Escritos Monásticos sobre a Aflição

8 03 2013

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É muito importante a espiritualidade dos Pais do Deserto e seus seguidores.A sabedoria desses homens tanto da Igreja Oriental como Ocidental através dos séculos…

Transcrevo aqui algumas citações desses mestre da Espiritualidade Cristã.

O venerável Antônio o Grande (4o séc. Egito): Quanto mais moderadamente o homem leva a vida, mais tranquilo ele fica, pois, não se preocupa demais — com empregados e com aquisição de bens e mercadorias. Se nós nos agarrarmos a isso (coisas da terra), então estaremos nos submetendo às aflições decorrentes dessas preocupações, e chegamos a resmungar contra Deus. Dessa maneira, a vontade de ter muito nos enche de agitação, e nós vagamos pela escuridão de uma vida pecaminosa.

Santo Monge Efraim o Sírio (Mesopotâmia, 4o séc.): Você não consegue suportar ofensas? Fique calado — e se sentirá calmo. Não pense que você sofre mais do que os outros. Assim como para quem vive na terra é impossível evitar o ar, também para o homem, que vive neste mundo, é impossível não ser tentado pelas aflições e doenças. Os ocupados com o mundo experimentam também as aflições, mas se direcionam à espiritualidade sobre o espiritual e adoecem na alma. Porém os últimos serão abençoados, pois seu fruto está pleno de Deus.

Se a tristeza chegar, vamos esperar também a aproximação da alegria. Tomemos como exemplo os que estão navagando no mar. Quando se levanta uma tempestade os navegadores lutam com as ondas, esperando o tempo se acalmar; e quando chega a calmaria, eles se preparam para a tempestade. Estão sempre vigilantes, para que o vento que repentinamente surgir, não os pegue desprevinidos e não vire a embarcação. Assim também nós devemos agir: quando ocorrer alguma aflição ou circunstâncias difíceis, vamos aguardar o alívio e a ajuda de Deus, para que não nos deprima o pensamento, como se não houvesse mais esperança de salvação para nós.

Tudo vem de Deus — as bençãos e as aflições. Mas uma é através da edificação e a outra através da permissividade e da tolerância. Através da benevolência — é quando vivemos virtuosamente, pois, é do agrado de Deus que aqueles que vivem virtuosamente se enfeite, com grinaldas de paciência; através da edificação — é quando ao pecarmos estamos conscientes do pecado; enquanto que, por negligência — mesmo conscientes, nós não mudamos. Deus nos castiga providencialmente, nós qie pecamos, para que não sejamos condenados com o mundo, conforme diz o apóstolo: “Mas, sendo julgados pelo Senhor, Ele nos castiga para não sermos condenados com o mundo” (1 Cor. 11:32).

Venerável Marco (5o séc. Egito): Se alguém pecar claramente e não se arrepender, não é sujeito a nenhuma aflição até o seu fim, saiba você que o julgamento dele será implacável… Aquele que quer se livrar de futuros desgostos deve suportar de bom grado o presente. Pois desta maneira, mentalmente mudando um ao outro, ele, através de pequenas aflições estará evitando grandes tormentos.

Quando em consequência de uma ofensa seu interior e seu coração ficam irritados, não se aflija, que mentalmente despertou o mal escondido dentro de você. Mas com alegria reprima pensamentos que surgem, sabendo, que junto com o fato de que eles se destroem quando surgem, junto também se destrói o mal que se encontra debaixo deles e os coloca em ação. Caso seja permitido que os pensamentos surjam fortes e com frequência, então também o mal habitualmente se solidifica.

