A essência da humildade.

9 04 2013

Monge Ortodoxo

Monge Ortodoxo


A Sagrada Escritura nos ensina que a humildade é a virtude essencial, que sem ela é impossível ter qualquer outro fruto bom. Nosso Senhor Jesus Cristo começou o seu sermão na montanha dizendo “Abençoados aqueles que são pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus” (Mateus 5:3). Como o pobre sabe que ele necessita de tudo, o mesmo faz o pobre de espírito, ao ver que é imperfeito e necessita da assistência divina. Estando consciente disso, Deus, em sua misericórdia, o faz abundantemente rico.

Infelizmente, muitas pessoas “do mundo” subestimam e até desprezam a virtude da humildade. Eles tendem a pensar que enquanto pregam a humildade, o cristianismo está degradando as pessoas e obliterando o seu senso natural de dignidade. Humildade, eles dizem, priva o homem de tomar atitudes na vida, extingue sua iniciativa e induz a uma mente servil. Essa noção errônea de humildade é enraizada na falta de conhecimento espiritual.

A essência da humildade é mais bem ilustrada no Evangelho. Vamos tomar o exemplo da cura do servo do centurião romano. Em uma de suas visitas a Cafarnaum, Jesus Cristo foi procurado por um centurião romano que lhe pediu “senhor, meu servo jaz doente em casa, paralisado, gravemente atormentado. ” O salvador, que nunca declinava do desejo de ninguém, prometeu-lhe que iria visitá-lo e curar o seu servo. Qualquer crente teria se alegrado com essa promessa, mas o centurião era diferente da maioria das pessoas: “Senhor, eu não sou digno de que o senhor entre em meu teto, mas fale uma palavra e meu servo será curado. ” A profunda fé e humildade do centurião comoveram tão fortemente o Senhor que Ele não apenas curou imediatamente o seu servo, mas também fez dele um exemplo para muitos outros dizendo “Eu não encontrei tão grande fé em Israel” (Mateus 8:6-13).

Ouvindo sobre as numerosas curas que o Senhor fez, o centurião teve uma imensa fé em sua onipotência e sem denegrir sua dignidade de qualquer forma ele percebeu que, ao mesmo tempo, era indigno de requerer qualquer atenção especial para a sua pessoa, ainda mais sendo estrangeiro e pagão. Ele também se lembrou de que, sendo um homem comum, era obedecido por seus serventes, então ainda mais todas as coisas eram sujeitas a alguém que era enviado por Deus.

O conhecimento da divina onipotência é, por outro lado, o da imperfeição de alguém e, do outro, a base do que nós chamamos de humildade.

Quando o homem, conduzido por uma fé profunda, encontra o infinito poder do criador, ele não pode perceber a sua pequenez e fraqueza, se vendo como um pequeno inseto na margem de um oceano sem fundo. É por isso que a presença da humildade de Deus é um sentimento natural. Futilidade e orgulho só podem existir naquele que é afastado de deus, comparando-se a outras a outras criaturas tão diminutas quanto ele próprio. The acknowledgement of the divine almightiness, on the one hand, and of one’s imperfection, on the other, are the basis of the attitude which is called humility.

A fé forte, de acordo com as palavras do salvador, é capaz de “mover montanhas” (Mateus 17:20) — não devido a algum tipo de poder sobrenatural de que vem com essa fé, como alguns sectários podem ensinar, mas porque é capaz de atrair o poder divino – e este último pode fazer o impossível. Por esta razão todos os exemplos conhecidos de uma fé firme e que faz maravilhas são, ao mesmo tempo, exemplos de profunda humildade: a mulher sofrendo de hemorragia (Marcos 5:25-28), a mãe de Canaã (Mateus 15:22-28) e muitos outros. Quanto mais forte é a fé de alguém, mais ele é humilde e vice-versa, uma pessoa orgulhosa não possui uma fé profunda, sendo absorvida pelo seu próprio eu, ficando espiritualmente fraca, inquieta, facilmente ferida, embora ela faça o possível para disfarçar isso.

