Vestidos de Conteúdo- Pe. Zezinho

7 02 2013

pezezinho1Foi surpreendente ouvir o comentarista no rádio ridicularizar os padres e as freiras de hábito, dando a entender que quem usa hábito ou batina é retrógrado, está fora do tempo. Mas não o ouvi a falar o mesmo contra os aiatolás que também usam vestido comprido e turbante nas cabeças. Não o vi comentar a respeito do chador, as burka ou do hábito das muçulmanas. De repente isso pode ser moderno para ele, mas jovens vestidos de franciscanos o incomodam.

Dom Helder Câmara foi um dos homens socialmente mais progressistas dos últimos tempos e ele sempre usava batina. Ela não o impediu de ser moderno. Nem o traje de cardeal impediu Dom Eugênio Sales, tanta vezes acusado de conservador, de ajudar milhares de perseguidos no tempo da repressão no Brasil. João Paulo II que, concordem ou não com ele, influenciou politicamente todos os povos da sua região e certamente teve muita influência nas mudanças que se procederam politicamente no leste europeu, usava batina.
É de se deduzir que usar batina ou trajes de ontem tanto pode ajudar como prejudicar. Nem sempre o traje é símbolo de atraso. Depende do discurso e da cabeça de quem o veste. Que lindo atraso o de Madre Tereza de Calcutá que com aquele hábito que a escondia apareceu mais do que nunca pela sua caridade. O dito comentarista não leu nem segue a História.
Há pessoas de colarinho e gravata, muito mais retrógradas, muito mais capazes de pisar nos outros e destruir a História, do que alguns que usam o hábito. Hitler usava roupas modernas para o seu tempo… A roupa pode fazer o monge, mas em geral não faz, nem o torna nem mais santo, como também não o torna mais retrógrado. É um gosto, um modo de vestir, um simbolismo.
Por isso, foi muito estranho ouvir aquele comentarista usar de dois pesos e duas medidas. Não gosta do hábito dos padres e das freiras e os acha retrógrados. Mas sua idosa mãe um dia talvez seja salva por uma dessas irmãs de hábito… Isto só para levar a reflexão de que não é o que vestimos que nos torna modernos ou ultrapassados. É a alteridade e o conteúdo que nos põe dentro ou adiante do nosso tempo. Os ensimesmados e voltados para si mesmos são mais retrógrados do que parecem, não importa o que vistam e quantos carros tenham na garagem.

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