No Monte Athos.(Bairaktaris)

23 03 2013
Staretz Porfirio

Staretz Porfirio

Bem sabemos que a graça divina que habita os santos está e sempre estará presente, até o final dos nossos tempos.. Sabemos disso, mas quando nos deparamos com um desses santos abençoados parece que nos tornamos testemunhas dos tempos antigos. Um desses portadores da graça divina era o Staretz Porfírio que Deus me deu o privilégio de conhecer.

Os dons do monge Porfírio nos parecem inacreditáveis na nossa época tão racional. A sua sensibilidade para tudo que nos rodeia era sobrenatural. Ele entendia a linguagem das aves e sabia tudo a respeito delas, de onde elas migravam e que rumo tomariam. Com a sua visão interior ele enxergava o interior da terra, as profundezas oceânicas e espaços cósmicos inatingíveis. Ele enxergava minas de carvão e petróleo, ele via cidades soterradas da antiguidade, via fatos passados da história, ele, um espectador de acontecimentos passados, via lugares iluminados pela oração, via anjos e espíritos malignos, via a própria alma humana. Ao olhar para uma pessoa ele era capaz de identificar a sua doença física e espiritual. Para ele estavam abertos os pensamentos secretos das pessoas. Com um toque seu uma pessoa ficava curada. Não obstante, ele sempre foi uma pessoa doente e nunca pediu a Deus cura para si mesmo. Ele nunca procurou nada para si, somente para a glória de Deus e benefício do próximo. O humilde e resignado Starets Porfírio com o passar dos anos passou a ter seus dons multiplicados, nunca se apossava deles, dizia que era obra de Deus. Starets Porfirio nasceu no dia 7 de fev. de 1906 na Grécia, com o nome de Evangelos Bairaktaris, na aldeia de São João Karustio perto de Aliveri na província de Evia. Seus pais eram pobres e devotos camponeses. Sua instrução se resumiu a dois anos de primeiro grau na escola da aldeia. Desde pequeno ele trabalhava, em afazeres domésticos, guardava as ovelhas, trabalhava na horta e a partir dos 8 anos numa mina de carvão e mais tarde no balcão de uma loja. Na adolescência leu a vida de São João Kuchnic que o deixou muito impressionado e a partir daí resolveu tomar rumo do monte Athos. Nunca conseguia alcançar o seu objetivo pois sempre apareciam impedimentos, finalmente aos 14 anos ele alcançou o seu destino.

No Monte Athos.

Ainda no navio que zarpava rumo ao Monte Athos o menino conheceu seu futuro Staretz o hieromonge Panteleimon que se fez de seu tio para que o menino tivesse livre entrada no Monte Atos pois crianças sozinhas não podem entrar. O hieromonge o acolheu na sua cela que partilhava também com seu irmão o monge Joanício. O menino acabava de ganhar dois experientes orientadores ao mesmo tempo. Sua única queixa era de que as tarefas incumbidas a ele eram poucas. Andava sempre descalço nas áridas trilhas, tanto no verão como no inverno. Sua cama era o chão de pedra e cobria-se com um único cobertor. A janela estava sempre aberta mesmo quando nevava. Ele estava sempre ocupado: Talhava madeira, lascava lenha, trazia sacos com terra para a horta. Fazia tudo com alegria. Catava caramujos nas encostas das rochas. Certa vez as pedras deslizaram e ele estava já caindo no precipício, só conseguiu gritar Nossa Senhora… e uma força invisível o recolocou na rocha e ele voltou ileso. Ele não sabia o que era ócio, seu coração e sua mente estavam sempre em oração. Ele aprendeu a ler e sempre lia nos ofícios da igreja. Na sua cela lia o evangelho que sabia quase de cor. Evangelos queria demonstrar sua gratidão a Nosso Senhor Jesus Cristo pela Sua morte na cruz e redenção dos pecados e pedia doença, mais especificamente um câncer para que pudesse também sofrer em nome de Deus. Os seus tutores desaprovaram dizendo que só Deus é que sabe o que ele precisa. De fato Evangelos acabou adoecendo de câncer mas já idoso.

Em pouco tempo, Evangelos foi ordenado monge, com o nome de Nicetas. Certa vez ao entrar na igreja se postou num canto escuro em oração. Entrou também o monge Demétrio, russo, de 90 anos, ex-oficial do exército imperial. Olhou ao redor e não vendo ninguém se entregou à oração fazendo prostrações. Em certo momento o ar se impregnou da graça do Espírito Santo. O monge postado no centro da igreja tinha seus pés acima do chão, estava flutuando. A graça que abençoou o santo homem também passou para jovem monge Nicetas pois tinha o coração aberto e preparado para recebê-la. A emoção que sentiu era indescritível. Na volta para casa, depois de receber os santos dons, sentia o coração transbordando de tamanha alegria e amor a Deus que levantava as mãos para o céu exclamando em alta voz: Glória a Ti Senhor… Ele guardava com muito carinho e por toda a sua vida a grata lembrança do Staretz russo através do qual ele recebeu aquela graça que o fez renascer. Quando eu fui visitá-lo em 1986 já preso à cama, doente e cego, ao saber de onde eu era, se lembrou do Staretz Demétrio, se emocionou e tentou pronunciar em russo as únicas palavras que sabia: Presviataia Bogoroditsa spassi nas! Toda a figura dele se iluminava, era alegria e amor. Eu jamais tinha visto uma pessoa tão luminosa. Ao sair da sua cela sentia-me como se tivesse criado asas, eu já não caminhava mas voava pela trilha do mosteiro. Soube depois que todas as pessoas que visitavam-no, tinham a mesma sensação.

Depois que o jovem monge Nicetas foi abençoado pela graça divina, a sua vida passou por uma significativa mudança. Deus Nosso Senhor iluminou-o com dons espirituais de uma forma semelhante à dos apóstolos por ocasião de Pentecostes quando eles reunidos receberam a graça do Espírito Santo.

Esses dons se manifestaram pela primeira vez quando os seus superiores estavam voltando para casa depois de uma viagem e Nicetas os avistou de longe. Ele os viu como estivessem ao seu lado enquanto que se encontravam quase fora de seu campo visual. Ele relatou o fato ao seu superior, Staretz Panteleimon que aconselhou-o a ter muita reserva e manter segredo pelo tempo determinado, o que foi cumprido.

O jovem podvijnik (aquele que pratica os “podvigs” — exercícios voluntários na oração, no trabalho, etc. almejando o crescimento espiritual) não conseguia imaginar-se fora das terras do Monte Athos, mas Deus teve outros desígnios para ele. Devido a seus hábitos de andar descalço, não aquecer sua cela e deixar a janela aberta, Otetz Nicetas teve pneumonia que evoluiu para pleurite. Os seus orientadores mandaram-no fazer tratamento no continente. Após o tratamento Nicetas voltou fortalecido mas logo adoeceu novamente e então, vendo que o clima do Monte Athos não lhe fazia bem os seus superiores resolveram mandá-lo novamente ao continente em definitivo.

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