A literatura espiritual e a popular também têm muitos exemplos de grandes personalidades, com dons especiais. Muitas pessoas dotadas perceberam que estavam muito longe da medida de perfeição e conhecimento que poderiam adquirir. Conhecendo isto, eles não se entristeceram, mas foram incentivados a procurar a excelência. Pensar que a humildade mata a iniciativa de alguém, deixando-o em uma posição inerte e servil é perder a essência do Cristianismo. O último e decisivo trato é a aquele que chama o homem à perfeição pela ascensão do presente estado, que é prejudicado pelo pecado, para o que agrada a Deus, como Ele diz “sejam perfeitos, como seu pai no céu pe perfeito” (Mateus 5:48). O homem auto-suficiente é o mais lastimável, porque ele é cego a ponto de não poder perceber a sua miséria (Revelação 3:17).

Finalmente, o Nosso Senhor Jesus Cristo,Filho de Deus, que descende dos céus, a cuja palavra obedece toda a natureza e todos os espíritos imateriais, que trouxe os mortos de volta à vida é, ao mesmo tempo, o maior exemplo de humildade. Quem poderia ser maior do que Ele-o criador de tudo o que é visível e invisível? E ainda Ele foi um exemplo de obediência aos seus “pais terrenos,” à autoridades, pagava impostos e mansamente perdoava seus inimigos. Dirigindo-nos à humildade, estamos pisando nos passos do nosso salvador, que nos deixou Seu mandamento: “Levem meu jogo sobre os seus ombros e aprendam de mim, que sou manso e humilde de coração e encontrarão repouso para suas almas” (Mateus 11:29).

São Siluano escreveu: quando a alma vê o senhor no Espírito Santo, o quanto Ele é manso e humilde, ele também se torna manso. É um estado especial que não pode ser descrito, a não ser experimentado através da experiência do Espírito Santo.

Através do Santo Abba Dorotheos, existem dois tipos de humildade: “a humildade inicial consiste em considerar o nosso vizinho mais esperto e melhor que nós mesmos. . . O outro tipo consiste em atribuir todos os elogios e benefícios a Deus e não a si mesmo, e é essa a humildade perfeita dos santos. Ela é encontrada naturalmente na alma com a obediência aos mandamentos de Deus. Os ramos de uma árvore têm uma porção de frutas quase caindo pelo seu peso; do mesmo modo, há frutos na parte de cima. Também há árvores que não tem frutos enquanto seus ramos crescem, mas logo que alguém ata uma pedra em seu ramo, puxando-a para baixo, ele começará a colher frutos. O mesmo acontece com a alma, quando ela se humilha, torna-se frutífera. Os santos dão o mesmo exemplo: quanto mais perto de Deus, mais nos vemos pecadores e indignos.”

Portanto, a humildade é a virtude mais preciosa e sem ela é impossível alcançar nada reto. São João da Escada disse “se o orgulho tem tornado alguns anjos em demônios, não há dúvida de que a humildade pode fazer dos demônios anjos. Portanto, tenham coragem, mesmo tropeçando, coloque a sua esperança em Deus.”

O “buraco negro” do orgulho.

Orgulho-a mais horrível das doenças espirituais-é precedida por uma fileira inteira de doenças similares, entre elas o egoísmo, a vaidade, soberba, jactância, hipocrisia e outras. Todas são o resultado de uma doença espiritual principal: uma insalubre centralização em si mesmo.

No curso de seu crescimento, o orgulho é sempre precedido da vaidade. A diferença entre vaidade e orgulho é a mesma entre um adolescente e um homem adulto. Os Santos Pais chamaram o orgulho de “insano” porque alguém que é doente dele diz e faz uma série de coisas insanas, estando plenamente convencido de sua sabedoria e retidão. O orgulho pode ser comparado à alucinação e à cegueira.

