada sem estar bem seguros de sua identidade.

Teofano o Recluso – Conselhos aos Ascetas

 


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