Venerável Isaak o Sírio (6o séc. Síria): A vontade do Espírito é de que Seus filhos amados vivam em dificulades. O Espírito de Deus não habita dentro daqueles que vivem tranquilamente. É assim que se distinguem os filhos de Deus dos outros: eles vivem aflitos, enquanto o mundo se orgulha da fartura e tranquilidade. Deus não desejou que Seus amados filhos vivessem pacificamente enquanto estivessem em seus corpos, mas sim, Ele quer que eles vivam agora em aflição, em opressão, em dificuldades, na pobreza, na nudez, na necessidade, na humilhação, em ofensas, em um corpo sobrecarregado e em pensamentos tristes. Assim se cumpre aquilo que foi dito sobre eles: “No mundo haveis de ter aflições” (Joã. 16:33). O Senhor sabe que aqueles que vivem tranquilamente não são capazes de amá-Lo, e por esta razão, nega aos justos a tranquilidade e os deleites temporários.

Atrás de todo conforto corporal segue o sofrimento e atrás de todo sofrimento por Deus segue o consolo. A alma que ama a Deus, adquire para sí o consolo em Deus, Nele Único. A alegria em Deus é mais forte do que esta vida, e quem a encontrou não apenas não irá olhar para os sofrimentos, mas até mesmo não irá se incomodar em olhar para sua vida, e alí não terá nenhum outro sofrimento, se realmente houve essa alegria.

Uma pequena aflição por Deus é melhor do que um grande feito realizado sem preocupação. Aquilo que é feito sem esforço, é a “virtuosidade” das pessoas do mundo. Mas você, aja em segredo e imite Cristo, para ter o merecimento de saborear a glória de Cristo. A mente não será glorificada junto com Cristo, se o corpo não sofrer junto com Ele.

Mais preciosas do que qualquer prece e sacrifício diante de Deus são as aflições por Ele e para Ele.

Deus está próximo do coração aflito daquele que clama por Ele, com aflição. Mesmo que às vezes o submeta a privações corporais ou outras tribulações, o Senhor demostra imenso amor pela humanidade, proporcionalmente à severidade do sofrimento e aflições do sofredor.

 “Staretz” (o que tem o dom de Deus 6o séc. Palestina): Você deseja livrar-se das aflições e não encomodar-se com elas? Então aguarde muito maiores, — e tranquilize-se.

Ava Dorofei (7o séc. Palestina): À medida que o pecado é cometido a alma enfraquece, pois, o pecado enfraquece e leva à extenuação aquele que sucumbe a ele. É por esta razão que a pessoa se preocupa com tudo que acontece com ela. Porém, se a pessoa progride na bondade, emtão, à medida da progressão, tudo aquilo que parecia difícil agora parece mais leve.

Existem pessoas que estão tão enfraquecidas pelas doenças e infortúnios desta vida, que preferem morrer, desde que fiquem livres das aflições. Isto acontece com eles por medo, insegurança e grande insensatez, pois eles não pensam naquela terrível necessidade que ocorre com as pessoas quando a alma delas abandona o corpo. Eis o que narra o livro “Paterikon”: Um certo noviço aplicado perguntou ao seu superior ancião: “Por que eu quero morrer? O ancião respondeu: “É porque você está evitando as aflições e não sabe que a aflição futura é muito mais pesada do que a daqui.” E outro noviço perguntou ao ancião: “Por que eu, encontrando-me em uma cela, caio em desânimo e desatenção?” O ancião lhe disse: “Porque você ainda não conheceu nem a paz aguardada, nem o futuro sofrimento, pois se você tivesse conhecimento seguro disso, sua cela poderia estar cheia de vermes, de tal forma que você estaria com eles até o pescoço, mas você suportaria tudo sem enfraquecer nem um pouco.” Mas nós, enquanto vivemos, queremos nos salvar e por esta razão enfraquecemos pelas aflições, no tempo em que deveríamos agradecer a Deus e nos considerar benditos por podermos nos afligir um pouco aqui, para que possamos obter paz lá.

Acredito que a desonra e a censura que partem das pessoas — são medicamentos que curam o seu orgulho, e reze por aqueles que o difamaram como por verdadeiros médicos de sua alma. Esteja certo de que aquele que odeia a desonra, também odeia a modéstia. E aquele que evita quem o tenha magoado está se afastando da humildade.