O final dessa grandiosa doença é firmado por seu predecessor e “pai” — o diabo, que ao invés de um brilhante arcanjo torna-se um dragão amedrontador (Gen 3:1, Rev 12: 3-9). Por quantas vezes, na história da humanidade, no absurdo confronto com Deus ele foi derrotado? Quando vezes o Filho de Deus feito carne não revelou a sua fraqueza (Mateus 12:29, 8:31)? Mesmo em seu reino “subterrâneo: (o inferno), o Filho de Deus, lá descendo aniquilou-o, amarrou-o e retirou todo o seu poder sobre a humanidade (Rev 20:2-3). Com o poder da cruz mesmo crianças pequenas podem expulsar este orgulhoso , mas este não quer que seja sabido que uma guerra contra ele não tem sentido. “Meu querido, pare de brincar” — foi o conselho do Avô Krylow ao seu cão que estava latindo para o elefante. Tendo sido, uma vez, o mais sábio entre os anjos, ele poderia entender que Deus é onipotente, enquanto ele realmente não é nada, que com seus atos maus ele está dirigindo-se ao buraco mais fundo do Geena flamejante. Por outro lado, vendo a misericórdia de Deus para com os grandes pecadores, ele ainda pode arrepender-se e ter paz com o seu criador. Mas não! Seus pensamentos cheios de despeito dizem “degradar a mim mesmo e reconhecer a minha derrota-nunca! Eu prefiriria perecer a fazê-lo. Mesmo que haja pouco tempo para mim, eu continuarei a destruir outros comigo. ” . . . Esta é a “lógica”deste orgulhoso dentre os orgulhosos: ele é insano por todas as medidas, ambas terrenas quanto celestiais. A construção é sempre difícil enquanto que a destruição é fácil para qualquer um.

O único dom que ele realmente tem é o engano: ele está mentindo, caluniando, fingindo e confundindo os ingênuos sem parar e são mil vezes infelizes aqueles que acreditam nele!

Eis o que diz Santo Antônio o Grande em relação a isto: “o diabo, que pelo orgulho perdeu a sua posição celestial, esta tentando, com todo o seu poder, arrastar todos em queda. . . do mesmo modo que ele caiu, isto é, através pelo orgulho e pelo amor à vã glória. Muitos ascéticos genuínos, que tinham uma vida virtuosa, destruíram a si mesmos pela sua imprudência. O mesmo pode acontecer a você se, por exemplo, cansado dos trabalhos ascéticos, você imaginar estar de posse de virtudes. Porque isto já é a queda na doença diabólica (a auto-estima), quando você pensa que esta perto de Deus e permanece na luz, enquanto na realidade você ainda esta em trevas. Por que outra razão Nosso Senhor Jesus Cristo deixou suas vestes, cingiu-se de uma toalha e lavou os pés dos discípulos para nos ensinar humildade? Sim, era uma lição de humildade. ”

Como alguém cai pelo orgulho?

O homem tem uma atração natural para Deus. Exemplos de virtude e demonstrações de amor sincero têm a aprovação de todos. Uma criança enche-se de prazer quando seu pai a encoraja a ter sucesso e tenta fazer o que é certo com mais vigor, O encorajamento sempre foi um bom meio educativo. Porém muitas vezes a nossa natureza corrompida foge do propósito designado pelo criador, então a sede de ser aprovado para a sua própria ascensão distrai-nos do caminho reto. Ao ganhar reconhecimento, um homem pode fazer grandes proezas, não para o seu próprio interesse, mas como pode ser dito, “para exportação,” isto é, para o interesse de impressionar os outros. Esta disposição leva à hipocrisia. O sentimento que direciona alguém a tentar parecer melhor chama-se vaidade.

“O sol brilha sobre todos indiscriminadamente, a vaidade regojiza-se em qualquer virtude” escreveu São João da Escada, e quanto mais sucesso temos, mais alimentos damos à vaidade. Eu sou vaidoso quando estou jejuando, quando me prepocupo com o jejum não para revelar os meus trabalhos, eu sou vaidoso porque sou sábio. Quando estou bem vestido, eu sou vaidoso pela minha aparência, mas quando eu estou pálido, sou ainda mais vaidoso pela minha suposta humildade. Quando estou para falar sou vaidoso, quando estou silencioso sou novamente vaidoso. De qualquer maneira que olharmos, sempre encontraremos a vaidade apontada para cima e revelando-se.

De acordo com São João Cassiano o Romano, “há dois tipos de orgulho: o primeiro infecta pessoas de espírito exaltado e os segundo luta contra os iniciantes e os carnais. E embora ambos levem a uma perniciosa arrogância em relação a Deus e a seu vizinho, o primeiro é direcionado inteiramente a Deus, enquanto o segundo tem a ver com as pessoas. ”

Além disso, quem estiver pecando sob vontade própria tem falta de humildade, uma vez que ele coloca seus desejos acima da vontade de Deus.

