CAPÍTULO 1. Conduta e mentalidade mundanas de Francisco

21 02 2013

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Para louvor e glória de Deus todo-poderoso Pai, Filho
e Espírito Santo. Amém!

Vivia na cidade de Assis, na região do vale de Espoleto, um
homem chamado Francisco. Desde os primeiros anos foi criado
pelos pais insensatamente, ao sabor das vaidades do mundo. Imitou-lhes
por muito tempo o triste procedimento e tornou-se ainda mais
frívolo e vaidoso.
Essa mentalidade péssima difundiu-se por toda parte, entre os que
se dizem cristãos, como se fosse lei, confirmada e preceituada por
todos que procuram educar seus filhos desde o berço com muita
moleza e dissolução. Apenas nascidas, mal começam a balbuciar e a
falar, as crianças aprendem, por gestos e palavras, coisas
vergonhosas e verdadeiramente abomináveis. Na idade de
abandonarem o seio materno, são levadas não só a falar mas
também a fazer coisas indecentes e lascivas. E nenhuma delas ousa,
nessa idade, comportar-se honestamente, pois isso as poderia expor
a castigos severos. Bem disse o poeta pagão: “Como crescemos no
meio das depravações de nossos pais, desde a infância
acompanham-nos todos os males”.

O Senhor transforma seu coração por meio de
uma doença e de um sonho

De fato, quando ele ainda vivia no pecado com paixão juvenil,
arrastado pelas paixões da idade e incapaz de controlar- se, poderia
sucumbir ao veneno da antiga serpente. Mas a vigança, ou melhor, a
misericórdia divina, subitamente desperta sua consciência através
de uma angústia na alma e de uma enfermidade no corpo, conforme
as palavras do profeta: “Hei de barrar teu caminho com espinhos e
cercá-lo de muralhas”. Prostrado por longa enfermidade, que é o que
merece a teimosia dos homens que não se emendam a não ser com
castigo, começou a refletir consigo mesmo de maneira diferente.
Já um pouco melhor, e apoiado em um bastão, começou a andar
pela casa para recuperar as forças. Certo dia, saiu à rua e começou a
observar com curiosidade a região que o cercava. Mas nem a beleza
dos campos, nem o encanto das vinhedos, nem coisa alguma
agradável de se ver conseguia satisfazê-lo. Ficou surpreso com sua
mudança repentina e começou a julgar loucos os que amavam essas
coisas.
4. Desde esse dia, começou a ter-se em menos conta e a desprezar
as coisas que antes tinha admirado e amado. Mas não inteiramente e
de verdade, porque ainda não estava livre das cadeias das vaidades,
nem tinha sacudido do pescoço o jugo da perversa servidão. É
muito difícil deixar as coisas com que alguém se acostumou e não é
fácil libertar-se do que uma vez se aceitou. Mesmo depois de longa
abstenção, o espírito volta ao que tinha aprendido e o costume
geralmente transforma o vício em segunda natureza.
Francisco ainda tentou fugir da mão de Deus e, quase esquecido da
correção paterna, diante de uma oportunidade, pensou nas coisas
que são do mundo e ignorou o conselho de Deus, prometendo a si
mesmo o máximo da glória mundana e da vaidade. Pois um nobre de
Assis não mediu despesas para se armar militarmente e, inchado
pela glória vã, decidiu atacar a Apúlia para ganhar mais dinheiro e
honra. Sabendo disso, Francisco, que era leviano e não pouco
audaz, alistou-se para ir com ele, porque era menos nobre mas de
ambição maior, mais pobre mas também mais generoso.

Todo entregue a esse plano e pensando com ardor na partida,

certa noite,aquele que o tinha tocado com a vara da justiça visitou-o
em sonhos, com a doçura da sua graça. E o seduziu e exaltou pelo
fastígio da glória, porque tinha sede de glória.
Pareceu-lhe ver a casa toda cheia de armas: selas, escudos, lanças e
outros aparatos. Muito alegre, admirava-se em silêncio, pensando no
que seria aquilo. Não estava acostumado a ver essas coisas em sua
casa, mas apenas pilhas de fazendas para vender. E ainda estava
aturdido com o acontecimento repentino, quando lhe foi dito que
aquelas armas seriam suas e de seus soldados. Despertando de
manhã, levantou-se alegre e, julgando a visão um presságio de
grande prosperidade, ficou certo de que sua excursão à Apúlia seria
um êxito.
Pois não sabia o que dizia e ainda não entendera nada do dom que
lhe fora feito pelo céu. Em um ponto, poderia ter percebido que sua
interpretação do sonho não era verdadeira porque, embora
contivesse muita semelhança com coisas já acontecidas, dessa vez
seu espírito não estava tão feliz como de costume. Precisava até
fazer algum esforço para executar o que planejara e levar a cabo o
seu plano.
É muito interessante esta menção de armas logo aqui no começo.
Muito oportunamente se oferecem armas ao soldado que vai
combater o forte armado e, como um outro Davi em nome do Senhor
dos exércitos, há de libertar Israel do antigo opróbrio dos inimigos.

 

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