Ava Zózimo (4o centenário, Egito): Acabe com as tentações e lute com os pensamentos — e não restará nenhum santo. Aquele que foge da tentação está fugindo da vida eterna. Quem forneceu as corôas aos santos mártires senão seus torturadores? Quem foi que presenteou o primeiro mártir Stephano com tamanha glória senão aqueles que o apedrejaram?

Venerável Serafim de Sarov (18o séc. Rússia). Quem conquistou a paixão, também conquistou a tristeza. E aquele que foi conquistado pelas paixões não escapará dos grilhões da tristeza. Assim como um enfermo é detectado pela cor do rosto, também aquele que está possuido pelas paixões se distingue pela tristeza.

O corpo é o escravo da alma e a alma — é a rainha. Por isso é frequente que pela misericórdia de Deus nosso corpo se extenue pelas doenças. Por causa dessas doenças as paixões enfraquecem, e a pessoa cai em sí… Quem suporta as doenças com paciência e gratidão, é considerada como uma ação ou até algo mais do que isso.

Não se pode empreender ações além da conta, mas sim, é preciso tentar para que o amigo — nossa carne — seja fiel e apto a praticar noas ações. É necessário seguir o caminho do meio, não se desviando nem para a direita, nem para a esquerda: dar espiritualidade ao espírito, e à carne dar o corporal necessário para a manutenção da vida temporária.

Para os estudantes desejosos em tomar sobre sí excessivos encargos, o venerável Serafim dizia que suportar com resignação e humildade as ofensas — são nossas correntes e tecidos grosseiros e pesados.

Precisamos ser tolerantes com nossa alma em suas fraquezas e imperfeições, e suportar nossas falhas assim como suportamos as falhas dos que estão próximos de nós.

Alegria — não é pecado. Ela afasta a fatiga, pois devido à fadiga surge a depressão, e não há nada pior do que isso. Ah, se você soubesse, — dizia ele certa vez a um monge, — que felicidade, que doçura aguarda a alma do justo no Céu então você decidiria suportar com gratidão qualquer ofensa, perseguição, calúnia desta vida temporária. Se esta nossa cela estivesse cheia de vermes e se esses vermes estivessem comendo nossa carne no decorrer de toda nossa vida terrestre, então com todo nosso desejo deveríamos concordar com isso, para que só assim não nos privemos daquela alegria celestial, a qual Deus preparou aos que O amam.

 “Staretz” Nicon de Optina (1927 — Rússia): Se você quer se livrar da tristeza, não amarre seu coração a nada nem a ninguém.

O Senhor nos ajuda nas aflições e nas tentações. Ele não nos livra delas, mas nos dá força para suportarmos com suavidade a até nem as percebermos.

 “Staretz” Siluan (ano 1938, Athos): O Senhor ama a todos mas permite as aflições para que as pessoas reconheçam sua fraqueza e se resignem, e por sua humildade recebam o Espírito Santo, e junto com o Espírito Santo — fica tudo alegre e feliz.

Você diz: “Eu tenho muitas mágoas” mas eu lhe digo: “Se resigne e então verá que suas desgraças se transformarão em paz, tanto que você mesmo irá se admirar e dirá: Por que é que eu sofria e me afligia tanto antes? Mas agora você está feliz porque se resignou e veio a graça de Deus, embora agora irá te deixar, pois em sua alma esta a paz sobre a qual o Senhor falou: “Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz.” É assim que o Senhor dá a paz a toda alma humilde.

A alma do humilde é como o mar. Jogue uma pedra no mar e ela por um minuto irá agitar a superfície dele, e em seguida se afundará em suas profundezas. É assim que as aflições se afundam no coração do humilde, pois a força do Senhor está com ele.

Abade Nicon (1963, Rússia): A paz (enviada por Deus) torna a pessoa insensível às mágoas e sofrimentos mundanos, apaga todo interesse por este mundo, afasta o desgosto, faz nascer no coração o amor por todos, o qual cobre todas as faltas do próximo, não as percebe, se força a ter piedade dos outros, mais do que de sí próprio.

Fonte de pesquisa:http://www.fatheralexander.org

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