Como já foi dito, o orgulho compõe-se de auto-afirmação junto a uma apreciação excessiva de tudo que é “meu” desafiando tudo que “não é meu.” Ele é a fonte das mentiras e da hipocrisia, fingimento, rivalidade, ira, crueldade e uma multidão de crimes, O orgulho é a recusa em receber a assistência de Deus, embora o orgulhoso tenha uma grande necessidade do Salvador, uma vez que sua doença não pode ser curada sem a ajuda divina.

Vamos trilhar os sintomas dessa doença mis de perto; fizemos isso na estória de Igor. Quando um vaidoso inicia qualquer empreendimento, ele sempre tenta provar a sua superioridade. É um bom sinal para o vaidoso quando ele é forçado, por um fator externo de qualquer natureza, deixar a si mesmo e dirigir-se a outros, sua noiva ou sua família, quando perturbado. Em contato com pessoas espirituais que o colocam em contato com a religião, ele será atraído pela beleza da virtude e perceber sua pobreza interior, desejando a ajuda divina. Se isto não acontecer, a vaidade crescerá ainda mais e nutrirá o desejo de instruir e comandar, tiranizando outros desejos, tentando dominar a atenção, tempo e recursos. Ele se tornará agressivo e não comprometido com nada, sendo os seus negócios o que realmente lhe interessa, esquecendo os outros. Ele estará pronto para qualquer coisa e interferir com qualquer coisa sendo, ao mesmo tempo, o centro de qualquer grupo, alegre, contador de histórias e piadista.

São João Cassiano o Romano cita os seguintes sintomas do orgulho: “Na conversa: muito alto no silêncio, carrancudo na alegria, rindo alto na tristeza, excessivamente acabrunhado ao responder, insolente na seriedade, insensato, porque as palavras são proferidas sem a participação do coração. O orgulho carnal não combina com a paciência, é alheio ao amor, é soberbo ao insultar, de baixo espírito quando ofendido, lento para obediência, incapaz de recusar seus prazeres, obstinado ao obedecer os outros, sempre tentando manter a sua opinião, nunca desejando doar-se sendo, portanto, inapto a receber o sacrifício salvífico. O orgulho carnal confia mais em sua própria opinião do que na experiência dos mais velhos.”

Com o tempo, o humor dessa pessoa piora. Aborrecido com tudo, com exceção de suas próprias obras, ele não percebe suas faltas e encontra desculpas para si, engrandecendo seu conhecimento, sua experiência e habilidades. Sedento de ter sua superioridade reconhecida, ele reage amargamente a qualquer discordância ou crítica. Em uma discussão, ele toma qualquer opinião independente como um desafio pessoal. Sendo tão agressivo, ele naturalmente tem de enfrentar as reações colaterais, então fica ainda mais perturbado e obstinado, convencido de que todos são inimigos ciumentos. Seus conflitos com os outros se tornam mais agudos a medida que ele fica mais auto-centrado, mas ainda está longe de reconhecer uma autoridade maior e obedecer a Deus.

No estágio final da doença, sua alma torna-se cada vez mais escura e fria, sendo a morada do desdém e da raiva. Sua mente torna-se obscurecida, ele não é mais capaz de discernir entre o bem e o mal, porque estes foram substituídos por “meu” e “dos outros.”Está cansado da estupidez das autoridades é difícil reconhecê-las, ele deve provar a sua superioridade e fere-se quando o outro está certo. Todo sucesso externo é um insulto.

Muitas vezes, esta luta pela auto-afirmação dirige-se ao ganho material, à carreira, atividade social ou política e, se alguém tem talento, à arte. Então, graças à sua perseverança, ele pode adquirir sucesso, mas essa vitória não serve para o bem dos outros, causa rivalidade decadência. Quando ele pensa que ninguém tem os sentimentos certos por ele, mas o persegue e tenta feri-lo, temos um sintoma de mania de perseguição que, juntamente com a mania de grandeza, constituem uma severa doença mental, causada pela vaidade.

Por último, o orgulho desvia de Deus. Antes, ele pecou por sua fraqueza, agora ele justifica suas paixões considera o pecado uma piada. Estado sinceramente convencido de sua superioridade universal, ele certifica-se de ser capaz de viver sem assistência externa. Mas, no fundo de seu coração, a escuridão e solidão infinita habitam. Ele está se dirigindo a um “buraco negro” do qual não poderá retornar. Deus poderia salvá-lo, mas o orgulhoso virou-se contra Ele.

