Um Pai no Espírito

7 02 2013

id_abade_antonio_gf_9O itinerário do monge, em geral, não está somente marcado pelo esforço pessoal, mas também assinala a presença de um pai espiritual, ao qual ele se abandona com filial confiança, seguro de que nele se manifesta a terna e exigente paternidade de Deus. Esta figura dá ao monaquismo oriental uma ductibilidade extraordinária: com efeito, por ação do pai espiritual, o caminho de todo monge se encontra fortemente personalizado nos tempos, nos ritmos e nos modos da busca de Deus. Precisamente porque o Pai espiritual é o ponto de encontro e harmonização, isso permite ao monaquismo a maior variedade de expressões cenobíticas e eremíticas. Assim, o monaquismo no Oriente pôde exprimir a realização das expectativas de cada Igreja, nos diferentes períodos de sua história.

(Nota 31: São significativas, por exemplo, as experiências de António (cf.Atanásio, Vida de Antonio, 15; PG 26,865); de Pacômio, (cf. Vidas Coptas de Pacômio e seus sucessores, ed.L.Th.Lefort 1943, 3); e o testemunho de Evágrio Pôntico, Praktikós, 100 (SChr 171,710).

Nesta busca, o Oriente ensina de modo particular que existem irmãos e irmãs aos quais o Espírito concedeu o dom do aconselhamento espiritual: são pontos de referência valiosos, porque sabem olhar com os olhos do amor que Deus possui. Não se trata de renunciar à própria liberdade, para que os outros nos dirijam: trata-se de tirar proveito do conhecimento do coração, que é um verdadeiro carisma, para que nos ajudem, com doçura e firmeza, a encontrar o caminho da verdade.

Nosso mundo tem grande necessidade de pais. Freqüentemente os afastou porque lhe pareciam pouco confiáveis, ou porque o seu modelo dava a impressão de já estar superado e pouco atraente para a sensibilidade do momento. No entanto, esse mesmo mundo tem dificuldade para encontrar outros novos, e por isso sofre com medo e insegurança, sem modelos e sem pontos de referência. O que é pai no Espírito, se o é de verdade – e o povo de Deus tem sempre demonstrado que sabe reconhecê-lo – não tornará os outros iguais a si mesmo, mas os ajudará sim a encontrar o caminho para o Reino.

Bem cedo, também ao Ocidente foi concedido o dom admirável de uma vida monástica, tanto masculina como feminina, que conserva o dom da direção no Espírito e merece ser valorizada. Oxalá que nesse âmbito e onde for que a graça de Deus suscite esses valiosos instrumentos de amadurecimento interior, os responsáveis cultivem e valorizem um tal dom e todos dele se utilizem: experimentarão assim como a paternidade no Espírito é consolo e ajuda para o seu caminho de fé.

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