Aliados do Monge

27 07 2013

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Os monges estavam convencidos de que seu constante combate contra o demônio não tinha por finalidade única salvar suas próprias almas; sabiam que tomavam parte na guerra cósmica entre Deus e suas hostes, de um lado, e Satanás e seus demônios, de outro. Evágrio Pôntico apresenta uma visão grandiosa desta guerra santa. Toda a criação dotada de intelecto se divide em três partes: “Uma está lutando; outra corre em auxílio da queluta; a terceira combate contra a que luta e a faz uma violenta guerra. A parte que luta são os homens; os auxiliares são os anjos de Deus; os adversários, os demônios perversos. Pois bem, não por causa da potência do inimigo, nem por causa da negligência das tropas auxiliares, mas por culpa da covardia dos combatentes que se desfalecem e se desanimam na contemplação de Deus”. Como se vê indica este texto o otimismo do monacato antigo: se somos derrotados, é porque queremos; o inimigo não é tão forte como parece, e os anjos de Deus nos ajudam poderosamente.

Outros autores preferem uma fórmula algo diferente: mais que tropas aliadas dos monges, são os santos anjos seus companheiros de armas, posto que abraçar a vida monástica equivale a alistar-se nas mesmas legiões angélicas a fim de tomar parte na guerra contra o império de Satanás. Mas, de qualquer modo, para todos os mestres, os espíritos puros que permaneceram fiéis na prova são os modelos dos monges na luta, seus guias e consoladores, os amigos e servidores dos homens de Deus.

Mas o monge tem todavia um auxiliar mais poderoso e excelso que os próprios anjosJesus Cristo. Nossos textos revelam com certa freqüência a íntima convicção de que Cristo lutava pelos ascetas do deserto; ou melhor, lutava com eles e neles. Porque se Cassiano imagina ao Senhor presidindo os combates dos asceta, se anima ao lutador a convicção de que Cristo é seu general, seu rei e seu imperador, sabe também o monge que está com ele, que luta por ele, segundo aquelas entusiastas palavras de São Jerônimo aos monges de Belém: “Jesus mesmo, nosso chefe, tem ma espada, e sempre avança diante de nós, e luta por nós, e vence aos adversários”. na realidade, seu triunfo – diz Jerônimo – é nosso triunfo.

Teofano, o Recluso – Conselhos aos Ascetas

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