Orgulho de pessoas religiosas.

Quando o orgulho afeta uma pessoa religiosa, ela se torna atrevida o suficiente para agir como um juiz da fé e da Igreja. “Eu não acredito e não reconheço isto; eu acho isto supérfluo e desnecessário e aquilo é estranho ou engraçado. ” Outra manifestação do orgulho é o desejo de acusar e ensinar os outros considerando, ao mesmo tempo, as instruções dos outros tolas e óbvias,

Ao ouvir falar dos santos, o sectário autocontentado dirá: “Por que eu devo rezar para eles? Eles são pessoas como as outras; é suficiente voltar-se sozinho para Deus. ” Ele esquece que o Senhor Jesus Cristo muitas vezes ajudou pessoas devido ao pedido de seus familiares e amigos (João 4:46-53, Mateus 15: 21-28, Marcos 2:2-12, Mateus 8:5-13, 1João 5:14), encorajando-nos a amar e cuidar uns dos outros. Os santos são nossos “irmãos mais velhos,” que intercedem por nós diante de Deus (Rev 5:8).

O orgulho de uma pessoa religiosa também é obvio quando ele não reconhece os seus pecados e quando alguém é dominado por uma auto-estima farisaica. É interessante notar que isso pode ter diversas e controversas formas, como por exemplo:

O tipo dos Fariseus-um perito na lei da igreja, zelador da tradição, lutador pela pureza da fé,
O tipo “reformista” – um inovador, um inimigo da “superstição,”
O tipo dos Saduceus-o carreirista,
O falso proclamador (um falso profeta),
O tipo asceta que pensa alto sobre sua solidão, ou o profeta autoproclamado,
O sectário agressivo.
São João Cassiano fez o seguinte resumo dos efeitos fatais do orgulho: “Não há outra paixão que devaste a virtude e prive tanto o homem de sua santidade como o orgulho. Esta paixão, como uma infecção, aflige toda a pessoa como uma debilidade mortal e tenta dirigir mesmo aqueles no topo da virtude. Outras paixões têm seus limites e cada uma delas confronta ao menos uma virtude. A gula é oposta à temperança,a luxúria mancha a castidade e a raiva elimina a paciência. Portando, se alguém é derrotado por essas paixões, não é alheio às outras virtudes. Mas esta paixão, quando controla a alma, priva-a de qualquer resíduo de humildade, demolindo-a até o fundo. Tendo denegrido e misturado com terra as altas paredes a santidade, ela despoja-a de toda a liberdade, escravizando-a, despindo-a de toda a sua virtude da maneira mais cruel. ”

Como pode alguém, então, confrontar o orgulho e evitá-lo, já que ele é tão potente em invadir o coração do homem? A resposta encontra-se na própria pergunta- através da humildade e obediência. Obediência aos que ama, aos parentes, a verdade, a todo o bem encontrado dentro e fora de nós. Obediência a Lei de Deus, a Igreja, a seus cânones, a seus mandamentos, a seus mistérios.

Felizmente suficiente para nós, não perdemos circunstâncias de mostrar o quando a natureza é reprimida e inconseqüente. Não temos nenhuma base real para orgulharmo-nos. Um vírus trivial é suficiente para nos causar uma doença fatarl. Se excedermos em conhecimento, sempre alguém nos excederá. Ganhando em uma esfera, estamos perdendo em outros.

O Fruto da Humildade.

A Humildade, o estado natural da alma, está em posição correta em relação a Deus, ao seu lado, instalando a paz entre as pessoas e melhorando a família e a sociedade.

