A sucessão apostólica e a impossibilidade de apagar a marca do sacerdócio.

10 04 2013
Santo Irineu de Lyon

Santo Irineu de Lyon

 

Comparando diversos textos das Escrituras Sagradas que falam sobre a seleção e a ordenação nas funções eclesiásticas, vê-se que nesse processo dois momentos entrelaçam-se intimamente: de um lado — a escolha de Deus, e outro — a concretização da escolha e uma ordenação especial do candidato por servidores autorizados da Igreja.

Assim, após a Ascensão do Salvador ao céu, os Seus apóstolos preencheram o lugar deixado vago por Judas, elegendo um novo discípulo para completar os doze. Tendo rezado a Deus, pedindo para indicar-lhes um candidato digno, eles deitaram sorte. E a sorte caiu sobre Matias (não Mateus, o Evangelista mas outro), que a partir desse momento foi declarado colaborador pelos apóstolos com plenos poderes (Atos cap. 1).

Como é visto do Evangelho e dos antigos documentos cristãos, a ordenação para servir na Igreja — seja bispo, presbítero ou diácono — sempre foi realizada por imposição das mãos (em russo — “rukoplojenie”), isto é pela formal colocação das mãos dos que ordenam sobre a cabeça do ordenado. Assim, lemos no livro de Atos dos Apóstolos sobre a ordenação de sete diáconos: “Apresentaram-nos aos apóstolos e estes, orando, impuseram-lhes as mãos” (At 6:6). A respeito da ordenação dos presbíteros em Listra, Iconio e Antioquia, o Santo Lucas escreve: Paulo e Barnabé “em cada igreja ordenaram presbíteros e após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em Quem eles tinham fé” (At 14:23). O apóstolo Paulo lembra ao seu discípulo Tito, instituído como bispo da Ilha de Creta: “Eu te deixei em Creta para acabardes de organizar tudo e estabelecer presbíteros em cada cidade, de acordo com as normas que te tracei” (Tito 1:5), mas “a ninguém imponhas as mãos inconsideradamente para que não venhas tornar-te cúmplice dos pecados alheios” (1 Tim 5:22) — evidentemente porque o que ordena tem a responsabilidade pelo que é ordenado.

É importante notar que a imposição das mãos dos apóstolos era tido não apenas como um sinal visível de designação para uma outra função na Igreja, mas era considerado como condutor da força divina real e perceptível, apesar de invisível. Apenas nesse plano tornam-se compreensíveis as palavras do apóstolo Paulo dirigidas ao Timóteo que ele ordenou bispo da cidade de Efeso: “Não negligencies o dom de Deus que está em ti e que te foi dado por profecia quando a assembléia dos presbíteros te impôs as mãos” (1 Tim 4:14) e um pouco mais tarde: “eu te exorto a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos” (2 Tim 1:6).

Além disso, ordenando pessoas escolhidas por eles para um determinado cargo na igreja, os apóstolos tinham a consciência que a causa primeira da eleição e da ordenação vem a ser não eles, mas o Senhor. “Que os homens nos considerem pois como servos de Cristo e administradores dos mistérios da fé” (1 Cor 4:1). Dirigindo-se aos pastores de Efeso, o apóstolo Paulo diz: “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos para pastorear a Igreja do Senhor e Deus, que Ele adquiriu com o Seu próprio sangue” (At 20:28).

Já a partir do primeiro século do cristianismo se firmou a tradição, com certeza estabelecida pelos apóstolos, que somente bispos podem efetuar a ordenação. Além disso, para ordenação de um bispo são necessários dois ou mais bispos, sendo que, para a ordenação em funções inferiores basta um bispo. Eis trechos das orações que são lidas durante a ordenação sacerdotal: “A graça de Deus, que sempre cura os enfermos e preenche os que estão empobrecidos, eleva o reverendíssimo diácono … a presbítero. Rezemos por ele, para que a graça do Espírito Santíssimo desça sobre ele.” O coro, respondendo, canta lentamente: “Senhor, tenha piedade.” Mais adiante, o bispo reza: “Deus, grande em força, insuperável na razão, admirável no conselho mais que os filhos dos homens, Senhor, preencha com o dom de Espírito Santo esse Teu servo a quem benevolentemente elevaste ao degrau de presbítero, para que ele seja digno perante o Teu altar, proclame o Teu Evangelho, leve a palavra da Tua verdade, faça os sacrifícios espirituais, renove as Tuas pessoas com a pia batismal do novo nascimento. Para que ele, tendo sido digno de encontrar Jesus Cristo, Deus e nosso Salvador, Teu Filho Unigênito na Sua segunda vinda, receba a recompensa de bom administrador de acordo com a missão que lhe foi confiada, pela Tua graça … “

Desde os tempos mais antigos, a Igreja Ortodoxa zelava com muita severidade pela continuidade da sucessão apostólica, isto é, que cada novo bispo recebesse a sua ordenação dos bispos legítimos, cuja ordenação levasse ininterruptamente até os apóstolos. Sabemos da “História da Igreja” do bispo Eusedio do Cesarea (início do século IV), que todas as igrejas cristãs antigas locais conservam a lista de seus bispos, na sua seqüência ininterrupta. Isso dava a possibilidade de rejeitar os impostores.

“Nós podemos, — escreve o Santo Irineu do Lyon (meados do século III), — enumerar aqueles, que foram colocados como bispos nas igrejas, desde apóstolos até nós” e realmente cita na seqüência de sucessão os bispos da Igreja Romana até quase o final do século II. Também Tertulian (século III), manifestou-se a favor da importância da sucessão. Ele escreve sobre os hereges do seu tempo: “Que eles mostrem a origem de suas igrejas e anunciem a seqüência de seus bispos, tal que o primeiro de seus bispos tivesse antes dele algum dos apóstolos, ou homens apostólicos, que tenham tido muito contato com os apóstolos. Pois, as igrejas apostólicas mantém as suas listas de bispos exatamente assim: a smirna, por exemplo, apresenta Policarpo (início do século II), que foi colocado por João; a romana — Clemente, que foi ordenado por Pedro; assim também outras igrejas apresentam os homens que foram elevados a bispos a partir dos próprios apóstolos, tinham brotos da semente apostólica.”

Se a corrente da sucessão apostólica por alguma razão encontra-se interrompida, então as ordenações seguintes não são consideradas válidas, e as missas e os mistérios, realizados pela pessoas ilegalmente ordenadas — desprovidos da graça divina. Essa condição é tão séria que a ausência de sucessão dos bispos em uma ou outra denominação cristã despoja-a da qualidade de Igreja verdadeira, mesmo que o bensino dogmático presente nela não esteja deturpado. Esse foi o entendimento da Igreja desde o seu início.

Ao mesmo tempo, o sacramento da ordenação feito corretamente é indelével. Por isso é proibido ordenar duas vezes a mesma pessoa para o mesmo cargo.

O Sacramento de Ordenação, assim como os sacramentos de Batismo e da Cura, muda essencialmente o homem, dotando-o de direito e de força espiritual para ensinar os crentes, rezar missas. No entanto, esse poder e força somente atuam enquanto o servidor da Igreja encontra-se na Igreja e em total obediência a ela. Os sacramentos oficiados pelos sacerdotes proibidos — não são válidos.

Fonte:http://www.fatheralexander.org

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