Portanto,

Uma pessoa humilde percebe suas faltas e pecados e por isto, ao invés de persistir neles, como o orgulhoso faz, se arrepende e luta para melhorar. Ao mesmo tempo, consciente do poder de Deus, o homem humilde respeita a Sua vontade e teme não violar os seus mandamentos. Se todas as pessoas fossem humildes, viveríamos na mais feliz sociedade imaginável, livre de roubos, estupros, embustes, assaltos. . . Seria o paraíso na Terra.
Como uma criança terna e obediente é ligada aos pais, uma pessoa humilde é ligada ao Pai Celestial. Por isto, Deus ama o humilde e lhe dá toda a assistência, como Ele mesmo disse: “Eu habito nas alturas e no Lugar sagrado, com aquele que é contrito e de espírito humilde, para revivê-lo” (Isaías 57:15). E o velho sábio relatou há muitos exaltados e poderosos, mas é aos humildes que os mistérios são revelados (Sir 3:19-20). O Senhor está perto daqueles de coração partido e salva os de espírito contrito. (Salmos 33:18). Ao contrário, Deus se desvia dos orgulhosos e que confiam em si mesmos, como é dito: “Deus resiste aos orgulhosos, mas dá a sua graça aos humildes”(João 4:6). Se o Todo Poderoso está contra os orgulhos, então seus esforços são em vão. Os santos Pais comparavam o orgulho a uma parede de cobre erigida entre o homem e Deus, que não pode ser penetrada por nenhuma luz, graça ou ajuda de qualquer tipo. Por essa razão o orgulhoso é o maior desgraçado entre os desgraçados.
A humildade leva a uma visão realista dos poderes e capacidades do ser humano enquanto que a autoconfiança sempre leva a obras acima de suas forças e por isso dirige à ruína. O humilde, clamando pela ajuda de Deus, recebe Dele sabedoria e força e sem anúncios inúteis, ele freqüentemente fará mais do que poderia por ele mesmo.
A humildade, ao instilar paz na alma, torna-se o instrumento para evitar a rivalidade e as contendas: “Levem o meu jugo sobre vocês e aprendam de mim que sou manso e humilde de coração e encontrarão repouso para suas almas” (Mateus 11:29). O corretíssimo Pai João de Kronstadt ensina: “Não seja vencido pelo mal, seja vencido pelo bem” (Rom 12:21). Quando alguém lhe é rude, quando você é tentado, quando se dirigem a você com raiva e desprezo, não responda da mesma maneira, mas seja silencioso, manso e benigno, respeitador e amoroso com aqueles que pensam mal de você, porque se você se abalar e começar a retornar as palavras sem paz, se você argumentar com rudeza e desdém, você foi vencido pelo mal e se aplicará a você a palavra: “Médico, cura a ti mesmo ” ou ” Por que olhas o cisco do olho do teu irmão e não vês primeiro a trave que está em teu próprio olho?. . . Primeiro tira a trave do teu olho” (Lucas 4:23, Mateus 7: 3-5). . . Tenha pena daquele que o insultou, pois ele é facilmente conquistado por suas paixões e tem a alma doente. Quanto mais rude e facilmente perturbável, mais amor você deve dirigir a ele. Desse modo, o vencerá rapidamente, pois Deus é sempre mais forte do que o mal e, portanto, vitorioso. Lembre-se também que todos somos muito fracos e facilmente vencidos pelas paixões e por causa disso devemos ser mansos e compreensivos com aqueles que pecam contra nós. Você tem a mesma doença do seu irmão. Perdoe aos que lhe devem como o seu Pai Celestial perdoa as suas dívidas. . ”
A humildade dá uma disposição modesta, silenciosa e de boa vontade. Em verdade, se alguém percebe que toda a perfeição da natureza humana é muito condicional, como irá tratar hostilmente os faltosos?Deus exalta o publicano arrependido acima dos “corretos” Fariseus, como vemos na parábola do Evangelho (Lucas 18:10-14). Enquanto o orgulhoso é ansioso por provar a todos a sua superioridade, o humilde lida com os outros com benevolência e compreensão e isto, em resposta, estabelece um clima amigável e cheio de paz na família e em toda a sociedade.
A humildade, que nos leva a Deus, é a condição inevitável para o crescimento espiritual. “Porque os que se exaltam serão rebaixados e os que se humilham serão exaltados” (Lucas 14:11). São Isaac o Sírio escreve: “Como um antídoto para a vaidade súbita, confesse sinceramente a sua fraqueza e ignorância a Deus quando rezar, então você não será abandonado por Ele, caindo presa de suas paixões impuras. ”
Como evidenciado pelos Santos Pias, não é tanto a santidade de alguém como a sua humildade que opera milagres. (Há umaa pobreza

que enriquece

(Sobre a virtude da Humildade.
Escrito pelo Bispo Alexander (Mileant)
Traduzido pela Dra Rosita Diamantopoulos)
http://www.fatheralexander.org/

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One response

14 04 2013
maria josé de souza frança

maravilhoso o texto gostei muito desta pagina, muito educativo espiritualmente

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